Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

sábado, 28 de outubro de 2017

A Práxis da Pedagogia Decolonial No Instituto de Educação Clélia Nanci Do Churrasco Gourmet Ao churrasco da Lage

Alguns acadêmicos historiadores, e historiadores acadêmicos, sustentam a tese de que vivemos numa pós-colonialidade, ignorando solenemente o fato de que hoje vivemos de fato num sistema colonial refinado em seu mais alto grau, uma vez que a modernidade e o colonialismo são dois lados da mesma moeda dessa contemporaneidade que foi inventada pela elite europoide e imposta através da violência da colonização arrogante e sanguinária e do mercado infame[1] que instituiu a divisão racial do trabalho e de salários, da produção cultural e de conhecimento, criando um padrão de poder e uma razão universal que exclui as epistemologias daquilo que não é espelho[2].

Uma vez negado o outro e ao seu saber, esse padrão representativo assimilado, transforma tudo ao seu redor em sua imagem e semelhança[3], introjetando seus princípios como regras fazendo uso da educação, da mídia e da força militar como instrumentos de pacificação, correção e coerção, além de todos os meios necessários[4] para efetivar tal processo estuprador de humanidades.

A educação nossa de cada dia que nos dão hoje, tem funcionado como um dos instrumentos mais eficazes usados nesse processo violador que foi inaugurado no Brasil colônia pelos jesuítas franceses, cujos padres introjetaram em nossas artérias coronárias e cerebrais,[5] o Deus da cultura europoide, através do processo de assimilação[6] e de cooptação. Desse modo, por mais que se denuncie e se desconstrua o engodo colonial, a colonização mental assegurada pela ideia de um Deus europoide, permanece arraigada nos descendentes de escravizados no Brasil, se tornando assim, um dos instrumentos mais poderosos de controle na implementação da servidão contemporânea nesse sistema de escravização moderna, uma vez que é passado de geração a geração pelo próprio escravizado, e perpetuamente reforçado pelo sistema educacional, político e midiático tupiniquim laico-oficial.

Hoje, é público e notório que, toda a desordem existente na Urbi Et Orbi provém unicamente dessa ordem estabelecida, que se revela como um fenômeno entrópico jacente. Fenômeno esse que se despe desavergonhadamente, de forma explícita e patética, vil e vulgar, a cada momento, nos micros e macrocosmo dessa sociedade, tal como qualquer violência de cada dia que se mostra banalizada e cultuada pela hipocrisia sincera dessa sociedade honestamente cínica, espelhada pela educação laico-colonial pós-moderna.

Dessa maneira, como produtos expostos nas vitrines sociais exibindo tarja preta em horário nobre, com validade e código de barras de valores monorracial, a criança é publicamente exposta e manipulada pela escola europoide num perverso bulliyng pedagógico desde o ensino infantil até a academia, que realiza com esmero sua formatura, onde ele, enfim, se torna um legítimo multiplicador do efeito zumbi, e dessa forma, como professor, de oprimido a opresso, passa a ser um multiplicador de zumbis hollywoodianos; e na medida em que o seu reflexo for hierarquicamente contemplado por suas vítimas discentes, devido ao desempenho indecente de seu papel social, vai ocorrendo o processo de fabricação de Medusas reprodutoras de efeito-zumbis em série, consequente dessa virulenta e prostituída pedagogia serial killer dos Tempos Modernos[7] professada por nossa progressista escola laico-colonial fundamentada pela eugenia evangélico-empresarial.

Destarte, tais valores enviesados trazidos pelos bem polidos espelhos eurocêntricos, travestidos de terno, gravata, camisa de seda e bravatas, repetem simbolicamente o ato de presentear povos autóctones em terras exóticas; e como num moto-perpétuo, retroalimentam esse público que se acha povo, sem que os mesmos percebam nesse vil processo, a presença do touro de Dusirís[8] seguindo o cortejo dessa fúnebre procissão, que tem a frente o lendário Cavaleiro montado em seu Cavalo de Tróia, fazendo do norte a direção.

A extrema violência desse episódio do Rei Dusirís me veio de assalto à cabeça, quando fui interpelado para explicar os motivos de estar realizando um churrasco pedagógico, perante uma direção democraticamente eleita no Instituto de Educação Clélia Nanci; localizado na cidade de são Gonçalo, Rio de Janeiro; poucos meses logo após um desgastante pleito onde o corpo docente e discente se se uniu, desdobrando-se para garantir o processo e o senso de coletividade que elegeu esses novos gestores da coisa pública; tendo nos unido dessa maneira, no propósito de melhorar a comunidade escolar e fortalecer o protagonismo e a autonomia do sujeito no processo formativo de sua cidadania.

Nesta cena explícita de violência simbólica, podemos enfim observar que quando o discurso e a prática se desencontram, a práxis acaba sendo o reflexo desse espelho de hipocrisias sinceras que ordenam a desordem provocada pela própria ordem que a produz, ao se perder em meio às contradições entre o propor e o impor de uma democratura macarthista post adoc[9] nesse Consenso de Washington[10] Educativo.

Portanto, podemos logicamente afirmar que, existe muito mais entre os pratos de churrascos servidos na escola pela generosidade de uma direção popular e os pratos de churrascos produzidos politicamente durante uma atividade pedagógica que propõe o diálogo entre as epistemologias invizibilizadas, negadas e renegadas produzidas pelos subalternizados, do que imagina a nossa vã filosofia[11] do pater elegem quam ipse tulisti si[12] desde os diversos Muros de escolas aos Muros de Berlim.



[1] Assim era denominado o Tráfico de negros africanos através do Atlântico.
[2] Alusão não somente a cultura europoide greco-romana, mas também ao fato deles considerarem o negro e o indígena como não humano por trocarem ouro por um pedaço de espelho. Desse modo, pelos valores diferentes conferidos a objetos culturais diferentes, foram considerados destituídos de razão.
[3] Referência ao fundo messiânico onde  essa narrativa inicialmente se sustentou e tem se mantido.
[4] Referência a notória frase proferida por Malcon X para salientar a dicotomia entre o discurso e a práxis. Ou seja, o padrão de poder estabelecido naturaliza a sua prática enquanto na contramão uma contra-narrativa nesse sentido é criminalizada e exterminada de forma vil.
[5] Pela emoção e pela dor, num processo de recompensas e punições.
[6] Processo de dominação criado pelos franceses.
[7] Alusão ao filme de Charlie Chaplin com o mesmo nome.
[8] Dusirís era um Rei extremamente cruel que sacrificava os estrangeiros que chegava as suas terras colocando-os no interior de um touro de bronze e sobre uma fogueira, literalmente fritando-os até a morte.
[9] No sentido causal de uma consequência; ex. se depois da tempestade vem a bonança, então a tempestade é necessária ao bom andamento de um bom termo.
[10] Este consenso formulou uma bula para o 3º mundo.
[11] Referência a contradição de, a escola professar iminentemente os filósofos masculinos, sendo filosofia feminina como o próprio nome infere. Ou seja, ficam evidente e inevitável os conflitos gerados pela utilização dos conceitos eurocêntricos e pelas práticas colônias, justamente usadas por quem se diz pelo diálogo e pela construção coletiva na formação do indivíduo como sujeito protagonista de sua história.
[12]sofre a lei que tu mesmo elaboraste

Nenhum comentário: