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sábado, 28 de outubro de 2017

A Práxis da Pedagogia Decolonial No Instituto de Educação Clélia Nanci Do Churrasco Gourmet Ao churrasco da Lage

Alguns acadêmicos historiadores, e historiadores acadêmicos, sustentam a tese de que vivemos numa pós-colonialidade, ignorando solenemente o fato de que hoje vivemos de fato num sistema colonial refinado em seu mais alto grau, uma vez que a modernidade e o colonialismo são dois lados da mesma moeda dessa contemporaneidade que foi inventada pela elite europoide e imposta através da violência da colonização arrogante e sanguinária e do mercado infame[1] que instituiu a divisão racial do trabalho e de salários, da produção cultural e de conhecimento, criando um padrão de poder e uma razão universal que exclui as epistemologias daquilo que não é espelho[2].

Uma vez negado o outro e ao seu saber, esse padrão representativo assimilado, transforma tudo ao seu redor em sua imagem e semelhança[3], introjetando seus princípios como regras fazendo uso da educação, da mídia e da força militar como instrumentos de pacificação, correção e coerção, além de todos os meios necessários[4] para efetivar tal processo estuprador de humanidades.

A educação nossa de cada dia que nos dão hoje, tem funcionado como um dos instrumentos mais eficazes usados nesse processo violador que foi inaugurado no Brasil colônia pelos jesuítas franceses, cujos padres introjetaram em nossas artérias coronárias e cerebrais,[5] o Deus da cultura europoide, através do processo de assimilação[6] e de cooptação. Desse modo, por mais que se denuncie e se desconstrua o engodo colonial, a colonização mental assegurada pela ideia de um Deus europoide, permanece arraigada nos descendentes de escravizados no Brasil, se tornando assim, um dos instrumentos mais poderosos de controle na implementação da servidão contemporânea nesse sistema de escravização moderna, uma vez que é passado de geração a geração pelo próprio escravizado, e perpetuamente reforçado pelo sistema educacional, político e midiático tupiniquim laico-oficial.

Hoje, é público e notório que, toda a desordem existente na Urbi Et Orbi provém unicamente dessa ordem estabelecida, que se revela como um fenômeno entrópico jacente. Fenômeno esse que se despe desavergonhadamente, de forma explícita e patética, vil e vulgar, a cada momento, nos micros e macrocosmo dessa sociedade, tal como qualquer violência de cada dia que se mostra banalizada e cultuada pela hipocrisia sincera dessa sociedade honestamente cínica, espelhada pela educação laico-colonial pós-moderna.

Dessa maneira, como produtos expostos nas vitrines sociais exibindo tarja preta em horário nobre, com validade e código de barras de valores monorracial, a criança é publicamente exposta e manipulada pela escola europoide num perverso bulliyng pedagógico desde o ensino infantil até a academia, que realiza com esmero sua formatura, onde ele, enfim, se torna um legítimo multiplicador do efeito zumbi, e dessa forma, como professor, de oprimido a opresso, passa a ser um multiplicador de zumbis hollywoodianos; e na medida em que o seu reflexo for hierarquicamente contemplado por suas vítimas discentes, devido ao desempenho indecente de seu papel social, vai ocorrendo o processo de fabricação de Medusas reprodutoras de efeito-zumbis em série, consequente dessa virulenta e prostituída pedagogia serial killer dos Tempos Modernos[7] professada por nossa progressista escola laico-colonial fundamentada pela eugenia evangélico-empresarial.

Destarte, tais valores enviesados trazidos pelos bem polidos espelhos eurocêntricos, travestidos de terno, gravata, camisa de seda e bravatas, repetem simbolicamente o ato de presentear povos autóctones em terras exóticas; e como num moto-perpétuo, retroalimentam esse público que se acha povo, sem que os mesmos percebam nesse vil processo, a presença do touro de Dusirís[8] seguindo o cortejo dessa fúnebre procissão, que tem a frente o lendário Cavaleiro montado em seu Cavalo de Tróia, fazendo do norte a direção.

A extrema violência desse episódio do Rei Dusirís me veio de assalto à cabeça, quando fui interpelado para explicar os motivos de estar realizando um churrasco pedagógico, perante uma direção democraticamente eleita no Instituto de Educação Clélia Nanci; localizado na cidade de são Gonçalo, Rio de Janeiro; poucos meses logo após um desgastante pleito onde o corpo docente e discente se se uniu, desdobrando-se para garantir o processo e o senso de coletividade que elegeu esses novos gestores da coisa pública; tendo nos unido dessa maneira, no propósito de melhorar a comunidade escolar e fortalecer o protagonismo e a autonomia do sujeito no processo formativo de sua cidadania.

Nesta cena explícita de violência simbólica, podemos enfim observar que quando o discurso e a prática se desencontram, a práxis acaba sendo o reflexo desse espelho de hipocrisias sinceras que ordenam a desordem provocada pela própria ordem que a produz, ao se perder em meio às contradições entre o propor e o impor de uma democratura macarthista post adoc[9] nesse Consenso de Washington[10] Educativo.

Portanto, podemos logicamente afirmar que, existe muito mais entre os pratos de churrascos servidos na escola pela generosidade de uma direção popular e os pratos de churrascos produzidos politicamente durante uma atividade pedagógica que propõe o diálogo entre as epistemologias invizibilizadas, negadas e renegadas produzidas pelos subalternizados, do que imagina a nossa vã filosofia[11] do pater elegem quam ipse tulisti si[12] desde os diversos Muros de escolas aos Muros de Berlim.



[1] Assim era denominado o Tráfico de negros africanos através do Atlântico.
[2] Alusão não somente a cultura europoide greco-romana, mas também ao fato deles considerarem o negro e o indígena como não humano por trocarem ouro por um pedaço de espelho. Desse modo, pelos valores diferentes conferidos a objetos culturais diferentes, foram considerados destituídos de razão.
[3] Referência ao fundo messiânico onde  essa narrativa inicialmente se sustentou e tem se mantido.
[4] Referência a notória frase proferida por Malcon X para salientar a dicotomia entre o discurso e a práxis. Ou seja, o padrão de poder estabelecido naturaliza a sua prática enquanto na contramão uma contra-narrativa nesse sentido é criminalizada e exterminada de forma vil.
[5] Pela emoção e pela dor, num processo de recompensas e punições.
[6] Processo de dominação criado pelos franceses.
[7] Alusão ao filme de Charlie Chaplin com o mesmo nome.
[8] Dusirís era um Rei extremamente cruel que sacrificava os estrangeiros que chegava as suas terras colocando-os no interior de um touro de bronze e sobre uma fogueira, literalmente fritando-os até a morte.
[9] No sentido causal de uma consequência; ex. se depois da tempestade vem a bonança, então a tempestade é necessária ao bom andamento de um bom termo.
[10] Este consenso formulou uma bula para o 3º mundo.
[11] Referência a contradição de, a escola professar iminentemente os filósofos masculinos, sendo filosofia feminina como o próprio nome infere. Ou seja, ficam evidente e inevitável os conflitos gerados pela utilização dos conceitos eurocêntricos e pelas práticas colônias, justamente usadas por quem se diz pelo diálogo e pela construção coletiva na formação do indivíduo como sujeito protagonista de sua história.
[12] “sofre a lei que tu mesmo elaboraste”

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Da escravidão mental melanodérmica

A postura mental do povo preto é manipulada e controlada por uma elite arrogante e indolente, produtora e reprodutora de imbecilidades e de imbecis em todos os níveis da vida do cidadão. Ou melhor, do pseudo cidadão.

Portanto, o indivíduo se pensando cidadão, deixou de ser sujeito, se tornou objeto e refém da conjuntura gerada e gerida pela oligarquia que muda constantemente sua auto-classificação, a fim de se camuflar na linha da história que, assim como o indivíduo, essa história também é um produto que reproduz a si mesmo a partir de sua assimilação de uma narrativa manipulada pela pérfida plutocracia.

O resultado disso é que os filhos de Birkinesh[1]; a MÃE ÁFRICA; hoje se dedicam a escolher entre o que é fácil e o que é certo, pois isso os faz permanecer em sua zona de conforto. Zona esta estabelecida quando a população leucodérmica os convenceu a viver de juros em vez do trabalho produzido junto a natureza.

Separados da natureza pelo discurso brancopofágico do “penso logo existo” positivista, em detrimento do “conhece-te a ti mesmo” escrito nos portais da história egípcia, esse povo conheceu e passou a conviver com o medo do desconhecido; medo que os tornaram peças num tabuleiro de um jogo de xadrez entre a hierarquia e o protagonismo étnico, tendo como resultado, a confecção e produção de uma narrativa leucodérmica; narrativa esta que se tornou uma poderosa arma de dominação e coerção de mentes e corações.

Dessa maneira, a evolução do ser humano como homo sapiens, foi interrompida pela população melanodérmica quando silenciaram a história da Mãe África, sufocando sua voz e silenciando sua historiologia. Hoje a pessoa de cor reproduz a fala da pessoa branca como se fosse a sua própria fala, pensa como pensa uma pessoa branca e olha através dos olhos de uma pessoa branca.

Portanto, hoje tudo o que mais agrada a uma pessoa de cor é poder ouvir a sua própria opinião saindo da boca do irmão; tudo mais que venha a contradizer o que ele assimilou e internalizou academicamente como verdade, é motivo de discórdia e conflitos bélicos. A falta de discernimento entre duas Pessoas de cor podem ser detectada através das posturas discrepantes frente a uma Dear White People. Certamente um deles vai preferir defender aguerridamente o senso comum plantado como aceitável a pensar a respeito do questionamento apresentado ou qualquer problematização do contexto conjuntural étnico.

Portanto, o mais difícil a ser trabalhado no processo decolonial, é a narrativa bíblica leucodérmica da criação do próprio ser como sujeito histórico. Sendo assim, a escravidão criada e narrada biblicamente se encontra no cerne do ser; e isto se tornou o principal obstáculo de libertação do indivíduo que se tornou um escravo voluntário, servil, solícito e defensor de seu opressor.

Desse modo, vivemos uma escravidão em sua forma perfeita, onde em vez de chicotes e pelourinhos, são usados produtos estéticos, farmacêuticos, médicos, biológicos, midiáticos, educativos, psicológicos, etc. como adornos desse crime, que a exemplo do período da escravidão colonial, também se tornou um crime legal, uma vez que é um crime onde não existe a figura do criminoso. Ou seja, a política Estatal dá prosseguimento a esse crime continuado, uma vez modernizado e adaptados pelos poderes legislativo, judiciário, executivo, militar e midiático.

Desse modo, só a tomada de uma nova postura mental criaria uma possibilidade de uma abolição real dessa escravatura que se mimetiza e impede a real libertação dos descendentes dos povos originários escravizados e de sua herança maldita profetizada pelo homem branco quando grafada num livro que os mesmos afirmam ser obra de um “Deus ocidental” padronizado e patenteado pela narrativa monorracial dominante.





[1] “você é uma pessoa de valor” nome aramaico dado pelos etíopes ao esqueleto mais antigo encontrado no mundo até então.

domingo, 15 de outubro de 2017

Africanidades



É necessário que reelaboremos nossas africanidades que foi, e tem sido progressivamente embranquecidas; e deste modo, desvirtuadas de sua senda real de espiritualidades. Essa é a missão primeira do Akipalo[1] contemporâneo, que nada mais é do que um decodificador de seu tempo e espaço contínuos.

Esse processo que por hora vivenciamos, teve seu início quando, em sua sanha egocêntrica de controle e na voracidade insaciável pelo poder, a insipida branquitude criou o conceito de Estado, na medida em que traçava linhas e mapas sobre a superfície do planeta, hierarquizando vernáculos em idiomas e dialetos, alternados por adjetivos étnicos abjetos classificados por cores, e arrogantemente, de forma pretensiosa, outorgando a natureza o lugar de sua subordinada, num pervertido e dissimulado exercício de mascarar e esconder, a fim de invisibilizar uma história milenar, a história dos povos originários do planeta terra; a história do ser humano.

Este foi o único legado da soberba população leucodérmica[2]; Um legado que se traduziu pelo terror perfidamente incutido nos povos originários ao instituir o mercado infame[3] e a escravização[4] como juízo de valor do homem de bem. Desumanizando deste modo, a todos que não fosse seu espelho[5], e classificando a si mesmo como ser padrão para se definir a existência da pessoa no contexto histórico e biológico. Assim, todos nós somos tudo, menos gente. Gente tem direitos de pessoa, física e jurídica. Não gente de cor, que destituída até do próprio humor, sofre a dor assimilada ao carregar, sob chibata, o Andor de seu inquisidor.

A memória viva da dor presente no fundo da alma escrita pelo corte profundo do chicote certeiro, dor que hoje é decorada como homilia através das sangrentas páginas dos pueris livros didáticos, num processo de catequese homicida Estatal, deixa nosso espírito em carne viva, e chagas agudas que nos fazem agonizar, uma vez perpetuada por gerações. 

A consequência disso é a requintada construção de um espírito perdido, sem rumo, sem senso, nem sul[6], com sua geografia definida pelo desdém leucodérmico empedernido, quando tem sua história transformada em narrativas trágicas pelas brancas epopeias das trevas medievais em sua história humana interrompida por pseudo-gente-sanguessuga.

Portanto, qualquer intervenção nesse dolo categórico, as Africanidades não podem ser passíveis de delimitações estabelecidas por meros mapas ou geografias acadêmicas, pois essas são Africanicidades formadas por histórias: pelas histórias que formam o Ser e as histórias pelas quais o ser é formado em sua caminhada dialógica e diatópica de vir-a-ser o que se é.



[1] Contador de histórias.
[2] Sem melanina.
[3] Tráfico negreiro.
[4] Na Declaração de Durban elaborada por ocasião da Conferência ocorrida em 2001 na África do Sul; promovida pela ONU; a Escravidão, o tráfico Negreiro e a Colonização em África foram considerados crimes da história; portanto, na condição de crime contra a humanidade, foram tipificados como imprescritíveis.
[5] Referência ao processo de apropriação cultural Greco-romana e ao epistemicídio melanodérmico.
[6] Referência as epistemologias do Sul abordada por Boaventura Souza Santos.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

“Os Negros São Mães e Pais da Civilização, Temos Esse Mundo Branco Porque As Crianças Assumiram A Casa”



Há um mundo, de propriedade de Alice, e uma Terra, chamada do Nunca saídos das páginas virtuais de Walt Disney, sendo descaradamente plagiados como mundos Real e Imaginário que coexistem nas Terras Colonizadas de nosso planeta azul.
O mundo Real é


mundo daqueles que  ganham o pão de cada dia trabalhando, pagando impostos e pecados;

é o mundo onde os habitantes são coagidos e assediados, moral e fisicamente,

para produzir as riquezas destinadas aos que vivem no mundo imaginário e que os mesmos nunca serão
ricos, é o mundo de Alice onde os pouquíssimos habitantes decidem os destinos
dos que vivem no mundo real, onde cujos residentes os aceitaram como
realeza e senhores de seus destinos, através do infame advento da escravização
e do violento processo colonização.

A relação de


grandeza entre ambos, pode ser comparada como a relação existente entre o

tamanho de uma bola de gude e o tamanho de uma bola de pilates. Ou seja, 1% de caras -pálidas desse

ínfimo mundo, decide quando os outros 99% devem respirar, como respirar ou
parar de respirar. Esse vil processo de coação é realizado com os requintes de
perversidade que garantir que esses 99% não tenham tempo de perceber, ou que
sentimento de real autonomia, enquanto se ocupam com a perigosa tarefa de
possa haver qualquer possibilidade de ser aventada a ideia de qualquer
respirar e minimamente se mover.

Esses 99% só


perceberão que são desnecessárias as necessidades criadas exclusivamente para

eles pelos senhores do mundo imaginário, ao se conscientizarem de que são seres

pensantes e livres. Até então, a ideia falsa de liberdade criada por esses senhores,
previamente grafada em códigos, em formato de números; numeração essas
desse processo de controle total de cada ato do sujeito, que ele foi
denominadas de código penal; deve prevalecer a qualquer custo, pois foi através
transformado em indivíduo desde a sua escravização, quando se deu a
estruturação de ambos os mundos.

Os


habitantes desse mundo real, seres humanos não pensantes, porém, criativos e

adaptáveis, diariamente criam tolerância a cada opressão contra eles dirigida,

uma vez feita às consultas cotidianas as telas televisivas que os direcionam e
decidem a pauta de seu querer, desejos e caráter. Essas telas midiáticas possui
o controle exclusivo da técnica necessária para fazê-los acreditar que tais
aspirações são advindas de sua vontade e opinião própria. 

Dessa


maneira, eles se transformam em seus próprios fiscais. Assim, quando um de seus

pares, habitantes do mundo real, começa a desconfiar desse processo de controle

realmente própria através do repensar crítico da razão que direciona seu mundo,
opressor, e ter ideias contrárias ao sistema estabelecido tendo uma opinião
e essa razão pertencer de fato e de direito exclusivo ao mundo imaginário,
exclusão da razão dos subalternizados;
apesar de não se aplicando ao mesmo. Desse modo, este indivíduo, no processo de
conscientização de se tornar sujeito, começa então a buscar os motivos da
razão que produz e reproduzem deserdados e os feridos pela justiça desse mundo cara-pálida
que se tornou feumelanínico. 

Esse


processo de tomada de consciência é extremamente doloroso, já que consta na lei

da natureza que o instituto da coletividade é a única chave de ignição para um

hierarquia, que outrora fora implantada como mito de sucesso pelos senhores de
sucesso legítimo. Porém, os subalternos, através das regras da meritocracia e
seus destinos, direcionam o seu viver, uma vez disseminado o individualismo
raças e religiões, tornando impossível qualquer solidariedade verdadeira entre
como regra de convivência. Dessa forma, o mundo real foi dividido por gêneros,
seus habitantes, que os levem ao sucesso. 

Ao contrário


do que ocorre com os caras-pálidas em seu privilegiado mundinho; eles mesmos se

educam e educam seus filhos contando e cantando a sua história, mesmo que

dos maiores conflitos ou desavenças.
inventada; eles comercializam entre si, e se protegem mutuamente, mesmo em face

Paralelo a


isso, os habitantes do mundo real, que trabalham e pagam impostos,

violentamente digladiam-se, competindo pelas migalhas caídas ou jogadas por

seus senhores, como se fosse um grande prêmio como recompensa pela boa atuação,
colaborando para a manutenção desse sistema estabelecido por seus senhores.

Assim,


podemos observar estupefatos, as senzalas contemporâneas da escravidão moderna

repletas de deserdados, cujos crimes advêm única e exclusivamente em

imposta justamente por sua condição racial. Esses feridos pela justiça
consequência da sua condição racial potencializada por sua condição econômica
impostas na forma da lei, confeccionadas pelos caras-pálidas, que os condenam
raramente encontram defesa entre seus pares, pois eles aceitam as regras
previamente de maneira vil, arrogante e perversa. 

Decodificar


qualquer regra estabelecida pelo sistema da supremacia branca exige repensar

criticamente a razão que estrutura a ambos os mundos em questão. Como os

subalternizados não acreditam em extraterrestres, eles sinceramente acreditam
que todos vivemos num só mundo, acreditando realmente que as leis
verdadeiramente se aplicam a todos.

Portanto, o


humor negro virou piada de Morte para a liberdade branca assistida por sorrisos

amarelos, diante de um tribunal vermelho de raiva existente nas esquinas da

forma desigual entre oprimidos e opressores, abrindo dessa forma, a Caixa Preta de Pandora e
vida e encruzilhadas da terra azul. Terra esta que fora loteada e dividida de
libertando os demônios que foram convenientemente pintados com as cores da raça
esse Norte se transformou em Sul.
Negra enquanto os Deuses, mesmo gregos, se tornaram todos nórdicos, desde que

Deste modo,


desde que os abraços e sorrisos foram divididos em cores frias e quentes e

distribuídos entre gêneros e raças, orientação religiosa e sexual, os sorrisos

e abraços negros se dissiparam em meras disputas, dividindo as afetividades do
que definem os lugares e papeis de cada um de seus habitantes, passou a ter
mundo real; desde então este mundo, armado pela competição e pela meritocracia
como principal munição a inexistência do senso crítico de si mesmos como
mundos, ora em conflito violento e acirrado.
sujeitos da história, e sua completa ignorância da existência de ambos os

Ou seja, o Mundo Real ainda


não se deu conta da existência do mundo imaginário; esse mundo de privilégios e

benesses, frugalidades e frivolidades; menos ainda sabem das armas usadas nesse

participando de uma batalha sangrenta e sem saber o motivo de estrem caindo
violento conflito em escala mundial. Não tendo conhecimento enfim, de que estão
como moscas enquanto protagonizam esse genocídio anunciado, uma vez que, as
tal imposição, em vista de ignorarem completamente sua condição de soldado em
regras imposta por seus senhores lhes impedem usar o instituto da autodefesa,
em consequência de sua condição social e racial; e eles aceitam de bom grado
campo de batalha.

Dessa


maneira, segue em descompasso o tempo-espaço de ambos os mundos, confirmando a

falácia real do mito da harmonia da paz racial e mundial, nessa tradicional

democracia ficcional. 
Enquanto os


filhos dos subalternizados forem educados por seus opressores, sua religião

continuará sendo a religião do opressor, assim como o seu Deus, seu nome

próprio e seus desejos de norte. 
Enquanto


oprimidos se educarem como o opressor nas academias do mundo imaginário,

repetindo como homilia a história roubada; história onde eles, os

opressores, se transformam em heróis conquistadores e são os únicos heróis de
uma saga de destruição e mortes que interrompeu a história do mundo e da
azul continuará a verter copiosamente o sangue preto da vergonha; o sangue de
humanidade, iniciando uma era de escuridão e desatinos. Dessa forma, essa Terra
suas filhas e filhos, filhos dessa pátria amada dividida  e
algozes.
idolatrada, onde seus habitantes são educados para a servidão completa a seus

A terra azul


se transformou num mundo branco de ignorância e insensatez, onde a armas da

meritocrática e do egocentrismo são usadas e apregoadas como qualidade humana,

instituindo os brancos saberes como saber universal com funções de humilhar e
caindo, porque te, telhado de vidro e fundação erigida sobre a areia da praia.
dominar os mais simples de coração aos de olhar ingênuo. Mas a casa está
Os mundos em choque se confrontam numa inevitável rota de colisão entre
previsíveis, em movimentos escritos, mas não descritos. E finalmente, a história
uma bola de gude e uma bola de pilates, com consequências anunciáveis e
humana se refaz novamente palpável em suas páginas de vidas continuada.


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A breve História de um tempo White ou: Um Novo Juízo Final


Dos Tempos antropofágicos, eis que surge um ser, suicida e mágico, chamado humano; que hoje sorri e chora; na mesma hora em que sofre rindo de tudo, por conta de um relógio por ele criado, que conta e canta o tempo ao pé do seu ouvido surdo: ... Tempux edax rerum[1]... tempux edax rerum... tempux edax rerum... tempux edax rerum... tempux edax rerum...


Seu Tempo não é cósmico e nem tem tempo, nesse muro de lamentos onde bebem momentos em movimentos, acorrentados a uma história in memoria do tempo que morre com o tempo de quem mata o próprio tempo, na desordem criada por sua ordem a um Tempo que corre sem Money, ponteiros, parteira ou porteira.



[1] “O tempo que estraga todas as coisa”