A proposital invisibilização do Estado e da Nação promovida pela elite brasileira de pensamento escravocrata, decorre da
sanha aguerrida com que ela mantém a monopolização desse mesmo Estado para si. Portanto,
manter essa confusão entre governo e Estado, e Nação com sociedade, visa
justamente a manutenção dessa ignorância como fator preponderante para que o
cidadão brasileiro não busque o direito de justiça; direito devido pelo Estado
e não pelo governo em si, fazendo com que o indivíduo ignorando o direito
coletivo, passe a reagir juridicamente de maneira solitária e não solidária.
No caso
brasileiro, aonde existem diversas etnias, com é o caso dos nisseis e dos judeus;
e diversas outras nacionalidades, como a dos italianos, espanhóis, alemães,
etc. que habitam nosso país além dos povos indígenas e do povo negro,
observamos que os indígenas com seus idiomas e culturas, formam um povo, mas
que não são considerados pelo Estado como povo e por isso mesmo, já que não
possuem terras, sendo que a mesma lhes foram propositalmente retiradas pelo
Estado uni-étnico que juridicamente os tutelam.
Podemos citar o exemplo da Espanha, país aonde
existem diversas etnias, como a etnia dos Bascos, Catalães, andaluz, ciganos, etc. essas inúmeras etnias
integram a Nação formadora do Estado; é de bom alvitre, para ilustrar como o
Estado e formado por nações. Ou seja, todos são espanhóis, visto que a
nacionalidade e conferida pelo Estado. Ou seja, o Estado surge do Povo que, por
sua vez, é formado pelas nações. Podemos inferir nesse caso que, o Estado brasileiro
veio da sociedade e não da nação.
Portando, um Estado como é o caso do Brasil,
que não foi fundado pelas nações que nele habitam, mas sim, por um congresso
constituinte convocado para tal, lavrando dessa forma, um Estado monorracial,
longe de ser pluriétnico e pluriversal, e isto faz com que o Brasil siga o
exemplo do Estado de Israel, que expulsa o povo de uma terra para poder ter um
país para chamar de seu. Com uma população sem um território, os judeus não
poderiam ser considerados como povo, já que não existe povo sem território.
Este é o caso do Povo negro e dos Povos
indígenas que sobrevivem nas terras roubadas pelos europoides. Ou seja, aos
mesmos povos não se aplicam o direito coletivo; justamente por esse motivo, não
existe condenação para o crime de racismo, já que o mesmo crime só pode ser
considerado como tal, quando for dirigido a um povo e nunca a um indivíduo; e
por isso, esse mesmo crime é largamente tipificado como injúria racial,
portanto, sem dolo para o praticante.
Podemos observar que, no Brasil, os únicos a
terem sua nacionalidade conferida pelo Estado são os Negros, que foram
convenientemente titulados como Afro-brasileiros;
pois caso contrário, juridicamente seriam considerados como o único povo
existente no Brasil, já que os indígenas foram praticamente eliminados, os eurodescendentes
reconhecem as suas nacionalidades como tal, e a República não teve êxito em
fazer da nação brasileira, uma nação branca, assim como previa seu meticuloso
processo eugênico, contrariando as expectativas Darwinismo social.
Portando, este é o momento de nos
reconhecermos como Povo, para finalmente poder fazer parte desse Estado que nos
tem exilado em nossa própria casa, nos mantendo hora em liberdade condicional,
hora em cárcere privado, atendendo a uma justiça que não contempla ao povo que construiu
essa nação e aos que nela coabitam.
O Projeto de Nação do Povo Negro para o
Brasil, exige primeiro negociar com o Estado todos os itens considerados como frutos do crime da escravização[1]
de nossos antepassados, e que criaram toda as riquezas que hoje sustentam as famílias tradicionais brasileiras e seus eurodescendentes. Esta negociação trazida pelo processo de Reparação, dará início ao direito de
justiça pelos crimes da história; crimes que até os dias de hoje permanecem
impunes, uma vez amparados justamente pela distopia estruturada por essa conjuntura
aonde esse Estado tem servido de brinquedo nas mãos de uma sociedade de
pensamento escravista.
Esse Estado que intimida os povos alijados
dessa mesma sociedade escravocrata, promovendo a limpeza étnica através do
genocídio dos povos originários e autóctones que ainda restam nesse Brasil
varonil, que manda os filhos da pátria para as margens da indignidade de forma
vil.
Reparação já...!!
[1]
Os países membros da ONU, com exceção de EUA e
Israel, através da Conferência de Durban, em 2001, na África do Sul, organizada
pela Organização das Nações Unidas; reconheceram o Estado como responsável
pelos crimes de escravidão dos Povos Africanos ocorrida em seu solo; fato este
que o Brazil esconde e silencia diante das resoluções emanadas desse tratado internacional
firmado em Durban, mesmo estando de acordo com tais resoluções aprovadas, que
tipificaram como crimes da história a Escravidão dos Povos Africanos,
o Tráfico Negreiro Transatlântico e a Colonização em África e América
Latina. Sendo tais crimes imprescritível e inafiançável, e que os
mesmos deveriam ser Reparados pelo Estado em questão.

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