Há um mundo, de propriedade de Alice, e uma Terra, chamada do Nunca saídos das páginas virtuais de Walt Disney, sendo descaradamente plagiados como mundos Real e Imaginário que coexistem nas Terras Colonizadas de nosso planeta azul.
O mundo Real é
mundo daqueles que ganham o pão de cada dia trabalhando, pagando impostos e pecados;
é o mundo onde os habitantes são coagidos e assediados, moral e fisicamente,
para produzir as riquezas destinadas aos que vivem no mundo imaginário e que os mesmos nunca serão
ricos, é o mundo de Alice onde os pouquíssimos habitantes decidem os destinos
dos que vivem no mundo real, onde cujos residentes os aceitaram como
realeza e senhores de seus destinos, através do infame advento da escravização
e do violento processo colonização.
A relação de
grandeza entre ambos, pode ser comparada como a relação existente entre o
tamanho de uma bola de gude e o tamanho de uma bola de pilates. Ou seja, 1% de caras -pálidas desse
ínfimo mundo, decide quando os outros 99% devem respirar, como respirar ou
parar de respirar. Esse vil processo de coação é realizado com os requintes de
perversidade que garantir que esses 99% não tenham tempo de perceber, ou que
sentimento de real autonomia, enquanto se ocupam com a perigosa tarefa de
possa haver qualquer possibilidade de ser aventada a ideia de qualquer
respirar e minimamente se mover.
Esses 99% só
perceberão que são desnecessárias as necessidades criadas exclusivamente para
eles pelos senhores do mundo imaginário, ao se conscientizarem de que são seres
pensantes e livres. Até então, a ideia falsa de liberdade criada por esses senhores,
previamente grafada em códigos, em formato de números; numeração essas
desse processo de controle total de cada ato do sujeito, que ele foi
denominadas de código penal; deve prevalecer a qualquer custo, pois foi através
transformado em indivíduo desde a sua escravização, quando se deu a
estruturação de ambos os mundos.
Os
habitantes desse mundo real, seres humanos não pensantes, porém, criativos e
adaptáveis, diariamente criam tolerância a cada opressão contra eles dirigida,
uma vez feita às consultas cotidianas as telas televisivas que os direcionam e
decidem a pauta de seu querer, desejos e caráter. Essas telas midiáticas possui
o controle exclusivo da técnica necessária para fazê-los acreditar que tais
aspirações são advindas de sua vontade e opinião própria.
Dessa
maneira, eles se transformam em seus próprios fiscais. Assim, quando um de seus
pares, habitantes do mundo real, começa a desconfiar desse processo de controle
realmente própria através do repensar crítico da razão que direciona seu mundo,
opressor, e ter ideias contrárias ao sistema estabelecido tendo uma opinião
e essa razão pertencer de fato e de direito exclusivo ao mundo imaginário,
exclusão da razão dos subalternizados;
apesar de não se aplicando ao mesmo. Desse modo, este indivíduo, no processo de
conscientização de se tornar sujeito, começa então a buscar os motivos da
razão que produz e reproduzem deserdados e os feridos pela justiça desse mundo cara-pálida
que se tornou feumelanínico.
Esse
processo de tomada de consciência é extremamente doloroso, já que consta na lei
da natureza que o instituto da coletividade é a única chave de ignição para um
hierarquia, que outrora fora implantada como mito de sucesso pelos senhores de
sucesso legítimo. Porém, os subalternos, através das regras da meritocracia e
seus destinos, direcionam o seu viver, uma vez disseminado o individualismo
raças e religiões, tornando impossível qualquer solidariedade verdadeira entre
como regra de convivência. Dessa forma, o mundo real foi dividido por gêneros,
seus habitantes, que os levem ao sucesso.
Ao contrário
do que ocorre com os caras-pálidas em seu privilegiado mundinho; eles mesmos se
educam e educam seus filhos contando e cantando a sua história, mesmo que
dos maiores conflitos ou desavenças.
inventada; eles comercializam entre si, e se protegem mutuamente, mesmo em face
Paralelo a
isso, os habitantes do mundo real, que trabalham e pagam impostos,
violentamente digladiam-se, competindo pelas migalhas caídas ou jogadas por
seus senhores, como se fosse um grande prêmio como recompensa pela boa atuação,
colaborando para a manutenção desse sistema estabelecido por seus senhores.
Assim,
podemos observar estupefatos, as senzalas contemporâneas da escravidão moderna
repletas de deserdados, cujos crimes advêm única e exclusivamente em
imposta justamente por sua condição racial. Esses feridos pela justiça
consequência da sua condição racial potencializada por sua condição econômica
impostas na forma da lei, confeccionadas pelos caras-pálidas, que os condenam
raramente encontram defesa entre seus pares, pois eles aceitam as regras
previamente de maneira vil, arrogante e perversa.
Decodificar
qualquer regra estabelecida pelo sistema da supremacia branca exige repensar
criticamente a razão que estrutura a ambos os mundos em questão. Como os
subalternizados não acreditam em extraterrestres, eles sinceramente acreditam
que todos vivemos num só mundo, acreditando realmente que as leis
verdadeiramente se aplicam a todos.
Portanto, o
humor negro virou piada de Morte para a liberdade branca assistida por sorrisos
amarelos, diante de um tribunal vermelho de raiva existente nas esquinas da
forma desigual entre oprimidos e opressores, abrindo dessa forma, a Caixa Preta de Pandora e
vida e encruzilhadas da terra azul. Terra esta que fora loteada e dividida de
libertando os demônios que foram convenientemente pintados com as cores da raça
esse Norte se transformou em Sul.
Negra enquanto os Deuses, mesmo gregos, se tornaram todos nórdicos, desde que
Deste modo,
desde que os abraços e sorrisos foram divididos em cores frias e quentes e
distribuídos entre gêneros e raças, orientação religiosa e sexual, os sorrisos
e abraços negros se dissiparam em meras disputas, dividindo as afetividades do
que definem os lugares e papeis de cada um de seus habitantes, passou a ter
mundo real; desde então este mundo, armado pela competição e pela meritocracia
como principal munição a inexistência do senso crítico de si mesmos como
mundos, ora em conflito violento e acirrado.
sujeitos da história, e sua completa ignorância da existência de ambos os
Ou seja, o Mundo Real ainda
não se deu conta da existência do mundo imaginário; esse mundo de privilégios e
benesses, frugalidades e frivolidades; menos ainda sabem das armas usadas nesse
participando de uma batalha sangrenta e sem saber o motivo de estrem caindo
violento conflito em escala mundial. Não tendo conhecimento enfim, de que estão
como moscas enquanto protagonizam esse genocídio anunciado, uma vez que, as
tal imposição, em vista de ignorarem completamente sua condição de soldado em
regras imposta por seus senhores lhes impedem usar o instituto da autodefesa,
em consequência de sua condição social e racial; e eles aceitam de bom grado
campo de batalha.
Dessa
maneira, segue em descompasso o tempo-espaço de ambos os mundos, confirmando a
falácia real do mito da harmonia da paz racial e mundial, nessa tradicional
democracia ficcional.
Enquanto os
filhos dos subalternizados forem educados por seus opressores, sua religião
continuará sendo a religião do opressor, assim como o seu Deus, seu nome
próprio e seus desejos de norte.
Enquanto
oprimidos se educarem como o opressor nas academias do mundo imaginário,
repetindo como homilia a história roubada; história onde eles, os
opressores, se transformam em heróis conquistadores e são os únicos heróis de
uma saga de destruição e mortes que interrompeu a história do mundo e da
azul continuará a verter copiosamente o sangue preto da vergonha; o sangue de
humanidade, iniciando uma era de escuridão e desatinos. Dessa forma, essa Terra
suas filhas e filhos, filhos dessa pátria amada dividida e
algozes.
idolatrada, onde seus habitantes são educados para a servidão completa a seus
A terra azul
se transformou num mundo branco de ignorância e insensatez, onde a armas da
meritocrática e do egocentrismo são usadas e apregoadas como qualidade humana,
instituindo os brancos saberes como saber universal com funções de humilhar e
caindo, porque te, telhado de vidro e fundação erigida sobre a areia da praia.
dominar os mais simples de coração aos de olhar ingênuo. Mas a casa está
Os mundos em choque se confrontam numa inevitável rota de colisão entre
previsíveis, em movimentos escritos, mas não descritos. E finalmente, a história
uma bola de gude e uma bola de pilates, com consequências anunciáveis e
humana se refaz novamente palpável em suas páginas de vidas continuada.
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