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domingo, 8 de maio de 2016

Carta branca para um Golpe branco em dia de branco...

Era uma vez um país das Maravilhas, onde havia dois reis dividindo a bandeira do comando das emoções do povo: Um era branco, cantor de músicas populescas e nas horas vagas era ajudante dos militares nos bastidores; e o outro era um preto que tinha a habilidade extraordinária de um bobo da corte quando fazia malabarismos com uma bola competindo com os adversários da época num jogo chamado de footbol, além de ser um famoso poeta desde que permanecesse calado. Enquanto isso, para os baixinhos. Digo, para as crianças, foi eleita uma rainha cara-pálida, mais conhecida como rainha branca, conhecida por fazer caras e bocas, por suas musiquinhas imbecilizantes e mensagens alucinógenas e subliminares.

Nesta Terra, que não é a terra do Nunca, havia uma parcela da população que formava  a classe chamada de média que, exatamente como na idade média, fazia do sofrimento das castas populares o seu principal lugar de refúgio como classe privilegiada, dando sempre graças ao seu Deus por não fazer parte da gentalha, enquanto se intitulam como maioria, mesmo sendo minoria.

Essa classe, que gasta todo o seu tempo para adquirir mais privilégios, agora está deveras preocupada em perder alguns privilégios, com um expediente em exercício que agora chamam de GOLPE de Estado. Ou seja, esse expediente, mesmo sem derrubar seus dois reis enxadrezados e sua rainha branca, ameaça tirar-lhes o primado da função de ridicularizar as castas inferiores do reino; e isso é um GOLPE inadmissível. 

O detalhe é que essa classe conclama a todo os povos; indígenas, Negros e amarelos; para ajudar, e se prepararem para evitar esse tal golpe, sem, no entanto, perceber que ele, o golpe, já havia ocorrido; pois as medidas pretendidas pelos golpistas já estão sendo implementadas desde seu primeiro momento, enquanto o "povo" atendendo ao pedido sai às ruas para protestar contra esse possível golpe; um golpe que já aconteceu.

A trama do jogo, coordenado pela mídia, como se fosse uma novela em capítulos ou uma série televisiva, onde cada cena acontece de acordo com o gosto da classe mérdia, enquanto os capítulos e personagens são alterados para atender aos patrocinadores oriundos de Wall Street. Sem nada a Temer, o processo do golpe atende também a audiência, como num xadrez de emoções, controlando-a na medida em que controla as ações e protagonismos dos personagens envolvidos.

E os capítulos se seguem, enquanto as frentes sociais, os críticos dessa novela, são impiedosamente amaciados pela polícia política, e os que não capitularam ainda, estão sendo cooptados, coagidos ou levados de forma coercitiva a mudarem de opinião voluntariamente, em nome da democracia plutocrática; tudo isso sem se atinarem de que o golpe já havia acontecido; agora é só uma questão de manter o núcleo de poder das eminências pardas que ditam os rumos da sociedade formando e controlando a opinião pública. Enquanto esses meios que sustentam o processo estiverem a salvo, o poder estará nas mãos dos "poderosos", enquanto a classe mérdia recolhe seus afagos e migalhas pelo trabalho bem feito.

Em todo o reino da terra de Santa Cruz, historicamente todas as revoluções e revoltas de vultos, foram feitas pelo Povo Negro. Ou seja, branquinho é só aquele aprendiz que pensa que sabe o que não sabe. A única "revolução" que branquinho fez até hoje, foi a de encarar Hitler; o resto foi história comprada pelo dinheiro, visto que até Napoleão perdeu para um General preto [1]e Conde de Gobineau também foi esculachado por um; que nem general era; um escritor[2] somente...

Portando branquinhos, essa briga, sendo entre gringos, yankees e seus asseclas, não contempla a quem sabe fazer revolução de verdade; o Povo Preto... Sendo assim, essa história provavelmente acabará em acordo e tratados brancos que contemplam somente as queridas pessoas brancas desse reino de fantasias esdruxulamente fantasmagóricas... Afinal, todos os finais das novelas são previsivelmente repetitivos, imbecilizantes e brancamente enfadonhos; são contos da carochinha criadores e controladores das emoções populares, para que não protagonizem sua própria história.

Estar no poder e ter o status de gerir a história alheia é a função do feiticeiro do reino (a mídia) que faz isso com maestria... Por enquanto, as únicas coisas certas, mas que ainda não consta nas cenas dos próximos capítulos é o momento em que o morcego doa sangue enquanto o saci cruza as pernas diante do Rei da terra de Palmares da Vera Cruz; o resto é mito que povoam essa folclórica democracia travestida de qualquer coisa...




[1] General haitiano.
[2] Antoni fermim haitiano que escreveu um ensaio que desconstruía a teoria das raças proposta por Gobineau e que hoje nos rege socialmente




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