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sexta-feira, 4 de junho de 2010

As olimpíadas no Rio de Janeiro e o esporte favorito na Cidade Negra de elite SERIAL KILLERS


Moro num país tropical, num condomínio branco, com um shopping de olhos azuis e outdoors loiros. Um país onde a justiça passa em brancas nuvens e as leis são aplicadas nos esvoaçantes cabelos lisos naturais, soltos ao vento na tela do cinema com final feliz.

A paz, a pomba, o papa são heróis de sucesso na tela da TV que não me vê; salvo aos que se branqueiam, para ter a chance de candidatarem-se à sucessão de sucessos sacramentados em atos secretos.

Meu país é cercado por arames farpados de todos lados; torre de proteção para manter a ilusão e um grande fosso para afastar o desgosto e o “encosto”.
É um país bonito por natureza; uma beleza. Desde o lindo comercial mostrando a branquitude do carnaval até a imagem de Zumbi de Hollywood dançando break na “terra do Nunca”.

Sou Manchester e tenho uma loira chamada Breatney. Poderia chamar-se Solange, Cremilda ou Camélia; mas as notas azuis de meu canto não são brancas, são blues; e eu sou “moreninho”, e moro num país tropical abençoado por Deus. Mesmo sabendo que o amor não tem cor, sei Deus é branco... E não da cor da minha dor!

Com o anelar, consigo indicar na hierarquia do mapa mundi, além do Brasil, país multicolorido de Branco; A Europa, continente multicolorido de Loiro.
EUA, país multicolorido de olhos azuis.
Multiculturalismo branco, loiro e de olhos azuis.

Bandeira branca do anjo loiro, que olha a terra azul sem enxergar o mundo negro.
África; continente negro, onde surgiu o primeiro homem, a primeira família, a primeira sociedade, o primeiro céu, sol, chuva, anil, café, cerveja, linho, sabonete, música, dança, vida...

Mas os anjos brancos, primeiros oficiais divinos patenteados pelo “multiculturalismo”, decretaram a proibição de se perceber a pele morena mestiça amansada, com seus olhos castanhos, transgênicos e confusos; resultado do preto petróleo do branco, tronco de células sacanas e insanas.

A bandeira pirata preta marginal; xadrez bicolor que colore o arlequim, carnavalizado pelo picadeiro da vida, mostrando a natureza afro-morta, descolorada pela morte ao vivo dos negro-preto-mestiços.
Aqui na terra de Santa Cruz, gesto nobre é digno de Rei e gesto pobre é coisa de preto. Prova disso foi o plebiscito realizado no ano de 1993, para se escolher a forma de governo que os brasileiros desejavam para nosso país: o resultado foi que mais de 60% votaram na monarquia. Votaram naqueles aristocratas que dilapidaram o país, que dizimaram um povo além de escravizar outro; transformando os sobreviventes desse genocídio em mortos-vivos.

Que filhos da pátria são esses que vêem na sua mãe (a mãe África) e no estupro de Lucy , genitora dos afro-brasileiros, uma vadia sem lar, reduzindo-a a uma Geni . Porque o Brasil precisa decretar uma lei para adestrar uma consciência inexistente; a consciência da alforria, a consciência negra. Porque a vergonha de ser negro, imposta pela representação do preto-pobre-feio-burro-escravo, 
Essa visão branca é a que persiste para além dos livros didáticos, paradidáticos e midiáticos naturalizado pelo senso-comum.

Em nossa sociedade de príncipes e mendigos o racismo não é crime, uma vez que não pode ser medido nem pesado positivisticamente. 

Enquanto isso, Nós, os assalariados, filhos dos escravos libertos largados pelas ruas, becos e vielas do Brasil pós-abolição, vagamos pela contramão da verdade embranquecida pelo carrasco enraivecido. Essa mesma abolição que incrivelmente veio acompanhada, dois meses após especificamente, pela famigerada lei da terra, dando posse da mesma somente aos possuidores de rendas. 

Obviamente não houve nenhum crime de Racismo ou de Preconceito nessa lei, visto que em nenhum momento se mencionou alguma coisa sobre pessoas de cor; assim como a maioria esmagadora das leis brasileiras, confeccionadas especificamente para manutenção de privilégios de quem já os possuem, além do achincalhamento dos despossuídos; tudo muito natural, aceitável, normal.

Por isso nós, os Negros, somos os marginas, os parias, a ameaça que caminha pelas ruas escuras dessa sociedade que se protege e se exime através do sentimento racista, visto que tal sentimento não é passível de criminalização. 

Portanto, conclui-se que no Brasil as leis venham especificamente para mudar o suficiente para que tudo possa continuar tudo está. Se a mudança de paradigmas se encontra na Educação... Que se desconfigure a educação. Afinal, sé é a Educação que muda a pessoa e são as pessoas que mudam o mundo... 

Enquanto não transformarmos essa escola-tijolo em escola-gente, continuaremos a sermos humanos carentes e indecentes, afogados em normas regras, leis, bulas e fórmulas; prova de nosso estrondoso fracasso como ser humano: Lucy Dingines com seu diploma de Hominídeo, mãe e mulher, que inspiram as Rosas Parker e Luizas Mahim, mostra o caminho do Tronco genealógico do respeito à vida, as diferenças e a si próprio como sujeito construtor da própria realidade; No tronco da mesma árvore em que o escravo circulava nove vezes para esquecer de si, de sua história como homem, passando a condição de coisa, de objeto pertencente a um infame caucasiano.

A educação pública outorgou para si o mesmo papel dessa árvore de outrora; educação eugenista, baseado no preconceito legal, normatizado e naturalizado pelo senso comum.

Luiza Mahim não foi uma princesa burguesa assim como princesa Isabel nunca foi Princesa guerreira para que pudesse libertar alguém de alguma coisa. Esse exemplo ilustra a tendenciosidade sacana da história do Brasil contada pelos vencedores, donos de terras griladas, das mansões, donos do Brasil, da estatística e da opinião pública, que cuidadosamente excluíram a participação dos verdadeiros construtores da nação: os negros e os indígenas. Assim como cuidam, através da educação e da religião, para que os mesmos continuem alijados do processo pleno de cidadania.

A Cleópatra hollywoodiana tornou-se branca de olhos azuis, além de cabelos intitulados de “bom”; a rainha de Sabá assumiu seu midiático branqueamento bíblico-ocidental, assim como Jesus de Nazaré; representado como um típico hippie americano, mesmo tendo nascido numa geografia de Hamas e Talibãs.

Falar de anjos loiros e rainhas brancas seria redundante nessa sociedade movida pelo racismo, afinal é tudo tão natural. Somente o negro é antinatural nesse contexto canibal. 

A antropofagia do respeito é estado de direito, e direito adquirido não se discute, se acata. Nossa justiça se divide em estado de direito para uns, e estado de exceção para outros. O degradé melamínico aliado à condição social, tornou-se atualmente o único documento aceito como passaporte para a alforria. Assim, quando a monarquia chegar, será possível a cada indivíduo, finalmente oficializar sua condição de Príncipe ou de Mendigo; saberemos então quem são os verdadeiros filhos da Pátria que os pariu.

A lei áurea da princesa burguesa fez da palavra liberdade um prosaico sinônimo de igualdade; de maneira perversa negou todos os direitos de cidadão ao cidadão de cor. Sem direito a voto, sem direito a participação política, sem direito a terra e exercer qualquer dos quesitos que caracterize o indivíduo como cidadão, ele foi libertado. Agora liberto tornou-se sinônimo de mendigo, de marginal.
Agora o liberto, agradecido pela nova condição, a princesa e a monarquia, comemorava o silêncio de sua história. Mas como salvadores da pátria, os benevolentes senhores caucasianos oficializaram a liberdade da negrada, fazendo com que o trabalho escravo torna-se trabalho assalariado; agora o dono do preto passou a ser o empresário; Coisa muito moderna. Mas o negro continuou preto, sem teto, terra nem direito a se impor.

O senhor de outrora virou diretor de escola, doutor, empreendedor e/ou especulador e a sinhá que bailava o lundu, agora frequentar baile funk em plena zona sul.

Quanto ao cidadão de cor que transgride essa ordem e esse progresso, este continua a ser caçado, não pelo capitão do mato, mas pelos novos donos do terror que usam fardas, emblemas e armas, os terroristas do Estado que fazer do pelourinho uma pálida fotocópia da dor; e da lei, um histórico escárnio da justiça cega, surda, muda; uma prostituta de luxo.

A natureza da covardia infame do racismo claro contra o cidadão escuro, torna esse racismo
naturalmente aceito, refeito e perfeito. Ele, esse prosaico racismo, que mostra sua cara desde o café matinal até o jornal nacional; nos out doors, jornais e revistas de forma indolente, altiva e altaneira nunca vista; sem medo de tamanha asneira; rasgando a carne escura, numa eterna tortura diuturna, como tributo a paz ariana; passou a ser classificado nojentamente como racismo velado. 

Assim o sujeito oculto da expressão, o negro tornou-se abjeto concreto; ser invisível dissociado do social, desde os Malês a Maji-maji,  invisível como as pilhas de corpos velados diuturnamente amontoados pelas esquinas da vida e da morte, nos mercados de carne negra a céu aberto, ofertados pela "civilização" cristão ocidental.

REPARAÇÃO JÁ...!!

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