Rompendo o silêncio histórico do povo melaninoso, protagonizando o outro ponto de vista de uma outra história que se evita ser contada, afrocentrizando o olhar paradigmático sobre a cultura oficialmente formatada, patenteada e legítimada como única.
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
Etiquetas e Direitos Humanos
O século XVIII nos trouxe uma impressionante gama de pensadores conhecidos como iluministas; esses mesmos senhores do alto de seus tronos de sabedoria confeccionaram e etiquetaram um novo homem; inventando, além dos direitos autorais, a hierarquia. Sendo assim, um homem de origem Árabe, Turca ou Africana era devidamente rotulado com uma moderna e inovadora etiqueta, indicando seu valor; classificando-o como “Mad in...” Ou seja, neste século, além da revolução das máquinas veio também a reboque, à construção desse homem moderno; mais ou menos valorizado, de acordo com sua nova etiqueta, no novo cenário do novo século, de novo pensar. A fabricação desse novo homem seguiu o modelo constituído segundo os princípios do mercado; portanto sujeito às leis desse mesmo mercado, às suas flutuações e cotações; como qualquer empresa que criam e adotam suas próprias leis, a despeito da legislação existente no país em que se instalam. Ele, o homem moderno, tem em sua etiqueta a determinação da porcentagem dos direitos a que ele tem direito, e quando cessam esses mesmos direitos. As etiquetas indicando sua constituição e origem; sua cor, seu credo, preferências pessoais e sexuais, determinam sua qualidade de vida e de morte, seu azar e sua sorte do Sul até o norte, do Oiapoque a Beijim. São multi povos, muita gente e um Deus; Deus que foi patenteado, dividido, redividido e multiplicado. Cada etiqueta um Deus, cada povo uma etiqueta, enquanto cada religião hierarquiza sua gente, cada povo hierarquiza sua casta e cada casta a sua cor, de acordo com a etiqueta de seu novo Deus e as bênçãos dos iluministas. Os pobres e miseráveis brancos norte-americanos preferem mil vezes essa condição, a serem ricos e... Negros; o que chamam neste país de “lei da última gota”. Ou seja, se por acaso existir na árvore genealógica daquele sujeito, um negro. Ele socialmente, politicamente, juridicamente e psicologicamente, fatalmente cairá em desgraça. Sendo assim, a noção de ser negro, está bem delineada no consciente do cidadão norte-americano; enquanto que no Brasil, terra em que literalmente tudo dá, a consciência se limita à aceitação da condição de nulidade social e jurídica; a consciência de ser negro é rechaçada com veemência, visto que ser negro significa ser nulo: ideologia propagada pela mídia. Ou seja, esse é mais um paradoxo listado como fator constituinte na programação da etiqueta do homem moderno. O indivíduo moderno aceitou continuar sendo um objeto na prateleira do consumo. Ele continua gerando divisas a medida em que é literalmente consumido; vendido a todo momento, sem ter a mínima consciência de que é negociado a cada contrato social ou governamental, a cada medida provisória e a cada decreto. Sua etiqueta está programada a não se envolver em política, não contestar seu líder religioso nem a televisão. Assim a tríade religião-estado-mídia mantém a etiqueta na moda, renovando sempre com ideologias preconceituosas e racistas as diferenças e singularidades registradas nessas mesmas etiquetas, a despeito da legislação em vigor; para fortalecer nosso paradoxo ao contrário e/ou de ponta-a-cabeça, fazendo com que cada velha inovação seja nova aos olhos do homem-etiqueta. E deste modo que ele, o homem moderno, acredita na abolição da escravatura, na princesa Isabel, em Duque de Caxias, na Histórica independência do Brasil, em Jonas sobrevivendo na barriga da baleia, no jornal nacional, em papai Noel, etc. ele honestamente, de maneira simplória, até acredita ser mesmo um indivíduo livre, quando não tem noção do significado de cidadania, nem a mínima ciência da escravidão paulatina a que é submetido. Sua memória só funciona com imagens pintadas com cores berrantes; portanto é notória a exposição de sua etiqueta ao público e a público, nos shoppings, nas repartições públicas, nos jornais, na TV e nas revistas, mantendo a lembrança de sua condição e sua “consciência” de pertencimento bem ativa. Certamente todo esse mérito deve ser creditado ao fator globalizatório, que trouxe a contemporaneidade um quesito determinante de inovação, quando patenteou a consciência do indivíduo trazida na etiqueta do homem moderno; legitimando assim, a liberdade provisória do mesmo; desde que não contrarie qualquer dispositivo de contenção do sujeito. O indivíduo não tem casa, não tem alimentação mínima adequada, não tem educação, nem dignidade; mas tem o sentimento de gratidão, por não estar acorrentado, com uma camisa de onze varas, limpando a latrina do “patrão”. Afinal fazer esse “trabalho” sem esse uniforme e sem as correntes e ainda ganhar uns trocados para poder continuar a ser o que é: um escravo liberto... É tudo que ele sempre quis: o resto... Ele vê no big brother e na novela das oito.
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