Tornou-se lugar-comum as TVs noticiarem o cotidiano
violento que grassam no ambiente das salas de aulas nas escolas públicas
brasileiras. O bullyng tem sido a violência mais espetacularizada, além de
mostrar gangues de alunos desmotivados, transtornados e sem noção, e
professores atônitos, indignados ou abilolados.
Diante desse nebuloso quadro branco, podemos observar
professores, que cuja função seria a de ensinar, frente a alunos cuja função
supostamente seria a de estudar o que está sendo ensinado, desenvolvendo a
função de educador, enquanto outros continuam na função primária destinada de professor;
e uma considerável parcela, assume a dupla função de educador e professor.
Certamente grande parte dessa parcela de profissionais
sucumbe prematuramente, visto que a dupla função, que lhe é convenientemente imposta,
naturalmente assimilada e perversamente cobrada pelo sistema, aliada a
periculosidade e a insalubridade, são fatores que agravam, acelerando as
condições precárias, abalando sua saúde física e mental.
A forma leviana com que o sistema lida com o
subjetivismo que envolve e estrutura essa conjuntura, além de ultrajar, impõe a
esses profissionais a obrigação de criar mecanismos de sobrevivência. Para
manter um mínimo de dignidade, esses profissionais de educação procuram evitar
o desgaste físico e mental do embate cotidiano, optando entre desempenhar sua
primeira função que é a de ensinar, a fim de manter sua insanidade em níveis
normais; ou escolhem o caminho de educar, deixando de lado a reprodução e
memorização inúteis à educação, a fim de tentar resgatar a dignidade discente.
Também há os que oscilam num eterno conflito entre ambas as funções. Professor
ou educador..!? Ser ou não ser..?? Ser e não ser..!!? Esses são os fiéis
clientes que tanto engordam as contas bancarias de psicanalistas e psiquiatras.
Mas há outra opção que tem agradado bastante uma boa
parcela desses profissionais: desempenhar a função de diretor de escola pública
municipal. Este sonho de consumo tem povoado os sonhos daqueles que o veem como
caminho único para sair dessa conturbada, vexatória e sinistra situação; Mas o
paradoxo inerente ao desempenho dessa função costuma se instalar de forma
contundente. Esses personagens comportam-se como certo professor, presidente da
república tupiniquim, que pediu que os brasileiros esquecessem tudo o que ele havia escrito ou então outro que afirmou
ser uma “metamorfose ambulante”...
Sabemos muito bem o resultado disso e o Brazil também... A revolução do Vinagre que o diga...
Esses profissionais formam uma casta a parte dos
profissionais de educação, procurando de forma brutal a perpetuação do poder
momentaneamente a eles outorgado, usando para isso o expediente da autocracia, fazendo
expediente da gentil arrogância própria da feroz indolência do sistema
meritocrático. Esses professores, enquanto diretores, assim cumprem sua dupla
função: a de vigiar e punir.
Esses profissionais de educação constituem o indecente
corpo docente de um Frankstein,
enquanto o corpo discente grotescamente amorfo se transforma num terreno
fertilíssimo para proliferação de um currículo colonizado e subalterno, pautado
pela política da eugenia.
O resultado desse quadro branco é o florescimento de
uma sociedade de espectadores, numa urbi que se compraz em fabricar zumbis e “coxinhas”, numa gaiola de presas e predadores, de sinhôs e escravizados
em que se transformou o sistema educacional brazilleiro. Formandos escravizados
que nem sabem que não sabe o que não sabem, são criados estáticos como
estatísticas nos algarismos de cheques achacados na gaiola dos loucos; sendo números divididos e subtraídos como
instrumentos funcionais somados as matrículas e código de barras de um
democrático presídio cidadão.
Formar ou formatar..!? Informar ou reformar..!??
Construir ou desconstruir..!?? Ensinar ou Educar..!?? Libertar ou
escravizar..!?? A dicotomia se instala, expulsando
o hiato entre o funcionar ou disfuncionalizar, neste contexto bisonho de
fundo indolente eugênico-oligárquico...!!??
Nenhum comentário:
Postar um comentário