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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Na Ginga Vadia da Capoeira Faceira, Minha Homenagem aos Irmãos Mestres da Ladeira...


Meu remédio é Capoeira; foi nela que joguei os contratos de medos fora, sem me importar com os hipotéticos tombos nas ladeira. Restaram os diálogos do corpo com alma a desatar todos os nós distópicos confeccionados por essa democracia, que nada mais é do que uma concha vazia, permitindo a vida tornar a fluir através da corda entrópica em torno do pescoço dessa alma em forma de telescópio.

Mesmo que hoje existam muitos “lutadores” de capoeira, assim como existem os profissionais da capoeira, que ensinam como esporte está Arte Marcial brasileira que se tornou exótica de todas as maneiras, mesmo sem o fundamento da brincadeira séria daquela sobrevivência em meio a escuridão da alma humana, predadora de sua própria espécie.

Hoje, o cordel que servia para segurar o abadá de outrora, serve de ganha pão para uns, educação para outros e de verdades para alguns. Da mesma forma que cultura negra foi dialogicamente transformada e assimilada, a Capoeira teve sua direção e objetivo transformados em atração e diversão, para aquele praticante que se esqueceu dos valores ancestrais da circularidade, oralidade, coletividade, religiosidade e da força vital que fazem da Capoeira uma Arte Marcial.

Desde que os Mestres cariocas inventaram os cordéis e as suas cores indicando graus de hierarquia, formando a seguir os mestres baianos que vieram aqui para se graduar, o caminho da Capoeira se perdeu na própria poeira que encobria o mato ralo no caminho do opressor. Agora o que observamos além de um promissor mercado, é a democracia de um diálogo monológico entre indivíduos que se movimentam no mundo corpóreo somente; mundo este constituído de campeonatos, certificados e diplomas meritocráticos.

Onde está o canto bantu dessa ginga bélica, silenciado nessa roda feita após uma balada perdida na frenética noite carioca, sustentada por energéticos e cosméticos, revelando a estética patética de uma zona sul sem ritmo nem rima, onde o indivíduo se tornar só mais um acrobata bronzeado já não basta...Já que a mandinga não está no salto alto, mas sim no diálogo, do corpo e da alma, nos planos visíveis e invisíveis. Yê Capoeira...

sábado, 15 de dezembro de 2018

A Patologia e as Consequências Dialógicas do Racismo Sistêmico


A escola ensina o aluno a ter medo das regras; a igreja ensina o fiel a ter medo do inferno; a polícia ensina o cidadão de cor a ter medo do Estado; a lei ensina os desamparados a ter medo da justiça; o Estado intimida o cidadão coagindo-o com impostos aviltantes, em nome de uma pseudo segurança que jamais lhe contemplou.

Vivemos a cultura do medo que foi sendo progressivamente banalizada pelos atores que aceitam o seu papel social, na medida em que assinavam esse contrato de medo diante do terrorismo Estatal impetrado como lei.

Dessa forma, a polícia se tornou a sombra da pessoa da cor de uma noite sem lua, fazendo essa mesma pessoa melanodérmica temer sua própria sombra e banalizar esse medo que alimenta a elite que o Estado representa. Aonde quer que a pessoa preta vá, as forças de segurança estão ali para intimidar, humilhar, torturar e assassinar, contando com o apoio de um Estado genocida, de política eugenista e de uma sociedade hipócrita e marxista.

Dessa forma, a pessoa de pele negra, aprendeu a ter medo, e também aprendeu a odiar o preto e a ser preto como pessoa, gênero e raça, naturalizando, dessa maneira, a violência contra seus próprios pares, aos quais ele não criou qualquer vínculo, relação ou identificação étnica; ao contrário dos indígenas, dos judeus ou dos ciganos, nós pretos nos desconhecemos como povo. Ou seja, somos a maioria diante de uma população branca que somam 10% de indivíduos no planeta terra, mas ditam os destinos macabros desse mesmo planeta.

Sendo assim, nosso governo é o medo, pois dessa forma fomos treinados e adestrados, transformados, de grande massa preta, em gado de tração, através da sedução da religião e de uma lei que existe para impedir a equidade. Dessa maneira, as instituições criadas a partir da colonização, estrutura a legitima a neocolonização que fundamenta nossa modernidade escravagista.

Nesse contexto pós moderno, onde, paradoxalmente, alguns apelam para que ninguém solte a mão de ninguém olvidando que as mãos ainda nem foram dadas. Portanto, enquanto vivermos as contradição do apartheid racial discursando apaixonadamente sobre humanidade, não teremos a capacidade da digressão, da alteridade e da resiliência. Apenas continuaremos a destilar nosso medo em forma de raiva, revoltas e fobias permitidos pelos editorias diuturnos emitidos como folhetim por essa mídia que sustenta a marca racial, da mesma forma que classificam as raças de canídeos legitimando-os como vira-latas ou de pedigree. 

Enquanto esse processo se desenvolve, nós pretos, passamos o tempo a nos atacar para defender e disputar os descarnados ossos das cotas e das Ações chamadas Afirmativas que nossos colonizadores generosamente nos permitiram desenvolver, para nos dar a falsa sensação de protagonismo, e acalmar as sinapses que acaso insistirem em se formar fora da caixinha acadêmica, religiosa e científica, permitida pela cultura dominante.

Nossa cultura, que deveria funcionar como anticorpos, foi sequestrada e manipulada a fim de servir aos europoides, que a homogeneizou de acordo com seus caprichos e interesses mais escusos. Daí observamos a necessidade dos hospícios, orfanatos e asilos que grassam e acolhem essa modernidade esquizofrênica, nos transformando em escravos e pacientes dessa sociedade sanatório a qual fomos impelidos a ingressar, mediante aos sedutores contratos sociais assinados, que instituem o medo como senhor absoluto de nossas ações.

Dessa forma, nosso livre arbítrio torna-se inexistente e nossa liberdade fictícia, enquanto vivemos nesse cativeiro onde as grades são feitas de sedução, anunciando o canto da sereia Medusa, essa garota-propaganda Musa do capitalismo antropofágico europoide. Dessa forma, esse espelho social, em vez de cidadãos plenos, nos transformam em meros e esquecidos pacientes esquizofrênicos, hipocondríacos e com a Síndrome de Münchhausen nesse grande sanatório social.

Anunciar e denunciar esse mórbido contexto, já se tornou lugar comum na rotina dos rodapés dos jornalecos, jornalões e programas de auditórios, além dos noticiários diuturnos e das manchetes cotidianas, a partir desse lugar onde nos alimentamos e fazemos de latrina, esquecendo da higiene matinal de todos os dias que se repetem jorrando o sangue dos órgãos internos expostos pela espada da justiça branca.

Essa espada de dois gumes, que proporciona democraticamente a experiência do corte duplo, individualizado pelo egoísmo e pela usura da filosofia de condomínio e de umbigos; filosofia que faz desse umbigo o lugar aonde jaz a dor mais profunda, já este umbigo é o umbigo do mundo. Este mesmo lugar onde nasceu e onde habita nosso cordão umbilical, como ponto principal de nossa existência física e existencial. Nosso lugar de fala, já que é a fala que faz o passado existir e formata o devir, dando sentido ao presente que ainda está ausente.

Cuidar de nossa fala, sem esquecer nosso umbigo, cuidando também do silêncio, é um paradoxo necessário a maturidade de nossa existência. Essa é a terapia necessária aquele que não procura a cura fora de si, já que essa cura não existe fora do umbigo coletivo; somente semelhantes curam semelhantes.

O paradoxo da saúde que não surge da saúde, mais sim, da doença faz parte da lei natural da via láctea. Eis uma dádiva que precisa ser reconhecida, a fim de que sejamos alegres na alegria, e mais alegres ainda na tristeza. Pois nestas paragens, não há cura se não existir a doença. O amargo e o doce fazem parte do cardápio da vida plena, já que ela, a vida plena, não cabem mais em si, e vai além de si mesma. Esta é a função do livre arbítrio que faz do planeta terra o único qualificado tal. Vivamos e façamos dele, o livre arbítrio, uma função qualificada de fato.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Liberta quae sera tamem

Tudo aquilo que atenta contra o nosso livre arbítrio, em qualquer parte da Via Láctea, nos coloca na condição de escravizado. Para deixar de ser escravo e poder exercer nosso livre arbítrio, é necessário revogar todos os contratos de dominação e controle, suas premissas e regras que determinam a nossa qualidade de vida.

É preciso revogar todos os contratos com a mídia e suas representações, além de todo e quaisquer sistemas de controle, como os contratos bancários, criados pelas famílias de banqueiros, em todas as suas linhas do tempo, e os seus pseudos privilégios.

Já que a liberdade só vem com o exercício do pleno livre arbítrio, se faz necessário também revogar todo contrato com o Estado, seu governo e seus edifícios. É preciso efetivamente remover todos os contratos para uma equidade de fato.

Assim como todo o contrato de masculinidade tóxica produzida e reproduzida pela mídia patriarcal e misógina, que criou a perversão e vem acirrando a competição entre gêneros, degradando nossa humanidade; tal como o patriotismo bélico e o amor pela paz armada advinda dos reinados democráticos e ditatoriais. É preciso principalmente revogar os sistemas de crenças, religiosas e culturais, e suas perversões.

Em resumo, este foi o único recado dado por Fanon, após toda a aventura de sua tese abordando a branquitude e a negritude na academia europoide, demostrando a urgência de uma cultura humana, que só é possível sem contratos sociais.

Cabe ao escravizado deter esse alazão-de-Tróia e paralisar esse sedutor jogo de xadrez, estruturados por regras leoninas e feneratícias, que lhe impõe a condição de peão a caminho do sacrifício, através da lógica retórica dos atraentes contratos sociais.

É um processo complexo, já que, aquele que nasce em cativeiro, desconhece a significância e o significado do conceito de liberdade e suas condições, diante da sedução das benesses e privilégios que a descaracterizam e o induzem a esperança de refazer contratos.

Enfim, a prisão sem grades que a elite construiu através do sistema jurídico e da mídia, proporciona aos cidadãos comuns a sedução perfeita e necessária para defesa e manutenção, com bastante afinco e vigor, de sua condição de escravizado do sistema, cuja força ativa tornou-se o motor que perpetua os caprichos mais mórbidos e inimagináveis dos mais baixos súcubos e íncubos.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O Tempo Subjetivo do Neocolonialismo na Escravidão Moderna

Se a mais longa das estradas também é a estrada mais curta que existe, inferimos nesse caso, que ambas, têm seu início e final exatamente no mesmo ponto. Esse ponto, conceituado como Tempo pelos nossos ancestrais, é um movimento fractal, onde se origina e orbita toda a existência que se multiplica exponencialmente a si em si mesmo, de forma simultânea, paralela e circular, criando camadas espirais, que são levadas por essas nano e hiper estradas que cruzam a superfície dos planetas espalhados na infinidade do universo.

Essas estradas que movimentam o intenso tráfico das arcas com sementes diluvianas, fazem dos planetas uma infinita floresta cósmica, preenchendo esse espaço sideral de Oásis e Édens, com Árvores da Vida tatuadas com Caduceus e Ankhs que indicam os frutos do conhecimento espalhados em cada celeste bosque encontrados nas galáxias e nebulosas.

De um ponto no morro, do alta da minha favela, pode-se observar em cada caminho; desses caminhos que levava e trazia histórias proseada em cada lar ao longo dessas belas estradas; a fatalidade da trágica trombada com a modernidade arrojada, que desaloja, a cada alqueire, uma porção de árvores que cedem suas vidas para dar lugar a pelourinhos e trono-escritório que empalham a história e toda a sua memória, acondicionando a vida nos paradoxais Museus da Liberdade e Escravidão.

Das melódicas e meditativas carroças até os carros velozes e furiosos, essa modernidade ocupou todos os espaços entre o ir e o vir, obrigando até mesmo a esses intrépidos veículos a andarem de marcha-a-ré por um pedaço de meia estrada ainda existente, mesmo retornando sem voltar no tempo espaço lento de outrora, esse processo nos aprisionou a linearidade de Cronos, nos fazendo seguir a Ordem e o Progresso estabelecido por Caos e comandado por Komo, sem ter ponto de chegada ou de partida, fazendo a gente se perder nesse labirinto criado por nós mesmo durante o processo da caminhada acolhida na estrada escolhida; Ecce Homo Sapiens...!!

As encruzilhadas que que se apresentam entre o sol e a lua diuturna, exibe escolhas, enquanto mostra as consequências, exige também as tomadas de decisões durante esses sedutores jogos realizados nas arenas romanas na estrada do neocolonialismo, em seus fatídicos campeonatos que promovem confrontos meritocrático tragicômicos entre cidadãos-pacientes em coma. Campeonatos que são realizados meramente para agradar o fino paladar antropofágico dessa sanguinária elite predadora e nefasta.

Dessa forma, a modernidade tem nos transformado em canibais e atrações principais para o deleite dessa elite que, como príncipes reais, vêm montados em seus sedutores Alazões-de-Troia, confundindo crinas e cabelos lisos, além dos olhos azuis, trazendo o vírus que transformam pessoas livres em impávidos vassalos voluntários, orgulhosos do lugar que ocupam na perpetuação e banalização do mal. E assim caminha a desumanidade nessa estrada cercada de mausoléus assombrados pela própria sombra, formatando essa sociedade-cemitério que reedita Casagrande e Senzala acumulando corpos negros na vala comum da inconsciência cultural eurocêntrica.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

As Cotas Para Negros e os Valores Civilizatórios da Educação Colonial


O sistema que hoje governa o mundo, fez do discurso a sua arma mais eficaz, para uma completa dominação e controle absoluto do pseudo cidadão, já que essa homilia extremamente sedutora tem o objetivo de convencer o indivíduo a se tornar um escravo voluntário e defender de forma tenaz e aguerrida o seu escravizador de estimação.


Essa preleção se tornou sacralizada a partir da narrativa proferida como divina, saída da boca de uma serpente que gozava voluptuosamente o Paraíso criado por um homem branco, barbudo, da terceira idade, seminu e europeu, que, após ser patenteado por uma religião, passou a ser a imagem referência de mais Deus, entre os inúmeros deuses existentes nas culturas ao redor do mundo.

A partir desse processo de colonização mental, a história do Povo melanodérmico foi interrompida, seus livros foram reescritos e toda a sua cultura ganhou uma pretensiosa e perniciosa versão europoide. Esse processo fez com que a palavra liberdade ganhasse um novo sinônimo, assim como toda a forma de compreender e de ler o mundo; já que a alfabetização colonial eurocêntrica compôs e impôs um novo mantra; um mantra onde a liberdade transformou-se em estoicismo e corporatividade virou sinônimo de formação de quadrilha. Desde então, os Valores Civilizatórios Africanos se perderam nas trilhas do capitalismo antropofágico europoide.

A Corporatividade, assim como a Ancestralidade, Ludicidade, Religiosidade, o Princípio Vital, Memória, Musicalidade, Corporeidade, Oralidade e Circularidade, que fazem parte desses Valores Civilizatórios Africanos que atuam como sustentáculos da filosofia Ubuntu, se enquadraram na linha de produção dos europoides, levando seus praticantes tratar tais princípios como mais um produto no mercado do bem viver. Tais preceitos que deveriam ser aplicados ao Ser como sujeito humano, tem se resumido a uma corporatividade com requinte empresarial, uma vez que é dirigido a um grupo classificado e especificado como escolhido e beneficiário.

Foi dessa forma que a Cultura negra hoje se metamorfoseou em proxoneta entre a eugenia e a gentrificação, ganhando lentes de contato azuis e lunetas europoides, numa versão neo-greco-romana que chegou a turgescência no instante em que inoculou seu Cavalo de Tróia nas entranhas da inconsciência negra. Dessa maneira, o negro age de acordo com a visão e os princípios europoides arraigados em sua mente colonizada, ao exibir em forma de certificados e diplomas o seu desempenho robótico como boneco de ventríloquo, sem se dar conta que suas ações, assinadas como carta branca pela caneta do doutor, são como os açoites do chicote do feitor. Isso levou a uma parcela considerável de negros a acreditarem e defenderem 20% de cotas como condição de inserção de pretos nessa sociedade monorracial, virando as costas para 80% de futuros descamisados e pés descalços, desamparados e feridos pela justiça, classificando eufemisticamente esse ato como conquista.

Esse estrago feito pela educação eugênica tupiniquim entranhou no DNA melanodérmico, fazendo com que o silêncio acerca desse assunto retumbe no campo de batalha acadêmico, onde as mortes, a tortura, o genocídio e o racismo rende dividendos a seus comentadores e comentaristas, visto que os mesmos ganham um salário considerável para se portar como se estivessem narrando um espetáculo de atrocidades promovidos diuturnamente pelo Estado nas arenas romanas contemporâneas.

Assistimos a esse espetáculo das raças e dos horrores, assimilando suas regras, leis, tratados e regimentos de mão única, acreditando que as instituições, que são uni-étnica, são justas, e estão ali, em prol do cidadão e da cidadania. O preto só não percebeu ainda que ele não foi integrado a sociedade, e portanto, não participa desse estado de direito e de justiça. Mas ele acredita no discurso, e luta tenazmente lado a lado com os fiéis de Marx e seus derivados. Colonizado seus olhos e ouvidos, o discurso se repete em sua boca, como o canto do papagaio maltês que dá voltas em torno de si, como um cão correndo atrás do próprio rabo. 

Dessa maneira, ele fala com empolgada autoridade sobre cotas e se furta de falar sobre o processo de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no brasil. Mas o discurso do “somos todos humanos” tem a mesma força das Notícias Falsas que estão levando o Brasil de volta a idade média e a inquisição político-religiosa, fazendo muito mais vítimas do que todas as guerras contemporâneas. 

Portanto, a luta pela exclusão de 80% da população preta que ganhou a alcunha de Cotas que irão privilegiar 20% dessa mesma população, beirando as raias da ingenuidade, dá todo o sentido a esse belo discurso envernizado e adornado por gongorismos acadêmicos, transmitido pelos meios de Comunicação e Informação patrocinado pelo Grande Irmão que faz com que se ame aquele que oprime e odeie aquele que é oprimido.


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Quando Novembro Chega a Cor da Cidade Muda: A Cor Dessa Cidade Sou Eu...




Ficar alegre quando se está alegre e mais alegre ainda quando se está triste, é a deliciosa receita do poeta para se caminhar tranquilamente pelas ruas tortas dessa urbe formatada por uma sociedade enviesada que prega a vida estoica[1] para os outros e pratica o epicurismo[2] para si própria.

Para se permanecer alegre na alegria, é necessário que a pessoa de pele preta primeiro faça um trato com seu próprio corpo, no sentido de cuidarem um do outro, para que possa haver um equilíbrio entre o que se almeja fazer, o que é precisa fazer e o que é necessário fazer, mesmo em face de uma súmula 70[3], de um excludente de ilicitude[4] ou de um auto de resistência[5].

Essa cidade, formatada por cidadãos de bem que instituem a sociedade enviesada por ideologias perversas e excludentes, precisa daquele gestor que tenha percorrido a jornada do herói[6], para que possa auxiliar na retirada da Excalibur[7] fixada no coração de pedra da pessoa desumana e da pessoa desumanizada, para que a luz necessária surgida desse ato, possa adentrar no orifício aberto por essa mesma espada, permitindo enfim, desencadear o processo de cura, ao dissipar a escuridão reinante nesse universo interior, revelando então, que, tudo o que está dentro também está fora, e tudo que está acima também está abaixo.

Nesse processo onde a pele veste e a verdade despe, em nome da tradição e dos bons costumes, a mentira se sente envergonhada diante dessa lúcida nudez, e acaba por se esconder nas vistosas e ornamentadas passarelas iluminadas pelas brancas luzes da hipocrisia, se travestindo com as sedutoras vestes de uma beleza fugaz, efêmera, reciclada e renovadas ad eternun pelo carnaval do autoelogio. Fazendo-nos esquecer de que quando se elogia o outro, elogia-se a si mesmo, mas quando se adota o autoelogia como norte, o cidadão de bem acaba por instaurar nesse momento, o self de Sísifu[8], num permanente processo de Seppuku[9] como pseudo política de seu bom viver.

Portando, as espadas homicidas que diuturnamente são cravadas nos ventres de pretas e pretos alijados e exilados do urbe et orbe, torna-se xifópaga a espada cravada no coração da rocha metonímica transfixada em seu peito; a diferença entre ambas é que a primeira espada se direciona ao ventre do outro, enquanto a segunda espada é cravada no próprio corpo, que necessita reumanizar-se para curar a ferida aberta, nessa alma colorida por mais de 70 tons de preto[10].

Porque assim é...!!




[1] Este pensamento filosófico foi criado por Zenão de Cício, na cidade de Atenas, e defendia que todo o universo seria governado por uma lei natural divina e racional. ... Para a filosofia estoica, a paixão é considerada sempre má, e as emoções um vício da alma, seja o ódio, o amor ou a piedade.

[2] Doutrina do filósofo grego Epicuro (341-270 a.C.) e seus epígonos, caracterizada por uma concepção atomista e materialista da natureza, pela busca da indiferença diante da morte e uma ética que identifica o bem aos prazeres comedidos e espirituais, que, por passarem pelo crivo da reflexão, seriam impermeáveis ao sofrimento incluído nas paixões humanas. Por extensão o modo de viver, de agir, de quem só busca o prazer; sensualidade, luxúria

[3] Esta Lei isenta o agente público (policial) de qualquer testemunha para efetuar a prisão de quaisquer suspeitos. Sendo assim, na prática o policial torna-se juiz e executor, não cabendo qualquer recurso a respeito; vide o caso Rafael Braga.

[4] O policial QUE MATAR EM SERVIÇO NÃO PODERÁ SER INVESTIGADO. Ou seja, o Estado dá licença ao policial para matar. Na prática, a polícia militar se oficializa como esquadrão da morte.

[5] Recorrendo a essa regra que isenta o policial de quaisquer responsabilidades pelas mortes de quaisquer suspeitos; pelo simples fato do mesmo afirmar que o suspeito foi morto por resistir a abordagem; o Estado dá licença ao mesmo de nunca fazer prisioneiros; fato este que não ocorre nem em estado de guerra.

[6] Referência ao conceito de monomito, de Joseph Campbell.

[7] Referência a lendária espada do rei Arthur.
[8] Vide “o mito de Sísifo”.
[9] “Cortar o ventre”; conhecido no ocidente como haraquiri. Ritual de suicídio reservado a classe de guerreiros japoneses.
[10] Referência ao Colorismo.


terça-feira, 16 de outubro de 2018

Professores: Os Verbos, predicados e sujeito da palavra falada

Os dias vividos, uma vez transformados, como os números que dão linearidade as páginas de um livro autobiográfico que se pode desfolhar ou ocultar; quando expostos nas intocadas estantes das bibliotecas públicas ou publicamente escondidos nos escaninhos acadêmicos virtuais da vida fatiada pelos lattes formatadores de estigmas e estereótipos; tais dias são contidos e acondicionados no invisíveis registros akáshicos dos compartimentos corpóreos. E esse corpo fala e grita para os mundos entrelaçados por intercessões de mundos paralelos, simultâneos e circulares.

O corpo, sendo uma história on-line; é a tela onde a memória imprime e reimprime a própria história, cujos   discursos são elaborados e proferidas pelas palavras que dão vida ao passado; enquanto no presente, ela, essa palavra, tem o poder de cortar como uma afiada navalha, e também pode quebrar muitos ossos. As palavras são como pedras atiradas, que uma vez proferidas, não haverá obstáculo que intercepte seu caminho em direção ao alvo, cujos efeitos são dialéticos, maiêuticos e diatópicos, como as muitas pessoas dentro da própria pessoa.

Dessa forma, os mantras vividos ao som de cada dia que se segue, nas idas e vindas que se circundam num ininterrupto espiral, como um fractal que faz parte da harmonia que compõe o universo atemporal, nos mostrando que tudo o que está acima, é também o que está abaixo, enquanto o que está dentro, é também o que se encontra fora. Portanto, como sujeitos, através do som primordial desse verbo por nós proferido, falamos o futuro, dando sentido ao presente e formato ao passado nas entrelinhas e reticências de nossa incontinente inconsciência, e tudo se faz, porque assim é...



domingo, 7 de outubro de 2018

Sobre as Eleições no Brasil



Quando chega o momento de brincar de eleição nesse parquinho infantil em que se transformou o processo do pleito eleitoral brasileiro, é que se organiza uma uma sutil e estratégica competição promovida pela elite que compõe a situação; mesmo estando na oposição; nesse momento que é necessário parar para repensar e refletir profundamente sobre as sutilezas desse processo, e pensar um pouquinho mais sobre as regras básicas meritocrática que fundamentam essa brincadeira; brincadeira essa que mais parece de um mundialito de futebol.

Nesse caso, vamos então perceber que, este é o momento em que todos torcem para seus partidos-times, e quando esse time-partido vence, quem realmente ganha são os dirigentes e os atletas diretamente envolvidos com esse evento, enquanto os que se digladiaram por eles, sangraram por eles, se mataram e ainda se matam por eles, ficam a ver navios durante os próximos quatro anos vindouros, a fim de participarem de outra competição, para que eles possam repetir de novo, outra vez e novamente outro pleito, e repetir esse estúpido procedimento nas arquibancadas da cidadania. Assim, o processo eleitoral segue o mesmo padrão e o mesmo roteiro, como exatamente tudo que é imposto pela pauta da elite, gerido pelo Estado e mantido pela mídia.

Podemos notar nesse tabuleiro de xadrez a abundância de candidatos de esquerda que disputam entre si mesmo, para disputar contra um candidato de direita; direita que tem como sutil estratégia o enxugamento de seus candidatos, que lhes servem em última instância como pano de fundo e como objetos de mera distração para os eleitores em questão.

A ironia disso tudo é quando justamente aqueles que mais tem certeza de seu voto agem como os mais incisivos dos torcedores futebolísticos, e passam a se engalfinhar numa exacerbada competição pela supremacia desse pleito, portando-se como se estivessem na arquibancada do Nacionalista Futebol Club, pelo fato de personalizar em si as questões públicas refletidas pelo discurso desses indivíduos-atores contratados por partidos-empresas, iniciando dessa maneira, entre si, uma luta de vida ou morte, sem que esses torcedores que se tornam adversários possa atinar que, o que está realmente em jogo, são as suas vidas e seus destinos. 

A mídia faz com que eles assimilem o discurso representativo, se confundindo com o candidato com o melhor e mais bonito desempenho em frente às câmeras das TVs que patrocinam esses mesmos candidatos politicamente corretos. Isto é, essas financiam de forma reptícia esses candidatos que se encontram dentro dos padrões de conveniência e representatividade pré-estabelecidas por esse roteiro, que tem sua pauta determinada pelas seis famílias tradicionais brasileiras que detém toda a riqueza do país.

São esses atores-candidatos padrão, aceitos por este sistema capital de seleção; esse mesmo sistema que foi imposto e induzido a população como sendo legal e de direito; são os únicos que podem fazer parte dessa famigerada competição, para ocupar o posto de intermediário-mor fazendo a relação entre o sistema capital e o público-povo, a fim de manter e justificar o lugar dessa casta escravocrata nacionalista na neocolonialidade e a continuação do espetáculo teatral desse pseudo pleito eleitoral, como se fosse a mais perfeita e moderna versão brasileira da antiga tragédia grega.

Dessa forma, o povo se comportando como público presente numa arena romana, exibindo sua cara fechada, ranger de dentes e os punhos cerrados, mostram sua disposição na defesa dessa democracia como uma opção, um “mais do mesmo”, como se isso significasse realmente uma escolha própria. Portanto, é notória a percepção de que os únicos que acabam não participando efetivamente dessa eleição é justamente o próprio povão, já que a esquerda também faz parte da elite; e a elite odeia o povo; isso é um fato histórico.

Sendo assim, o único caminho viável seria o caminho da transformação desse público em Povo de fato, para que ele finalmente participe de forma efetiva e ativa na vida política do país, e não somente de quatro em quatro anos, sem direitos a interpelar seus “representantes” a qualquer turno. Essa transformação só se dará de forma maiêutica e diatópica e nunca através do Grande Irmão, como tem sido até o momento.
Por conta disso, o Brasil continuará sendo o país das mil e umas contradições, além das doces e suculentas jabuticabas, enquanto o trem da história se descarrilha de sua memória afetiva e as fotos dos candidatos continuarem a ser as mesmas fotos dos procurados pela justiça eleitoral e criminal desse Brasil varonil, que mandam os filhos da pátria para a vala comum e os filhos da madame passear num cruzeiro sob o céu, o sol e o mar de profundo azul anil.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Sobre os princípios da Filosofia e da Pedagogia na Universidade Pan-africana no Brasil

Foi durante o voo que o homem inventou a gaiola. Como resultado dessa intrépida aventura, essa gaiola se transformou, não somente em seu lugar de pouso, mas também em seu lugar de conforto, de fuga e de refúgio. Ou seja, no lugar aonde inexiste o processo de trabalhar as responsabilidades do fazer humano. 

Dessa forma, suas asas se atrofiaram e ele acabou por esquecer-se de que as possuía. Tais asas se encontram hoje limitadas ao DNA de sua memória corporal linear, e constituindo quanticamente sua inconsciência atemporal ilimitada; E essa inconsciência atemporal e ilimitada, foi aprisionada pela linearidade da consciência, que uma vez suprema, se tornou totalitária e absoluta na condução de seu destino, estabelecendo as condições e critérios de definição e discernimento de lucidez. 

As asas da liberdade, hoje inconsciente de si mesma, jaz dormente, esquecida e desdenhada, dando forma as Artes desenhada na geometria dos grafites nos poemas que compõem as letras das canções de liberdade; canções estas que revelam através da dança, a redenção que os corpos na física de seus movimentos celebram, dando asas as quimeras formadoras do folclore dessa comunidade humana, que, de forma pejorativa, se transformou matematicamente, ao se dividir em Tribos, quando escolheram seguir os critérios racionalizados e racializados, estabelecidos pela “lucidez” que, de forma hierárquica, apartou a emotividade da racionalidade.

Dessa maneira, após ter sido invisibilizadas as grades da razão que tecem as linhas da arquitetônica[1] dessa realidade única como uma alternativa sacralizada a ser seguida pelo povo desse lugar, que escolheu cortar as asas da imaginação de sua multidimensionalidade, aprisionando Corpo e Mente, passamos então a cultivar no conforto dessa gaiola, o indizível medo de se afogar no eterno e perene oceano de liberdade e da vida; transformando assim, o começo em fim. Ou seja, de forma totalmente contraditória a razão estabeleceu que o sentido da vida fosse definido pelo medo da morte; dessa forma, o começo passou a ser fim.

Desde então, o medo de deixar essa gaiola se transformou em mote ao ser subsidiado pelas diversas denominações religiosas e doutrinas das mais variadas expertises, além de dar origem a um nicho de mercado, que habilmente trabalham para criar fórmulas e especialidades que trazem significativos lucros aos profissionais e mestres do ramo do bom viver.

Essa indústria do medo, gerada pela personificação da figura da morte como fim de tudo, induzido através da razão, tem sido a base de todos os seus extorsivos lucros, gerando abusivas riquezas para esse mercado infame, que é dirigido e gerenciado por pequenos grupos especialistas em racionalizar e manipular as emoções humana.

Dessa maneira, a alternativa de podar as asas da imaginação explicitamente tem se mostrando através da proibição das Artes nas escolas, quando pedagogicamente essa arte se resume, de forma velada, ao mero processo mecânico de colorir, cortar, colar e afixar nas frias paredes do ambiente escolar, as figuras prontas, a fim de decorar esse espaço ilustrando a nossa infante fome de vida e de liberdade negadas pelo medo cultivado através dos livros didáticos e das Tecnologias de Informação e Comunicação, que calcificam a liberdade do pensar. Sem mencionar as disciplinas compartimentadas, divididas nos escaninhos acadêmicos dos conhecimentos pesados e medidos em sua superfície e profundidade, classificadas segundo seu código de barras de validade transformados em certificados e diplomas que estabelecem, controlam e quantificam o subjetivo do indivíduo.

Portanto, hoje com o nascimento da Lei número 10.639/2003, que busca cumprir a necessidade de formação de uma Universidade Pan-africana, cujo processo foi paradoxalmente gestado num ovo gerado nesse mesmo ninho engaiolado, atendendo ao repto de desafiar nossos medos; medos esses que habilmente tem sido cultivados dentro dessas sedutoras caixinhas construídas pela ciência oficial; convidamos os malungos para dar início a esse novo tempo, suspendendo essa caixa de conhecimentos prontos, deixando de ser Gregor Samsa[2] para se tornar Santos Dumont, a fim de ensaiarmos para a inauguração dos voos mais longos, do voo de liberdade, sem repetir os erros de Ícaro; ouvindo a voz dos ancestrais presentes no indivíduo desde o DNA ao inconsciente coletivo. Dessa forma, declaramos que o Medo, como disciplina obrigatória, optativa ou eletiva, invariavelmente se extingui ao cruzar-se o portal dessa Nova Timbuktu antiga, onde reza a frase similia similibus curantur[3].





[1] Relação do Eu com o outro.
[2] Personagem de Kafka – metamorfose.
[3] Os semelhantes curam-se pelos semelhantes

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Os Valores Civilizatórios Africanos e o Corpo Como Território Multidimensional


Qual seria a relação entre as grades de Alcatraz, da Ilha Grande ou Carandiru; grades estas que presenciaram incontáveis fugas cinematográficas, trazendo em suas barras muitas memórias e inúmeras histórias; para as grades que cercam as praças públicas das cidades grandes brasileira, impedindo o acesso dos sem teto, dos mendigos e dos vadios...!?

Entre os lados de dentro e fora dessas grades que prendem a liberdade e ameaçam o ir e vir dos que se acham livres, vemos o ato de sedução de poder; poder este concedido pela astúcia ao neófito cidadão que almeja o faixa de cidadão de bem e os louros dos aplausos que os fazem sentirem-se amados, mesmo que odiados pela elite que o alimenta com os ódios e os rancores a seus próprios pares.

Assim como essas grades que impedem a muitos de sair e outros tantos de entrar, transformando-a num elemento sem significado, mesmo que significante; é nesse caso, um elemento relativo tornado relevante conforme o contexto em que essa mesma grade é inserida. Sendo assim, quem impede de entrar ou de sair, não é a grade, mas sim, a assinatura de uma pessoa que se outorgou de poderes de prender e de libertar ao bel prazer.

Esse corpo que sofre essa ação, devido os valores elaborados e formulados pela história; história essa que, em última instância se revela como um tratado de mentiras, visto que a mesma é contada pelo dinheiro, constituam os valores civilizatórios europoides que sempre serviram exclusivamente aos próprios europeus, visto que, qualquer território que não houvesse arianos, sempre foram, e são passíveis de invasões, butins, escravizações e pilhagens.

O corpo, como marca racial, tremula como uma flâmula pirata, hora inspirando medo e terror, hora inspirando um sentimento de exotismo e de mistério, resultado dessa história dominante e de sua memória reinante, que fez da Cultura, um complexo bonde de diversos trens, que trazem toda a bagagem da civilização humana; resultando disso um paradoxo; fazendo com que amemos a cultura negra e odiemos o negro.

Esse exótico corpo-capoeira que ginga, samba e jongueia, desde o Lundu ao Tambor de Crioula, em qualquer praça, esquina ou ladeira, mesmo após ter sido transformado em grades que retém e contém a si mesmo, é o mesmo odiado corpo que constrói a mansão do doutor que se diz patrão; é o mesmo corpo que cozinha, que lava e passa a roupa da madame infame que conta cada objeto de valor, toda vez que esse corpo deixa arrumada e perfumada a Casagrande e volta para a fétida favela, cansada e com dor.

Esse Corpo-cultura, Corpo-história, Corpo-cosmológico, foi dividido em três, mas sempre foi um, pois despedaçado pela violência colonial, teve sua unicidade fragmentada, adoecendo com as doenças produzidas pelas masmorras invisíveis desse moderno neo-cativeiro, que eliminando as grades, aprisionou o mental e o psicológico, controlando a memória subjetiva e afetiva do indivíduo.

Dessa forma, o controle do corpo-discurso se transformou num outdoor-móvel que adentra aos territórios proibidos, assim como faziam os grafiteiros das gangues do Bronx ao pintar os trens do metrô que passavam pelos territórios das gangues inimigas exibindo desafiadoramente as suas marcas. Só que a violência colonial transformou esse corpo-discurso num vírus carregado de valores de Troia.

O Corpo-história, Corpo-cultura e Corpo-Memória uma vez despedaçado pela brutal força colonial e pela sedutora força neocolonial, perdeu a sua unicidade Racional-Emotiva, deixando dessa forma, de ser uma vestimenta da alma, para ser um objeto de marketing e fonte de renda para os controladores desse corpo estranho, que fora adulterado. A emoção cedeu assento especial a razão, criando um mercado de consumação mínima, e se transformando num produto com barras de validade e rótulos taxionômicos, geradores de estereótipos, que tornaram esses corpos matáveis e descartáveis, de acordo com esse neo-mercado infame, que seduz com as divinas promessas de um infindável banquete de maná virtual.

Esse corpo perdeu sua unidade ao reservar o coração-emoção para o mundo dos contos folclóricos preservando a mente-razão submetida a sedutora lógica da cidadania virtual vendida diuturnamente pelos telejornais matinais, da mesma forma que as grades da Praça principal impedem o acesso ao chafariz, com a água sagrada da fonte dos desejos, a todos os descamisados e pés-descalço, fazendo com que as grades e as correntes virtuais aprisionem a liberdade de pensamento e do livre pensar.

A alma, uma vez retirada desse corpo, foi transformado num boneco de ventríloquo, e condenada, da mesma forma que a alma do boneco Vodu, que a carrega aonde quer que vá. Os corpos do lado de cá e os corpos do lado de lá dessas grades significantes e significadas, se diferem pela quantificidade da alma que as mesmas carregam; processo esse que completam a trindade do indivíduo como sujeito e como ser humano, com sua cultura, sua história e sua memória.

Essa pessoa, com suas várias pessoas internas, só poderá fazer a sua história de forma literal, deixando de ser refém dessa uma história virtual, e consequentemente se libertando desse presídio democrático social, quando se permitir sair dessa caixa preparada pela ciência oficial e conhecer a verdade que o libertará. Só desse ponto em diante, a sua história ela poderá contar sem nenhum ponto aumentar...