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terça-feira, 13 de novembro de 2018

As Cotas Para Negros e os Valores Civilizatórios da Educação Colonial


O sistema que hoje governa o mundo, fez do discurso a sua arma mais eficaz, para uma completa dominação e controle absoluto do pseudo cidadão, já que essa homilia extremamente sedutora tem o objetivo de convencer o indivíduo a se tornar um escravo voluntário e defender de forma tenaz e aguerrida o seu escravizador de estimação.


Essa preleção se tornou sacralizada a partir da narrativa proferida como divina, saída da boca de uma serpente que gozava voluptuosamente o Paraíso criado por um homem branco, barbudo, da terceira idade, seminu e europeu, que, após ser patenteado por uma religião, passou a ser a imagem referência de mais Deus, entre os inúmeros deuses existentes nas culturas ao redor do mundo.

A partir desse processo de colonização mental, a história do Povo melanodérmico foi interrompida, seus livros foram reescritos e toda a sua cultura ganhou uma pretensiosa e perniciosa versão europoide. Esse processo fez com que a palavra liberdade ganhasse um novo sinônimo, assim como toda a forma de compreender e de ler o mundo; já que a alfabetização colonial eurocêntrica compôs e impôs um novo mantra; um mantra onde a liberdade transformou-se em estoicismo e corporatividade virou sinônimo de formação de quadrilha. Desde então, os Valores Civilizatórios Africanos se perderam nas trilhas do capitalismo antropofágico europoide.

A Corporatividade, assim como a Ancestralidade, Ludicidade, Religiosidade, o Princípio Vital, Memória, Musicalidade, Corporeidade, Oralidade e Circularidade, que fazem parte desses Valores Civilizatórios Africanos que atuam como sustentáculos da filosofia Ubuntu, se enquadraram na linha de produção dos europoides, levando seus praticantes tratar tais princípios como mais um produto no mercado do bem viver. Tais preceitos que deveriam ser aplicados ao Ser como sujeito humano, tem se resumido a uma corporatividade com requinte empresarial, uma vez que é dirigido a um grupo classificado e especificado como escolhido e beneficiário.

Foi dessa forma que a Cultura negra hoje se metamorfoseou em proxoneta entre a eugenia e a gentrificação, ganhando lentes de contato azuis e lunetas europoides, numa versão neo-greco-romana que chegou a turgescência no instante em que inoculou seu Cavalo de Tróia nas entranhas da inconsciência negra. Dessa maneira, o negro age de acordo com a visão e os princípios europoides arraigados em sua mente colonizada, ao exibir em forma de certificados e diplomas o seu desempenho robótico como boneco de ventríloquo, sem se dar conta que suas ações, assinadas como carta branca pela caneta do doutor, são como os açoites do chicote do feitor. Isso levou a uma parcela considerável de negros a acreditarem e defenderem 20% de cotas como condição de inserção de pretos nessa sociedade monorracial, virando as costas para 80% de futuros descamisados e pés descalços, desamparados e feridos pela justiça, classificando eufemisticamente esse ato como conquista.

Esse estrago feito pela educação eugênica tupiniquim entranhou no DNA melanodérmico, fazendo com que o silêncio acerca desse assunto retumbe no campo de batalha acadêmico, onde as mortes, a tortura, o genocídio e o racismo rende dividendos a seus comentadores e comentaristas, visto que os mesmos ganham um salário considerável para se portar como se estivessem narrando um espetáculo de atrocidades promovidos diuturnamente pelo Estado nas arenas romanas contemporâneas.

Assistimos a esse espetáculo das raças e dos horrores, assimilando suas regras, leis, tratados e regimentos de mão única, acreditando que as instituições, que são uni-étnica, são justas, e estão ali, em prol do cidadão e da cidadania. O preto só não percebeu ainda que ele não foi integrado a sociedade, e portanto, não participa desse estado de direito e de justiça. Mas ele acredita no discurso, e luta tenazmente lado a lado com os fiéis de Marx e seus derivados. Colonizado seus olhos e ouvidos, o discurso se repete em sua boca, como o canto do papagaio maltês que dá voltas em torno de si, como um cão correndo atrás do próprio rabo. 

Dessa maneira, ele fala com empolgada autoridade sobre cotas e se furta de falar sobre o processo de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no brasil. Mas o discurso do “somos todos humanos” tem a mesma força das Notícias Falsas que estão levando o Brasil de volta a idade média e a inquisição político-religiosa, fazendo muito mais vítimas do que todas as guerras contemporâneas. 

Portanto, a luta pela exclusão de 80% da população preta que ganhou a alcunha de Cotas que irão privilegiar 20% dessa mesma população, beirando as raias da ingenuidade, dá todo o sentido a esse belo discurso envernizado e adornado por gongorismos acadêmicos, transmitido pelos meios de Comunicação e Informação patrocinado pelo Grande Irmão que faz com que se ame aquele que oprime e odeie aquele que é oprimido.


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