Os seres humanos que possuem a melanina acentuada hoje, em qualquer
parte do mundo, caminham sobre uma branca areia movediça social, numa rota de
colisão patrocinada por centenas de Willian Linchy e Lázarus Morell. Areia esta
composta por fartas misturas social, numa tétrica combinação que tem a cooptação e dissimulação como base; levando à assimilação da ideologia dominante
como fato consumado; entre outras muitas matérias misturadas nos enunciados de
forma arrogantemente inclassificáveis, impronunciáveis e sem pronúncias.
Paralelo a esse processo, os negros,
que aceitam a classificação de minoria, passam a vida em branco tentando se passar
por branco, numa atitude infantil e afroconveniente, cultivando assim, uma
cultura afromodista onde o hibridismo das raças permite o controle brancoso, desde que passamos a usar para isso o termo afrodescendente como justificativa desse controle e de sua
nomeação como norteador dessa cultura yankeeblack, como um alemão[2] em
morro alheio.
Desse modo, todo o desconforto macabro proporcionado pelo branco, que foi transformado em ódio e rancor, o negro o redireciona
para seus pares, pois o branco, após domesticá-lo, alterou a sua consciência e o adestrou a acreditar que ele,
o negro, é inferior e perigoso. Mas como termo afrodescendente é um termo aplicado também ao branco, o negro afroconveniente assimilou e internalizou tal rótulo
usando-o como grife, se apropriando e gentrificando
seu espírito.
Nesse caso, a mágoa, o rancor e o
ódio, redirecionado para aqueles que ele agora considera como o outro, como o neguinho[3],
são sentimentos destilados naturalmente, sem culpas, contra seus irmãos de cor. Como
resultado da terceirização desse ódio, a elite branca tem suas mãos limpas,
visto que sua consciência é o único terreno que ninguém visita.
Nesse processo de despolitização
racial, o discurso do canalha e do homem de bem se confundem, já que culturalmente
é a sua imagem (do canalha) que fala, e não sua prática. Dessa maneira, diante dos discursos a
discursos e de imagens a imagens habilmente editados, a pessoa de cor passa a se comportando como
espectadora, se despersonalizando e acabando por se fragmentar gradativa e progressivamente, a
medida em que aceita a degradação de sua humanidade como fato natural; enquanto
os brancosos reforçam esse sentimento todas as vezes que põe em prática o seu
racismo cotidiano; já que para tal crime, a justiça não considera o criminoso branco como um facínora, visto que a cor de sua família e sua origem, supostamente europeia,
lhe permite cometer especificamente este crime contra a humanidade; crime
classificado juridicamente como injúria racial, que também, para as queridas pessoas brancas no Brazil, não configura crime.
Hoje no mundo todo, assistimos o
naufrágio de barcos e a morte de centenas de refugiados negros, sem que haja
qualquer comoção pública; salvo se houver vítimas com o tom da cútis que não
remetam a negritude.
No Brazil, refugiados haitianos são
atacados, estuprados, humilhados e vilipendiados diante de um silêncio
ensurdecedor da cínica sociedade tupiniquim, e com o aval da “justiça” dos
brancosos, além do auxílio prestimoso da polícia que defende os linchadores e
promovem linchamentos habituais de negras e negros.
As estatísticas já perderam a voz
de tanto gritar, os dados humilhantes já tem parte cativa na decoração das sangrentas e espetaculares manchetes jornalísticas, e o etnocídio é fato assimilado e legitimado pelas entidades
brancosas (e afroconvenientes) que gerenciam ou fazem parte do governo, do Estado
e da nação.
São mais de cinco séculos de MAAFA através do grande Calunga, o oceano atlântico, sendo que no Brazil, ela, essa matança indiscriminada, adquiriu uma mórbida particularidade, devido
ao discurso da miscigenação que traz em seu bojo o comprometimento com um
discurso (re)conciliador, como se fosse algo generoso e humanitário que fosse
servir como salvação das três raças.
O único detalhe é que a raça que não precisava
ser salva foi justamente a que se locupletou com esse evento miscigenatório,
enquanto uma outra raça está a beira da extinção e mais uma terceira sendo mantida em
cativeiro ou em prisão condicional, enquanto dura o processo de seu aniquilamento, que é realizado de maneira estupida,
premeditada e maquiavélica, onde cada doentio momento é calculado como se fosse
um jogo religioso medieval.
Tudo isso se deve ao processo de colonização
mental promovido pela mídia, cujos coronéis proprietários e seus brancosos
associados, os empresários, tecem cada trama com mórbidos detalhes, assim como fora
o processo de construção das portas sem volta; os navios
negreiros; durante a contratação de engenheiros, carpinteiros, fabricantes de
acessórios marítimos, dos capitães que aliciavam marujos e contratava
cozinheiros, médicos, etc. além dos compradores das “peças” e dos “vendedores”, ladrão de homens como Lema-lema. Os sorridentes empresários da mídia não deixam absolutamente nada a dever aos seus pérfidos mestres de assassinatos ascendentes; A diferença gritante é que com a modernidade midiática o extermínio se socializado, sendo assimilado e internalizado como algo natural.
Por esse motivo surreal e absurdo, as nossas listas de mortos
ainda não são suficientes para que possamos arranjar parentes fictícios, como faziam nossos ancestrais no interior dos
tumbeiros, e formarmos nossa família negra solidária, como malungos[4], nesse
funesto processo eliminatório contemporâneo. A quantidade das queridas pessoas branca na face da terra não chega a 10%, é uma população que não tem na raça humana, pois descendem dos neanderthais e não do homo sapiens originário da África. Ou seja, eles tentam matar a humanidade originária em sua fonte por puro recalque de não pertencer a humanidade, desde que desceram dos Cáucaso e fizeram sua primeira vítima racial que foram os drávidas, os negros indianos.
A mente branca de tão maquiavélica, transmutou-se, solidificando-se numa massa disforme, que se transformou no inconsciente coletivo dessa gente pálida, dessa gente sem história, nem civilização, e que se apropriou da história da civilização negra na perversa prática do epistemicídio. Desse modo, temos a sanha de uma facção exclusivamente bélica e predadora em ação atualmente através da mais poderosa arma branca existente: a mídia.
A mente branca de tão maquiavélica, transmutou-se, solidificando-se numa massa disforme, que se transformou no inconsciente coletivo dessa gente pálida, dessa gente sem história, nem civilização, e que se apropriou da história da civilização negra na perversa prática do epistemicídio. Desse modo, temos a sanha de uma facção exclusivamente bélica e predadora em ação atualmente através da mais poderosa arma branca existente: a mídia.
Enquanto a mídia continuar obtendo total sucesso na
colonização mental de brancos, negras e negros; enquanto a revolução televisionada
dos europeus continuar a ser exibida e sendo exposta como história única, e o saber universal legitimado
for monoliticamente monorracial, seremos desumanizados, e estaremos como proscritos enquanto durar esse eternal exílio que um punhado de caras-pálidas nos impuseram, e que nos
imobilizam física e mentalmente; caso, mesmo parados, não nos movimentarmos, para que possamos, nós que ainda sobrevivemos e também os que já se foram, nos curar dessa medonha e traumática chaga resultante da cruel Maafa.
[1]
Palavra do idioma bantu que se refere a tradução do genocídio sofrido pelo povo
negro no mundo.
[2] Termo
usado nos morros cariocas para se referir ao negro vindo de outra favela
supostamente rival ao grupo dominante.
[3] Termo
pejorativo usado no Brazil para se referir a alguém que faz alguma coisa
reprovável. Equivalente a nigga.
[4] Companheiros.

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