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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Da escravidão mental melanodérmica

A postura mental do povo preto é manipulada e controlada por uma elite arrogante e indolente, produtora e reprodutora de imbecilidades e de imbecis em todos os níveis da vida do cidadão. Ou melhor, do pseudo cidadão.

Portanto, o indivíduo se pensando cidadão, deixou de ser sujeito, se tornou objeto e refém da conjuntura gerada e gerida pela oligarquia que muda constantemente sua auto-classificação, a fim de se camuflar na linha da história que, assim como o indivíduo, essa história também é um produto que reproduz a si mesmo a partir de sua assimilação de uma narrativa manipulada pela pérfida plutocracia.

O resultado disso é que os filhos de Birkinesh[1]; a MÃE ÁFRICA; hoje se dedicam a escolher entre o que é fácil e o que é certo, pois isso os faz permanecer em sua zona de conforto. Zona esta estabelecida quando a população leucodérmica os convenceu a viver de juros em vez do trabalho produzido junto a natureza.

Separados da natureza pelo discurso brancopofágico do “penso logo existo” positivista, em detrimento do “conhece-te a ti mesmo” escrito nos portais da história egípcia, esse povo conheceu e passou a conviver com o medo do desconhecido; medo que os tornaram peças num tabuleiro de um jogo de xadrez entre a hierarquia e o protagonismo étnico, tendo como resultado, a confecção e produção de uma narrativa leucodérmica; narrativa esta que se tornou uma poderosa arma de dominação e coerção de mentes e corações.

Dessa maneira, a evolução do ser humano como homo sapiens, foi interrompida pela população melanodérmica quando silenciaram a história da Mãe África, sufocando sua voz e silenciando sua historiologia. Hoje a pessoa de cor reproduz a fala da pessoa branca como se fosse a sua própria fala, pensa como pensa uma pessoa branca e olha através dos olhos de uma pessoa branca.

Portanto, hoje tudo o que mais agrada a uma pessoa de cor é poder ouvir a sua própria opinião saindo da boca do irmão; tudo mais que venha a contradizer o que ele assimilou e internalizou academicamente como verdade, é motivo de discórdia e conflitos bélicos. A falta de discernimento entre duas Pessoas de cor podem ser detectada através das posturas discrepantes frente a uma Dear White People. Certamente um deles vai preferir defender aguerridamente o senso comum plantado como aceitável a pensar a respeito do questionamento apresentado ou qualquer problematização do contexto conjuntural étnico.

Portanto, o mais difícil a ser trabalhado no processo decolonial, é a narrativa bíblica leucodérmica da criação do próprio ser como sujeito histórico. Sendo assim, a escravidão criada e narrada biblicamente se encontra no cerne do ser; e isto se tornou o principal obstáculo de libertação do indivíduo que se tornou um escravo voluntário, servil, solícito e defensor de seu opressor.

Desse modo, vivemos uma escravidão em sua forma perfeita, onde em vez de chicotes e pelourinhos, são usados produtos estéticos, farmacêuticos, médicos, biológicos, midiáticos, educativos, psicológicos, etc. como adornos desse crime, que a exemplo do período da escravidão colonial, também se tornou um crime legal, uma vez que é um crime onde não existe a figura do criminoso. Ou seja, a política Estatal dá prosseguimento a esse crime continuado, uma vez modernizado e adaptados pelos poderes legislativo, judiciário, executivo, militar e midiático.

Desse modo, só a tomada de uma nova postura mental criaria uma possibilidade de uma abolição real dessa escravatura que se mimetiza e impede a real libertação dos descendentes dos povos originários escravizados e de sua herança maldita profetizada pelo homem branco quando grafada num livro que os mesmos afirmam ser obra de um “Deus ocidental” padronizado e patenteado pela narrativa monorracial dominante.





[1] “você é uma pessoa de valor” nome aramaico dado pelos etíopes ao esqueleto mais antigo encontrado no mundo até então.

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