Gesto nobre é digno de Rei e gesto pobre é coisa de preto. No plebiscito realizado no ano de 1993, para se escolher a forma de governo que os brasileiros desejavam para nosso país, mais de 60% votaram na monarquia. Votaram naqueles aristocratas que dilapidaram o país, que dizimaram um povo além de escravizar outro; transformando os sobreviventes desse genocídio em mortos-vivos.
Que filhos da pátria são esses que vêem na sua mãe (a mãe África) e no estupro de Lucy , genitora dos afro-brasileiros, uma vadia sem lar, reduzindo-a a uma caricatura de Geni . Porque o Brasil precisa decretar uma lei para adestrar uma consciência inexistente; a consciência da alforria, a consciência negra. Porque a vergonha de ser negro, imposta pela representação do preto-pobre-feio-burro-escravo, persiste para além dos livros didáticos, paradidáticos e midiáticos naturalizado pelo senso-comum.
Em nossa sociedade de príncipes e mendigos o preconceito não é crime, uma vez que não pode ser medido nem pesado. Nós, os assalariados, somos filhos dos escravos libertos largados pelas ruas, becos e vielas do Brasil pós-abolição. Incrivelmente tal abolição veio acompanhada, dois meses após especificamente, pela famigerada lei da terra, dando posse da mesma terra aos possuidores de rendas. Obviamente não houve nenhum crime de Racismo ou de Preconceito nessa lei, visto que em nenhum momento se mencionou alguma coisa sobre pessoas de cor; assim como a maioria esmagadora das leis brasileiras, confeccionadas especificamente para criação e manutenção de privilégios de quem já os possuem, além do achincalhamento dos despossuídos; tudo muito natural, aceitável, normal.
Por isso os Negros são os marginas, os parias, a ameaça que caminha pelas ruas escuras dessa sociedade que se protege e se exime através do sentimento do preconceito. Já que, convenientemente, tal sentimento não passível de criminalização. Portanto, conclui-se que no Brasil as leis venham especificamente para mudar o suficiente para que tudo possa continuar está. Se a mudança de paradigmas se encontra na Educação..., Que se desconfigure a educação. Afinal, é a Educação que muda a pessoa; e são as pessoas que mudam o mundo . Enquanto não se transforma essa escola-tijolo em escola-gente, continuamos a sermos humanos carentes e indecentes, afogados em normas regras, leis, bulas e fórmulas; prova de nosso estrondoso fracasso como seres humanos: Lucy Dingines com seu diploma de Hominídeo, mãe e mulher, que inspiram as Rosas Parker e Luizas Mahim, mostra o caminho do Tronco genealógico do respeito à vida, as diferenças e a si próprio como sujeito construtor da própria realidade. O tronco da mesma árvore em que o escravo circulava nove vezes para esquecer de si, de sua história como homem, passando a condição de coisa, de objeto pertencente a um infame caucasiano.
A educação pública outorgou para si o mesmo papel dessa árvore de outrora; educação eugenista, baseado no preconceito legal, normatizado e naturalizado pelo senso comum.
Luiza Mahim não foi uma princesa burguesa assim como princesa Isabel nunca foi Princesa guerreira para que pudesse libertar alguém de alguma coisa. Esse exemplo ilustra a tendenciosidade sacana da história contada pelos vencedores, donos de terras griladas, de mansões, donos do Brasil, da estatística e da opinião pública. Cuidadosamente esses “senhores” cuidaram para que fossem excluídos dessa mesma história, a participação dos verdadeiros construtores da nação: os negros e os indígenas. Assim como cuidam, através da educação e da religião, para que os mesmos continuem alijados do processo pleno de cidadania.
A Cleópatra hollywoodiana tornou-se branca de olhos azuis, além de cabelos intitulados de “bom”; a Rainha de Sabá assumiu seu branqueamento bíblico-ocidental, assim como Jesus de Nazaré; representado como um típico hippie americano, mesmo tendo nascido numa geografia de Hamas e Talibãns.
Falar de anjos loiros e rainhas brancas seria redundante numa sociedade movida pelo preconceito; afinal isso é tão natural. Somente o negro é antinatural nesse contexto canibal. A antropofagia do respeito é estado de direito, e direito adquirido não se discute, se acata. Nossa justiça se divide em Estado de Direito para uns, e Estado de Exceção para outros. O degradé melanínico aliado à condição social, tornou-se atualmente o único documento aceito como passaporte para a alforria desse estado de agonia.
Assim, quando a monarquia chegar, será possível a cada indivíduo, finalmente oficializar sua condição de Príncipe ou de Mendigo; saberemos então quem são os verdadeiros filhos da Pátria, não confundindo mais o homem honrado do contumaz canalha; já que os discursos de ambos são idênticos. A lei áurea da princesa burguesa fez da palavra liberdade um prosaico sinônimo de igualdade, que de maneira perversa, negou todos os direitos de cidadão ao “cidadão de cor”. Sem direito a vez, sem direito voto, sem direito à participação política, sem direito a terra ou exercer qualquer dos quesitos que caracterizasse o indivíduo como cidadão, ele foi libertado. Agora liberto tornou-se sinônimo de mendigo, de marginal, de refugo social.
Mas esse mesmo liberto, eternamente grato por sua nova condição, em dívida com a princesa e a monarquia pelo favor prestado, comemorava o silêncio de sua história. Mas como salvadores da pátria, os benevolentes senhores caucasianos oficializaram a liberdade da negrada, fazendo com que o trabalho escravo tornasse trabalho assalariado; agora o dono do preto passou a ser o empresário; Coisa de nossa pós-modernidade! Mas o negro continuou preto sem teto, sem terra
Rompendo o silêncio histórico do povo melaninoso, protagonizando o outro ponto de vista de uma outra história que se evita ser contada, afrocentrizando o olhar paradigmático sobre a cultura oficialmente formatada, patenteada e legítimada como única.
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
Etiquetas e Direitos Humanos
O século XVIII nos trouxe uma impressionante gama de pensadores conhecidos como iluministas; esses mesmos senhores do alto de seus tronos de sabedoria confeccionaram e etiquetaram um novo homem; inventando, além dos direitos autorais, a hierarquia. Sendo assim, um homem de origem Árabe, Turca ou Africana era devidamente rotulado com uma moderna e inovadora etiqueta, indicando seu valor; classificando-o como “Mad in...” Ou seja, neste século, além da revolução das máquinas veio também a reboque, à construção desse homem moderno; mais ou menos valorizado, de acordo com sua nova etiqueta, no novo cenário do novo século, de novo pensar. A fabricação desse novo homem seguiu o modelo constituído segundo os princípios do mercado; portanto sujeito às leis desse mesmo mercado, às suas flutuações e cotações; como qualquer empresa que criam e adotam suas próprias leis, a despeito da legislação existente no país em que se instalam. Ele, o homem moderno, tem em sua etiqueta a determinação da porcentagem dos direitos a que ele tem direito, e quando cessam esses mesmos direitos. As etiquetas indicando sua constituição e origem; sua cor, seu credo, preferências pessoais e sexuais, determinam sua qualidade de vida e de morte, seu azar e sua sorte do Sul até o norte, do Oiapoque a Beijim. São multi povos, muita gente e um Deus; Deus que foi patenteado, dividido, redividido e multiplicado. Cada etiqueta um Deus, cada povo uma etiqueta, enquanto cada religião hierarquiza sua gente, cada povo hierarquiza sua casta e cada casta a sua cor, de acordo com a etiqueta de seu novo Deus e as bênçãos dos iluministas. Os pobres e miseráveis brancos norte-americanos preferem mil vezes essa condição, a serem ricos e... Negros; o que chamam neste país de “lei da última gota”. Ou seja, se por acaso existir na árvore genealógica daquele sujeito, um negro. Ele socialmente, politicamente, juridicamente e psicologicamente, fatalmente cairá em desgraça. Sendo assim, a noção de ser negro, está bem delineada no consciente do cidadão norte-americano; enquanto que no Brasil, terra em que literalmente tudo dá, a consciência se limita à aceitação da condição de nulidade social e jurídica; a consciência de ser negro é rechaçada com veemência, visto que ser negro significa ser nulo: ideologia propagada pela mídia. Ou seja, esse é mais um paradoxo listado como fator constituinte na programação da etiqueta do homem moderno. O indivíduo moderno aceitou continuar sendo um objeto na prateleira do consumo. Ele continua gerando divisas a medida em que é literalmente consumido; vendido a todo momento, sem ter a mínima consciência de que é negociado a cada contrato social ou governamental, a cada medida provisória e a cada decreto. Sua etiqueta está programada a não se envolver em política, não contestar seu líder religioso nem a televisão. Assim a tríade religião-estado-mídia mantém a etiqueta na moda, renovando sempre com ideologias preconceituosas e racistas as diferenças e singularidades registradas nessas mesmas etiquetas, a despeito da legislação em vigor; para fortalecer nosso paradoxo ao contrário e/ou de ponta-a-cabeça, fazendo com que cada velha inovação seja nova aos olhos do homem-etiqueta. E deste modo que ele, o homem moderno, acredita na abolição da escravatura, na princesa Isabel, em Duque de Caxias, na Histórica independência do Brasil, em Jonas sobrevivendo na barriga da baleia, no jornal nacional, em papai Noel, etc. ele honestamente, de maneira simplória, até acredita ser mesmo um indivíduo livre, quando não tem noção do significado de cidadania, nem a mínima ciência da escravidão paulatina a que é submetido. Sua memória só funciona com imagens pintadas com cores berrantes; portanto é notória a exposição de sua etiqueta ao público e a público, nos shoppings, nas repartições públicas, nos jornais, na TV e nas revistas, mantendo a lembrança de sua condição e sua “consciência” de pertencimento bem ativa. Certamente todo esse mérito deve ser creditado ao fator globalizatório, que trouxe a contemporaneidade um quesito determinante de inovação, quando patenteou a consciência do indivíduo trazida na etiqueta do homem moderno; legitimando assim, a liberdade provisória do mesmo; desde que não contrarie qualquer dispositivo de contenção do sujeito. O indivíduo não tem casa, não tem alimentação mínima adequada, não tem educação, nem dignidade; mas tem o sentimento de gratidão, por não estar acorrentado, com uma camisa de onze varas, limpando a latrina do “patrão”. Afinal fazer esse “trabalho” sem esse uniforme e sem as correntes e ainda ganhar uns trocados para poder continuar a ser o que é: um escravo liberto... É tudo que ele sempre quis: o resto... Ele vê no big brother e na novela das oito.
Liberdade ainda que tardia
Durante a tragédia do “infame comércio” de gente através do grande calunga, o oceano atlântico, a ética dos traficantes se resumia a uma matemática elementar de lucros. Uma regra de três simples, onde as razias seqüestravam centenas de crianças negras e em cada grupo de dez, assassinavam oito através do processo emasculatório. Os dois sobrevivente restantes que resistiam a essa terrível tortura, seriam os que mais gerariam os vergonhosos lucros a seus algozes, tornando-se eunucos; mercadoria valiosíssima no mercado negro oficial, internacional e natural no mundo europeu, superando qualquer especulação financeira de toda a história de todo o planeta.
Hoje a elite caucasiana, herdeira daqueles que financiavam tais razias, gozam da fortuna deixada por esses mesmos torturadores, que também lhes doaram a cultura racista, oficializada em cartório, institucionalizada e reconhecida pela justiça da forma mais subjetiva possível, para não se contrapor a lei vigente.
Me pergunto quantas vidas valem cada mansão, cada carro importado, cada conta nos paraísos fiscais? Quantas mortes ainda são necessárias para se manter tais privilégios? Quanta indiferença e indignidade serão preciso para sustentar tal status?
Desse infame comércio, nasceu e se alimentou a aristocracia; dai floresceu, e se sustenta nossa elite caucasiana; hoje o racismo adquirido é a garantia da longevidade desse infame comércio, que é o uso do negro como combustível da máquina produtora de riquezas que é o sistema financeiro.
Quanta dignidade vale o salário de cada negro que recolhe o lixo das ruas, que lava uma Ferrari ou a latrina de um “dôtor”; negro que vive da fé e tem dinheiro só pr’um café?
Liberdade, fraternidade e igualdade foram as palavras mais pronunciadas na Europa no século XVIII; ironicamente foi o século em que o infame tráfico do comércio de gente cresceu de forma mais escandalosamente absurda possível e inimaginável.
Hoje tais palavras voltaram à moda, tornando o assunto, relativos à africanidade e a negritude, uma matéria lucrativa.
Obviamente o negro voltou a ser objeto, agora de pesquisa, de curiosidade, mitos; enfim, voltou a ser um produto exótico, desde a academia até a mídia. Não importa se de forma positiva ou negativa, para quem ou para quê; o que se deve assinalar é que muitos se aproveitam disso, menos o próprio negro. Ele ainda está longe de disputar em pé de igualdade os bancos escolares, a academia, o mercado de trabalho, a política, shoppings, a liberdade de ir e vir, etc.
Me pergunto a quem mais interessa essa folclorização e carnavalização da negritude e a falsa polêmica levantada em torno do negro, das cotas; enfim, da diversidade, afim de desviar a atenção dos afrodescendentes a pretensão de igualdade de oportunidades?
Honorís causa
A assinatura da lei Áurea foi mais uma desastrosa sentença condenatória ao povo negro; visto tê-lo reduzido de escravo a um ordinário ex-detento. Assim a sociedade o trata: como um pseudocidadão com liberdade provisória.
A “redentora” dos negros deu um perverso e infame golpe de autopromoção, num momento em que 95% dos negros já haviam se libertado a custo de muita luta, de muito sangue e sacrifício através da abolição popular. A liberdade promovida pela princesa, representando a benevolência do poder dominante, condenou antecipadamente o negro a viver em eterna subserviência as elites de plantão. Visto que essa liberdade provisória é constantemente contestada pela exigência de se apresentar cartas de alforria por onde quer que vá, autenticada, com firma reconhecida e validade renovada periodicamente. Um negro chamado Pastinha é um dos exemplos dessa benevolência oligárquica; ele foi convidado a se retirar de sua residência no Pelourinho, na cidade de Salvador, com promessas enganosas, para que o restaurante do SENAC pudesse ocupar o espaço de sua academia de capoeira. Muito mais que uma infame negociata, foi à perversidade de se remover um símbolo de resistência de luta de uma raça; um capoeira, Para dar lugar ao símbolo de dominação oligárquica.
Foi um momento da história em que o firmamento tornou-se negro e o dia virou noite na esquina do céu, onde João Cândido encontrou-se com M. Bimba numa conversa afiada de navalha e canhão, liberdade e escravidão; tendo ao fundo o choro solado do Mestre Pixinguinha, abençoado pela negra Ciata. Esse tempo nublado provocou ventos, derramando em cascata essa conversa em letras e canções sobre as frontes dos infantes, em cada latitude e longitude, do Rio de Janeiro a Brasília, passando pelo mundo inteiro as palavras caladas nos livros estrangeiros. Conversa que despertou, do levante de Zumbi ao levante do Malês; o levante da Consciência, derrubando a infâmia escravidão e a tortura da chibata.
Hoje o templo negro é sediado no tempo da consciência que vem abrindo caminho na capoeira desde Canudos até os mega latifúndios.
Os canhões do Almirante Negro romperam os silêncios, acompanhado pelas notas da chorada da melodia de guerra, no ritmo dos tambores, rompendo e invadindo tímpanos, atingindo em cheio o id, ego e o super ego.
De Lima Barreto a M. Pastinha, de Juliano Moreira a Bispo do Rosário, da pré-consciência a pós-consciência desse tempo trazido pelo vento, onde as ondas invadem o ser sobrevivente, inundando e adaptando o próprio ser na consciência de um novo amanhecer.
A “redentora” dos negros deu um perverso e infame golpe de autopromoção, num momento em que 95% dos negros já haviam se libertado a custo de muita luta, de muito sangue e sacrifício através da abolição popular. A liberdade promovida pela princesa, representando a benevolência do poder dominante, condenou antecipadamente o negro a viver em eterna subserviência as elites de plantão. Visto que essa liberdade provisória é constantemente contestada pela exigência de se apresentar cartas de alforria por onde quer que vá, autenticada, com firma reconhecida e validade renovada periodicamente. Um negro chamado Pastinha é um dos exemplos dessa benevolência oligárquica; ele foi convidado a se retirar de sua residência no Pelourinho, na cidade de Salvador, com promessas enganosas, para que o restaurante do SENAC pudesse ocupar o espaço de sua academia de capoeira. Muito mais que uma infame negociata, foi à perversidade de se remover um símbolo de resistência de luta de uma raça; um capoeira, Para dar lugar ao símbolo de dominação oligárquica.
Foi um momento da história em que o firmamento tornou-se negro e o dia virou noite na esquina do céu, onde João Cândido encontrou-se com M. Bimba numa conversa afiada de navalha e canhão, liberdade e escravidão; tendo ao fundo o choro solado do Mestre Pixinguinha, abençoado pela negra Ciata. Esse tempo nublado provocou ventos, derramando em cascata essa conversa em letras e canções sobre as frontes dos infantes, em cada latitude e longitude, do Rio de Janeiro a Brasília, passando pelo mundo inteiro as palavras caladas nos livros estrangeiros. Conversa que despertou, do levante de Zumbi ao levante do Malês; o levante da Consciência, derrubando a infâmia escravidão e a tortura da chibata.
Hoje o templo negro é sediado no tempo da consciência que vem abrindo caminho na capoeira desde Canudos até os mega latifúndios.
Os canhões do Almirante Negro romperam os silêncios, acompanhado pelas notas da chorada da melodia de guerra, no ritmo dos tambores, rompendo e invadindo tímpanos, atingindo em cheio o id, ego e o super ego.
De Lima Barreto a M. Pastinha, de Juliano Moreira a Bispo do Rosário, da pré-consciência a pós-consciência desse tempo trazido pelo vento, onde as ondas invadem o ser sobrevivente, inundando e adaptando o próprio ser na consciência de um novo amanhecer.
As olimpíadas no Rio de Janeiro e o esporte favorito na Cidade Negra de elite SERIAL KILLERS
Moro num país tropical, num condomínio branco, com um shopping de olhos azuis e outdoors loiros. Um país onde a justiça passa em brancas nuvens e as leis são aplicadas nos esvoaçantes cabelos lisos naturais, soltos ao vento na tela do cinema com final feliz.
A paz, a pomba, o papa são heróis de sucesso na tela da TV que não me vê; salvo aos que se branqueiam, para ter a chance de candidatarem-se à sucessão de sucessos sacramentados em atos secretos.
Meu país é cercado por arames farpados de todos lados; torre de proteção para manter a ilusão e um grande fosso para afastar o desgosto e o “encosto”.
É um país bonito por natureza; uma beleza. Desde o lindo comercial mostrando a branquitude do carnaval até a imagem de Zumbi de Hollywood dançando break na “terra do Nunca”.
Sou Manchester e tenho uma loira chamada Breatney. Poderia chamar-se Solange, Cremilda ou Camélia; mas as notas azuis de meu canto não são brancas, são blues; e eu sou “moreninho”, e moro num país tropical abençoado por Deus. Mesmo sabendo que o amor não tem cor, sei Deus é branco... E não da cor da minha dor!
Com o anelar, consigo indicar na hierarquia do mapa mundi, além do Brasil, país multicolorido de Branco; A Europa, continente multicolorido de Loiro.
EUA, país multicolorido de olhos azuis.
Multiculturalismo branco, loiro e de olhos azuis.
Bandeira branca do anjo loiro, que olha a terra azul sem enxergar o mundo negro.
África; continente negro, onde surgiu o primeiro homem, a primeira família, a primeira sociedade, o primeiro céu, sol, chuva, anil, café, cerveja, linho, sabonete, música, dança, vida...
Mas os anjos brancos, primeiros oficiais divinos patenteados pelo “multiculturalismo”, decretaram a proibição de se perceber a pele morena mestiça amansada, com seus olhos castanhos, transgênicos e confusos; resultado do preto petróleo do branco, tronco de células sacanas e insanas.
A bandeira pirata preta marginal; xadrez bicolor que colore o arlequim, carnavalizado pelo picadeiro da vida, mostrando a natureza afro-morta, descolorada pela morte ao vivo dos negro-preto-mestiços.
Aqui na terra de Santa Cruz, gesto nobre é digno de Rei e gesto pobre é coisa de preto. Prova disso foi o plebiscito realizado no ano de 1993, para se escolher a forma de governo que os brasileiros desejavam para nosso país: o resultado foi que mais de 60% votaram na monarquia. Votaram naqueles aristocratas que dilapidaram o país, que dizimaram um povo além de escravizar outro; transformando os sobreviventes desse genocídio em mortos-vivos.
Que filhos da pátria são esses que vêem na sua mãe (a mãe África) e no estupro de Lucy , genitora dos afro-brasileiros, uma vadia sem lar, reduzindo-a a uma Geni . Porque o Brasil precisa decretar uma lei para adestrar uma consciência inexistente; a consciência da alforria, a consciência negra. Porque a vergonha de ser negro, imposta pela representação do preto-pobre-feio-burro-escravo,
Essa visão branca é a que persiste para além dos livros didáticos, paradidáticos e midiáticos naturalizado pelo senso-comum.
Em nossa sociedade de príncipes e mendigos o racismo não é crime, uma vez que não pode ser medido nem pesado positivisticamente.
Enquanto isso, Nós, os assalariados, filhos dos escravos libertos largados pelas ruas, becos e vielas do Brasil pós-abolição, vagamos pela contramão da verdade embranquecida pelo carrasco enraivecido. Essa mesma abolição que incrivelmente veio acompanhada, dois meses após especificamente, pela famigerada lei da terra, dando posse da mesma somente aos possuidores de rendas.
Obviamente não houve nenhum crime de Racismo ou de Preconceito nessa lei, visto que em nenhum momento se mencionou alguma coisa sobre pessoas de cor; assim como a maioria esmagadora das leis brasileiras, confeccionadas especificamente para manutenção de privilégios de quem já os possuem, além do achincalhamento dos despossuídos; tudo muito natural, aceitável, normal.
Por isso nós, os Negros, somos os marginas, os parias, a ameaça que caminha pelas ruas escuras dessa sociedade que se protege e se exime através do sentimento racista, visto que tal sentimento não é passível de criminalização.
Portanto, conclui-se que no Brasil as leis venham especificamente para mudar o suficiente para que tudo possa continuar tudo está. Se a mudança de paradigmas se encontra na Educação... Que se desconfigure a educação. Afinal, sé é a Educação que muda a pessoa e são as pessoas que mudam o mundo...
Enquanto não transformarmos essa escola-tijolo em escola-gente, continuaremos a sermos humanos carentes e indecentes, afogados em normas regras, leis, bulas e fórmulas; prova de nosso estrondoso fracasso como ser humano: Lucy Dingines com seu diploma de Hominídeo, mãe e mulher, que inspiram as Rosas Parker e Luizas Mahim, mostra o caminho do Tronco genealógico do respeito à vida, as diferenças e a si próprio como sujeito construtor da própria realidade; No tronco da mesma árvore em que o escravo circulava nove vezes para esquecer de si, de sua história como homem, passando a condição de coisa, de objeto pertencente a um infame caucasiano.
A educação pública outorgou para si o mesmo papel dessa árvore de outrora; educação eugenista, baseado no preconceito legal, normatizado e naturalizado pelo senso comum.
Luiza Mahim não foi uma princesa burguesa assim como princesa Isabel nunca foi Princesa guerreira para que pudesse libertar alguém de alguma coisa. Esse exemplo ilustra a tendenciosidade sacana da história do Brasil contada pelos vencedores, donos de terras griladas, das mansões, donos do Brasil, da estatística e da opinião pública, que cuidadosamente excluíram a participação dos verdadeiros construtores da nação: os negros e os indígenas. Assim como cuidam, através da educação e da religião, para que os mesmos continuem alijados do processo pleno de cidadania.
A Cleópatra hollywoodiana tornou-se branca de olhos azuis, além de cabelos intitulados de “bom”; a rainha de Sabá assumiu seu midiático branqueamento bíblico-ocidental, assim como Jesus de Nazaré; representado como um típico hippie americano, mesmo tendo nascido numa geografia de Hamas e Talibãs.
Falar de anjos loiros e rainhas brancas seria redundante nessa sociedade movida pelo racismo, afinal é tudo tão natural. Somente o negro é antinatural nesse contexto canibal.
A antropofagia do respeito é estado de direito, e direito adquirido não se discute, se acata. Nossa justiça se divide em estado de direito para uns, e estado de exceção para outros. O degradé melamínico aliado à condição social, tornou-se atualmente o único documento aceito como passaporte para a alforria. Assim, quando a monarquia chegar, será possível a cada indivíduo, finalmente oficializar sua condição de Príncipe ou de Mendigo; saberemos então quem são os verdadeiros filhos da Pátria que os pariu.
A lei áurea da princesa burguesa fez da palavra liberdade um prosaico sinônimo de igualdade; de maneira perversa negou todos os direitos de cidadão ao cidadão de cor. Sem direito a voto, sem direito a participação política, sem direito a terra e exercer qualquer dos quesitos que caracterize o indivíduo como cidadão, ele foi libertado. Agora liberto tornou-se sinônimo de mendigo, de marginal.
Agora o liberto, agradecido pela nova condição, a princesa e a monarquia, comemorava o silêncio de sua história. Mas como salvadores da pátria, os benevolentes senhores caucasianos oficializaram a liberdade da negrada, fazendo com que o trabalho escravo torna-se trabalho assalariado; agora o dono do preto passou a ser o empresário; Coisa muito moderna. Mas o negro continuou preto, sem teto, terra nem direito a se impor.
O senhor de outrora virou diretor de escola, doutor, empreendedor e/ou especulador e a sinhá que bailava o lundu, agora frequentar baile funk em plena zona sul.
Quanto ao cidadão de cor que transgride essa ordem e esse progresso, este continua a ser caçado, não pelo capitão do mato, mas pelos novos donos do terror que usam fardas, emblemas e armas, os terroristas do Estado que fazer do pelourinho uma pálida fotocópia da dor; e da lei, um histórico escárnio da justiça cega, surda, muda; uma prostituta de luxo.
A natureza da covardia infame do racismo claro contra o cidadão escuro, torna esse racismo
naturalmente aceito, refeito e perfeito. Ele, esse prosaico racismo, que mostra sua cara desde o café matinal até o jornal nacional; nos out doors, jornais e revistas de forma indolente, altiva e altaneira nunca vista; sem medo de tamanha asneira; rasgando a carne escura, numa eterna tortura diuturna, como tributo a paz ariana; passou a ser classificado nojentamente como racismo velado.
Assim o sujeito oculto da expressão, o negro tornou-se abjeto concreto; ser invisível dissociado do social, desde os Malês a Maji-maji, invisível como as pilhas de corpos velados diuturnamente amontoados pelas esquinas da vida e da morte, nos mercados de carne negra a céu aberto, ofertados pela "civilização" cristão ocidental.
REPARAÇÃO JÁ...!!
Travessia
Quantos kilômetros têm da garota de Ipanema à Menina do Subúrbio?
Quantos momentos, cartões de créditos e sentimentos?
Quantos shoppings ou loja de departamentos?
Quantos documentos?
Quantos insanos, insumos e insultos?
Quantas praias, Rios e valões?
Quantas vidas e depressões?
Choros..., Cem razões?
Formaturas e travessuras...
Táxi ou caminhão?
Strogonof com camarote? Ou farinha com feijão?
Qual é a coisa mais linda, mais cheia de graça?
A que leva tapa na cara, sem mágua e sem mão?
Ou a que vai de bondinho, ao Redentor, ao dois irmãos?
Quantas vistas sinistras? Quantos turbilhões?
Quantas faces escuras? Quantas agruras?
Quantas flores de Camélia? Quantas Cinderelas?
Quantas princesas negras descendo o morro ou pedindo socorro e levando esporro?
Quantos cabelos esticados depois de aloirados, cheirando a fumaça de cigarro de motel após o despejo do quarto do desterro?
Quantos enterros depois da balada? Quantas noitadas, notícias e chegadas?
Modelos...Padrões...Apagões...Apelações...
Garota de Ipanema e Menina do Subúrbio...
Elevador social e de serviço...
Trabalho ou compromisso?
Uma sobe, outra desce;
Entre eterno Spa e interminável Stresse...
Uma sonha, a outra esquece...
A oposta aposta na ilusão, enquanto a outra deleta a emoção...
Do Subúrbio a zona sul...?
Muito chão...E céu azul...!!!
Quantos momentos, cartões de créditos e sentimentos?
Quantos shoppings ou loja de departamentos?
Quantos documentos?
Quantos insanos, insumos e insultos?
Quantas praias, Rios e valões?
Quantas vidas e depressões?
Choros..., Cem razões?
Formaturas e travessuras...
Táxi ou caminhão?
Strogonof com camarote? Ou farinha com feijão?
Qual é a coisa mais linda, mais cheia de graça?
A que leva tapa na cara, sem mágua e sem mão?
Ou a que vai de bondinho, ao Redentor, ao dois irmãos?
Quantas vistas sinistras? Quantos turbilhões?
Quantas faces escuras? Quantas agruras?
Quantas flores de Camélia? Quantas Cinderelas?
Quantas princesas negras descendo o morro ou pedindo socorro e levando esporro?
Quantos cabelos esticados depois de aloirados, cheirando a fumaça de cigarro de motel após o despejo do quarto do desterro?
Quantos enterros depois da balada? Quantas noitadas, notícias e chegadas?
Modelos...Padrões...Apagões...Apelações...
Garota de Ipanema e Menina do Subúrbio...
Elevador social e de serviço...
Trabalho ou compromisso?
Uma sobe, outra desce;
Entre eterno Spa e interminável Stresse...
Uma sonha, a outra esquece...
A oposta aposta na ilusão, enquanto a outra deleta a emoção...
Do Subúrbio a zona sul...?
Muito chão...E céu azul...!!!
sábado, 16 de janeiro de 2010
Apesar de estarmos com uma avançadissima supertecnlogia, do avanço da consciência humana caminha a pleno vapor" como a mente/corpo do sujeito que se recusar a envelhecer: em sincronia anacronica.
Apesar do totalitarismo imposto pelas multinacionais, da política ditada pelo mercado financeiro e da vista grossa do governo, a revolução da consciência tornou-se fato inevitável pelo paradoxo criado nesse confuso contexto.
Prova disso é a criação da Organização Não-governamental do CENTRO DE REFERÊNCIA VALONGO DE AÇÕES AFRODESCENDENTES-CREVA.
Uma organização que trabalha com um produto altamente volatil e sensível da condição humana; o próprio ser humano. Principalmente por saber que só se ensina aprendendo. ou seja, para melhorar o mundo só melhorando o homem. isto é, a si mesmo.
que a revolução recomece!!
Apesar do totalitarismo imposto pelas multinacionais, da política ditada pelo mercado financeiro e da vista grossa do governo, a revolução da consciência tornou-se fato inevitável pelo paradoxo criado nesse confuso contexto.
Prova disso é a criação da Organização Não-governamental do CENTRO DE REFERÊNCIA VALONGO DE AÇÕES AFRODESCENDENTES-CREVA.
Uma organização que trabalha com um produto altamente volatil e sensível da condição humana; o próprio ser humano. Principalmente por saber que só se ensina aprendendo. ou seja, para melhorar o mundo só melhorando o homem. isto é, a si mesmo.
que a revolução recomece!!
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