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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ecce Homo

Os elos, forjados pelas representações, entrelaçando-se entre si durante um vulgar ritual de acasalamento, vão compondo as fortes correntes que seguram com uma firmeza raivosa os paradigmas formatadores de nossa realidade objetiva, após o perverso e mórbido processo de cativar nosso subjetivo; processo este que habilmente nos prende a teia conjuntural da mega estrutura mundial do servilismo absoluto, para saciar a voracidade da patriarcal viúva branca ocidental.

Uma vez tendo assimilado e aceito essa realidade posta, e imposta por esse ente empresarial regulador do Estado; o cidadão é devidamente dominado através do controle econômico e social, legitimando-se dessa forma, como pseudo-cidadão, com direitos relativos e deveres absolutos nos termos da força de lei.

Falo como um cidadão desobediente epistemológico, resultado da síntese entre Nietzsche e Fanon, que não se dobrou a inculcação do medo que produz e controla os imbecis, domesticando-os, como se adestra a quaisquer animais. Visto que, essas vítimas do assimilacionismo eurocentrado após desumanizadas por esse vil processo, transformam-se num não ser.

Essa aberração em que o negro se transformou, com a aceitação de sua imagem pintada por bovinos eruditos e por gangues de cínicos leucodérmicos, uma vez envolto pelo pass-par-toute das categorias do senso e do contrassenso, que não permite que ele possa distinguir ambas as categorias, impede qualquer possibilidade de negação dessa imagem fabricada, impedindo-o de transcender-se num novo recomeço. Caímos, dessa forma, na armadilha da contradição; num círculo vicioso onde um branco tenta ser negro e o negro tenta embranquecer, num processo de duplo narcisismo; desdenhando assim, o universalismo da condição humana e de ser humano.

A forma maiêutica e diatópica de colocar as coisas, materialmente, em seus devidos lugares, seria o caminho para a desalienação. Visto que o negro costuma tomar diversas posições frente ao mundo dos brancos; essa assunção deve ser em massa. Deixando assim então, de usar o uniforme tecido por séculos de estupidez que impôs ao negro um desvio existencial, fazendo da alma negra uma mera construção do homem branco.

Ao analisar mais de perto esse homem; o Ser humano em si; percebemos que ele é um ser intuitivo e criativo, sem ser um Ser pensante; pois deixou de perceber que faz parte da natureza, uma vez que em contato com ela, passou a codifica-la, com o intuito de poder controla-la; criando, desse modo, o que ele classificou como cultura. Sendo assim, a cultura passou a ser um processo que afastou o homem da natureza, apartando-se de si mesmo nesse taxionômico exercício de codificação e representações.

Agora, perdido em si mesmo, ele se procura. Mas para isso ele necessita decodificar e decodificar-se para tornar possível a sua desalienação. Ou seja, ele precisa tornar-se um ser pensante; e o primeiro passo para isso, é sua reaproximação com a natureza; com sua natureza; abolindo, dessa maneira, tudo que ele mesmo se impôs como cultura de controle e de egolatria do homem-produto, com barras de valores e tempo de validade.


https://www.facebook.com/PoderNegro4P/videos/1249935398449554/

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