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sábado, 14 de maio de 2016

Nosferatus


Vamos falar sobre a arma mais poderosa do momento existente no planeta terra; falar de uma arma para qual não existe defesa; uma arma 100% eficaz; uma arma que nunca falha. Estou me referindo uma arma branca, uma arma que só as queridas pessoas brancas têm licença para usar, licença concedida por coronéis brancos; vamos falar da arma com a qual invadem a sua casa todos os dias, todas as noites, e que a todo o momento invariavelmente você é rendido por ela, seja na rua, no ônibus, barcas, bares e restaurantes. Ou seja, onde quer que esteja você está na mira dessa arma. Uma arma que está apontada continuamente pra você, tornando-o indefeso e a mercê dos desejos de quem se encontra no gatilho desta arma mais poderosa e mais eficaz do que todas as bombas atômicas do mundo juntas. Vamos falar da mídia e do coronelismo midiático. 

A TV, outdoors, propagandas e comercias de toda natureza, que ditam o proceder e forma a opinião pública, através do domínio de suas emoções; visto que a função da mídia é a de criar emoções e dominar o emocionado. Na medida em que os telespectadores se emocionam, seu proceder direcionado e teleguiado pela ditadura eletrônica dos coronéis da mídia, que usam essa arma com extrema habilidade, os enunciados disparados diretamente na alma e no coração da vítima, criam as representações que se tornam signos da verdade que, como um hospedeiro a guiará nos labirintos dos três desejos do gênio branco.


Assim, na conquista de corações e mentes, ideologia do opressor se faz presente, fazendo o oprimido torna-se um aliado da tirania, oprimindo os próprios pares. Portanto, este instrumento que é de propriedade exclusiva do opressor é a sua arma mais poderosa; ela constrói heróis e vilões, verdades e mentiras, deuses e demônios. Enquanto os oprimidos, como famintos zumbis de Hollywood, tornam-se acéfalos e necessitam cada vez mais serem guiados pelos noticiários, propagandas e comerciais para dar sentido à vida e sentirem pertencentes a alguma espécie de sociedade ou comunidade, dando propósito a própria vida.

Desse modo, escondendo palavras dentro de palavras. Ou seja, com aquele discurso desencontrado da prática, como toda a religião que se enriquece colocando preço na fé e vendendo conforto no pós-vida. Enquanto a religião cria e solidificam seus dogmas a mídia cria enunciados e representações que se tornam paradigmas e juntos formam o constructo da zona de conforto do indivíduo.

Uma vez criado um mundo duplicado; um mundo aonde reina a distopia, e dentro dessa realidade diatópica, coberta e camuflada pela utopia, a terra prometida produzida pelos discursos que propagandeia, está a verdade mascarada como o arlequim do mardi-grass embaçada pela falta de discernimento do indivíduo que se torna o sujeito tolo de cidadania virtual.

Essa arma poderosa quando acionada frente aos acólitos das facilidades pré-fabricadas pelos discursos apatetados dos coronéis, confecciona a Matrix onde, esse intelectual bocó, diplomado pela mídia em assunto de senso comum, será cultivado e usado como escravo numa prisão onde ele se sentirá confortavelmente cativo. Quem tentar resgatá-lo será considerado como terrorista de alta periculosidade, além de ser rechaçado de maneira infame, arrogante e indolente, características orgulhosamente concedidas, de forma exclusiva, pelos coronéis da mídia.

Nossa distopia conta com altas porcentagens de contaminados; azumbizados acéfalos e catatônicos sem chances de salvamento à curto nem médio  prazo. Uma vez que o vírus dessa arma atinge o desgraçado, o efeito fulminante não lhe permite qualquer raciocínio lógico ou afim. O indivíduo fica entregue a própria sorte, até o momento em que, como qualquer dependente químico, ele tenha alguma réstia de força para querer buscar o antídoto, e iniciar a desintoxicação, através de uma violenta abstinência, evitando se expor, como uma prostituta que se oferece a um possível cliente, ao mundo da vênus prateada.




Quem tem a infelicidade de ser pego nessa emboscada das redes midiáticas, e armadilhas preparadas de forma meticulosa e perversa, vai ser responsável por provocar inúmeros estragos através de várias gerações; fazendo desse mundo o inferno de outros mundos; todos os demônios reencontrarão seu paraíso perdido, sem correrem o risco de, desta vez, serem expulsos novamente. Se o diabo tem ciência, a mídia é seu laboratório.

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