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sábado, 10 de agosto de 2013

Escolas e gaiolas: Funções e disfunções de um profissional de educação



Tornou-se lugar-comum as TVs noticiarem o cotidiano violento que grassam no ambiente das salas de aulas nas escolas públicas brasileiras. O bullyng tem sido a violência mais espetacularizada, além de mostrar gangues de alunos desmotivados, transtornados e sem noção, e professores atônitos, indignados ou abilolados.
Diante desse nebuloso quadro branco, podemos observar professores, que cuja função seria a de ensinar, frente a alunos cuja função supostamente seria a de estudar o que está sendo ensinado, desenvolvendo a função de educador, enquanto outros continuam na função primária destinada de professor; e uma considerável parcela, assume a dupla função de educador e professor.
Certamente grande parte dessa parcela de profissionais sucumbe prematuramente, visto que a dupla função, que lhe é convenientemente imposta, naturalmente assimilada e perversamente cobrada pelo sistema, aliada a periculosidade e a insalubridade, são fatores que agravam, acelerando as condições precárias, abalando sua saúde física e mental.
A forma leviana com que o sistema lida com o subjetivismo que envolve e estrutura essa conjuntura, além de ultrajar, impõe a esses profissionais a obrigação de criar mecanismos de sobrevivência. Para manter um mínimo de dignidade, esses profissionais de educação procuram evitar o desgaste físico e mental do embate cotidiano, optando entre desempenhar sua primeira função que é a de ensinar, a fim de manter sua insanidade em níveis normais; ou escolhem o caminho de educar, deixando de lado a reprodução e memorização inúteis à educação, a fim de tentar resgatar a dignidade discente. Também há os que oscilam num eterno conflito entre ambas as funções. Professor ou educador..!? Ser ou não ser..?? Ser e não ser..!!? Esses são os fiéis clientes que tanto engordam as contas bancarias de psicanalistas e psiquiatras.
Mas há outra opção que tem agradado bastante uma boa parcela desses profissionais: desempenhar a função de diretor de escola pública municipal. Este sonho de consumo tem povoado os sonhos daqueles que o veem como caminho único para sair dessa conturbada, vexatória e sinistra situação; Mas o paradoxo inerente ao desempenho dessa função costuma se instalar de forma contundente. Esses personagens comportam-se como certo professor, presidente da república tupiniquim, que pediu que os brasileiros esquecessem tudo o que ele havia escrito ou então outro que afirmou ser uma “metamorfose ambulante”... Sabemos muito bem o resultado disso e o Brazil também... A revolução do Vinagre que o diga...
Esses profissionais formam uma casta a parte dos profissionais de educação, procurando de forma brutal a perpetuação do poder momentaneamente a eles outorgado, usando para isso o expediente da autocracia, fazendo expediente da gentil arrogância própria da feroz indolência do sistema meritocrático. Esses professores, enquanto diretores, assim cumprem sua dupla função: a de vigiar e punir.
Esses profissionais de educação constituem o indecente corpo docente de um Frankstein, enquanto o corpo discente grotescamente amorfo se transforma num terreno fertilíssimo para proliferação de um currículo colonizado e subalterno, pautado pela política da eugenia.
O resultado desse quadro branco é o florescimento de uma sociedade de espectadores, numa urbi que se compraz em fabricar zumbis e “coxinhas”, numa gaiola de presas e predadores, de sinhôs e escravizados em que se transformou o sistema educacional brazilleiro. Formandos escravizados que nem sabem que não sabe o que não sabem, são criados estáticos como estatísticas nos algarismos de cheques achacados na gaiola dos loucos; sendo números divididos e subtraídos como instrumentos funcionais somados as matrículas e código de barras de um democrático presídio cidadão.

Formar ou formatar..!? Informar ou reformar..!?? Construir ou desconstruir..!?? Ensinar ou Educar..!?? Libertar ou escravizar..!?? A dicotomia se instala, expulsando o hiato entre o funcionar ou disfuncionalizar, neste contexto bisonho de fundo indolente eugênico-oligárquico...!!??

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