Como uma
seta desenhada sobre uma placa afixada num poste qualquer, indicando uma
direção, a escrita da palavra vai além dela mesma. Se ao interpretar essa
palavra, nós nos apegarmos unicamente sentido próprio dela mesma, incorremos no
equívoco de nos desviarmos do real significante de suas possibilidades e das
realidades para as quais ela aponta.
É dessa
maneira que costuramos um sedutor véu de ilusão, que envolve e adorna esse
mundo holográfico que desfila, ostentando sobre esse picadeiro iluminado pelas
sombras, todas as burlescas instituições que dão legitimidade as ideologias escravagistas
pós-moderna que domina esse mesmo orbi.
Esse mesmo mundo
é estruturado e mantido por essa palavra que categoriza e classifica,
estereotipando e estigmatizando uma senil hierarquia formatadora de clãs e de castas;
hierarquia esta que foi descrita, e escrita como narrativas de poder nas
constituintes da nação, nos livros sagrados e nos tratados jurídicos que
fundamentam essa sociedade colonial contemporânea.
É essa
palavra que, ao dar forma ao passado, projeta um futuro enlatado e formatado
através de regras, estatutos, bulas, fórmulas e buenas dichas que, através das imagens midiaticamente produzidas
por essas mesmas narrativas, controlam nossa subjetividade, controlando nossos quereres
e saberes por meio dessas mesmas palavras que são apenas, como as placas
sinalizadoras, indicadores de possibilidades e de verdades.
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