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sábado, 31 de março de 2018

Da descolonização a Decolonização

Como diria o grande pensador Bezerra da Silva, cadeia é igual a baile: se não tiver lotada não tem lucro. Sendo assim, podemos afirmar que cem corpos negros encarcerados ou sepultados diuturnamente desde a colonização é lucro, assim como sem corpos negros encarcerados ou sepultados pela decolonização é prejuízo irrecuperável para a indústria do medo, produtora de armas, de polícias e dos gongóricos discursos em nome da segurança; e isso certamente levaria a bancarrota as Multinacionais do Terrorismo Democrático Estatal oficial pós-moderno vigente.

Assim como o mercado religioso, e também o mercado educacional representado pela academia que produz e reproduz dissertações e teses que geram dividendos, status e diplomas de doutor ao discorrer e denunciar esse processo colonial que produziu a nossa modernidade e o padrão racial de sofrimento e de mortes nela contido. 

Ironicamente esse mesmo padrão racial que faculta o lugar de fala a esses doutores e mestres formados por essa academia cínica e hipócrita que destila e arrota Grécia e Roma pelos poros eufemelaninados da brancopofagia desvairada, fazendo com que o sangue de cem corpos negro, encarcerado ou chacinado diuturnamente, possa colorir e redigir cada diploma despachado, desde a América portuguesa a até aquela rua da zona Sul da cidade do Rio de Janeiro que tem nome de Princesa, e não é de Dandara, de Acotirene ou de Marieli Franco, e menos ainda da professora Irene que mora nas quebradas do exílio negro, 

Invisibilizada, a Dona Irene que semeia as sementes de tâmaras, enquanto a Polícia Militar orgulhosamente usa sua tradicional, bem ajustada e vistosa coleira, e ocasionalmente uma bela focinheira, desfila pelas ruas, de sete de setembro a vinte de novembro, e mesmo de farda e pele preta, mostram seus caninos brancos ao povo negro supliciado pela inquisição racista, fascista e misógina.

Eis porque os diplomas e certificados banhados a sangue e suor, fazem a festa justamente onde os tambores laicos dos evangélicos negros fazem soar seu eco; nas encruzilhadas da madrugada onde deuses e Exus, Ethos e Natureza se reúnem para observar as desditas ditadas por palavras mal ditas, grafadas nos livros da santa igreja romana, fundadora da civilização brancopofágica egocentrista mundial. A única coisa que esta civilização inventou foi a egolatria, visto que todo o saber existente, ganhou um padrão racial grego e um fundador como proprietário desse saber surrupiado. 

Desde então, todo o conhecimento posto em livros de histórias e livros didáticos, como fonte monopolizadora e detentora desse saber patenteado e embranquecido, tem sido a matéria que recheia as teses de descolonização, sem, no entanto, propor qualquer contra-narrativa que venha desestabilizar o status quo que mantém e sustenta o próprio lugar desse discurso proferido. Esse seria um exercício paradoxal, fundamentado por um processo digressivo que o lugar de fala da descolonização não contempla.

É preciso coragem para se desvencilhar dessa grande invenção brancopofágica que é o ego. Esse ego que julga, policia e executa do lugar onde pisa, pois os inventores da sabedoria sempre foram entes sem nomes. Portanto, o conhecimento não deve ser objeto de comércio, nem a cognição um instrumento de hierarquia vertical. Quem assim procede, mostrando diplomas e certificados de competências e douto saber, são dignos de todo o silêncio e paciência, visto que os mesmo certamente não veriam qualquer lógica em relacionar cem corpos negros, encarcerados ou sepultados, com uma Rave em Ipanema ou Leblon e o baile funk da favela que em todas as horas de todos os dias vela por um corpo preto morto no gueto, e ainda tem tempo para cantar e dançar, sem a presença dos livros que os livrem da liberdade condicional imposta pelo capital controlado pela família tradicional, cujos filhos frequentam essa mesma rave; cracolância dos playboys e abastados. 


sexta-feira, 30 de março de 2018

As Reticências de uma Inteligência de Classe separada da Sabedoria de Raça

Para se tornar um escravizado mental legítimo, basta ler Marx antes de ler Fanon neste contexto onde o Coletivo e sua hierarquia horizontal foram transformados num imediatismo individualizado depois de formalizada a hierarquia vertical, enquanto o resultado da inversão de todos esses valores ancestrais tornou-se o mote dessa conjuntura biocida, onde a transvaloração desses mesmos valores se fazem mais do que urgente.

Nesse processo de inversão de valores, onde a história começa em Grécia e Roma, depois das bulas papais instituírem as torturas, os assassinatos e a escravização como uma vontade divina administrada pela religião, e essa mesma religião  fora transformada num Fórum divino onde Deus não tem voz e nem vez; observamos nesse país "laico", as cruzes e os Cristos de pedra são erigidos diuturnamente, além de constar na atual constituição a disciplina de religião como única disciplina obrigatória desde que os jesuítas importaram e patentearam o cristo romano, trazendo-o para as Américas de Tupã, onde se viu o despudorado processo de embranquecimento de Jesus, Moisés, Aristóteles, Buda, Mozart, Bethoven, Machado de Assis e todos aqueles que verdadeiramente construíram a história da civilização humana.

Recodificaram a história, repaginando a cultura e reescrevendo novos livros; visto que, a maior biblioteca do mundo, que era a biblioteca do Egito, foi denominada e é reconhecida hoje como a biblioteca de Alexandria. Foi assim, que dividiram a humanidade em raças, dando cores as mesmas e conferindo virtudes a uma, e os vícios e defeitos as outras, iniciando desse modo, uma competição entre as raças defeituosas e viciadas, enquanto a raça que se outorgou a humanidade promove e administra toda essa liça que desumaniza os humanos que nem sabe que não sabe que são humanos e precisam ouvir essa sentença dos que se dizem e se consideram "humanos".

Dessa maneira, todos os infortúnios e sofrimentos impetrados por essa raça dita humana, ficam sobre a responsabilidade das outras e dos outros que desejam a humanidade. Assim, o discurso de que todos somos humanos; de propriedade dos “humanos”; tornou-se um jargão fashion de grande utilidade, da mesma forma que a religião usa a marca de Deus para se promover e auto afirmar.

Destarte, a industrial da educação dos Tempos Modernos, através do capitalismo cognitivo, tem adestrado seus cidadãos de segunda e terceira categoria, para repetir o discurso humano fundamentado em recodificadores tais como Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Karl Marx, Charles Darwin, Freud, Platão e tantos outros que chegaram montados em seus cavalos de Tróia vindos da branca idade das trevas.

A história invisibilizada, que fora interrompida após a queda do Egito, hoje se encontra nos pergaminhos apócrifos escondidos pela igreja, uma pequena parte exibidas em museus e outra parte desse processo está sendo monopolizada pela academia europoide para que seja mantida essa hierarquia vertical humana em todos os níveis, graus e extensão. E assim caminha a desumanidade que se alijou da sabedoria, separando o ser da natureza apartando a razão da emoção, o homem da mulher e a Raça da Classe; Enquanto isso, permanecemos Todos Desumanos.


quarta-feira, 28 de março de 2018

Teoria da Criação, Manipulação e Destruição


Foi depois do dilúvio… um viandante, Negro, sombrio, pálido, arquejante, Descia do Ararat... E eu disse ao peregrino fulminado: “Cham!... Serás meu esposo bem amado... Serei tua Eloá...” (Castro Alves)

Nefertary, Makeba, Nzingha, Menen, Nandi, Zawditu, Acotirene, Dandara, Cleópatra e tantas outras, de percepção epidérmica da cor de uma noite sem lua, que trouxeram o Sol da Terra no ventre, nesse mundo onde tais energias solares possibilitarem a vida através da melanina humanizadora, além dos ciclos de ressurgimento dessa mesma vida.

Mais eis que surge no caminho, a brancopofagia europoide, possuidora de um senso destrutor impar, criador de um profundo rancor entre os subalternizados; e como voraz opressor, aliado a sua inteligência reversa, estabeleceu uma relação autofagicamente vampírica com o outro e consigo mesmo, sem levar em conta qualquer porvir ou vir-a-ser.

Esse senso-cancro que tornou estéril a dialogia, suas realidades e potencialidades, fez o corpo social erguer barreira, criando anticorpos para sobreviver a si mesmo, ao tornar-se um corpo patológico a beira de um colapso numa sociedade doente, restando-lhe apenas o tratamento último de calcinar as próprias feridas, tornando sua pele branca em Negra pele, desde a rainha Vitória a Rainha Nzinga, da princesa Isabel a Princesa Dandara. Dessa maneira, o sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações...


...

sexta-feira, 23 de março de 2018

Eu, sou você amanhã...

Favela é pano de fundo para políticos, mídia e propaganda; para a passarela, para academia, para a cultura, novelas e séries. A Favela é a senzala que adorna as capas de revistas, manchetes de jornais, noticiários sensacionalistas e os assuntos sarcásticos recreativos dos policiais fora de plantão.

As Favelas recheiam as dissertações e as teses universitárias, estatísticas humanitárias e colunas funerárias.  As Favelas colorem os hospícios, as cadeias e os necrotérios geridos por brancos engravatados, sérios e hétero-evangélicos.

A Favela é um grande pelourinho-espetáculo exibido para o playboy e sua a coelhinha, frequentadores da ilha de caras, que tem como principal atração assistir ao desenrolar dos jogos vorazes promovidos pelo capital; jogos estes que são financiados pela elite, pais desses playboys, através do Estado de exceção; Estado este, apresentado pelos políticos-empresários como solução de final feliz, para o patrão e a meretriz que se acham burgueses; apesar de ambos ser infeliz.

As ruas das cidades e das favelas, pomposamente batizadas com nomes de perversos assassinos, impiedosos carrascos e religiosos tarados, escondem o sangue que correm pelas sarjetas no asfalto negro que contrasta, cotejando com a terra batida das sepulturas dos indigentes e os diálogos que enchem os copos derramados de conversas, nas mesas dos bares na esquina da vida e da sorte.

Cachaças, chicotes, correntes e lamentos; perdas e danos que se entrelaçam em abraços azumbizados, mesclando Michael Jackson e Elvis Presley num Amazing Grace cristianizado por Exu na trilha de Maa N’gala. O corpo brancalóide da Casagrande e a alma negra da Senzala que se atritam nesse eterno conflito, espelham o Narciso que confunde suicídio com homicídio ao adentrar, com suas duas caras, nesse mundo-moeda maravilhoso de Alice, pensando estar refestelado na Terra do Sempre.

É sempre assim, para quem pensa que não vai ser eu amanhã; da mesma forma como eu serei o outro, e o outro será nós; assim foi falado, está escrito, será sentido e finalmente pensado...

quinta-feira, 22 de março de 2018

Entrelinhas

A narrativa perdeu espaço para a informação, e hoje estamos obesos de informações e carentes de histórias. Encontramo-nos tão inflados de informes que atingimos uma obesidade mórbida de informações velozes on-line que se tornam antigas no mesmo instante em que são veiculadas.

Dessa maneira, passamos de seres humanos a seres patológicos que mesmo próximos, nos encontramos de costas, necessitando gritar para sermos ouvidos, já que o olho no olho só se encontra no olhar perdido, sem vida, nem rima.

Essa distância que nos aproxima através da informação, nos separa e nos distancia do coração fazendo a mente perder a razão. A razão humana se transformou numa patologia de esquizofrenias e bipolaridades sociais, advinda desse hibridismo transgênico da palavra que se transmutou em código de barras, com validade passada no futuro de nosso presente de grego: é a palavra de Tróia gongoricamente disfarçada do discurso suicida do fogo amigo homicida.

Tudo que é, deixa de ser, pois o verbo não mais reverbera, e o eco que bate no vácuo da razão brancopofágica faz da informação um cancro sem cura e sem cara, mas de corpo sedutor, que transmorfo, ganha a forma amorfa do monstro que segura o chicote a destra do pelourinho do norte.

Como insaciáveis e glutões seres patológicos, nos alimentamos de informações confeccionadas, manufaturadas, remasterizadas e veiculadas no espetáculo exibido nesses jogos vorazes[1] promovidos pela insana sociedade dos poetas assassinados[2]; esses heróis que nunca morreram de overdose[3].

Essa palavra jogada no ar é similar uma peça de xadrez deslocada, que transloucada pela absoluta impossibilidade da fala que não se pode ouvir, nem escutar, mergulha no éter entrópico da esquizofrenia social e na histeria popular do senso comum que acorrenta e escraviza sensos e sentidos; é dessa maneira que Zumbi vive; pois nós somos o sepulcro de Palmares, onde as sepulturas são decoradas com tela plana e horário nobre e o moderno contador de histórias possui uma suave voz monódica, postura robótica, e veste terno e gravata, como qualquer pastor, político ou Pretor[4].


[1] Referência ao filme de ficção científica, com o mesmo nome.
[2] Referência ao filme e livre “Sociedade dos poetas mortos”.
[3] Referência a música dos anos 80 cantada pelo cantor Cazuza.
[4] Magistrado da antiga Roma encarregado da administração da justiça.

A Simplicidade do Complexo: Do Abstrato Concreto ao Subjetivo Composto


A academia como agente ativo do capitalismo cognitivo, determina e oficializa o divórcio do Ser, dito humano, com a Natureza. Divórcio este, proposto por Aristóteles, a partir do momento em que Alexandre[1] lhe franqueou a maior biblioteca do mundo[2], fazendo com que a Grécia se tornasse a maior plagiadora e detentora do saber humano; saber este, recodificado e intitulado como saber universal, após um perverso processo epistemicida.

A exotopia[3], nome dado ao processo de separação do homem com a natureza, que a fim de estuda-la, dominá-la e controla-la a seu bel prazer; inaugurou a hierarquia vertical, onde a razão e a Emoção ocuparam espaços numa respectiva relação subalterna; relação esta que estabeleceu um padrão racial de trabalho, de salários, cultural, de produção de conhecimento, estético, etc. Uma relação que foi imposta através da violência colonial.

Autores europoides, que se outorgaram o título de pensadores, viabilizaram o processo dicotômico entre a inteligência e a Sabedoria; fazendo da informação uma intrincada moeda de acesso ao conhecimento. Sendo assim, a Sabedoria e o conhecimento tomaram rumos distintos na história, na cultura e na sociedade.

Desde que a simplicidade dessas relações, entre o mundo visível e o mundo invisível, se transformou em bula, após ser compartimentado e colocado em tubos de ensaios taxionômicos, expostos em escaninhos e registrados em currículos com VALOR COMERCIAL, depois de ter sido pesado e acondicionado pela academia, coube a essa mesma academia, a função e a primazia de oficializar e legitimar o padrão racial da produção de conhecimento proposta por Aristóteles.

Dessa maneira, o ser chamado humano e a Natureza, que harmonizava o que se via e o que não se enxergava como algo concreto, teve o seu mundo invisível expulso do mundo visível através do materialismo histórico e do positivismo, concretando e sepultando a emoção, em detrimento de uma razão europoide recodificada para tanto.

Hoje, o gongorismo acadêmico comanda o ritual ancestral, usando o expediente camuflante de camadas sobrepostas de discursos coloniais colonizantes, embrulhados como limites entre-mundos e mapas, transportados por uma frota de cavalos de Troia[4]. Eis o sistema educacional do mundo moderno colonial, expresso pela modernidade dos Tempos Modernos[5].


[1] Alexandre, o grande.
[2] A biblioteca do Egito.
[3] Encontrar-se fora.
[4] Trocadilho do vírus de computador com o conto grego, referindo a um espaço-tempo sócio Histórico ético-recorrente.
[5] Alusão ao filme de Charles Chaplin.

terça-feira, 13 de março de 2018

WakandÁfricA


Numa distância profunda, aonde a vista se perde no tempo, bem lá, ao longe, nos confins do horizonte, em meio às névoas, gaivotas, pelicanos e albatrozes; eis que surge uma mancha que marcha em direção a um inexistente cais.

Na medida em que se aproxima trazida pelo vento norte, a definição de sua forma disforme vai chegando ao olhar que atento está a lhe observar, trazendo junto aos ouvidos, dolorosos gemidos de sofrimento e mau agouro que se fundem e se confundem com o impiedoso açoite das ondas do mar azul contra o rígido casco daquele estranho monstro marinho; a princípio uma mancha amorfa que traz em sua cabeça altiva uma bandeira branca, e sua barriga faminta preenchida com alimentos quase vivos; uma carga Negra; uma carga de mortos-vivos recém-devorados; uma carga comprimida de almas deprimidas.

Mas ao aportar no porto-fantasma, com o mostro a vomitar essa carga; descobriu-se nesse desembarcar que essa era uma carga viva. Sim, mas era uma carga viva de história, de geografias, filosofias, matemática e geometrias, num eterno regurgitar de tesouros sem fim.

Aquela mancha na verdade, era um cofre-tumbeiro, uma Arca-Sepulcrário, um navio negreiro que ancorava sem carnaval, sem samba, nem canavial; não houve cerimônias, discursos, nem estouro de champanhes importada; e foi justamente aqui, que essa carga de saberes e sabedoria, construiu N’gola Janga; nossa Pequena África, bem aqui no Rio de Janeiro; esse lugar onde coube um continente inteiro e que hoje vem se mostrar por inteiro, mesmo que suas ruas tenham nomes de carcereiros, carrascos, carniceiros e até de padre aventureiro, a fim de esconder os 70 tons de preto que reluz o ano inteiro, nesse Rio de Fevereiro que faz ressoar Tambores Laicos do Estado arcaico dos tempos de Wakanda, fazendo crescer a Pequena África que já não cabe mais em si, como a nota de um acorde que ecoa no coração e nas mentes de pele preta, quase-preta e quase-branca, nesse lugar onde tudo que reluz é ouro e tudo que se se planta, dá.

WankandÁfrica do Rio solto e faceiro, que não se deixa enganar pelo empreiteiro trambiqueiro que derruba a casa do mico-leão-dourado, comprando senaDOR e dePUTAdo o ano inteiro nesse mercado infame que mancha o horizonte de forma atroz, agora sem pelicano, gaivotas, ou albatroz.



segunda-feira, 5 de março de 2018

O pão nosso de cada dia que nos dai hoje...

Enquanto as cebolas são cortadas durante o matinal Banquete[2] dos comensais, os ouvidos de ébano ficam atentos às palavras que são engolidas a seco, diante das manchetes sangrentas escritas nas horas do dia de todos os meses passado a gosto, enquanto são servidas, acompanhando o vinho[3] transformado pela lagrimosa[4] água, vertida da íris chorosa. Água esta que rega de vermelho a sobremesa, servida após esse acebolado prato frio posicionado à destra da mesa desse banquete, que temperam as palavras que descem pela garganta adentro, enquanto sorvidas num único movimento, numa torrente de Ritmo e Poesia[5] cruenta refletida sobre a face de quem tenta evitar a fúria do fascista esfolador das verdades envolvidas com as cores de ébano formadoras do mundo.

Esse prato servido frio, num inverno de 40 graus positivos, durante o moto perpétuo dos sete dias da festa aonde se entoa o canto; esse lamento que surfa nas ondas do rádio do senso comum; alimentam os corpos de ébano, que ouvem chegar como notícia, às estatísticas desse nefasto massacre White na sala de classe que é esse mundo que ensina a anatomia preta como currículo Black.

O canto silenciado pelos tambores laicos reverberam nos ouvidos White, anunciando o desafio dos urbanos Hércules de ébano ao provocar intenso eco no fundo de suas almas, levando-a a vibrar involuntariamente ao mesmo tempo em que o fazem sair do profundo estado de animália, ao fazê-lo sentir o peso da culpa encravada no cerne do de seu ser, impedindo-o de renascer, na medida em entorpece e anoitece o espírito White, criando um permanente eclipse mental que separam provisoriamente a rigidez da razoabilidade das sutilezas da sensibilidade.

O sumo das cebolas que esparge sobre os olhos e a visão de quem escuta a voz do silêncio nas entrelinhas das verdades manufaturadas, inundam as águas da cachoeira que batizam a vida renascida no ébano humanizador vivida no Orbi, assim como o suco, essas mesmas cebolas que temperam as lágrimas da vida vivida no repto humano de ser, provocam nosso dilúvio de cada dia que impiedosamente mata a humanidade do ser que tem suas profundas certezas e irremovíveis convicções servidas como repasto no fundo desse prato frio da vingança étnico hierárquica, nesse irascível Banquete Racial no processo de implantação da Democracia White. Tais cebolas, assim como as leis, são servidas em camadas de peles coloridas de eternos privilégios e suplícios sem fim, durante esse banquete antropofágico oferecido aos abutres de Prometeu.

Todos os lados desse canto, geográfico ou entoado entre solstícios e equinócios, que chegam aos olhos e ouvidos através das páginas desse livro grafado pela natureza que grita as palavras tocadas pelos tambores laicos, é o que fundamenta e formata o menor dos maiores seres viventes, coercitivamente convidados, para esse Banquete dos comensais da mente coletiva.

Os lados dos cantos que vibram nessas imagens geométricas que são transmitidas on-line aos cérebros que se alimentam das verdades sólidas forjadas por um veredito manufaturado, são os elos-matrizes das certezas que acorrentam a razão e a emoção, nesse repasto preparado com os sólidos roubados por Platão, para saciar as hienas que degustam os restos deixados por esse Leão, que tenta em vão entoar os cantos de redenção.

Dessa forma, nesse Banquete, onde as Cebolas são envolvidas com as camadas lacrimosas dos sólidos geométricos, é possível sentir quando a vibração do canto Bantu, cercado pelo senso White, reverbera no universo profundo da esquelética alma infinita que se alimenta exclusivamente nos restaurantes da indústria White-laico-religiosa, enquanto as luzes artificiais das cátedras medievais refletem a contemporaneidade com as matizes de uma mono diversidade que solta o aroma ocre da fragrância da carne queimada; a carne mais cara do planeta; a carne preta. Cheiro este que paira no ar urbano, fazendo tremular a bandeira pirata que se aproxima anunciando a liberdade de uma igualdade equânime; liberdade esta, que se conquista ao toque do tambor que acompanha os cantos bantos da morte que revive a humanidade e impede o medo das coisas erradas. Oremos então pelo alimento vivo que nos dai hoje, servidos nesse banquete brancopofágico no velório urbano de todos os dias; Ave Verun Corpus...




[1] Alusão ao músico e compositor negro W. Amadeus Mozart
[2] Referência ao Banquete de Platão e do Filósofo Plutarco
[3] Referência ao milagre bíblico realizado por Jesus.
[4] Referência a uma das composições de W. Amadeus Mozart
[5] Referência ao estilo musical cantado de Poesias cantadas em Ritmos conhecida como Rap (Ritms And Poesis).

sexta-feira, 2 de março de 2018

As Eleições 2018 e a Perpetuação da Escravização dos descendentes dos Povos Africanos escravizados no Brasil


São gritantes as características da População leucodérmica como xenófoba e as do Povo melanodérmico como xenófilo. Com essas características marcantes, ambos os grupos trazem fatos impressos em sua linha histórica do tempo, que consagraram sua ascensão e queda, com muitas glórias e desgraças que determinaram seu céu e seu inferno, ao fabricar com tais linhas, manufaturando nas entrelinhas, seus próprios deuses e demônios, com os quais teceram as indumentárias que hoje trajam para realizar o show nesse grande palco que é a vida.

Enquanto um abre os braços recebendo o outro num fraterno abraço, o outro perversamente o esfaqueia de diferentes formas e maneiras premeditadas, durante o espetáculo desse jogo de vida e de morte entre a Senzala e a Casagrande.

Não é sem motivos que na maquiavélica e consagrada expressão até tu Brutus poderia resumir com espantosa exatidão a política dessa relação diplomática do europoide, até mesmo para com seu próprio grupo e cúmplices. Essa política de Estado xenofóbico se mostra tão conveniente e fácil que até mesmo uma considerável proporção do Povo melanodérmico a tem adotado como forma de se aproximar do poder, mesmo que de forma satélite. Dessa maneira, o famoso Abraço Negro tem se tornado um raro espaço de relação até mesmo entre nosso próprio Povo Preto.

Desse modo, a Senzala tem resistido em se transformar em Quilombo, em consequência da xenofobia disseminada entre os elos das correntes mentais que apertam o coração Preto em seu peito, fazendo dele seu próprio inimigo, quando rechaça seus iguais, abraçando seus adversários leucodérmicos num átimo anterior a inevitável facada nas costas, como naquele famoso abraço da serpente atacando sua presa, assim que ele, o ser negro, tenta sentar-se a destra do império que contra-ataca com o sorriso da hiena estampado no diplomático rosto de amigo da onça.

Abraçar o novo que adentra a senzala, e em contrapartida fornicar os que residem no mocambo, tem sido uma prática controversa e avassaladora nas tramas tecida nas entrelinhas do tempo histórico contemporâneo melanodérmico. Esse modelo político, assinado por famosos designe como Willian Lynch, Rei Leopoldo II, Césari Lombroso, dentre outros, tem dado o tom nessa passarela que exibe a estética de sofrimentos e sentimentos controversos, no eterno desfile dessa cultura monorracial que fora cooptada e resignificada, sem jamais ser recontextualizada.

Portanto, retomar o fio da meada dessa história cortada e recortada, para dar sentido ao atual tecido social, faz-se necessária e urgente uma intervenção legitima nesse Estado terrorista que a senzala testifica, como uma das alternativas possíveis de fazer a vida voltar a fluir com a dignidade devida a quaisquer seres humanos que se destaque por sua humanidade e não pelo abraço do amigo urso, com sorriso hiena e lágrimas de crocodilo que antecede o bote de cobra coral do europoide que sempre aparece com a cara estampada, veiculados pelos meios de comunicação; principalmente durante os processos de pleito eleitoral; gastando rios de dinheiro, para mostrar que isso é normal no ser político em estado in natural.

Assim se sustenta a supremacia branca originada de um punhado de europoides e mantida por asseclas e cúmplices melanodérmicos durante tais pleitos que tem servido para que o mercado infame tenha sua continuidade, uma vez se travestindo com tais sorrisos que escondem o carrasco portador do chicote contemporâneo do corpo e do espírito preto. 

O sorriso do carrasco que se diverte, e sente um inenarrável prazer com o sangue vermelho que esguicha sobre a pele preta, se tornou um fetiche europoide e uma patológica atração no espetáculo do pão e circo das raças que se entrelaçam nessa orgia de políticos com a política que rege a xenofilia e xenofobia.

Enquanto esse abraço branco se resumir a política dos tapinhas nas costas como preliminares do pré coito eleitoral, essa orgia dos poderes continuará a manter o palácio presidencial como casa de tolerância, no sentido próprio da palavra; e como diria o pensador, os fudidos estão a solta; e eles têm cor, RG e CPF; são seres satélites e periféricos, sem autoconsciência de si nesse nefasto processo comandado pela infâmia europoide. 

Participar desse processo é uma escolha individual, da mesma forma que muda-lo deve ser uma decisão coletiva. E isso só pode ser possível com um grande abraço coletivo na fraternidade preta que exclui peremptoriamente a xenofobia leucodérmica entre seus iguais.