Desde que as leucodérmicas Tribos europeias
se apropriaram de Timbuktu; no Mali; e destruíram as bibliotecas do
Egito, sequestrando, e logo após, compilando os saberes melanodérmicos;
meticulosamente, prepararam um vil processo de patentes dos saberes sequestrado.
Para esse fim, criaram a academia eurocêntrica; pós Gutemberg; para que esse
processo torna-se legítimo; usando a técnica da insistente repetição; técnica a
qual eurodescendentes como Skine, Pavlov,
Vygotsky, Gramsci, Comte e tantos outros como eles, souberam tirar proveito
máximo, ao construir um roteiro de ação para dominar, inspirado na República de Platão, onde foi hierarquizada
a razão ante a emoção, criando assim, um modelo de dominados e dominadores, num
plano patologicamente doentio e cruel.
O resultado desse Maquiavélico
plano foi a legitimação de uma Academia
Racista, que consolidada nos tempos
modernos[1],
ocupando o lugar de fala dos donos
da palavra[2],
usando assim, o sofrimento alheio advindo do racismo, exatamente como faz a
mídia fascista que ressalta, de forma possa banalizar, os preconceitos; agindo
como um papa-defuntos frente ao sangue fresco dos deserdados e feridos pela
falsa justiça; justiça essa advinda dessa mesma academia, que narra a história sequestrada
do outro, enquanto o subalterniza,
formando um constructo social onde deixa claro o lugar desse outro, deixando patente essa hierarquia
justificada pela ciência criada por sua
pseudo sapiência.
Sendo assim, os povos que não são
parentes de Narciso, seguem; sem
desconfiar; que participam, simultaneamente como figurantes e protagonistas, de
um roteiro barato e óbvio, pré-fabricado pelos infames cérebros advindos do
fundo da idade das trevas medievais, carregado de intolerâncias, indolência e
arrogância divinas; portanto, indiscutíveis. São essas mesmas personas-redatoras da história contada pelo dinheiro, que
foram carinhosamente classificadas
como Bovinos eruditos por Nietzsche.
Os descendentes dos povos
originários que hoje ingressam na Academia das queridas pessoas brancas, paulatina
e progressivamente aprendem a repetir, reproduzindo seus pensamentos como
homilia. Desse modo, reproduzimos a nossa história contada pelos brancos; pensamos
viver nossa cultura recontada pelos brancos; e lemos, como se fora uma bíblia,
os nossos livros reescritos e recodificados pelos brancos.
Dessa forma, todo aquele
conhecimento que essas caras pessoas
brancas[3] não conseguiram ter sobre seu controle,
por não ter a possibilidade de registrar e difundir como sendo de sua
propriedade; eles relegaram ao plano do exotismo, do folclórico e similar. Ou
seja, passou a ser um conhecimento sem valia, e que não deve ser considerado
como ciência; como sua ciência. Desse modo, validamos somente aquele
conhecimento sequestrado e convenientemente
patenteado, compartimentado, fragmentado e recodificado, reconhecendo-o como conhecimento universal e, como uma realidade verdadeira e única, relegando à
subalternidade a quaisquer outras formas de Oralituras[4].
Tudo aquilo que aprendíamos com os mais velhos e sua Oralitura, passaram a
constar no imaginário popular como algo ultrapassado e desnecessário; apenas
histórias de antigos, de velhos, histórias antiquadas, e que não deve ser
considerado ou levado em conta ao bom
viver.
Portanto, sendo assim, qualquer
processo Decolonial, necessariamente deve passar primeiro por um meticuloso
processo sabático de desobediência epistemológica total, geral e irrestrita, já
que estamos imerso numa matrix onde tudo é virtual, até a nossa inteligência. A
digressão e a desconfiança epistemológica deve ser o mote locomotor desse
processo sensível e volátil, visto que é um processo que descontrói realidades
perenes e agradáveis que consolida a nossa zona de conforto e nosso pseudo bem estar, colocando em cheque esse bom viver, ao desconstruir essa
realidade coletiva contrariando toda essa alta
cultura. Cultura que alguns
leucodérmicos tiveram a ousadia de rotular como inconsciente coletivo[5].
Desse modo, os efeitos desse
processo se dão, não só a nível filosófico, mas também no nível psicológico; já
que revira toda a história e a cultura de um povo, levando-o a reescrever, na
íntegra, o que os livros leucodérmicos registraram em sua linha histórica como
nação. Se assim não for, continuaremos a atuar como substitutos e coadjuvantes
nesse espetáculo que se desenrola no palco da vida, vivendo esse roteiro infame
d’Os Miseráveis[6], nesse carnavalesco papel ad eternun de pierrôs e colombinas, no cumprimento do contrato leonino[7]
brancopofágico, com as bênçãos do grande falsário e falsificador Gutemberg, e daqueles que
assinam as fantasias e alegorias que desfilam na Avenida Marquês de Sapucaí, nesse Estado onde tudo acaba em Samba.
[1] Referência
ao filme homônimo de Charles Chaplim.
[2] Os
Dielis africanos, também conhecidos pela alcunha de Griôts (feiticeiros ou
servos), como rotulavam os franceses.
[3] Referência
ao Filme com o mesmo título.
[4] O
conhecimento oral grafado como tal.
[5] Karl Gustav Jung foi um psiquiatra e psicoterapeuta suíço que
fundou a psicologia analítica. Jung propôs e desenvolveu os conceitos da
personalidade extrovertida e introvertida, arquétipos e o inconsciente coletivo.
[6]
Referência a Victor Hugo.
[7]
Juridicamente se refere a um contrato que só beneficia a um dos lados
envolvidos.

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