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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Honorís causa

A assinatura da lei Áurea foi mais uma desastrosa sentença condenatória ao povo negro; visto tê-lo reduzido de escravo a um ordinário ex-detento. Assim a sociedade o trata: como um pseudocidadão com liberdade provisória.
A “redentora” dos negros deu um perverso e infame golpe de autopromoção, num momento em que 95% dos negros já haviam se libertado a custo de muita luta, de muito sangue e sacrifício através da abolição popular. A liberdade promovida pela princesa, representando a benevolência do poder dominante, condenou antecipadamente o negro a viver em eterna subserviência as elites de plantão. Visto que essa liberdade provisória é constantemente contestada pela exigência de se apresentar cartas de alforria por onde quer que vá, autenticada, com firma reconhecida e validade renovada periodicamente. Um negro chamado Pastinha é um dos exemplos dessa benevolência oligárquica; ele foi convidado a se retirar de sua residência no Pelourinho, na cidade de Salvador, com promessas enganosas, para que o restaurante do SENAC pudesse ocupar o espaço de sua academia de capoeira. Muito mais que uma infame negociata, foi à perversidade de se remover um símbolo de resistência de luta de uma raça; um capoeira, Para dar lugar ao símbolo de dominação oligárquica.
Foi um momento da história em que o firmamento tornou-se negro e o dia virou noite na esquina do céu, onde João Cândido encontrou-se com M. Bimba numa conversa afiada de navalha e canhão, liberdade e escravidão; tendo ao fundo o choro solado do Mestre Pixinguinha, abençoado pela negra Ciata. Esse tempo nublado provocou ventos, derramando em cascata essa conversa em letras e canções sobre as frontes dos infantes, em cada latitude e longitude, do Rio de Janeiro a Brasília, passando pelo mundo inteiro as palavras caladas nos livros estrangeiros. Conversa que despertou, do levante de Zumbi ao levante do Malês; o levante da Consciência, derrubando a infâmia escravidão e a tortura da chibata.
Hoje o templo negro é sediado no tempo da consciência que vem abrindo caminho na capoeira desde Canudos até os mega latifúndios.
Os canhões do Almirante Negro romperam os silêncios, acompanhado pelas notas da chorada da melodia de guerra, no ritmo dos tambores, rompendo e invadindo tímpanos, atingindo em cheio o id, ego e o super ego.
De Lima Barreto a M. Pastinha, de Juliano Moreira a Bispo do Rosário, da pré-consciência a pós-consciência desse tempo trazido pelo vento, onde as ondas invadem o ser sobrevivente, inundando e adaptando o próprio ser na consciência de um novo amanhecer.





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