Rompendo o silêncio histórico do povo melaninoso, protagonizando o outro ponto de vista de uma outra história que se evita ser contada, afrocentrizando o olhar paradigmático sobre a cultura oficialmente formatada, patenteada e legítimada como única.
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domingo, 23 de julho de 2017
Réquiem para o Menino do Rio
Minha
terra tem palmeiras onde um negro chorará; escravizados que aqui morrem não
sofreram acolá. Nossos morros têm mais pobres, nossas ruas mais horrores,
nossos órfãos tem mais ira, nessa vida de impostores...
Lupi mutati lúpus ouir menten[1]: A alta Cultura como arma branca de destruição em massa.
A forma violentamente suave de separar
o homem da natureza tem mostrado seus umbrálicos efeitos, aparentemente
irreversíveis. Diuturnamente este homem é despedaçado, esquartejado em mil
fragmentos, enquanto são conferidos a cada um desses pedaços, mil
diferentes faces, contendo em cada uma delas mil verdades produzidas pela
massacrante velocidade que lhe atropela com suas afiadas e certeiras lâminas da mercantil ética volátil, para formatar sua personalidade, tal como as
personalidades costuradas com diversas carnes que formataram a deformação
de Frankstein, e dessa maneira, ele possa servir ao seu sinhô,
mestre e criador do valor financeiro amestrador.
Tornado este mesmo homem um produto
dessas mil verdades, que impiedosamente lhe perpassa o ser, como as agulhas
rombudas de vacinas, ministradas em doses diárias pela mídia manipuladora, e
que lhe anestesia o fundo do ser, tornando-o definitivamente um ser imunizado
contra os efeitos produzidos pelas mórbidas visões das realidades
desumanizadoras; evitando desse modo, causar quaisquer perturbações ou morçus concientae[1] no incauto neófito.
Desse modo, constantemente são criadas
e renovadas devidas tolerâncias às barbáries vulgarizadas pela mídia falada e
escrita, que uma vez introjetadas e assimiladas pelo cidadão de bem,
tais violências são banalizadas pela sociedade contemporânea colonizada formada
por esses cidadãos, passando assim tais atrocidades a fazer parte do cenário da
vida comum, e em comum, de quaisquer deserdados ou feridos pela justiça que
possuam a cor certa ditada e gravada no imaginário social como tal. Ou seja, a
cor negra; tem sido exatamente essa a cor justificada pelo senso comum, para
ocupar o lugar de presa política, jurídica, social e
econômica, diante da relação de poder estabelecida que tem conduzido à vida e a
morte desse ser da cor desumanizada por esta construção social, e servido ao
sistema vigente como política do Estado escravocrata atual.
Da mesma forma que a natureza do escorpião[2], a sociedade tem a sua natureza manufaturada, forjada e planejada,
sendo roteirizada e explicitada em cada reação e cada não ação diante
nesse maquiavélico processo de genocídio de um povo, na prática constante e
contínuo do exercício de vis atrocidades predatórias nunca antes vistas no
humano reino animal. Pois se trata de um extermínio estratégico, cirúrgico,
perverso e com requintes de maldades, numa forma de jogo onde as regras são
extremante peripatéticas e tragicômicas, tal é a simplicidade de implementação;
e é essa mesma simplicidade que as tornam assustadoramente efetivas; são mil
verdades que escondem a Verdade mais óbvia, que é aquela grafada pela lei da
natureza. Natureza esta que a cultura cruelmente arrancou de nossos corações e
mentes usando as ferramentas fáceis das narrativas de promessas divinas e
paradisíacas de felicidade eterna de um futurístico reino fictício.
Dessa forma, com seu canto de sereia, a
serpente do paraíso codificou a natureza em coloridos e atraentes tubos de
ensaios, e as distribuiu como bulas e fórmulas anabolizadas, dando-lhes o
sofisticado nome de ciência da alta cultura. Agora, a missão
do homem, é decodificar essa fórmula tomando o caminho inverso[3], para retornar e resgatar a sua humanidade roubada pelo homem, lobo do
próprio homem, ou se afundar depressivamente em si mesmo, afogando-se ironicamente tal qual Narciso.
[3] Um conto de provável origem árabe, narra à ligação direta entre
Deus e os homens nos primórdios da humanidade, sem que houvesse intermediários
de quaisquer naturezas. Mas devido a não valorização desse processo por parte
dos homens, Deus em assembleia com seus anjos e arcanjos, decidiu retirar esse
dom dos homens. Indagados pelos seres divinos em que lugar esse dom seria
escondido, Deus respondeu que seria num lugar aonde o homem nunca vai; os anjos
em suas ilações os anjos indagavam se esse lugar seria nas profundezas do mar,
nos confins do universo ou nos abismos abissais, etc. Mas Deus simplesmente
respondeu que esconderia dentro do próprio homem.
quinta-feira, 13 de julho de 2017
Ecce Homo
Os elos, forjados pelas
representações, entrelaçando-se entre si durante um vulgar ritual de
acasalamento, vão compondo as fortes correntes que seguram com uma firmeza raivosa os paradigmas formatadores
de nossa realidade objetiva, após o perverso e mórbido processo de cativar
nosso subjetivo; processo este que habilmente nos prende a teia conjuntural da mega
estrutura mundial do servilismo absoluto, para saciar a voracidade da patriarcal viúva branca ocidental.
Uma vez tendo assimilado e aceito
essa realidade posta, e imposta por esse ente
empresarial regulador do Estado; o cidadão é devidamente dominado através do
controle econômico e social, legitimando-se dessa forma, como pseudo-cidadão,
com direitos relativos e deveres absolutos nos termos da força de lei.
Falo como um cidadão desobediente
epistemológico, resultado da síntese entre Nietzsche e Fanon, que não se dobrou
a inculcação do medo que produz e controla os imbecis, domesticando-os, como se
adestra a quaisquer animais. Visto que, essas vítimas do assimilacionismo
eurocentrado após desumanizadas por esse vil processo, transformam-se num não
ser.
Essa aberração em que o negro se
transformou, com a aceitação de sua imagem pintada por bovinos eruditos e por
gangues de cínicos leucodérmicos, uma vez envolto pelo pass-par-toute das
categorias do senso e do contrassenso, que não permite que ele possa distinguir ambas
as categorias, impede qualquer possibilidade de negação dessa imagem fabricada,
impedindo-o de transcender-se num novo recomeço. Caímos, dessa forma, na armadilha
da contradição; num círculo vicioso onde um branco tenta ser negro e o negro
tenta embranquecer, num processo de duplo narcisismo; desdenhando assim, o
universalismo da condição humana e de ser humano.
A forma maiêutica e diatópica de
colocar as coisas, materialmente, em seus devidos lugares, seria o caminho para
a desalienação. Visto que o negro costuma tomar diversas posições frente ao
mundo dos brancos; essa assunção deve ser em massa. Deixando assim então, de usar o
uniforme tecido por séculos de estupidez que impôs ao negro um desvio existencial, fazendo da alma negra uma mera construção do homem branco.
Ao analisar mais de perto esse
homem; o Ser humano em si; percebemos que ele é um ser intuitivo e criativo,
sem ser um Ser pensante; pois deixou de perceber que faz parte da natureza, uma
vez que em contato com ela, passou a codifica-la, com o intuito de poder controla-la;
criando, desse modo, o que ele classificou como cultura. Sendo assim, a cultura passou a ser
um processo que afastou o homem da natureza, apartando-se de si mesmo nesse taxionômico
exercício de codificação e representações.
Agora, perdido em si mesmo, ele se
procura. Mas para isso ele necessita decodificar e decodificar-se para tornar
possível a sua desalienação. Ou seja, ele precisa tornar-se um ser pensante; e
o primeiro passo para isso, é sua reaproximação com a natureza; com sua
natureza; abolindo, dessa maneira, tudo que ele mesmo se impôs como cultura de
controle e de egolatria do homem-produto, com barras de valores e tempo de
validade.
https://www.facebook.com/PoderNegro4P/videos/1249935398449554/
Panorama do Brazil Brasileiro
O Estado Brazilleiro é um Estado Negreiro, ancorado no Porto Maravilha da Terra do Nunca, de portas abertas para o campo de colheitas de tâmaras e pimentas que não são do Reino. Nossa
pátria é uma madrasta raivosa; é a pátria que nos pariu durante uma tentativa frustrada
de euro aborto, provocado nos porões seus úteros apodrecidos.
Um Estado composto por Ministros-traficantes,
senadores e deputados-escravocratas, militares que organizam e gerenciam o
tráfico de entorpecentes e toda a estrutura do submundo, contando com a prestimosa
anuência do indolente poder judiciário, que lubrifica a máquina estatal, para
seu total funcionamento arrogantemente corrompido, enquanto a mídia ordena aos
cidadãos às atitudes a serem tomadas em face a tal Estado, ditando sua relação para
o progresso desse perfeito sistema biocida, onde pastores protestantes são
traficantes de armas e ministros católicos se dedicam a pedofilia.
A televisão habilmente passa a
visão em tela plana, monopolizando a educação mental de cada cidadão, enquanto
subliminarmente dita as devidas atitudes aos servos escravizados; propriedade
do sistema; fabricando o cidadão padrão, o cidadão de bem como sinônimo de cidadão
de bens. Deste modo, temos a cultura de uma Nação Zumbi que robotiza o cidadão, domesticando e adestrando-o
como fiel servidor do Rei Nu.
As tâmaras e as pimentas serão
servidas nesse picante Banquete de
Momo, regado a sangue, suor, lágrimas e ranger de dentes brancos de pele preta,
com sabores de pólvora das trincheiras que içam bandeiras negras tendo ao fundo o alegre som do
samba réquiem, em pleno merdi-gras[1].
Ianques de
todo o mundo, sejam bem vindos ao solo desse Brazill estrangeiro e sirvam-se a vontade do Maná dessa terra que
tudo dá.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
Negro Drama[1]
Era uma vez “UM BRANCO de alma NEGRA[2]” e um preto
EMBRANQUECIDO[3] manufaturados pelos
desejos eurocêntricos, ambos a bordo de um navio chamado Amazing
Grace,[4] vindo direto do Porto social da Teoria
da evolução[5] com destino a Terra do Nunca[6]. Em outras palavras, vamos descrever um breve passeio turístico ao
planeta Terra, em companhia de Elvis Presley[7] e Michael Jackson[8].
Foi neste fúnebre passeio, num belo dia de sol e azul do mar profundo,
que percebemos com estupor, que a única e exclusiva habilidade verificada na
práxis da supremacia branca é definitivamente a inegável capacidade de sempre
apresentar o velho como uma moderna e novíssima novidade. Explico: este
processo é similar ao que a elite exercita quando usam suas empresas para lavar
o dinheiro sujo por eles produzido no processo endêmico de corrupção ativa.
Dessa mesma forma, ella, a euro-elite, faz uso da academia para legitimar o
conhecimento sequestrado dos antigos e dos mais velhos; conhecidos como
ancestrais; recodificando-os e reapresentando esses saberes envoltos em
uma vistosa capa protegida com o verniz do arrogante cinismo acadêmico. Ou
seja, uma indolente capa de livro[9] grego[10] de conteúdo
embranquecido, estabelecendo dessa maneira, o famigerado capitalismo
cognitivo.
Da viagem marítima, nesse perverso contexto, voltamos então a
realidade cotidiana popular tupiniquim, e notoriamente; um vez passada a visão
de um olhar que vê enxergando; perceberemos que, em nossas escola-presídio,
construídas especificamente para educar os filhos do 13 de maio e
não os descendentes de Rousseau[2]; os professores que
lecionam tem a obrigação de se transformarem em perigosos traficantes
de conhecimento[11], com a pena, em caso contrário, de se
tornarem, fiéis servos desse perverso sistema inquisitório. Sistema este, que
fora definitivamente implantado durante a criação da República[12] tupiniquim ,fundada pelos eurodescendentes de
escravistas e mercadores desse infame comércio; república
ironicamente batizada e classificada como democracia;
inaugurando assim, a pauta dos "conceitos acadêmicos" e as definições
egocentralizadas tupiniquescas.
Dessa maneira, as mais absurdas e prosaicas contradições se
transformaram nos mais fétidos estercos para alimentar as tradições
eurocêntricas a nível mundial; encontrando no Brazill, um solo fértil e
promissor. Florescendo vorazmente, como uma cultura de bactéria definitivamente nocivas. A
partir dai, nosso país, enquanto democracia para inglês ver, passou a prezar
pela tradição de ter nas cópias, o seu original favorito. Nossa constituição[13] é
um exemplo perfeito desse lamentável episódio; uma das pouquíssimas
constituições conhecidas no mundo que não provém do Povo, e não se destina ao
povo.
Foi na viagem sem fim, nesse barco negreiro repleto de contradições
vindas do estrangeiro, que Michael Jackson, quando embarcado, se tornou branco
por inteiro; mas continuando escravizado pelo dinheiro do sistema escravocrata
que exaustivamente lhe repetia Goebbels[14] como poesia do dia-a-dia, no moto-perpétuo de um poema que vem
continuamente sendo declamando e proclamando que no Brazil as questões
problemáticas sempre foram de cunho social e nunca racial; levando dessa forma,
qualquer neguinha e neguinho a endeusar Marx e Engels, enquanto a academia epistemicida[15] lhes acorrentavam e torturavam, matando o
sujeito que em si existia, supliciando o indivíduo em vida.
A principal frustração de Elvis Presley foi a de não conseguir
embarcar nesse navio, que é negreiro, tendo John Newton como capitão desse vil
cruzeiro; visto que não pode conhecer seu interior por inteiro, e nunca soube
de onde vinha essa intensa paixão, corrente em sua veia, que misteriosamente
não acorrentou sua vez e sua voz na dança preta pela vida branca, em um mundo
onde só o tipo de vida e da pessoa branca importa, na eterna travessia
desse macabro cruzeiro[16] turístico em
direção a Capital do Umbral imperial.
A forçada mescla mestiça, amálgama dos ossos brancos triturados junto com
a carne mais barata do planeta, depois de retirados os sorrisos negros do rosto
preto, e os abraços pretos do peito negro, separando assim, corações e mentes,
razão e emoção; num violento processo hierárquico implantado pela lei daquele
cão que foi transformado em lobo; tendo paradoxalmente esse selvagem lupus
sendo domesticado pelo terror sem precedentes, presente no contemporâneo mundo
ausente de homeostasis [17].
Assim se fez esse Novo Mundo, assim se construíram heróis e
assim, o imaginário manufaturado se fez real. Então como lidar com essa Terra
do Nunca ao contrário...? Esse mundo da Preta Alice de contos
de Fadas de Terror e valores democráticos invertidos? Esse velho e caquético
Peter Pan com Alzheimer no último estágio de vida? Essa
ferrenha Utopia de walking dead e essa síndrome de Estocolmo, tudo junto e
misturado...!!??
Talvez se elaboramos um lindo comercial estrelado Michael
Jackson sendo servido com uma dose dupla de Johnny Walker por Elvis
Presley, tendo como cenário o negreiro de Johnn Newton,
tocando Amazing Grace como fundo musical; talvez possamos
refletir sobre nossas prosaicas contradições construídas pelos símbolos
representativos cotidianos. Mas isso vai depender se as miríades dos tons do
fundo desse comercial tiverem todas as diversidades dos 50 tons de
preto ou ser for meramente branco total. Então, o filme, vai
finalmente poder começar... Luz....Câmera.... Ação....!!!
[1] Título de um poema do grupo de Rap “Racionais Mc’s”
[2] Frase pronunciada por White people para se referir a uma pessoa
branca que vive da cultura negra.
[3] Referência ao preto formado pela academia e que defende a
ideologia eurocêntrica como sendo parte de sua história.
[4] O nome do autor da letra da música “amazing
grace” consta como sendo John Newton; um capitão de navio negreiro que
escreveu mais que qualquer outro capitão da época; ele era evangélico, se
tornou pastor e, segundo consta, no final da vida ele se arrependeu das
indizíveis maldades praticadas contra os negros que ele traficou por muito
tempo através do oceano.
O autor da música pode se saber pela escala usada em sua composição; a
chamada “escala escrava”. Isto é, a escala pentatônica, que era usada
pelos africanos. Nesse caso, qualquer escravizado, vítima de Newton, poderia
ter sido o autor da música em questão.
[5] 900
anos antes do nascimento de Darwin, um Africano já escrevia a Teoria da
Evolução. Abu Uthman Amr bin Bahr al-Fukaymi al-Basri, mais conhecido como
Al-Jahiz, foi um renomado escritor e teólogo da Africa Oriental que vivia
em Bagda.
Em suas anotações,
Al-Jahiz descreveu três formas de evolução: Luta pela Existência, Transformação
das Espécies em Outras Espécies e Fatores do Meio Ambiente.De acordo com o The
Guardian, Al-Jahiz certa vez escreveu: “Os animais lutam por existência, e por
recursos, para evitar serem comidos e para se reproduzirem. ”
Ele explicou: “Fatores
do meio ambiente influenciam organismos para que desenvolvam novas
características, para garantir a sobrevivência, transformando-os, portanto, em
novas espécies. Animais que sobrevivem para reproduzir podem transmitir suas
características à sua prole”.
[6] Essa
terra a que me refiro é o Novo Mundo; terra onde o livro intitulado “Vinte
e quatro dias de açoite”, conhecemos a história do alufá (chefe religioso
muçulmano negro do noroeste da África) Bilal Licutan, escravo batizado de
Pacífico, que, ao chefiar uma revolta, é condenado a receber 1.200 chibatadas,
divididas em cinquenta por dia. É um homem forte, altivo e que, após a surra de
cada dia, reza em linguagem erudita e religiosa. Ele desmaia, mas acorda,
resiste. Outros escravos juntam dinheiro mais do que suficiente para
pagar a dívida, mas o juiz não acata. Eles, então, assistem ao martírio.
[7] Elvis Presley comprava suas roupas em lojas de negro, ouvia música
de negro e qualquer empresário que viesse a sua casa tinha que passar pelo
ritual de ouvir uma coletânea de gospel para poder iniciar quaisquer
negociações ou fechar contratos com o “rei do rock”.
[8] Michel Jackson fez um contrato matrimonial com a filha de Elvis
Presley, e deste contrato, surgiram um casal de híbridos; seus filhos.
[9] Referência ao Faceboock.
[10] O livro intitulado “O legado roubado” narra a maneira como os
gregos sequestraram o conhecimento Egípcio.
[11] O projeto “escola sem partido” criminaliza o professor que ousar
contextualizar a conjuntura histórica nacional.
[12] A instauração da República no Brazil se deu através de um golpe
militar; até então a democracia brasileira tem se constituída de sucessivos
golpes, a exemplo de toda a América Latina.
[13] A constituição brazilleira de 1988 é uma cópia das constituições da
Espanha, Alemanha, Portugal, França e parte da carta da Virgínia.
[1]
Ministro da propaganda nazista Joseph e Goebbels ficou marcado pelo seu ódio a
judeus e comunistas, sua admiração pela figura de Hitler e seu fanatismo.
[15] É o processo de se apropriar do conhecimento alheio ao mesmo tempo
em que mata o conhecimento do outro; juridicamente falando, poderia ser
tipificado como um latrocínio do saber alheio.
[16] Referência ao barqueiro que atravessa o rio da morte levando o
espírito de um falecido para além da vida.
[17] Equilíbrio entre corpo, espírito e mente.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
A desobediência epistemológica como principal fundamento do processo Decolonial
Desde que as leucodérmicas Tribos europeias
se apropriaram de Timbuktu; no Mali; e destruíram as bibliotecas do
Egito, sequestrando, e logo após, compilando os saberes melanodérmicos;
meticulosamente, prepararam um vil processo de patentes dos saberes sequestrado.
Para esse fim, criaram a academia eurocêntrica; pós Gutemberg; para que esse
processo torna-se legítimo; usando a técnica da insistente repetição; técnica a
qual eurodescendentes como Skine, Pavlov,
Vygotsky, Gramsci, Comte e tantos outros como eles, souberam tirar proveito
máximo, ao construir um roteiro de ação para dominar, inspirado na República de Platão, onde foi hierarquizada
a razão ante a emoção, criando assim, um modelo de dominados e dominadores, num
plano patologicamente doentio e cruel.
O resultado desse Maquiavélico
plano foi a legitimação de uma Academia
Racista, que consolidada nos tempos
modernos[1],
ocupando o lugar de fala dos donos
da palavra[2],
usando assim, o sofrimento alheio advindo do racismo, exatamente como faz a
mídia fascista que ressalta, de forma possa banalizar, os preconceitos; agindo
como um papa-defuntos frente ao sangue fresco dos deserdados e feridos pela
falsa justiça; justiça essa advinda dessa mesma academia, que narra a história sequestrada
do outro, enquanto o subalterniza,
formando um constructo social onde deixa claro o lugar desse outro, deixando patente essa hierarquia
justificada pela ciência criada por sua
pseudo sapiência.
Sendo assim, os povos que não são
parentes de Narciso, seguem; sem
desconfiar; que participam, simultaneamente como figurantes e protagonistas, de
um roteiro barato e óbvio, pré-fabricado pelos infames cérebros advindos do
fundo da idade das trevas medievais, carregado de intolerâncias, indolência e
arrogância divinas; portanto, indiscutíveis. São essas mesmas personas-redatoras da história contada pelo dinheiro, que
foram carinhosamente classificadas
como Bovinos eruditos por Nietzsche.
Os descendentes dos povos
originários que hoje ingressam na Academia das queridas pessoas brancas, paulatina
e progressivamente aprendem a repetir, reproduzindo seus pensamentos como
homilia. Desse modo, reproduzimos a nossa história contada pelos brancos; pensamos
viver nossa cultura recontada pelos brancos; e lemos, como se fora uma bíblia,
os nossos livros reescritos e recodificados pelos brancos.
Dessa forma, todo aquele
conhecimento que essas caras pessoas
brancas[3] não conseguiram ter sobre seu controle,
por não ter a possibilidade de registrar e difundir como sendo de sua
propriedade; eles relegaram ao plano do exotismo, do folclórico e similar. Ou
seja, passou a ser um conhecimento sem valia, e que não deve ser considerado
como ciência; como sua ciência. Desse modo, validamos somente aquele
conhecimento sequestrado e convenientemente
patenteado, compartimentado, fragmentado e recodificado, reconhecendo-o como conhecimento universal e, como uma realidade verdadeira e única, relegando à
subalternidade a quaisquer outras formas de Oralituras[4].
Tudo aquilo que aprendíamos com os mais velhos e sua Oralitura, passaram a
constar no imaginário popular como algo ultrapassado e desnecessário; apenas
histórias de antigos, de velhos, histórias antiquadas, e que não deve ser
considerado ou levado em conta ao bom
viver.
Portanto, sendo assim, qualquer
processo Decolonial, necessariamente deve passar primeiro por um meticuloso
processo sabático de desobediência epistemológica total, geral e irrestrita, já
que estamos imerso numa matrix onde tudo é virtual, até a nossa inteligência. A
digressão e a desconfiança epistemológica deve ser o mote locomotor desse
processo sensível e volátil, visto que é um processo que descontrói realidades
perenes e agradáveis que consolida a nossa zona de conforto e nosso pseudo bem estar, colocando em cheque esse bom viver, ao desconstruir essa
realidade coletiva contrariando toda essa alta
cultura. Cultura que alguns
leucodérmicos tiveram a ousadia de rotular como inconsciente coletivo[5].
Desse modo, os efeitos desse
processo se dão, não só a nível filosófico, mas também no nível psicológico; já
que revira toda a história e a cultura de um povo, levando-o a reescrever, na
íntegra, o que os livros leucodérmicos registraram em sua linha histórica como
nação. Se assim não for, continuaremos a atuar como substitutos e coadjuvantes
nesse espetáculo que se desenrola no palco da vida, vivendo esse roteiro infame
d’Os Miseráveis[6], nesse carnavalesco papel ad eternun de pierrôs e colombinas, no cumprimento do contrato leonino[7]
brancopofágico, com as bênçãos do grande falsário e falsificador Gutemberg, e daqueles que
assinam as fantasias e alegorias que desfilam na Avenida Marquês de Sapucaí, nesse Estado onde tudo acaba em Samba.
[1] Referência
ao filme homônimo de Charles Chaplim.
[2] Os
Dielis africanos, também conhecidos pela alcunha de Griôts (feiticeiros ou
servos), como rotulavam os franceses.
[3] Referência
ao Filme com o mesmo título.
[4] O
conhecimento oral grafado como tal.
[5] Karl Gustav Jung foi um psiquiatra e psicoterapeuta suíço que
fundou a psicologia analítica. Jung propôs e desenvolveu os conceitos da
personalidade extrovertida e introvertida, arquétipos e o inconsciente coletivo.
[6]
Referência a Victor Hugo.
[7]
Juridicamente se refere a um contrato que só beneficia a um dos lados
envolvidos.
quarta-feira, 7 de junho de 2017
A beligerante saga brancopofágica no mundo melanodérmico com sua dialogia ideológica de interseccionalidade leucodérmica
Quando os
lusitanos invadiram o Pindorama, assassinado, estuprando e pilhando
desordenadamente os povos autóctones, elles orgulhosamente se outorgaram o título de civilizados e as suas vítimas a alcunha
de selvícolas, definindo
inequivocamente os papéis de ambos nesse contexto, para que suas futuras e presentes barbáries de
cada dia fossem legitimadas e constasse na história como conquistas heroicas e audazes descobrimentos.
Foi desse modo que transformaram a si mesmos em grandes heróis da história ao
mesmo tempo em que coisificavam suas incautas vítimas, usando para isso a providencial concessão da igreja, que cedeu o aval
divino do próprio Deus em pessoa, testificando-os como mandatários do divino
amor esquizofrênico conferido pelo velho testamento[1];
inaugurando, dessa maneira, a máxima “quem
ama, mata[2]”.
Após conferirem
a si mesmo o majestoso título de heróis e, por conseguinte, reivindicar a
propriedade do mundo como seu quintal, iniciaram a perseguição àqueles que não fossem parentes
de Narciso. Sendo assim, as próximas
vítimas na lista da bula papal; esse representante branco do Deus branco na terra;
após a frugal e estúpida carnificina indígena, foram os Povos originários; os Africanos.
Afinal, esses seres riquíssimos e tremendamente abastados, com seus poderosos reinos e terras sem
fim, que apresentavam como se fora um altivo escudo, uma reluzente pele
melaninosa, e que não possuíam nem de longe a alvura da desprotegida pele da insuficiente
raça branca, nem seus deficientes olhos azuis e ou seus sebosos cabelos escorregadios,
nem sequer vinham das profundezas da tenebrosa idade das trevas, obviamente não
poderiam jamais passar incólumes. Portanto, deveriam ser combatidos, abatidos e
escravizados, servindo como objetos expostos num grandes supermercados onde quaisquer brancos pudessem escolher e se servir ao bel prazer, de todas as formas e
maneiras possíveis e impossíveis, pensáveis e impensáveis, como uma interminável orgia grega, uma eterna festa de Baco.
Desse modo,
fazendo uso de Armas de Terror, os sinistros bárbaros eurocêntricos
colocaram seu mórbido plano em curso, com a anuência de todos aqueles que
possuíam peles ineficientes, olhos deficientes, de cabelos sebosos, vindos da
idade das trevas e tementes a Deus. O resultado foi uma magnífica carnificina decorrente desse
maligno plano, tendo como consequência, além de milhares de mortes, milhões de escravizados[3].
Com os povos autóctones dizimados, os sobreviventes que restaram dos povos
originários; os negros; foram dolorosamente coagidos através de indizíveis
torturas a produzir as riquezas para essa população de peles ineficientes,
olhos deficientes, de cabelos sebosos, vindos da idade das trevas e tementes a
Deus, reduzidos assim, a meros seres escravizados e coisificados, dando continuidade a essa
saga de horrores perpétuos impetrados pelas caras pessoas brancas, cujas
caras aparecem sempre estampadas, como heróis e heroínas, ao final das intrincadas tramas de cada
epopeia brancopófaga, nas narrativas de mundo sustentada pela história, pela cultura
e pela mídia vigente.
Dessa
maneira, transformando esse país chamado Brazil numa imensa catacumba indígena e num cativeiro eterno dedicado exclusivamente ao povo negro, chamaram esse maravilhoso sistema de República; obviamente inspirado em
Platão; República cuja principal função era legalizar toda e qualquer barbárie contra quaisquer que
não possuíssem pele ineficiente, olhos deficientes e cabelos sebosos, vindos da
idade das trevas e tementes a Deus. Destarte, no caderno de leis republicanas,
a política da eugenia se fez presente, como a missão divina de um Estado laico
sanguinário, “conquistador” e paternalmente ameaçador; após deflagrar as leis
do Ventre livre, sexagenário, áurea, lei de terras, lei de vadiagem, súmula 70,
auto de resistência, e por ai vai. Absolutamente todas essas leis, foram confeccionadas
para manter a submissão e a subalternidade do elemento padrão, que é o
rótulo dado pela pelos capitães-do-mato; agora conhecido como Policial Militar; as pessoas da
cor de noite sem lua, quando encontradas e abordadas em vias públicas, que são tratadas como potenciais meliantes, e assim, sumariamente julgadas por esses agentes estatais, prosaicos lacaios da Casagrande.
As terras,
outrora pertencentes aos povos autóctones, foram ocupadas e sequestradas pelo
Estado, agora legalizado como ladrão oficial, único e soberano, portador do
monopólio de todos e quaisquer crimes em solo tupiniquim. Dessa maneira, a perversa
lei de terras, de 1850, impediu
peremptoriamente que os pretos pudessem ter acesso a ela, mesmo sendo essa
mesma terra um bem natural. Ou seja, até os dias de hoje, o estado, como usurpador
legalizado, generosamente pratica o abominável processo de vender um pedaço de
terra a uma família preta, que mesmo tendo essa família pago por esta pequena
porção de terra, vai ter que continuar pagando ao Estado brancopófago por esse pequeno terreno enquanto viver, assim
como seus descendentes.
Sendo
assim, podemos conceituar o Estado como um tenebroso ente invisível branco, comparando-o
a um insaciável vampiro que, como voraz e insaciável sanguessuga, sobrevive
através de realizações de fastigiosos banquetes onde são consumidos a carne e o
sangue do negro a revelia.
Paralelo a
esse circo dos horrores, o Estado cultiva seus gados de forma ardilosa, quando faz
uso da academia, selecionando pretinhas e pretinhos, treinando-os para usá-los a fim de dominar seus próprios pares negros; estes são conhecidos como
pretos da casa ou negros de sapatos.
Desse modo, esse mórbido plano é
travestido e revestido com a indiscutível imagem de importância ímpar, pois além de dar legitimidade a mais uma barbárie, ao usar o artifício acadêmico de rotular essas estúpidas ações; o mais novo revestimento colocado na pauta da moda acadêmica, agora é chamado pomposamente de interseccionalidade; ela é apresentada como uma grande novidade e atração especial a ser discutida e debatida. A grosso modo, poderíamos
definir esse conceito de interseccionalidade como uma hábil descrição do processo de criação, atuação e inserção de um vírus
eurocêntrico inserido numa comunidade melanodérmica e a apreciação de sua devastadora contaminação, que de forma espetacular, dizimam valores e conceitos melanodérmicos, atuando como uma espécie de zumbi hollywoodiano, inicia sua ação de leucordemização do mundo negro.
Eufemisticamente
Karl Max chamava esse processo de Dialogia, e outros, como Vygotsky, chamava de Zona proximal de Aprendizagem. Ou seja, ele descrevia as influências mútuas que sofrem ambos os mundos; nesse
caso, os mundos negro e branco. Só que adicionado o verniz da
interseccionalidade preconizado nesse mesmo princípio, observaremos que este vem
com os créditos de 50 tons de maldade como pacote; embutidas e camufladas em papel de presente de grego; agindo de forma cruelmente capciosa, subliminar e manipuladoras.
Ou seja, é a descrição do momento em que o mundo leucodérmico inicia seu
processo de sugar a cultura negra; de todas as formas e maneiras possíveis; e o
mundo melanodérmico agoniza, definhando a olhos vistos, seja diante do extermínio
físico, psicológico ou epistemológico.
Isso quer dizer que os termos legitimados
pela academia[4],
manipulam inescrupulosamente seus usuários, quando cria e estimula uma libidinosa
relação antropofágica, uma vez que banaliza a infâmia de forma extrema e
despudorada, nos levando a criar tolerância a tanta violência gratuita contra
quaisquer pessoas negra, na medida em que a vemos no cotidiano essa violência
como algo normalizado, exposto num lugar comum, passando enfim, a ter o status
de mais um mero espetáculo de cada dia que nos dói hoje; é exatamente disso que
a academia eurocêntrica vive: do espetáculo da pobreza e do sofrimento
melanodérmico.
Para
transformar esse espetáculo numa atração epistêmica, a academia
maquiavelicamente os revestiu de nomes sugestivos e pomposos. Desse modo, tais
ações são definidas ou conceituadas, e subliminarmente chamadas de lutas de classe, Ações
Afirmativas, cotas, minorias e maiorias, e afins. Esse expediente, além de
criar otimismo e esperança nos corações e mentes de pretas e pretos, deixa a
sensação de um devir de pertencimento a algo, dentro desse pernicioso e imperceptível processo acadêmico
de destruição total da coletividade
melanodérmica, reforçando dessa maneira, o individualismo, até a medula;
tendo como fundamental ponto de partida, a estupidez do insano princípio da
meritocracia; um dos golpes de mestre criado pelo capitalismo nesses finais dos
tempos.
Desse modo,
temos dois mundos dentro do mundo; um virtual, onde vivem os pretos-pobres,
pobres-quase-pretos e pretos-quase-branco. Nesse mundo aparente, de falsa
independência e falsa abolição, até os direitos são virtuais assim como a própria
inteligência; visto que, uma vez aceito esse mundo, os que nele habitam,
sinceramente acreditam fazer parte do mundo branco, onde os direitos são transformados
privilégios e onde a ética tem a mesma importância e função de um comercial
televisivo sobre papel higiênico.
O necessário
e imprescindível processo decolonial desse escabroso contexto, só será possível
quando houver o questionamento total das instituições que sustenta essa realidade. Fora disso, tudo mais é anátema, já que esse exercício tem seu fundamento na desobediência; primeiramente epistemológica; uma vez iniciado esse processo, tudo mais é
consequência desse caminho de magias, a ser percorrido numa trilha onde todos
os nossos conceitos e paradigmas invariavelmente serão reformulados,
reajustados e equalizados a cada passo, em todas as verdades, a cada olhar,
ação, posturas e práticas cotidianas.
Dessa
forma, corajosamente nos lançaremos aos braços das dúvidas, num abraço
fundamental, ante as certezas postas e impostas progressiva e paulatinamente, nas
quais, através dos princípios de falsas premissas, fomos induzidos a adotar a
verdade manufaturada como verdade doméstica, transformando a nós, os
subalternizados pré-fabricados, em sustentadores desse mundo fictício, quando o aceitamos como
real e agimos segundo suas leis; a lei do cão, a lei da mordaça e a lei do
silêncio; um mundo onde a justiça inexiste e onde nós fomos treinados e adestrados a
criar tolerância a sua inexistência, e gradativamente nos habituando com sua ausência.
A
manutenção do estado de coisa desse mundo é nada mais, nada menos, do que o mero cumprimento de um contrato assinado, de concordância entre oprimido e opressor,
num claro conluio de existência patologicamente esquizoide. Nossa necessidade de cura[5] é
urgente e inadiável, pois vencido esse contrato feneratício, o que restará será a soma esquartejada da imagem do umbral em preto e branco, onde o sangue que que adorna esse retrato bicolor não terá dono,
pois será a mescla de uma massa de contínuos acontecimentos e impensáveis sofrimentos. O
sangue que hoje jorra, da caneta do doutor (feitor) ao ensurdecedor chicote-de-fogo do
capitão-do-mato contemporâneo, são laços de compromissos patológicos entre
gênero, raça e classe, que tem seu estado de arte determinado exclusivamente
pela cor da pele.
Foi assim se formou o nó trançado no tecido de fina estampa do Negro Drama, traçado durante o
decurso das animalescas tramas leucodérmicas, dos púlpitos até os tribunais do capital. Agora existe um só caminho
nessa trilha dialogicamente interseccional: Humanizemo-nos ou pereçamos todos
juntos, nesse infinito círculo das possibilidades castradas pelos caprichos
racistas dessa população de pele ineficiente, olhos deficientes, cabelos
sebosos, vindos das profundezas da idade das trevas e tementes a Deus.
[1]
Desde seu lançamento em 1895, o quadro "A Redenção de Cam", do
artista espanhol Modesto Brocos, tem provocado a crítica de arte a um debate
que não necessariamente se fia à questão formal, mas antes se volta ao assunto
que marcou a concepção da tela : a ideia de embranquecimento racial. A imagem é
um retrato de família marcado pelas distintas gradações de cor na pele das
personagens - do marrom escuro ("negro") da avó, ao
"branco" do neto e de seu pai, passando pela mãe, morena, cuja tez
adquire na tela um tom dourado. Em consonância, o grande interesse despertado
pela pintura, que recebeu a medalha de ouro naquela Exposição Geral de Belas
Artes, parece atado ao tema das uniões interraciais no Brasil e, em especial, à
sua transformação em emblema dos debates sobre o futuro de um país marcado pela
forte presença de uma população que não se define nem como negra, nem como
branca, e pelos impasses que a chamada mestiçagem trazia para uma nação que se
pretendia, no futuro, branca, num momento de auge do pensamento racialista na
esfera pública. Um episódio tem sido particularmente apontado como um marco na
recepção da tela, qual seja, o fato de João Batista de Lacerda, diretor do
Museu Nacional, tê-la incorporado à comunicação que apresentou ao I Congresso
Universal das Raças, em Londres, em 1911. O quadro tornava-se, nas mãos do
cientista, uma evidência de sua tese, segundo a qual, por efeito da evolução e
da entrada de imigrantes europeus, levaria três gerações ou um século para que
o país se tornasse evidentemente branco.
[2] A
máxima usada e aceita juridicamente pelo machismo durante muito tempo.
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