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sábado, 26 de outubro de 2019

Minha Amiga, Meu Amigo; Sejas Como a Água...!!

Há muito mais entre o nosso corpo de dor e o nosso corpo interior do que imagina a nossa filosofia. Podemos sentir o vazio sem jamais vê-lo, ao contemplar a vasta imensidão do infindo universo, para perceber a existência desse vazio que revela a existência do nada, dessa não-forma que se caracteriza por seu movimento vertical no aqui, no agora do presente, aparecendo assim, a existência de um Não-Tempo que contém a si mesmo, enquanto que, de forma filosófica, contraditoriamente percebemos esse mesmo não-tempo como um tempo psicológico ao defini-lo entre o que se passou, o que se passa e o que virá a se passar, determinando-o dessa maneira, com um espaço horizontal.

Dessa maneira, criamos e enquadramos, numa hierarquia que divide esse tempo, todas as categorias e classificações inventadas, a qual definimos como ciência; estabelecendo essa mesma ciência com o intuito de dominar a natureza e controlar as subjetividades do ser enquanto sujeito.

Desse modo, a vida vai passando ao largo, enquanto o inconsciente coletivo, formatado por essas categorias inventadas e conceituadas na horizontalidade de experiências passadas e nas promessas de um possível devir que jamais chegará; pois se caso este futuro chegue deixará de ser futuro; doamos de forma compulsória e inconsciente, a nossa força ativa em prol daqueles que dominam a cultura do povo por conta dessa premissa.

Dessa maneira, esse mesmo povo, por não conhecer a sim próprio, através do tempo que é, acaba sendo dominado, cedendo o controle aos fornecedores de pão e animadores circenses que promovem e controlam as emoções que os anestesiam das dores consequentes dos traumas do passado e medo do futuro. Enquanto seu corpo interior é esquecido no tempo, seu corpo de dor se identifica com o sofrimento banalizado, exposto e contido na sedutora vitrine do inconsciente coletivo.

Um povo que não conhece o seu caminho nem a sua caminhada através do tempo presente, é como uma árvore sem raiz ou como a água que se desliga de sua fonte; ele se desconecta e se torna o pensamento vivo desse inconsciente coletivo que dá vida a uma sociedade cibernética, alienada de si mesma, vivendo através desse sofrimento padrão, seja nas relações, seja no trabalho ou no seio da própria família.

O indivíduo aprisionado nesse tempo fatiado pelo espaço, adota as opiniões, os gostos e os desejos, produzidos nessa zona de conforto, como se fossem seus próprios, enquanto é alimentado por essa cultura adubada nesse ambiente onde Ivan Pavlov tornou-se imperador permanente.

Desse modo, vivendo a margem de seu Presente; que o próprio no nome já se conceitua como tal se confirmando como uma eterna festa; o indivíduo cria seu Deus, cria seu paraíso e também cria o seu inferno. É dessa forma que nos travestimos de Eco e Narciso, para cumprir nossa missão cotidiana em companhia de Sísifo.

Somente a água mole na pedra dura poderia romper ou poderia contornar esse vício transmitido pelo vírus que provoca a síndrome do pensamento acelerado; pensamentos estes que emanam e são colhidos no fundo do florido e sedutor cesto do inconsciente coletivo; este cesto que é trazido pela inocente Chapeuzinho Vermelho, e que em seguida, tem seu fruto ingerido pela Bela Adormecida, durante todos aqueles emocionantes comerciais televisivos que precedem as fascinantes novelas e os incríveis filmes de aventura; até que acreditemos que o nada que não vemos, mas que sentimos, é aquela mesma coisa que personificamos, patenteamos e classificamos como sendo aquele que não se nomeia ao qual chamamos de Deus. Somos Deuses e Deusas, somos a natureza com seu tudo e seu nada, alfa e ômega, prontos para exercermos o que nos é direito natural, assim que nos desprendermos dessa prisão que o inconsciente coletivo nos colocou e deslizarmos livremente da fonte ao mar.

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