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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O mal nosso de cada dia que nos dói hoje


É intrigante e ao mesmo tempo incrível a maneira como incorporamos em nosso dia-a-dia a extrema violência simbólica, assimilando em nosso vernáculo os adjetivos criados pelos opressores, falo das elites, para construir e legitimar o lugar do oprimido. Construindo assim uma sociedade desumanizada onde o indígena é chamado de “índio” e o negro escravizado se transforma em sinônimo de escravo, além de determinar que qualquer comunidade, quer seja africana, indígena ou oriental, seja chamado de tribo.

Essa violência, normatizada e banalizada pelos meios de comunicação, legitima os preconceitos, construindo estereotipias, indo ao extremo do racismo legalizado pela justiça, que eufemisticamente registra essa ocorrência como injúria. Ou seja, um crime leve não passível de punição de acordo com a cor e condição financeira do opressor em questão.

Desse modo, esses estúpidos atos se transformaram em lugar-comum, tão banal como um mendigo catando restos numa lixeira da esquina para não perecer na inanição física e afetiva, sobre os olhares enojados do público sedento por cenas insanas.
Assim, esse público formado por homens de bem e de bens, tal como os brancos nazistas, ou os brancos membros da respeitável Ku Krux Kran. Eram pais amorosos, chefes de família, religiosos e tementes a Deus, que se outorgaram a divina missão de torturar e exterminar quem a eles não se assemelhassem.

As famílias tupiniquins guardam bem o frescor da memória desses nefastos momentos, quando se reúnem ao ar livre se confraternizando num agradável piquenique, tal como faziam os membros da KKK após um linchamento de um negro preto[1]; dai a origem do convescote.

Postos esses valores da branquidade, impostos através da violência, da tortura e de assassinatos categóricos, banhando os continentes de sangue negro numa avalanche de carnificinas encomendadas e financiadas  com o ouro do próprio negro, nas terras tupiniquins esses atos ganharam um requinte de perversidade mais esmerado, quando o branco sinhô, religioso temente a Deus e amoroso pai de família, para se poupar do enfadonho trabalho de ele próprio infligir a dor e o terror, passou essa responsabilidade para os próprios negros, enquanto ele assistia ao espetáculo de camarote. Espetáculo este que se tornou atração pública nas horas de “lazer” da negralhada, é claro, tal como fazemos hoje diante da TV, na humilhação de pretos pobres prestadas pelos noticiários cotidianos.

Foi assim que teve origem a nossa tão estimada força policial, com esses negros incumbidos de perpetrar a dor e o sofrimento aos irmãos que reclamassem por sua humanidade. Negros que caçam negros, que torturam negros, que assassinam negros, em nome de uma comissão e de uma “licença” generosamente concedida por um branco senhor, legitimando-o como tal.

Nossas amadas forças armadas[2] também surgiram de uma cruel situação; os negros “libertos” pela princesa Isabel, eram sequestrados a luz do dia, com a justificativa de vadiagem (eles não tinham “donos” e também não tinham trabalho) voltando assim a condição de escravos da pátria amada Brazill, sofrendo os mesmos maus tratos de outrora.

A exemplo da grandes tropas de elite existentes no brazill, como os Henriques ou a guarda negra, nossos militares também negros (consciência pura) são comandados por meia dúzia de brancos (outra consciência). Desse modo, a ordem social e o progresso das elites são garantidos por essas forças negras, tornando todos felizes e contentes.

Nossos atuais assassinos, uniformizados, com reluzentes escudos e pomposas divisas douradas, bem armados e preparados, a exemplo dos Etíopes que tanto contribuíram na escravização dos irmãos africanos, ostentam com extremo orgulho seu pseudo poder, compensando sua desumanização e sua baixo auto-estima.

A função primeira desses negros e desumanizar seus pares; um exemplo que vem de encontro a essa afirmação é o famoso Mestre Candeia; sambista negro e policial destemido, valente e pragmático. No desempenho de suas funções de policial desconhecia os próprios amigos de roda de samba, chegando ao extremo de prender o  seu próprio irmão.

Porém; toda história tem um porém; num desses atos de valentia exacerbada, acabou levando um tiro, ficando paraplégico. A partir dai, nasceu Candeia, o compositor, voltando assim, a ser humano de novo. Um ser sensível, poeta, compositor e gente como a gente. Esse fato nos faz refletir bastante sobre a condição humana e de ser humano.

Outro tipo de negro que reúne em si as contradições do ser, é o negro evangélico: ele tem como Senhor a figura embranquecida de um Deus imposto como seu, por um a religião que o reduziu a condição de escravizado, roubando todos os seus bens, sua família, suas terras, sua história, sua cultura, sua vida e até seu próprio nome.

O cúmulo irônico dessa saga preta, dentre tantos cúmulos contextuais, foi o fato de que os marinheiros dos navios negreiros, doentes, sem dinheiro e moradia, que eram abandonados por seus capitães para morrer nos portos ingleses, eram cuidados por suas antigas vítimas, as negras e negros. Visto que os marinheiros eram aqueles que executavam as ordens do capitão, quando se tratava de punir com torturas infindas ou martirizar até a morte um negro que clamasse por liberdade a bordo de um Tumbeiro.

Acredito que essas negras e negros eram movidos pelos mandamentos do Ifá[3] ou/e pela filosofia Ubuntu[4] que os suleavam[5] em seu modo de ver e de viver a vida.
Outro fato relevante é o exemplo canção gospel mais cantada e conhecida em todo o mundo: Amazing grace.  O autor da letra é de um certo John Newton, inglês, capitão de navio negreiro, pai de família amoroso, esposo e chefe de família exemplar. Além de torturador e assassino, era temente a Deus. Tanto que se tornou pastor e arrependeu-se de todos os seus pecados já no final da vida.

Foi o capitão de negreiro que mais escreveu, além do prosaico diário de bordo, produzindo mais que todos os seus contemporâneos capitães juntos. Tanto que seus escritos provavelmente serviram de base na câmara dos comuns, por ocasião da abolição do tráfico negreiro no Atlântico.

Quanto ao compositor da canção, era um negro, um Zé ninguém que permanece ainda hoje no anonimato. Nessa canção foi utilizada a escala escrava. Ou seja, a escala pentatônica, própria dos africanos que concebiam tais notas como ritmo melódico. Os louros couberam ao capitão John enquanto ao autor desconhecido coube o ostracismo, próprio do hepistemicídio contemporâneo perpetrado pela branquitude.

Retornando aos atuais capitães-do-mato, não posso deixar de me referir a uma máxima que nos alerta para o fato de que se alguém encara em demasia o abismo, esse vai encará-lo de volta. Sendo assim, quem combate monstros deve tomar o devido cuidado para não se transformar em um. Nossa atual conjuntura está repleta de monstros criados e adestrados pela mídia fascista mundial. Implantando seu constructor social com monstros escuros, negros como a noite; são black blocks, favelados, vândalos, mestres e afins, enviados através de portais de notícias e manchetes sensacionalistas a lá cart.

Desse modo, o aroma de nosso esgoto social exala retroalimentando, com arrogância elegante, esse processo devorador, servindo seu banquete de referências aos monstros sociais que assombram a liberdade. Além de guardar a grande Matrix que impinge nas inocentes mentiras o mal nosso de cada dia que nos dói hoje.




[1] Lei da última gota
[2] Revolta da chibata, em 1910.
[3] 1º - ÒKÀNRÀN: Não fazer mal a ninguém.
2º - ÉJÌ ÒkÒ: Não sentir ódio nem destratar o outro.
3º - ETÁ ÒGÚNDÁ: Não guardar sentimentos vingança.
4º - ÌRÒSÙN: Não fazer armadilhas nem caluniar.
5º – ÒSÉ: Não invejar nada nem ninguém. 
6º - ÒBÀRÀ: Não mentir.
7º - ÒDÍ: Não corromper nem se deixar ser corrompido.
8º - ÈJÌ ONÍLÈ: Usar bem a cabeça neste mundo e respeitar os segredos alheios.
9º - ÒSÁ: Não ser falso com o próximo. 
10º - ÒFÚN: Não roubar, não jurar em falso nem amaldiçoar.
11º - ÒWÓNRÍN: Não matar, não arruinar a vida de outros e ser grato ao bem que nos façam.
12º - ÈJÌLÁ SEBORÁ: Evitar os escândalos e as tragédias. 
13º - ÈJÌ OLÓGBON: Respeitar os Ancestrais. 
14º - ÌKÁ: Não espalhar doenças, a corrupção e a maldade sobre o mundo.
15º - ÒGBEGÚNDÁ: Respeitar aos mais velhos, as crianças, o pai e a mãe.
16º - ÀLÀÁFÍÀ: Ouvindo estes conselhos não sentirá vergonha no dia que tiver que se apresentar perante Olódùmarè (Deus)


[4] “Uma pessoa só é uma pessoa através de outra pessoa”
[5] Boaventura, Santos – Pedagogia das ausências.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

KIBA: Ser e não Ser..!!


http://youtu.be/GVXOU4Ktkhs
A palavra kiba é traduzida do idioma bantu, significando pele. A produção narra a saga de uma mulher negra que vê seu reflexo no espelho e vitrines, a imagem refletida de uma mulher loira, de cabelos liso e longos, e de olhos azuis e seu processo de descobrir a si mesma.

Durante a narrativa, um programa de TV exibe depoimentos de mulheres negras reais falando sobre suas histórias de vida e de seu percurso até chegaram a ocupar o espaço que ocupam, e como fizeram para conseguir a vez e a voz. 

Essas são as mesmas TVs que sempre a acompanham em seu cotidiano, no trabalho, na rua e em casa, revelando, dando voz e espaço, mostrando o lado escondido de quem se encontra eclipsado por realidades formatadas pela cultura hierárquica veiculada pela mídia, como bem assinala Jean Baudrillar, além da inter-relação e da relação consigo mesma, de acordo com Baumam.

A narrativa exibe o modo pelo qual a personagem se deixa influenciar e se transformar, até o ponto em que o filme se revela, mostrando o lado “real” quando sai do espelho e vem para o lado em que o outro personagem está se refletindo: É na verdade uma mulher “branca” que tem toda sua cultura negra, todos seus antepassados e ancestralidade negados por sua cútis culturais, como assinala Franz Fanon.

Agora sim, a história recomeça com ela iniciando sua própria história, se redescobrindo e se reconhecendo, para perceber o sentido do Ser, de Ser ou deixar de Ser; tal como recomenda Michael Foucault; mudando a fonte da verdade.

Roteiro e direção:

Israel de Oliveira é Professor, Educador musical, Artista plástico, produtor, escritor, cronista, roteirista e desenhista.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Comportamento geral

Um prudentemente provérbio africano, nos alerta para o fato de somente uma mentira ter o poder de estraga mil verdades, por outro lado a mídia mundial contemporânea perversamente profetiza que "uma mentira repetida torna-se uma incontestável verdade", se entregando assim,  profissionalmente, ao espúrio expediente de mentir escancaradamente como principal função (in) dignificante de seu "ganha pão". 

Nesse dantesco cenário é incrível o hercúleo esforço desesperado da mídia em desempenhar equivocadamente as funções na qualidade de juiz supremo, nessa constante construção e formatação de uma sociedade bem comportada e disciplinada; Por outro lado, é um lenitivo perceber, que uma pequena parte de foras-das-leis dessa sociedade bem comportada, faz uso da subversão como antídoto necessário à imunização desse fatal veneno midiático que mortifica em vida, mumificando a capacidade de produção de sinapses. 

Observamos sempre uma sabatina de comerciais repetitivos a exaustão, de noticiários estrategicamente transformados em produtos de consumo, de opiniões burguesas e oligárquicas editoriais transformadas em "informações" e legitimadas como verdades absolutas; tudo feito com muita afetividade, dentro d'uma gentil arrogância, para se retroalimentar de forma contínua das emoções daí geradas num ad eternum moto perpétuo. É incrível o poder que possuí a mídia de mediocrizar e imbecilizar seus telespectadores, fazendo com que sejam idiotas a ponto de refletir com espantosa exatidão a opinião de seu objeto abjeto.

Estas semanas, que seguem pós meses de intensas manifestações e aparentes transformações, tive a infelicidade de saber que um africano foi preso ao tentar perguntar as horas a uma senhora num ponto de ônibus; esta senhora em questão, estava ao celular e ao ver o africano se aproximando, soltou um grito de desespero, jogando o celular para o alto, largando a bolsa e correndo em histérico desespero, chamando a atenção dos transeuntes que vendo a cena e pensando trata-se de um assalto chamaram imediatamente o auxílio da força policial. O africano assustado com tudo aquilo, correu até levar um tombo, foi pego e preso, sendo autuado em flagrante por tentativa de assalto.

Esse sinistro fato ocorreu na cidade de São Gonçalo; município que possui um intrépido corpo policial; aquele mesmo 7º batalhão que assassinou a juíza Patrícia Acyoli a mando do próprio coronel da corporação, por ela conduzir o julgamento dos diversos crimes cometidos pelo coronel e por policiais, diante de investigações da corrupção pulsante na citada corporação. Agindo assim, com extrema competência e habilidade, esses policiais ganharam o dia resolvendo mais um crime que não aconteceu, e nem viria a ser crime, na cidade de São Gonçalo do Amarante do Rio de Janeiro a dezembro.

Essa intrépida mídia, exatamente como nossa protetora e competente polícia assassina, trabalha; Com muitíssima habilidade: enquanto uma prepara o tribunal que julga e criminaliza a pobreza e a negritude, a outra, com requinte de perversidade que lhe é peculiar, executa disciplinadamente as sentenças, de forma heroica e cinematográfica; ato também conhecido como justiça social; justiça legitimada, aceita e assimilada de forma estupidamente natural pela sociedade imbecilizada e coagida pela veiculação das repetitivas mensagens das verdades mentidas oficiais. 

A incapacidade mental e intelectual propagada pelo sistema meritocrático que é sistematicamente proposto pelos economistas e especuladores, sendo imposto pela mídia como símbolo nacional, portanto sagrado, é o mote repetido nas propagandas nacionalistas governamentais. Ou seja, tenha orgulho de ser um imbecil atualizado, afinal lhes é permitido ingerir sua cerveja predileta, assistindo seu time preferido jogar, terminando tudo em samba com um final feliz no Big Brother nº 171; então está tudo bem: Vestindo a camisa da idiotia elevada à décima potência, vamos parar o Brazil durante o final da novela da plim, plim para tudo recomeçar na segunda-feira de todos os santos, tal como merecemos, por sermos cidadãos bem comportados.

No final do ano, após assistirem o inédito show repetido de todos os anos do rei Roberto, as famílias levarão seus filhos para lanchar no Mc Donald num shopping qualquer da vida, Enquanto os pais de família se embebedam fazendo seus churrascos e comentando o resultado do último jogo do time preferido, e as mães discutem as últimas e empolgantes cenas da novela das oito, opinando sobre quem morre ou vive na final, além de rir prazerosamente dos tantos reality shows, especulando sobre quem vai comer ou ser comido durante essa pueril história das eróticas fadas safadas, que brevemente posarão nuas no próximo número da revista Play Boy que o filho recém-adolescente esconde no fundo da gaveta.

Assim, nossa TV toma para si a sagrada missão de disciplinar e de educar dentro dos valores que possam permitir que especuladores, empreiteiros, agro fazendeiros e as quadrilhas dividirem o espólio da nação, tendo a tranquilidade e a garantia de não serem importunados por vândalos, Godos, Visigodos e mulçumanos, subversivos de plantão. Se não fosse a intrépida mídia e a sagrada religião, essa missão de paz, capitaneada pelo caminhão de lixo da mídia, estaria comprometida toda essa gigante operação para promover a estabilidade nos solos das multinacionais e nos gabinetes dos honestíssimos políticos dessas cidades maravilhosas.

Portanto, é necessário alimentar o povo com muitíssimos terroristas, homens-bombas, muçulmanos, negros, favelados, indígenas, macumbeiros e afins; não necessariamente nessa ordem, nesse banquete cinematográfico, satisfazendo a gula e a voraz necessidade de valores e referências de heróis e vilões que tem a humanidade desumanizada por essa própria necessidade.

Então, no palco da vida, sobre as luzes dos holofotes e diante de um belo tapete vermelho, devemos render homenagens dando uma salva de palmas para quem fragmenta e despersonaliza, personalizando a identidade de homens e mulheres ao bel prazer, reduzindo-os ao servilismo, armando-os de passividade e de religioso contentamento. 

Um viva ao cinismo atraente e lascivo da novela das oito, a sensual hipocrisia, ao desvalor hierarquizante e a sacanagem S/A. Vivas a pena de vida bandida criminalizada e vivida sobre a lei da ordem e do progresso oligárquico; Vivas aos invisíveis campos de concentração contemporâneos, aos partidos Ku Krux Krã, aos fascistas e nazistas incrivelmente honestos que governam esse país de Zumbis hollywoodianos, nessa terra de faz-de-conta onde tudo que se planta dá; Um viva aos premiados homens de bens das capas da revista Forbes.

Preparem seus diplomas para ser assinado nessa lindíssima formatura, dessa prestigiada escola que educa com maestria, competência e habilidade na arte da escravização sem deixar marcas visíveis do agradável sofrimento ou das violências bestiais incutidas como provas de graduação; oficializando assim, seu estado de pseudocidadão brazilleiro residente em país estrangeiro: um brinde a mídia brazilleira e outro a estupidez humana e a mais uma vitória da democratura. 







quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Brazil Black end White...


No Brazill brazilleiro temos um belo e maravilhoso povo negro, que não sabem que são negros, e por isso mesmo não se importam, nem um pouquinho que seja, com o racismo nem com qualquer tipo de preconceitos aos quais são brutalmente submetidos em seu cotidiano. Portanto, podemos afirmar que é o país mais cordial de todo o mundo, segundo meu amigo Florestam, São pessoas extremamente cordiais e tremendamente gentis.

É um país em que, felizmente não existem racistas, apesar de existir o perverso racismo em toda parte, estampando nas capas de todas as revistas, nas telas de todas as TVs, além de programas especializados e propagandas direcionadas em toda mídia falada e escrita, temos a eficiente e democrática eugenia como política vigente numa estrutura de poder, onde há o pleno domínio do pensamento hegemônico colonial.

Esse povo é decididamente um povo maravilhosamente lindo, mesmo sendo vilipendiados, torturados, presos e assassinados pela polícia e por médicos de plantão, nas delegacias, nos hospitais e batalhões, são todos iguais braços dados ou não; mesmo assim riem até das infames e humilhantes piadas que aniquilam sua moral e auto-estima;  das jocosas anedotas postadas nas redes sociais, na tela da TV, nas escolas, nas ruas campos e construções...

Mesmo assim eles, esse povo negro, se tornam evangélicos, seguindo e sendo fiéis a uma religião mesmo que o profeta do deus embranquecido os tenham amaldiçoado, condenando-os a uma divina escravização, eles aprendem e ensinam essa nova lição. Sim, este é um país das maravilhas, onde o preto sofrer é dignificar e louvar a congregação inquisitória de nossa história e ainda acreditar nas flores vencendo canhões...

Portanto, negro que diz não sofrer, é um artista finge-dor; a dor de não parecer negro, de não ser um Ser negro, a dor de deixar de Ser. A negra e o negro fingidor têm um largo sorriso estampado, uma ginga da cor e um abraço de amor. Amor gentil e cortês, em perfeito estado de embriaguez, ingeridos nos goles da garrafa de champanhe-cultural inseridos como antídoto pelo indolente burguês, na recuperação do atavismo de sua tez; e é com muita emoção que eles preferem morrer pela pátria e viver sem razão...

Assim sua negra cútis se entrega a falsa branquitude para viver de vez, e seu amolengar não passa pelo ato de estudar, de conhecer seu caminho ancestral, nem se reconhecer e se perceber. É um lindo e maravilhoso país, formado e formatado pela beleza negra, pessoas, gentes que nem sabem que não sabe. Um país onde meia dúzia de quatro caucasianos manda e desmanda nos destinos de negros e de cidadãos, sabendo fazer a hora sem nunca esperar acontecer...

Isto é Brazill, um país com cidades maravilhosas, com um povo maravilhoso e um governo... Escandalosamente honesto. Um país tropical abençoado por empresários e violado por natureza. Uma beleza branca, de cabelos loiros, de um liso esvoaçante, com um super final feliz nas telas da TV que a todos ordena, tudo escuta e tudo vê, que caminha cantando e compondo a canção, enquanto dançamos com os amores na mente e as memórias no chão, a certeza indolente e a história...!? No final feliz das novelas das oito...
Liberdade, fraternidade e igualdade; yes we can, pra frente Brazill: república do vinagrete, da feijoada, da cerveja e do final (in) feliz...!!

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=431140666979361&set=a.162556590504438.38135.100002502941907&type=1&ref=nf

sábado, 10 de agosto de 2013

Escolas e gaiolas: Funções e disfunções de um profissional de educação



Tornou-se lugar-comum as TVs noticiarem o cotidiano violento que grassam no ambiente das salas de aulas nas escolas públicas brasileiras. O bullyng tem sido a violência mais espetacularizada, além de mostrar gangues de alunos desmotivados, transtornados e sem noção, e professores atônitos, indignados ou abilolados.
Diante desse nebuloso quadro branco, podemos observar professores, que cuja função seria a de ensinar, frente a alunos cuja função supostamente seria a de estudar o que está sendo ensinado, desenvolvendo a função de educador, enquanto outros continuam na função primária destinada de professor; e uma considerável parcela, assume a dupla função de educador e professor.
Certamente grande parte dessa parcela de profissionais sucumbe prematuramente, visto que a dupla função, que lhe é convenientemente imposta, naturalmente assimilada e perversamente cobrada pelo sistema, aliada a periculosidade e a insalubridade, são fatores que agravam, acelerando as condições precárias, abalando sua saúde física e mental.
A forma leviana com que o sistema lida com o subjetivismo que envolve e estrutura essa conjuntura, além de ultrajar, impõe a esses profissionais a obrigação de criar mecanismos de sobrevivência. Para manter um mínimo de dignidade, esses profissionais de educação procuram evitar o desgaste físico e mental do embate cotidiano, optando entre desempenhar sua primeira função que é a de ensinar, a fim de manter sua insanidade em níveis normais; ou escolhem o caminho de educar, deixando de lado a reprodução e memorização inúteis à educação, a fim de tentar resgatar a dignidade discente. Também há os que oscilam num eterno conflito entre ambas as funções. Professor ou educador..!? Ser ou não ser..?? Ser e não ser..!!? Esses são os fiéis clientes que tanto engordam as contas bancarias de psicanalistas e psiquiatras.
Mas há outra opção que tem agradado bastante uma boa parcela desses profissionais: desempenhar a função de diretor de escola pública municipal. Este sonho de consumo tem povoado os sonhos daqueles que o veem como caminho único para sair dessa conturbada, vexatória e sinistra situação; Mas o paradoxo inerente ao desempenho dessa função costuma se instalar de forma contundente. Esses personagens comportam-se como certo professor, presidente da república tupiniquim, que pediu que os brasileiros esquecessem tudo o que ele havia escrito ou então outro que afirmou ser uma “metamorfose ambulante”... Sabemos muito bem o resultado disso e o Brazil também... A revolução do Vinagre que o diga...
Esses profissionais formam uma casta a parte dos profissionais de educação, procurando de forma brutal a perpetuação do poder momentaneamente a eles outorgado, usando para isso o expediente da autocracia, fazendo expediente da gentil arrogância própria da feroz indolência do sistema meritocrático. Esses professores, enquanto diretores, assim cumprem sua dupla função: a de vigiar e punir.
Esses profissionais de educação constituem o indecente corpo docente de um Frankstein, enquanto o corpo discente grotescamente amorfo se transforma num terreno fertilíssimo para proliferação de um currículo colonizado e subalterno, pautado pela política da eugenia.
O resultado desse quadro branco é o florescimento de uma sociedade de espectadores, numa urbi que se compraz em fabricar zumbis e “coxinhas”, numa gaiola de presas e predadores, de sinhôs e escravizados em que se transformou o sistema educacional brazilleiro. Formandos escravizados que nem sabem que não sabe o que não sabem, são criados estáticos como estatísticas nos algarismos de cheques achacados na gaiola dos loucos; sendo números divididos e subtraídos como instrumentos funcionais somados as matrículas e código de barras de um democrático presídio cidadão.

Formar ou formatar..!? Informar ou reformar..!?? Construir ou desconstruir..!?? Ensinar ou Educar..!?? Libertar ou escravizar..!?? A dicotomia se instala, expulsando o hiato entre o funcionar ou disfuncionalizar, neste contexto bisonho de fundo indolente eugênico-oligárquico...!!??

domingo, 16 de junho de 2013

CELACANTO está chegando...!!

Quem está começando a viver agora. Ou seja, quem já passou dos 40 anos, diferente de quem vive agora, certamente deve lembrar-se desse monstro gigante destruidor chamado de CELACANTO, um dos mais terríveis monstros que povoavam os filmes asiáticos, mais especificamente do filme japonês cujo principal herói chama-se "ULTRAMAM". 

Pois bem, na nossa ditadura anterior, falo da ditadura militar e não da atual ditadura democrática, os manifestantes picharam toda a cidade com frases que diziam que "Celacanto vai chegar", "Celacanto está chegando", "Cuidado com o Celacanto", etc. O resultado disso é que a pouco tempo atrás foram descobertos documentos dessa ditadura constando que o Serviço de "inteligência" militar investigava intensamente para descobrir quem seria esse subversivo para que, obviamente pudesse provar da hospitalidade das torturas a la carte servida indiscriminadamente, não muito diferente de hoje,  em seus porões. Parece que as investigações, apesar de muito eficiente, não surtiram o desejado efeito, visto que até hoje o CELACANTO não foi capturado pela dita ditadura, a militar da citada época.

Hoje, nos atuais protestos por direitos humanos, tivemos o episódio do VINAGRE. Ao que parece, os atuais militares não querendo parecer tão idiotas como seus pares que investigaram o CELACANTO, para garantir, esses não investigam absolutamente nada: apreenderam o VINAGRE  e também prenderam o subversivo. 

Isso nos dá uma clara ideia de como pensa nossa democratura militar, se é que podemos falar em sinais de alguma forma de pensamento na conjuntura dessa  ordem unida de autorama. Nosso ministério público mantém seu sepulcral silêncio de ouro, enquanto as "autoridades constituintes" seguem seu exemplo de não interferir no curso desse crime contra a humanidade, assim como em nenhum momento intervém no curso do genocídio da população negra. 

A maioria esmagadora das revoltas que existiram em solo tupiniquim, foram capitaneadas pela população melanodérmica, e essa não é diferente. Isso explica a não interferência dos "representantes" políticos do povo nessa REVOLUÇÃO DO VINAGRE. Os militares justificam sua truculência explicando que estão cumprindo ordens, mas os que ordenam se mantém nas sobras, protegidos pela mídia que joga lenha na fogueira, instigando os buldogues e pitbulls armados e uniformizados a violência gratuita. Só que esse estímulo à violência saiu do controle quando a corrente da coleira se partiu nos confrontos populares na arena desse Grand Circo urbano.

Devemos reconhecer a extrema habilidade da mídia na estimulação e manipulação dessa violência, tentando da maneira mais excursa e perversa possível, invisibilizar essa REVOLUÇÃO Popular. Essa atitude indolente, própria da arrogância inerente a elite, procura desqualificar esse movimento através do exercício da truculência extrema, como em 64, só que desta vez não acontece mais nos porões, mas sim perversamente ao vivo e em preto e branco na tela da TV que tudo vê. Ela, a mídia, legitima a violência policial implantando o estado de exceção, definindo assim a dominação plena dessa elite civilizada que mantém a produção de sua riqueza através do terror policial e dos aparatos de segurança desse estado; é a redição de 64, quando a elite civil deu o golpe, mas não contaram com o descontrole sobre seus pitibulls uniformizados.


A revolta dos Malês, a Cabanada, a abolição popular, a revolta dos alfaiates, a revolta da chibata, a revolta da vacina, do vintém, Zumbi dos Palmares e agora a Revolta do VINAGRE; Tudo se resume a procura da vez e da voz negadas a todos aqueles que realmente produzem a riqueza dos bilionários nessa república das bananas e não mais de bananas. Parece que desta vez a mídia está perdendo seu poder de controle sobre as massas e o tiro saindo pela culatra. 
As flores de outrora não venceram os canhões, mas o VINAGRE  de hoje reescreve essa nova canção...
Os jovens saem do Facebook e as mulheres desligam a plim, plim para ganharem as ruas; Os trabalhadores param as máquinas para ganharem as ruas; os professores largam o giz para ganharem as ruas e juntos, os sons de todas as vozes ecoam sobre as propagandas fascistas desse governo de crimes;  A Irlanda revolucionária também está presente, mesmo que a mídia mundial guarde a sete chaves sua recente revolução onde todos os banqueiros foram para a prisão e todos os membros do governo expulsos de seus cargos. O vinagre era o tempero que faltava neste antro de fornicação e neo-religião; Vamos a revolução, esse vinagre é a solução na alquimia dessa geração Sem CELACANTO, mas com monstros que nos tem acuado em todo canto. Cantemos pois essa nova canção, para fazer dançar os donos da corrupção.




terça-feira, 11 de junho de 2013

LANÇAMENTO DO FILME: “KIBA” De: Israel de Oliveira Data: 18 de junho – Local: Mini-auditório - FFP/UERJ Horário: 18h

“No idioma bantu, a palavra KIBA significa pele; quando usamos a máxima “Ser e não Ser” em vez do dilema Shakespeariano do “ser ou não ser”, o fazemos de forma proposital descartado os extremos para focar no dualismo paradoxal da “democracia racial” tupiniquim.

A prisão estética contemporânea solidamente construída e legitimada pelos meios de comunicação, confina o ser humano fragmentando sua identidade e seu pertencimento, fazendo das bulas referências estética, estática e estatística.

A narrativa desvela a origem dessa imagem homogênea refletida pela mídia, descortinando os caminhos das descobertas da personagem, de si e de seu encontro consigo mesma, trazendo uma sutil reflexão relativa à construção de sua identidade"                                                                 (Israel de Oliveira).



             Organizadoras: Regina de Jesus e
                                       Inês Bragança
Núcleo de Pesquisa e Extensão:

“Vozes da Educação: Memórias e Histórias das Escolas de São Gonçalo”

Endereço: R. Dr. Francisco Portela, 1470 - Patronato  São Gonçalo, 24435-005
(21) 3705-2227

http://www.falaneguinha.comunidades.net/index.php