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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Liberdade ainda que tardia


Durante a tragédia do “infame comércio” de gente através do grande calunga, o oceano atlântico, a ética dos traficantes se resumia a uma matemática elementar de lucros. Uma regra de três simples, onde as razias seqüestravam centenas de crianças negras e em cada grupo de dez, assassinavam oito através do processo emasculatório. Os dois sobrevivente restantes que resistiam a essa terrível tortura, seriam os que mais gerariam os vergonhosos lucros a seus algozes, tornando-se eunucos; mercadoria valiosíssima no mercado negro oficial, internacional e natural no mundo europeu, superando qualquer especulação financeira de toda a história de todo o planeta.
Hoje a elite caucasiana, herdeira daqueles que financiavam tais razias, gozam da fortuna deixada por esses mesmos torturadores, que também lhes doaram a cultura racista, oficializada em cartório, institucionalizada e reconhecida pela justiça da forma mais subjetiva possível, para não se contrapor a lei vigente.
Me pergunto quantas vidas valem cada mansão, cada carro importado, cada conta nos paraísos fiscais? Quantas mortes ainda são necessárias para se manter tais privilégios? Quanta indiferença e indignidade serão preciso para sustentar tal status?
Desse infame comércio, nasceu e se alimentou a aristocracia; dai floresceu, e se sustenta nossa elite caucasiana; hoje o racismo adquirido é a garantia da longevidade desse infame comércio, que é o uso do negro como combustível da máquina produtora de riquezas que é o sistema financeiro.
Quanta dignidade vale o salário de cada negro que recolhe o lixo das ruas, que lava uma Ferrari ou a latrina de um “dôtor”; negro que vive da fé e tem dinheiro só pr’um café?
Liberdade, fraternidade e igualdade foram as palavras mais pronunciadas na Europa no século XVIII; ironicamente foi o século em que o infame tráfico do comércio de gente cresceu de forma mais escandalosamente absurda possível e inimaginável.
Hoje tais palavras voltaram à moda, tornando o assunto, relativos à africanidade e a negritude, uma matéria lucrativa.
Obviamente o negro voltou a ser objeto, agora de pesquisa, de curiosidade, mitos; enfim, voltou a ser um produto exótico, desde a academia até a mídia. Não importa se de forma positiva ou negativa, para quem ou para quê; o que se deve assinalar é que muitos se aproveitam disso, menos o próprio negro. Ele ainda está longe de disputar em pé de igualdade os bancos escolares, a academia, o mercado de trabalho, a política, shoppings, a liberdade de ir e vir, etc.
Me pergunto a quem mais interessa essa folclorização e carnavalização da negritude e a falsa polêmica levantada em torno do negro, das cotas; enfim, da diversidade, afim de desviar a atenção dos afrodescendentes a pretensão de igualdade de oportunidades?

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