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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Quando Novembro Chega a Cor da Cidade Muda: A Cor Dessa Cidade Sou Eu...




Ficar alegre quando se está alegre e mais alegre ainda quando se está triste, é a deliciosa receita do poeta para se caminhar tranquilamente pelas ruas tortas dessa urbe formatada por uma sociedade enviesada que prega a vida estoica[1] para os outros e pratica o epicurismo[2] para si própria.

Para se permanecer alegre na alegria, é necessário que a pessoa de pele preta primeiro faça um trato com seu próprio corpo, no sentido de cuidarem um do outro, para que possa haver um equilíbrio entre o que se almeja fazer, o que é precisa fazer e o que é necessário fazer, mesmo em face de uma súmula 70[3], de um excludente de ilicitude[4] ou de um auto de resistência[5].

Essa cidade, formatada por cidadãos de bem que instituem a sociedade enviesada por ideologias perversas e excludentes, precisa daquele gestor que tenha percorrido a jornada do herói[6], para que possa auxiliar na retirada da Excalibur[7] fixada no coração de pedra da pessoa desumana e da pessoa desumanizada, para que a luz necessária surgida desse ato, possa adentrar no orifício aberto por essa mesma espada, permitindo enfim, desencadear o processo de cura, ao dissipar a escuridão reinante nesse universo interior, revelando então, que, tudo o que está dentro também está fora, e tudo que está acima também está abaixo.

Nesse processo onde a pele veste e a verdade despe, em nome da tradição e dos bons costumes, a mentira se sente envergonhada diante dessa lúcida nudez, e acaba por se esconder nas vistosas e ornamentadas passarelas iluminadas pelas brancas luzes da hipocrisia, se travestindo com as sedutoras vestes de uma beleza fugaz, efêmera, reciclada e renovadas ad eternun pelo carnaval do autoelogio. Fazendo-nos esquecer de que quando se elogia o outro, elogia-se a si mesmo, mas quando se adota o autoelogia como norte, o cidadão de bem acaba por instaurar nesse momento, o self de Sísifu[8], num permanente processo de Seppuku[9] como pseudo política de seu bom viver.

Portando, as espadas homicidas que diuturnamente são cravadas nos ventres de pretas e pretos alijados e exilados do urbe et orbe, torna-se xifópaga a espada cravada no coração da rocha metonímica transfixada em seu peito; a diferença entre ambas é que a primeira espada se direciona ao ventre do outro, enquanto a segunda espada é cravada no próprio corpo, que necessita reumanizar-se para curar a ferida aberta, nessa alma colorida por mais de 70 tons de preto[10].

Porque assim é...!!




[1] Este pensamento filosófico foi criado por Zenão de Cício, na cidade de Atenas, e defendia que todo o universo seria governado por uma lei natural divina e racional. ... Para a filosofia estoica, a paixão é considerada sempre má, e as emoções um vício da alma, seja o ódio, o amor ou a piedade.

[2] Doutrina do filósofo grego Epicuro (341-270 a.C.) e seus epígonos, caracterizada por uma concepção atomista e materialista da natureza, pela busca da indiferença diante da morte e uma ética que identifica o bem aos prazeres comedidos e espirituais, que, por passarem pelo crivo da reflexão, seriam impermeáveis ao sofrimento incluído nas paixões humanas. Por extensão o modo de viver, de agir, de quem só busca o prazer; sensualidade, luxúria

[3] Esta Lei isenta o agente público (policial) de qualquer testemunha para efetuar a prisão de quaisquer suspeitos. Sendo assim, na prática o policial torna-se juiz e executor, não cabendo qualquer recurso a respeito; vide o caso Rafael Braga.

[4] O policial QUE MATAR EM SERVIÇO NÃO PODERÁ SER INVESTIGADO. Ou seja, o Estado dá licença ao policial para matar. Na prática, a polícia militar se oficializa como esquadrão da morte.

[5] Recorrendo a essa regra que isenta o policial de quaisquer responsabilidades pelas mortes de quaisquer suspeitos; pelo simples fato do mesmo afirmar que o suspeito foi morto por resistir a abordagem; o Estado dá licença ao mesmo de nunca fazer prisioneiros; fato este que não ocorre nem em estado de guerra.

[6] Referência ao conceito de monomito, de Joseph Campbell.

[7] Referência a lendária espada do rei Arthur.
[8] Vide “o mito de Sísifo”.
[9] “Cortar o ventre”; conhecido no ocidente como haraquiri. Ritual de suicídio reservado a classe de guerreiros japoneses.
[10] Referência ao Colorismo.


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