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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

O Tempo Presente como Presente do Tempo desse Agora que é Sempre

Há momentos que se tornam imprescindível fazer-se a obrigatória leitura do livro da natureza, para que possamos receber as lições de cada dia no presente do agora.  Dessa maneira, perceberemos nos prolegómenos apresentado por quaisquer árvores encontradas no caminho, a necessidade de se buscar pela nossa consciência como único guia, já que estas mesmas árvores estão sempre a afirmar, reafirmar e confirmar que só é possível crescer holisticamente. Ou seja, ela, a árvore, não cresce só para cima, em direção ao sol, mas também para baixo, já que suas raízes precisam buscar as profundezas de Gaia a fim de também alimentar-se para além da fotossíntese; só assim o seu crescimento acontece. Dessa forma, ela nos ensina a importância de não só ver o que está exterior, mas também o que está no interior, afirmando que nem tudo é o que aparenta ser, inferindo dessa maneira que, o que está dentro é também está fora e vice-versa; e o que está em cima, também está em baixo. Dessa maneira é possível perceber que não vemos as coisas como elas são, mas sim, como nós somos.

Só será possível assimilar plenamente essa lição quando peremptoriamente cognizarmos que somos um com a natureza, já que somos parte de um todo, parte de uma mônada. Apesar dos nossos ouvidos serem constituídos por um consciente coletivo que os colocam na condição de moucos ou momentaneamente deficientes fazendo com que ouçamos sem que haja uma escuta, da mesma forma como Gaia se movimenta, a natureza está em permanente dialogia com as suas partes. É dessa maneira que os capítulos da vida podem seguir como o fluxo da água, flutuar na leveza do ar ou se aterrar nas profundezas dos inexplicáveis mistérios de Gaia.

Dessa forma, podemos afirmar que, quem não se detém para ler a natureza, certamente também não terá o que escrever sobre si mesmo, já que a inspiração fugirá de seu coração; e cada ser, tem como missão primeira, escrever o seu próprio livro da vida. Esse livro poderia ser uma epopeia repleta de poesias, um épico ou contos variados de variedades variantes. Poderia até mesmo ser um best seller ou uma obra-prima, desde que seja uma escrita junta realizada de forma conjunta.

Cada uma das folhas de papel que compõe esse livro da vida, tem sua gênese no fogo do sacrifício vivido por uma árvore, que nos revela, num generoso ato último que, o sentido da vida está justamente em reconhecer a morte como sua xifópaga. É dessa maneira que a natureza transforma, ao se transformar nesse ascendente redemoinho de ciclos fractais, como uma cascata que jorra de sua nascente, formando assim, aquele perene rio que nunca está pronto.

A exemplo das imponentes e plácidas montanhas que se elevam no azimute, devemos ser a testemunha de cada um de nossos pensamentos, sentimentos ou emoções de cada agora, a fim de alçar voo sobre quaisquer reações a cada ação praticada ou ainda por se praticar, para que esse livro não seja um mero palimpsesto subscrito por uma refazenda cultural.

Desse modo, nosso diálogo com a natureza deve sempre se dar através da estrondosa voz do silêncio, pois este a única voz que preenche qualquer vazio, para que possamos enfim, poder receber o presente que o Tempo nos oferta em cada agora na escola da vida.



quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

De Palmares a Hollywood

No cardápio da nutrição do Povo negro, constam alimentos como Datenas, Gugus Liberatos, Faustãos, Anas Marias Bragas e aí por diante; sem mencionar as séries, novelas e filmes hollywoodianizados que narram a sina de uma população eurodescendentes residentes da zona sul do Rio de Janeiro.

A imagem fixa desse exuberante cardápio é fornecida e abastecida pela mídia atendendo não só ao infame  mercado tupiniquim, mas também municiando o mercado branco do resto mundo, que vem vislumbrando nesse nosso Brasil varonil a imagem de uma supremacia branca que surfa com suas suntuosas pranchas sobre as ondas que acariciam as areias desde as praias do bairro do Leblon à Barra da Tijuca, ao mesmo tempo em que passa o trator sobre as comunidades da zona sul a zorna norte, transformando o sangue negro no piche que cobre essa estrada que lhes franqueiam privilégios e caprichos seculares locupletados nas  Senzalas e Plantations. Foi dessa forma que o Zumbi de Palmares de ontem se transmutou, travestindo-se e se transformando no zumbi de Hollywood de hoje, que de forma dolorosamente espalhafatosa e carnavalizada se exibe nos programas de talentos pós colonial.

Dessa maneira, nós tecno-quilombolas, nos alimentamos da dor e dos sofrimentos passados e antecipados, pomposamente ofertados por esse cardápio tentadoramente exposto, manipulado e oferecido por Troia, nessa exuberante vitrine que exibe um banquete de saborosas carniças pútridas, servidas sobre um vistoso tapete avermelhado pelas negras hemácias reais vertidas pelos atos eugênicos e genocidas garantidos por esse Estado monorracial gerido por essa elite raivosa; elite essa que o povo negro sempre elegeu e elege como seus representantes perpétuos, mesmo após sentirem-se extremamente mal ao se alimentarem de seu lixo midiático e religioso.

Portanto, nosso povo, viciado nesses alimentos, ainda após o sofrido mal-estar causado pelos mesmos, retornam diuturnamente a esse banquete que é servido em formato de rodízio ad eternum reproduzido pelas máquinas dos Tempos Modernos num processo moto-perpétuo de produção, a fim de degustar essa mesma dor que é regurgitada em forma de perenes reclamações, eternas revoltas e sentimentos sem fim de vinganças contra seu próximo que estiver mais próximo.

Dessa forma, enquanto o colonizador nos educar e nos alimentar, seremos ainda as suas ovelhas passivamente prostradas em templos religiosos e filas de espera; sem soberania, sem vida, só sobrevida; nutridos pela elite e alimentando a insana sanha dessa mesma famigerada elite.

O Zumbi contemporâneo pós escravidão, não planta mais o seu alimento; já que agora é fartamente alimentado pelas drogas da burguesia que lhe fortalece esse seu inconsciente coletivo construído para manter uma relação de dependência, tal como as núpcias de um parasita com seu hospedeiro.

Mudar um cardápio, um hábito, uma dependência, ou sair desse casulo holográfico contemporâneo, seria o mesmo que morrer para um mundo a fim de renascer para outra vida. Mas o medo da morte é um fator religioso, e no Brasil, religião, assim como política, não se discute. Por isso, o medo de transformar o Norte em Sul nos faz continuar essa nossa eterna andança de bar em bar, de religião a religião, tal como crianças assustadas; isso peremptoriamente nos faz, linearmente, negar o novo, enquanto permanecemos perdidos nessa noite escura, sem eira nem beira.

Esse processo de nos alimentar das dores e dos sofrimentos servidos pela mídia, pela religião e pela academia, faz com que o nosso deteriorado corpo-zumbi seja o repasto perfeito para essa elite hiena que se extasia ao assistir esse banquete da morte ao vivo de irmão contra irmão, nesse eterno e fúnebre fratricídio exibido como atração principal num dia de programação normal, já que ninguém se dispõe a mudar o próprio canal, mudando assim, sua realidade total. dessa forma, a nossa sobrevida é mantida ligada aos aparelhos de Tecnologias de Informação que nos faz ser mal informados e desinformados, detentores de uma vaidosa e falsa sensação de liberdade e de poder sobre aquele próximo que está longe do dinástico clube da elite nacional. Assim, antropofagicamente caminha a desumanidade.




sábado, 30 de novembro de 2019

Crônicas Negras



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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

A Verdadeira História de Um Brasil Brasileiro

Lamentavelmente a história do Brasil ainda não foi escrita; e para que isso finalmente venha acontecer, o(s) historiador(es) não poderá jamais ser um fruto dessa pervertida academia colonizada e colonizadora, que se dedica com afinco, com esmero e extrema habilidade a função de legitimar essa mesma dominação que impôs um padrão de produção de conhecimento, de trabalho e de salários racializados; padrão este infligido através do crime da escravização e da violência colonial promovida pelo Estado. Nesse cruel e corrupto processo, foi criada e a nação brasileira fundamentada a partir de uma sociedade monorracial, quando na verdade, a sociedade é que nasce da nação e nunca o inverso.

Dessa maneira, o povo indígena e o povo negro alijados dessa sociedade que foi a única no mundo que importou, subvencionando imigrantes europeus a fim de embranquecer a república recém-criada na Terra da Santa Cruz, com o claro intuito de europeizar e formatar um povo brasileiro europóide.

Mas elite tupiniquim viu seu projeto de nação adernar, uma vez que o extermínio dos Povos Indígenas, a eugenia e o genocídio do Povo Negro, não foram suficientes para erradicar os genes dominantes imposto pela natureza a cada menina e menino que nesse solo nascia com melanina, frente aos genes recessivos dos degradados portugueses e imigrantes europóides.  

Foi assim que, recém libertos, em 1891 as negras e os negros pós escravizados, são juridicamente excluídos pelo Estado republicano do emprego formal, cabendo aos imigrantes europeus, até os dias de hoje, a prerrogativa de empregabilidade e o livre acesso a posse da terra. Assim funciona a nação brasileira: com diferentes povos habitantes, mas somente um deles possuindo a cidadania plena, com acesso aos benefícios e privilégios da presença do Estado de maneira positiva.

Dessa maneira, podemos inferir que a questão do negro no Brasil vai além da questão racial, visto que os sinistros fatos e as fúnebres estatísticas de ocorrências do racismo no Brasil mostram a impossibilidade do uso da letra da lei ou da falácia da igualdade racial, como recurso para a transformação de um indivíduo racista num indivíduo não racista, e menos ainda, antirracista. Portanto, a busca por uma improvável e mítica democracia racial deixou de ser prioridade para o portador de melanina; a questão do negro no Brasil, deixou de ser uma questão racial na disputa de poder; a questão do negro é uma questão nacional.

É inadmissível que o Estado nacional seja um Estado particular de uma elite monorracial que não se vê no povo, e uma vez que, tal como Narciso, ela não se enxergando no próprio povo, essa elite pouco se importa com as questões que envolve esse mesmo povo. Ela egoisticamente se volta para si mesma, desde as telas do cinema e da TV, das capas de revistas até na matinê, e o que cabe ao povo preto, além do pão e circo, restam-lhe somente as grades das cadeias e dos hospícios, o frio chão dos orfanatos e dos asilos infectados.  

Portanto, podemos dizer que as tentativas de integração do negro a essa sociedade europóide a partir das Ações Afirmativas ou da retórica da ingênua exigência de igualdade racial, é análoga a penosa missão de enxugar gelo ou encaixotar fumaça que substituí a pedra de Sísifo do lado de lá e o látego do verdugo do lado de cá, que amarra os nós construtores dessa Matrix construída pelo Grande Irmão. Sendo assim, a história do Brasil sem o negro, não passa de uma história desonesta, conveniente e covarde. Ou seja, uma tétrica história de humor branco, já que a história da “civilização” branca tem sido uma história de roubos, de mortes, de invasões, de torturas, de saques, de corrupção e assassinatos. Os museus europeus e norte-americanos trazem as provas dessa trilha de destruição deixadas pelos europeus em todos os lugares em que se fizeram presentes, enquanto as marcas e cicatrizes dessa trilha foram deixadas na alma negra em forma de medos, traumas e síndromes.

Sendo assim, a história do Brasil, quando finalmente for escrita, não será uma história de revisionismo nem de vingança, mas sim, uma história de resgate humano, num conto habitado por Reis e Rainhas, Príncipes e Princesas, Magos, Bruxas, Fadas e Feiticeiros e não por daquelas personagens confeccionadas pelo clero e queimadas na fogueira da santa inquisição e retalhadas pelos chicotes do crime da escravidão.


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Da água viemos, para a água voltaremos.

Hoje, o Rio de Janeiro amanheceu amazônico; coberto por caudalosos rios flutuantes, com pássaros surfando como golfinhos sobre os vapores das fontes d’água que jorravam do alto das montanhas, inundando toda cidade e enchendo o atlântico mar; nosso grande calunga.

Eu, só rio ao imaginar um mergulho profundo do alto do Cristo até a assembleia legislativa, e em seguida nadar pelas Avenidas batizadas com nomes dissimuladamente fakes que tingem de preto e branco o asfalto vermelho de sangue preto, separando as águas doces das águas salgadas por onde adentravam os tumbeiros com afro-defuntos vivos, enquanto a cidade, lá no fundo do Rio, sem botos, golfinhos nem sereias, jazia serena no silêncio de sua tumba lacrada com sangue, suor e lágrimas, com as águas de março enchendo esse rio flutuante, que seguia seu rumo, sem deter seu fluxo diante de cada pau e de cada pedra encontrados pelo caminho dessas Avenidas Atlânticas chamada Brasil.

É assim que em todos os meses de dezembro, de cada ano novo que se segue dos janeiros de todos os novembros, o Cristo redentor construído com as pedras brancas vindas do solo Parisiense e montado na cidade de São Gonçalo, anda sobre as águas de março enquanto se empretece ao ser parido por Nossa Senhora Aparecida.

Dessa maneira, o verbo se faz carne nessa cidade antropofágica repleta de zumbis de Hollywood e de Palmares; zumbis nascidos das telas televisivas e dos livros de histórias contadas por narrativas dialéticas e retóricas. Esse diálogo faz parte de uma das histórias do inconsciente coletivo cultivado nesse labirinto de possibilidades trazidas pelas águas desse Rio que, sedento, sorri de si mesmo enquanto morre de sede em frente ao mar.

O tempo de caminhada entre a Amazônia e o Rio Janeiro passa ligeiro, pois o mesmo é contado pelos números das inúmeras gotas geometrizadas pelo tempo que circula em torno de si mesmo, ao afirmar que, se da água viemos, para a água retornaremos.

Enquanto isso, as sereias e os Delfins silenciosamente circulam sob os rios flutuantes sem serem vistos nem ouvidos, ao mesmo tempo em que, o Cristo sorrindo, abre seus braços num abraço fraterno, antes de mergulhar em sacrifício, nas profundezas desse Rio de sangue negro, afogando-se nas pretas lágrimas desse Rio Preto. Dessa forma, é revelado o porquê da quântica axioma que nos diz que,  se da água viemos e para a água que retornaremos; e no leito desse rio, nessa corredeira de sorrisos feito de salgadas lágrimas, desembocaremos enfim, no cósmico oceano universal assim que atravessarmos o interdimensional buraco negro da nossa própria consciência.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

REPARAÇÃO AOS EX-ESCRAVOS PRECISA SER DISCUTIDA

O artigo anexo abaixo foi escrito há mais de 120 anos; pode ser encontrado em Brasília, no arquivo do senado federal; foi publicado no Jornal do Senado do Império no dia 14 de maio de 1888, um dia após a assinatura da Lei Áurea. É necessário ressaltar a notoriedade do seu atualíssimo contexto.


A criação de TRABALHO para os libertos é uma preocupação. Os negros mantiveram tradições do continente africano, como jogo da capoeira. Não faltaram discursos de abolicionistas como Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Luiz Gama e Rui Barbosa defendendo a oportunidade de oferecer oportunidades para integrar os ex-escravizados à sociedade.

A grande dívida com os escravizados libertos deve ser saldada para que se possa construir uma sociedade justa e igualitária. Nesse momento em que o Brasil comemora a assinatura da Lei Áurea, alguns abolicionistas colocam em foco a preocupação diante do quadro nebuloso que envolve as consequências de um processo que era inevitável diante de séculos de domínio sobre as populações negras e que não foram contempladas com nenhum tipo de compensação.

Em razão disso, é lícito prever que a pauta de debates do parlamento, neste final de século 19, deverá incluir propostas visando contemplar, de alguma forma, os ex-escravizados e seus Descendentes, é possível até que essa discussão não tenha fim na próxima década e termine se estendendo pelo século 20, mas desse-se ter em vista que a REPARAÇÃO que precisa ser atribuída aos ex-escravizados e sua gente, não se confunde com qualquer tipo de vida por representar, isto sim, um legítimo direito. Ao longo da luta pela abolição foram discutidas propostas nesse sentido, a desapropriação de terras não exploradas e o desenvolvimento agrícola. É mister que se estudem ainda outras formas e acesso à educação conferindo a dignidade ao indivíduo.

14 de maio de 1888


sábado, 2 de novembro de 2019

As Relações de Poder nas Disputas Meritocráticas no Jogo da Vida

Após o crime da colonização, a vida afrocêntrica estatizada, passou a ser vivida sobre a cela de um assombroso tabuleiro de xadrez, aonde as regras, na forma da lei, foram maquiavelicamente elaboradas com o auxílio de um Bispado e de um suposto rei sem um reino real. Após cobrir esse melaninoso corpo negro com tais regras, estatutos e leis que lhe constituíram enquanto ser, ditando seus caminhos e sua identidade de destino, foi usado para tal intento, a cor desse mesmo indivíduo como quesito que revestiu, como a armadura, a sua tez; definindo-o a partir das cores claras ou das cores escuras a qual os mesmos jogadores desse infame jogo, como partícipes, eram portadores, com o fim único de eleger as cobaias desse experimento racial desenvolvido sobre o sagrado solo de Urântia.

Dessa forma, o sujeito preto se viu repentinamente num campo de batalha onde a sua cor definia e estabelecia o time ao qual ele passaria a pertencer na condição de privilegiado ou de desprivilegiado, de acordo com as regras elaboradas para reger esse sinistro jogo; regras estas criadas pelo branco rei sombrio, enquanto o bantu Rei de ébano, se descobriu como preto ao aceitar, mesmo desconhecendo tais regras feneratícias e leoninas leis regentes .

Foi assim que a Rainha e o Rei Negro, sem que percebessem tal situação, se transformaram em Peão, já que desconheciam que as suas epidermes fossem a razão da presunção de culpa, sem jamais ser de inocência, ou algo similar a tal equânime valor, até que se provassem o inverso. Dessa forma, as consequências de cada jogada, estava condicionada exclusivamente a cor de cada jogador partícipe nesse labirinto de dor, mesmo que no caput das referidas regras meritocráticas, contraditoriamente rezassem o inverso, estabelecendo assim, uma imensurável distância entre a dissimulada prática vigente e o retórico discurso banalizado, gongórico e prolixo no cotidiano da urbe.


Dessa maneira, diante desse proposital e conveniente engano, esse arrepiante jogo da vida se transformou num perigoso jogo de morte justamente para aqueles a quem se tinham sido conferidas a cor errada, passando os mesmos então a caírem tragicamente diante daqueles que possuíam a cor aceita e o time certo.


Esse jogo emocionante de sucesso estrondoso foi transformado em rotineiros roteiros de filmes, novelas e comerciais, para que os jogadores, pudessem conferir e aferir melhor os seus lugares e as suas posições no tabuleiro preto e branco desse jogo da vida disputado a partir dessas referências publicamente ditadas e expostas como padrão oficial pelo generoso Dream Time da mídia europoide. 

Dessa maneira, de um lado temos um time de alta performance e totalmente profissional enfrentando um outro time que nem sabe que não sabe que faz parte desse espetacular jogo sujo, que é televisionado, filmado e exibido a cores como atração imperdível para os integrantes desse desavisado time que alegremente assiste de pé, nessa arquibancada bancada com muito pão e circo servidos durante os intervalos de cada cachoeira de sangue jorrado nessa animalesca arena, enquanto aguardam o sorteio desse mesmo jogador que, por hora se encontra a aplaudir, esperando a sua vez, ao mesmo tempo em que executa alegremente, e de forma profissional, aquela linda onda negra conhecida como Ôla.


Foi dessa forma que os integrantes da Campanha de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brasil, concretizando esse intrincado jogo de negociação com o Estado Nacional, se viu diante das complexas contradições posto na forma da Lei, com os jogadores chave dessa ação. A Lei 6613/2019 foi a primeira Lei aprovada no Brasil, no plenário da Câmara Municipal da cidade do Rio de Janeiro, impulsionada por um vereador com a cor certa jogando pelo time errado; enquanto que os jogadores de cor errada imiscuídos no time certo, fizeram o possível para travar o referido processo, quando perceberam que os procedimentos iniciava a fase de efetiva de execução.

Olhando o caminho percorrido pela militância negra, percebemos que esse mesmo ardil foi usado pela elite dominante nos momentos cruciais desse jogo; como foi, por exemplo, o caso da criação e estruturação da Seppir, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, elaborada por José Dirceu, um jogador do time nórdico que, como de hábito, são sempre os mesmos jogadores que criam e protagonizam as regras para reger o time de ébano. Outro exemplo similar a este, foi o fato do relator do Estatuto da Igualdade Racial ter também sido o responsável pela aprovação do referido estatuto sendo ele outro jogador nórdico dessa equipe da cultura dominante adversária ao Time de ébano; estamos falando de Onyx Lorenzoni, na época então deputado e hoje ministro desse inominável governo.

A diferença entre os processos citados acima e a Campanha de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brasil, campanha movida pela OLPN, é bastante óbvia; podemos perceber que, ao contrário do caso da formação da Seppir e da criação do Estatuto da Igualdade Racial; estatuto esse que nenhum preto pobre tem quaisquer conhecimentos a respeito mesmo após terem se passado vários anos de sua aprovação; trata-se do sujeito protagonista do processo em ambos os casos; e esse é o detalhe que confere a complexidade paradoxal ao seu desenvolvimento rumo a sua efetivação de fato e de direito.

Portanto, no enredamento entre essas cores metamórficas, manipuladas por regras e estatutos, leis e tratados, discurso e práxis, temos um plenário partícipe rico em possibilidades, aguardando somente a coletividade negra dizer a que veio, desde o momento que esse coletivo negro se perceba  nessa atual conjuntura; mas isso só poderá ser modificado, após a sua definição e inserção como coletivo negro de fato; promovendo assim, uma coletividade sem as grotescas feridas contidas nesse inconsciente coletivo estruturado pelos  códigos jurídicos cultivados pelo time dominante que instituiu a colonização mental, física e epistemológica como forma de controle e poder absoluto.

Dessa forma, quando internalizaremos que todos somos um, após obviados pelo poder dominante, nossos Peões, estando a postos, inverterão suas posições numa jogada única onde se transformarão em soberanas peças desse tabuleiro vermelho-sangue que ornamenta a Grande e branca tela dessa mídia racista. Dessa maneira, a Rainha finalmente voltará a reinar, abrindo o canal da vida plena, sem os entraves meritocráticos e as hierarquias sufocantes que escravizam o ser, enquanto sujeito pleno de si mesmo. Dessa maneira, a escravização finalmente terá seu termo, como havia de ser, mesmo que já tenha passado da hora desse inevitável processo acontecer.


sábado, 26 de outubro de 2019

Minha Amiga, Meu Amigo; Sejas Como a Água...!!

Há muito mais entre o nosso corpo de dor e o nosso corpo interior do que imagina a nossa filosofia. Podemos sentir o vazio sem jamais vê-lo, ao contemplar a vasta imensidão do infindo universo, para perceber a existência desse vazio que revela a existência do nada, dessa não-forma que se caracteriza por seu movimento vertical no aqui, no agora do presente, aparecendo assim, a existência de um Não-Tempo que contém a si mesmo, enquanto que, de forma filosófica, contraditoriamente percebemos esse mesmo não-tempo como um tempo psicológico ao defini-lo entre o que se passou, o que se passa e o que virá a se passar, determinando-o dessa maneira, com um espaço horizontal.

Dessa maneira, criamos e enquadramos, numa hierarquia que divide esse tempo, todas as categorias e classificações inventadas, a qual definimos como ciência; estabelecendo essa mesma ciência com o intuito de dominar a natureza e controlar as subjetividades do ser enquanto sujeito.

Desse modo, a vida vai passando ao largo, enquanto o inconsciente coletivo, formatado por essas categorias inventadas e conceituadas na horizontalidade de experiências passadas e nas promessas de um possível devir que jamais chegará; pois se caso este futuro chegue deixará de ser futuro; doamos de forma compulsória e inconsciente, a nossa força ativa em prol daqueles que dominam a cultura do povo por conta dessa premissa.

Dessa maneira, esse mesmo povo, por não conhecer a sim próprio, através do tempo que é, acaba sendo dominado, cedendo o controle aos fornecedores de pão e animadores circenses que promovem e controlam as emoções que os anestesiam das dores consequentes dos traumas do passado e medo do futuro. Enquanto seu corpo interior é esquecido no tempo, seu corpo de dor se identifica com o sofrimento banalizado, exposto e contido na sedutora vitrine do inconsciente coletivo.

Um povo que não conhece o seu caminho nem a sua caminhada através do tempo presente, é como uma árvore sem raiz ou como a água que se desliga de sua fonte; ele se desconecta e se torna o pensamento vivo desse inconsciente coletivo que dá vida a uma sociedade cibernética, alienada de si mesma, vivendo através desse sofrimento padrão, seja nas relações, seja no trabalho ou no seio da própria família.

O indivíduo aprisionado nesse tempo fatiado pelo espaço, adota as opiniões, os gostos e os desejos, produzidos nessa zona de conforto, como se fossem seus próprios, enquanto é alimentado por essa cultura adubada nesse ambiente onde Ivan Pavlov tornou-se imperador permanente.

Desse modo, vivendo a margem de seu Presente; que o próprio no nome já se conceitua como tal se confirmando como uma eterna festa; o indivíduo cria seu Deus, cria seu paraíso e também cria o seu inferno. É dessa forma que nos travestimos de Eco e Narciso, para cumprir nossa missão cotidiana em companhia de Sísifo.

Somente a água mole na pedra dura poderia romper ou poderia contornar esse vício transmitido pelo vírus que provoca a síndrome do pensamento acelerado; pensamentos estes que emanam e são colhidos no fundo do florido e sedutor cesto do inconsciente coletivo; este cesto que é trazido pela inocente Chapeuzinho Vermelho, e que em seguida, tem seu fruto ingerido pela Bela Adormecida, durante todos aqueles emocionantes comerciais televisivos que precedem as fascinantes novelas e os incríveis filmes de aventura; até que acreditemos que o nada que não vemos, mas que sentimos, é aquela mesma coisa que personificamos, patenteamos e classificamos como sendo aquele que não se nomeia ao qual chamamos de Deus. Somos Deuses e Deusas, somos a natureza com seu tudo e seu nada, alfa e ômega, prontos para exercermos o que nos é direito natural, assim que nos desprendermos dessa prisão que o inconsciente coletivo nos colocou e deslizarmos livremente da fonte ao mar.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A Palavra Como Objeto Abstrato de Dominação

Como uma seta desenhada sobre uma placa afixada num poste qualquer, indicando uma direção, a escrita da palavra vai além dela mesma. Se ao interpretar essa palavra, nós nos apegarmos unicamente sentido próprio dela mesma, incorremos no equívoco de nos desviarmos do real significante de suas possibilidades e das realidades para as quais ela aponta.

É dessa maneira que costuramos um sedutor véu de ilusão, que envolve e adorna esse mundo holográfico que desfila, ostentando sobre esse picadeiro iluminado pelas sombras, todas as burlescas instituições que dão legitimidade as ideologias escravagistas pós-moderna que domina esse mesmo orbi.

Esse mesmo mundo é estruturado e mantido por essa palavra que categoriza e classifica, estereotipando e estigmatizando uma senil hierarquia formatadora de clãs e de castas; hierarquia esta que foi descrita, e escrita como narrativas de poder nas constituintes da nação, nos livros sagrados e nos tratados jurídicos que fundamentam essa sociedade colonial contemporânea.

É essa palavra que, ao dar forma ao passado, projeta um futuro enlatado e formatado através de regras, estatutos, bulas, fórmulas e buenas dichas que, através das imagens midiaticamente produzidas por essas mesmas narrativas, controlam nossa subjetividade, controlando nossos quereres e saberes por meio dessas mesmas palavras que são apenas, como as placas sinalizadoras, indicadores de possibilidades e de verdades.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Era Uma Vez... Um Cavalheiro Negro e a Casa da Luz Vermelha...



Todas as noites, após chegar de sua labuta diária, o Cavalheiro Negro tomava seu banho, se perfumava e se arrumava com especial esmero, se preparando para adentrar aquela imponente casa vermelha, que ficava justamente no meio de seu caminho. Invadir aquele fortificado Castelo vermelho passou a ser a meta de sua vida, desde sua tenra adolescência. 

Foi uma das mais difíceis missões outorgada a esse valente guerreiro que levava seu dia-a-dia extremamente agitado, de casa para o trabalho, do trabalho para casa e vice-versa; mas mesmo assim, decidiu que essa era a sua sagrada missão, na qual a possibilidade de falha não era opção. Pois sabia muito bem de que precisava de mais alegria, de mais leveza e mais prazer em sua vida, pois via que tudo estava muito cinza naquela rotina extrema, de muitas decisões a serem tomadas a partir de muito raciocínio lógico, a fim de solucionar até mesmo os problemas triviais que se apresentavam de forma tão voluntariosa a seu pensamento lógico.

Enfim, ele precisava de uma imediata mudança em sua vida. Por isso, essa casa da luz vermelha que sempre estava em seu caminho, e que ele nunca havia parado para ao menos visitar a dita cuja, talvez por vergonha de que alguém, ou algum conhecido, pudesse falar ou pensar a seu respeito que o desagradasse ao vê-lo no interior dessa tal casa.

Decidido então, ele se preparou meticulosamente, planejando inúmeras formas, maneiras diversas, estratégias e variadas táticas para atingir seu objetivo, e todas as noites, se avizinhava do paço e tentava adentrá-lo, se vendo sempre desencorajado ao deparar-se com homens de terno escuro, engravatados e de semblantes severos, circundando, sinistramente a observá-lo, desencorajando-o dessa forma, sem que em nenhuma das vezes conseguisse lograr êxito em suas tentativas.

Passaram-se dias, meses e anos de contínuas e inúmeras tentativas frustradas que se somavam ao seu cartel de embates cotidianos. Até que certa feita, o Cavalheiro Negro decidiu que já era hora da batalha final. Após meditar por uma noite inteira, vestiu sua armadura e improvisou um ensaio geral, visualizando em seu íntimo, suas possibilidades da vitória como única meta a ser atingida; animado, partiu então em direção aquele fortificado Castelo Vermelho.

Aproximando-se do majestoso palácio, após passar pelos carrancudos homens de preto como primeiro obstáculo, percebeu outras barreiras que se apresentava a sua frente: era um longo caminho que separava a casa contornada por profundo fosso aonde jazia uma variada fauna de peçonhentos repteis e animais sanguinolentos que o aguardava, separando-o de seu objetivo. 

Após um breve interregno, ele não teve mais dúvidas; mergulhou fundo naquele misterioso lago escuro e lúgrume que refletia a sua imagem turva, revelando para si mesmo a sua face assustada, como a de um menino desorientado que se perdera dos pais em meio a multidão; nessa fração de segundos que durou mais que uma eternidade; enfrentou então, toda a sorte de ferozes ataques investido contra ele, como mordidas, arranhões e estrangulamentos que quase o fizeram se afogar.

Chegando a margem abismal do referido fosso ainda com uma réstia de ar nos pulmões, de súbito se viu cercado por homens fortemente armados que selvagemente investiram contra ele, tentando despedaça-lo com as lâminas de seus afiados punhais de pensamentos falantes. Ele lutou bravamente com o que lhe restou de ar, respondendo aos impropérios sanguinolentos que impiedosamente lhe transpassavam o ser; e finalmente, como um leão do deserto, rosnou sua sagrada vitória. Mesmo sangrando, continuou sua caminhada se arrastando com muita dificuldade em direção a fortificada porta do castelo vermelho.

Foi então que percebeu que o poderoso portal construído com milenares madeiras de lei, parecia rir de sua aproximação, zombando de sua pretensão de entrar naquele salão. Mesmo assim ele avançou, enquanto aquela poderosa porta continuava indiferente as suas persistentes investidas, permanecendo inabalavelmente impassível. Quanto mais força ele usava na luta contra o poderoso portal, mais sua peleja se mostrava inócua, e mais o portal respondia com inalterável indiferença, zombando apaticamente de seus desesperados esforços.

O castelo vermelho continuava lá, imóvel, impassível e imponente a sua frente, sem qualquer sinal de que cederia a seus intensos esforços. Até que finalmente, desistindo de lutar, ele se prostrou totalmente extenuado do combate. Rendido, entregou-se completamente, despojando-se definitivamente de todas as suas armas e da armadura com a qual havia se revestido, sentando-se a seguir diante do portal, numa humilde postura genuflexa, fechando os olhos ao mesmo tempo em que abria os braços em profundo silencio; respirou fundo; e assim se manteve por um tempo indefinido de um eterno agora; até que; repentinamente, para sua surpresa, sem que nada fizesse, o grande portal suavemente se abriu, sem esforço algum.

Enfim, ele conseguiu o que queria; adentrar ao interior do misterioso e solitário Castelo Vermelho, e cuidadosamente chegar até o centro da sala real, aonde encontrava-se assentada ao trono a autoridade fêmica suprema que agora o aquecia dadivosa com seu ar benevolente em forma de chama trina. Aproximando-se lentamente, ascendeu delicadamente a chama que jazia a sua destra, antes de tomar posse daquele lugar que agora viria definitivamente legitimar a soberania de seu mundo. Aquele espaço vazio, agora por ele ocupado, era nada mais e nada menos do que a sua própria essência interior tornada intransponível, além de fortificada e encastelada na qual ele havia transformado  seu coração.

Ao ascender sua chama a seu próprio trono, a luz finalmente se fez, devorando imediatamente toda a escuridão que havia ao seu redor, consumindo assim, todos os seus medos, dúvidas e incertezas. Agora o Cavalheiro Negro sabia que, aonde se encontrasse o seu coração, ele também se encontraria. Dessa forma, naquela casa, em chamas, totalmente nu, ele fez amor consigo mesmo, entronando seu sagrado feminino numa nupcia testemunhada pela doce lua cheia  iluminada pelo cósmico Sol Maior, legitimando dessa forma, essa união sagrada entre masculino e feminino.
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sábado, 28 de setembro de 2019

Os Milenares Segredos de um Baobá Centenário

Árvores, são orações em forma de poesias verticais, que se elevam como colunas sustentadoras do divino templo que tem o poder de realizar a magia de transmutar a escuridão da alma em cantigas de alento, e a pesada depressão em profunda alegria, ao alimentar Gaia e seus habitantes, de vida; formando assim, um mundo de luz cristalina captada do Cosmo, iluminando os dias e as noites do universo humano e senciente de bicho e de gente; um Baobá me contou, afirmando que, sempre nos encontramos aonde se encontra o nosso coração. Dessa forma, pude compreender minha frondosa e delicada amiga que generosamente se erguia diante de mim em direção aos céus, como se mantivesse uma constante e permanente oração.

Foi dessa maneira que adentrei em minha enigmática floresta interior, em meio a minhas folhas pluricelulares, entre as células-tronco e os átomos formadores da minha árvore genealógica que, por hora, constituí meu corpo-templo; descobrindo assim, o misterioso fruto do conhecimento parido entre os galhos ventriculares do coração. Dessa forma, como uma coluna sustentadora, a serpente se ergueu do solo, trazendo a união entre céus e terra ao compor o arco-íris da vida.

Foi assim que descobri que a sombra do Baobá, e de sua linhagem, não é escura, mas sim, uterina. Descobri que as árvores são sensíveis pelos na superfície da pele de Gaia, que captam as energias ao derredor existentes nesse cosmo que aninha, reúne e une os Astros como famílias planetárias. Descobri que Urântia sempre foi, continua sendo e sempre será nosso Jardim do Éden aflorado entre as colunas serpentinas que se elevam do solo abrigando o fruto do conhecimento que alimentam a alma.

Dessa maneira, elas, as árvores, se integram coletiva e amorosamente, formando uma rede protetora que saneiam e higienizam energeticamente a generosa Gaia. Assim, podemos afirmar que as Árvores são os livros sagrados da vida; são as histórias de vidas, contadas e ainda por contar; são os belos poemas de vida numa trova que nos embalam nas redes do puro prazer inspirado na alegria da existência, ao abrigar os seres viventes e saciar a sede de Gaia.

Dessa forma, essa natureza viva jamais poderia se enquadrar no limitado espaço quadrado da tela dos artistas, que tentam a todo custo, capturá-la através do manejo habilidoso das tintas e dos pincéis reproduzidos em série pelas mesmas indústrias que acinzentam o azul do céu e poluem nossos verdes mares. Desse modo, eles modernamente se contentaram em poder reproduzir com sucesso absoluto a natureza morta, que tanto impressionam os vivos que pensam não ser parte integrante dessa mesma natureza. Assim, a natureza humana se apartou do todo ao ignorar que somos UM. Um Baobá me contou...

O bosque aplaudiu...!!


domingo, 15 de setembro de 2019

Alforria e Humanismo: Nas Asas Quânticas da Liberdade

Assim como nosso país e nossos pais, inexoravelmente nos tornamos o paradoxo do paradoxo, uma vez que, como os pombos que possuem asas mas vivem morrendo atropelados; permitimos que os herdeiros dos escravagistas, que ainda se encontram nas sombras do Estado profundo, nos mantenham no curral do mundo, sendo religiosamente pastoreados por Missionários, Mercadores e Mercenários.

Dessa maneira, esquecemos que somos pessoas livres, e nos submetemos, uma vez coagidos através do medo incitado pelas dolorosas chagas abertas na alma; chagas estas que foram abertas por ocasião do crime da escravização geracional de nossas famílias. Por isso, hoje somos guiados pelo carneiro de Panúrgio, como lobos e pele de líderes religiosos e políticos partidários, que nos representam protegidos por um aparato de segurança, composta por contratados lacaios de plantão, que constituí o poder do aparato militar que lhes dão suporte.

Esses líderes, fazem uso dos valores meritocráticos e egocêntricos, além da sede do poder sem pudor, para manipular os indivíduos, através da anuência e permissão do próprio dito-cujo que segue as regras ditadas e impostas pela casta dominadora de todos os setores políticos, econômicos e culturais dessa sociedade-fantoche, que através da história vem cultivando esses valores como status quo, transformando-os num objeto de desejo e numa meta de conquista a ser alcançada. Assim, esse processo se transformou num fim em si mesmo.

Dessa forma, a Lei do UM, onde reza que, tudo o que fazemos para o outro, estamos fazendo para nós mesmo, visto que, mesmo que sejamos únicos, somos todos interdependentes. Dessa maneira, de forma simultânea, somos únicos e somos um. Eis a Lei do UM.

A invenção da religião foi a principal causa de separação do criador com a criatura, tornando, dessa maneira, o ser humano num ser dependente de líderes que conduzisse e intermediasse sua relação cosmológica com o Criador de Todas as Coisas que habita em todo e cada ser senciente.

Dessa forma, nossas asas foram divididas, como se passássemos a usar pares de calçados em pés trocados, para que, durante esse jogo da vida, encontrando nosso par, consequentemente encontraríamos também nossa asa original, possibilitando dessa forma, o majestoso episódio de nosso tão almejado voo da nossa verdadeira liberdade, deixando finalmente essa liberdade simulada e estimulada por essa sociedade virtual vigente, nesse mundo holográfico no qual fomos acondicionados e mantidos em quarentena, a fim de executar os trabalhos forçado para atender aos padrões e valores  impostos pela violência colonial que impera até os nossos dias atuais.

Destarte, só deixando de lado o egocentrismo para dar início ao pensar e sentir de forma coletiva, seria a forma eficaz de criarmos as possibilidades de nossas asas se identificarem, e finalmente nosso voo de inevitável liberdade se realizar, de forma suave e regozijante, rumo a plenitude do ser enquanto ser completo e repleto de si, se tornando enfim, uno.

Para que isso seja possível, é necessário amorosamente dizer NÃO de forma firme e decidida. Não a tudo que oprime, não a todo desconforto e todo o incômodo da busca pela sobrevivência. Portanto, é preciso tornar-se um buscador de si mesmo e da verdade que existe escondida dentro do próprio ser. Essa mesma verdade que foi manipulada, classificada, rotulada e biblicamente usada para nos escravizar.

Enquanto continuarmos a ser educados e evangelizados dentro dos valores dominantes dos dominadores, permaneceremos na condição perenes de escravizados, sofrendo com os profundos efeitos dessa Síndrome de Estocolmo que nos mantém numa zona de conforto onde cultivamos, com espantosa habilidade, nosso conformismo e nossa falsa humildade temperadas com pitadas de hipocrisia a gosto, a fim de esconder nossa baixa alto-estima de nós mesmos.

E isso nos basta como desculpas para justificar nosso infortúnio, cuja causa e responsabilidade passa ser do outro, enquanto o outro também nos responsabiliza por suas frustrações cotidianas na busca pela sobrevivência afetiva no transcurso dessa vida onde a escravização habilidosamente se dá através dessa política que faz culto às ideologias desviantes[1] criando assim, uma Ilusão Mundial[2] com o fim último de manipular, robotizar e dominar o ser humano.





[1] Todas as ideologias que dividem os seres humanos; como a divisão em classes, raças e gêneros; enquanto seres humanos. Ex. machismo, feminismo, marxismo, capitalismo, racismo, cristianismo, etc. enfim, todos os “ismos”.
[2] Alusão ao Livro de Alice A. Bailey: Ilusão Um Problema Mundial.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

O Erótico Retrato em Preto e Branco da Carne Mais barata do Planeta: a Carne Preta.


Um cara castrado, fantasiado com as roupas emprestadas pelo Estado, usando esse temido uniforme de caçador de escravizado, empregado pelo sistema nervoso da Matrix mundial; através de um contundente monólogo; monólogo este proferido com o prestimoso auxílio de um soco inglês, numa cessão intensiva de disparos ininterruptos de golpes, tendo esse bélico objeto envolto com 365 opiniões de um playboy burguês, oriundo de um território português; dessa maneira peremptória, esse representante do Estado oficialmente me explicou, esclarecendo os motivos pelo qual Leonardo[1]; o apolíneo artista da rede globo residente no Leblon; este sim, poderia Vinte; mas que eu, esse neguinho artista, grafiteiro, morador de um morro sem nome e sem pedigree, mesmo hospedado num hotel de luxo no Arpoador, não poderia nunca dar dois, sem antes e depois, provar o peso da mão do poder medieval do Estado de terror Nacional.

Em meio a esse episódio de cada dia que me dói hoje, lembrei de um outro cara que conheci na adolescência; ele se chamava Bezerra[2]; que não era o De Menezes, mas sim, Da Silva; ele que também fazia parte da gentalha nascida na mesma Senzala onde hoje se encontra o teatro Escala; foi ele que me explicou numa canção, o estado crítico dessa situação.

Foi aí que cai em mim, depois de cair no chão atingido por mais um golpe de supetão, após ser acertado em cheio na outra santa face[3], gerando aquela bela confusão cotidiana, digna de luz, câmera e ação, enquanto Leonardo, dando vinte, tranquilamente assistia a tudo pela tela do seu ostentoso celular, os detalhes dessa minha espetacular participação que terminaria numa cela de um batalhão, encetando assim uma bela história que, provavelmente lhe daria o Oscar pela autenticidade e verossimilhança de melhor atuação, numa futura série global inspirada no sangue Real que escorria desse preto corpo estendido no chão, devido a essa cinematográfica ação onde mais de 80 balas perdidas se encontraram, quando disparadas por esse militar que usa seu soldo para comprar tênis adidas, beber Coca-Cola e brincar de porteiro na escola dessa negra vida que poder ser escravizada, vendida ou perdida, enquanto a sorte dessa mesma vida é exibida como atração principal, gerando a adrenalina que vicia e entorpece o coração,  produzindo dessa forma, a devida emoção contratada por esse consumidor, que sempre tem razão ao exigir de seus atores-produtos, uma autêntica atuação.

Um outro cara que eu conheci, durante a minha infância na escola dominical jesuíta, me havia ensinado a oferecer a outra face; mas foi pela TV; minha escola de Ensino À Distância; que aprendi com a arte de Leonardo que poderia dar dois; e finalmente, na minha última lição na Escola da Vida: aprendi que as cores da Capela Sistina foram manufaturadas com os elementos  tirados das lágrimas do elemento padrão[4], com o sangue vertidos de seus pés, de suas mãos e de seu coração, durante as ações policiais cotidianas aonde as balas perdidas sempre se acham, ao encontrarem pelas ruas da cidade, um corpo negro.

Dessa forma, como um grande atractor, as balas são espontaneamente disparadas diretamente na alma do cidadão de cor, a fim de estimular a sua dor, fazendo crescer o ibope[5] com a ajuda do Bope[6] e do telespectador que ama a emoção romantizada pelo ardor do sofrimento daquele que não é o seu espelho.

Dessa maneira, a TV lucra, os empresários lucram e o Estado lucra nessa democracia racial perpetrada pelo Estado Nacional, seja através da escola ou da homilia religiosa que transformam infantes santos em adultizados pecadores, transmutando essa temida e estigmatizada pessoa preta numa querida gente branca[7], para que ela tenha a possibilidade de fugir da dor encetada no calabouço Estatal que cozinha sua carne preta no calor da contemporânea fogueira santa, religiosamente medieval, e logo após ter seu corpo preto pornograficamente exposto em fotos de jornais e revistas, como manchete do dia, satisfazendo assim, as fantasias desses clientes, consumistas desse Mercado Infame[8] que exibe diuturnamente, como um obsceno e doentio estímulo do imaginário escravagista, o retrato em Preto e Branco dos corpos de homens e mulheres estripados e estuprados, por possuírem a carne mais barata do Planeta: a Carne Preta.





[1] Referência a Leonardo da Vinci
[2] Referência ade Bezerra de Menezes, espírito que se comunicava com o médium Chico Xavier e ao sambista e pagodeiro carioca Bezerra da Silva.
[3] Alusão a passagem bíblica onde Jesus falava sobre “oferecer a outra face”.
[4] No jargão o policial o termo “elemento padrão” é usado para se referir e identificar uma pessoa de cor negra.
[5] Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística.
[6] Batalhão de Operações Especiais, nome dado ao esquadrão da morte da polícia militar do Estado do Rio de Janeiro.
[7] Referência ao filme e Série televisiva “Cara gente branca”
[8] Referência ao tráfico negreiro e ao comércio de escravizados africanos.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

A Coragem dos Excluídos


Antes dos anos de 1400, o racismo não existia no mundo. O que existia, eram as diversas formas de discriminação. Ou seja, a escravização só se dava por conta de três motivos: perseguição religiosa; ser capturado em caso de guerra; ou por questões de endividamento.  

Foi por volta de 1442, que o Papa Inocêncio foi presenteado com 16 negros, capturados na costa africana pelos portugueses que por ali navegavam. O religioso achou aquilo incrível e ficou extremamente feliz, pois pela primeira vez ele teve ao seu dispor, pessoas para trabalhar nos arredores do Vaticano e para lhe servir a seu bel prazer, sem que precisasse ter que retornar com qualquer forma de pagamento.

Daí em diante, como forma de agradecimento, o papa decidiu permitir que todos os europeus tivessem esse privilégio; sequestrar pessoas para trabalhos forçados, com a única condição de que fossem pessoas negras.

A partir desse momento, deu-se o início da corrida para se estabelecer no mundo o abjeto Mercado infame; mercado este que se definiu pelo sequestro de africanos e seu consequente tráfico, como se fossem quaisquer objetos, além de sua escravização, e posteriormente, a colonização das terras do continente negro, e um pouco mais tarde, pela colonização das terras dos indígenas americanos.

Dessa maneira, os reinos africanos foram destroçados, e a história dos povos africanos, assim como a dos indígenas, foi interrompida pela insídia, pela tortura e por toda a escuridão trazida dos calabouços trevosos da idade média, através do vil trabalho dos Missionários, Mercadores e Mercenários respectivamente.

Dessa forma, há mais de quinhentos anos, os povos africanos e afrodescendentes no mundo inteiro, foram violentados, torturados e assassinados por esses terroristas e seus descendentes, que atualmente são os continuadores desse infame mercado de almas negras; mercado este que, lamentavelmente foi então financiado pelos negociantes judeus.

Nossa nação, assim como todo o Novo Mundo, foi construída sobre o signo da barbárie escravista; e hoje é uma nação totalmente edificada pelas pedras da opressão e cimentada com as hemácias do genocídio dos povos Indígenas e Africanos. Foi através desse crime que a oligarquia e a elite urbana estabeleceram seus direitos privativos e seus privilégios perpétuos, amealhados através do terrorismo estatal, tendo os imigrantes europeus também se beneficiado, desde 1808, dessas mesmas benesses adquiridas pela força do látego e da selvageria indiscriminada que abertamente foram praticadas como política de estado contra nossos antepassados negro e indígena.

Dessa forma, no Brasil, assim como as prisões e os hospícios, o poder tem cor e tem casta, da mesma maneira que a segregação social e racial grassa entre o asfalto e a favela, desde os prédios inteligentes, palafitas e até indigentes. A cidade moderna é composta de exploradores e  opressores, que respectivamente ocupam a cadeira de engravatado e a subserviência do trabalho forçado e subalternizado, enquanto o controle do poder nacional é exercido pelos descendentes das famílias tradicionais, herdeira dos privilégios adquiridos através do abominável crime da escravidão.

Essas regalias aqui mencionadas, são amplamente explicitadas através dos atos oficiais dos quatro poderes nacionais: judiciário, executivo, legislativo e forças armadas; sendo diuturnamente expostas nas manchetes dos jornais e noticiários matinais, que exaustivamente vem revelando essa hegemonia no controle do poder nacional de forma bastante banalizada, mostrando os numerosos escândalos de abusos de poder e de corrupção deslavada desde 1808 até os dias atuais; destarte, o povo é alijado e alienado dos assuntos nacionais, a fim de se evitar que ele venha participar das questões referentes aos seus interesses, enquanto é estimulado a reagir como telespectador, assistindo impassível a esse circo de horrores protagonizado pela política nacional; política essa, consolidada a partir do golpe militar que instaurou a república federativa dos estados unidos do brasiu.

Depois de passados vários séculos dessa covarde conivência que sempre reconfirma e atualiza seu status através da silenciosa cumplicidade entre a igreja, o Estado e a sociedade, finalmente no século 21; mais especificamente no ano de 2001; esse silêncio foi enfim rompido na conferência de Durban; na África do Sul; quando finalmente, a Organização das Nações Unidas, reconheceu afinal esse Crime da História, que foi o Tráfico Negreiro Transatlântico, a Escravização dos Povos Africanos e a Colonização do Continente Negro e das três Américas, determinando assim, a Reparação desses mesmos crimes.

Portanto, agora é hora de recobrar nossa coragem roubada, mesmo que nos encontremos em frangalhos, fragilizados e fragmentados de forma física, psicológica, epistemológica e espiritualmente pelo terror incitado pelas variadas formas de violências cultivadas por esse Estado profundo e escuro; esse mesmo Estado que ainda nos submete, subalternizando e se apropriando da nossa força de trabalho, além de controlar nossa subjetividade enquanto sujeitos protagonistas de nossa própria história.

Agora é hora de reconquistar nossa coragem a fim de sermos sujeito da história roubada que se encontra refém do padrão imposto pela violência colonial, fazendo eclodir a escravidão moderna que brotou do sangue jorrado por nossos antepassados; esse mesmo sangue que foi empregado como adubo neste solo que foi transformado num vasto cemitério para os Pretos Novos e para o Preto Velho, nesta mesma cidade usada como câmara e antecâmara de indescritíveis torturas e sevícias, a fim de calar nossa voz, infligindo o profundo medo marcado como cicatriz, que nos pesa na alma, trazendo o temor de encarar o patrão; esse senhor escravagista de outrora que do Estado hoje se assenhora; e dizer Não.

No dia Sete de setembro, nosso grito não mais será o grito dos excluídos; mas sim, o grito da coragem dizendo NÃO a opressão; NÃO a escravização; NÃO ao Medo de dizer NÃO; e com um amplo sorriso ao erguer a mão, vamos dizer SIM a Justiça, ainda que tardia; vamos dizer SIM para a Equidade de um Estado que seja Compartilhado, Pluriétnico e Pluricultural.

Portanto, hoje decretamos a Reparação já, em alto e bom som, exigindo que o Estado brasileiro e a Igreja reconheçam e assumam as suas responsabilidades, respectivamente como autor e coautor, diante do hediondo crime da escravidão outrora praticado contra os Povos Indígenas Africanos, e atualmente contra todos os seus Descendentes.

Reparação já...!!