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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Desocupa: Aquele momento em que os desocupados mentais são usados como objeto de infâmia...



O link acima leva a uma das provas aplicadas na Universidade Federal Fluminense, na Faculdade de biblioteconomia, em Niterói, Rio de Janeiro; prova esta, aplicada pela professora Renata Regina Gouvêa Barbatho.

Lendo o texto e a prova, não é necessário muito esforço para constatar o altíssimo grau de infâmia do racismo contido nas linhas e nas entrelinhas desse lamentável episódio, que infelizmente, tornou-se fato corriqueiro no sistema educacional; sistema esse que já normalizou e normatizou a cultura das queridas pessoas brancas como verdade única.

Falo isso como professor negro de história da África, como cidadão e como ser humano. As convicções culturais de meus colegas de profissão (brancos em sua maioria), que convictos de sua sapiência, reproduzem o pensamento escravocrata baseados nas opiniões de outros escravocratas; escravocratas esses que têm o diploma que os rotulam como parte da classe do conhecimento; e isso lhes dá o “direito e a legitimação” da verborragia sem critério, fundamento ou qualquer premissa que o valha.

Constatamos que qualquer contra narrativa nesse sentido, é passível de linchamento, como foi o caso da fala da estudante, que questionando o fato, fato este que foi corroborado pela dita “professora”; professora que em momento algum, vale ressaltar, não procurou desconstruir o tal “estudo”, nem mesmo aventando a analisar quaisquer outros estudos correlatos dissonantes com a afirmativa ideológica apontada pela prova em questão. Muito pelo contrário, usou tal estudo para corroborar sua ideologia excludente.

Esse episódio vem confirmar a Universidade como um espaço eugênico e de embranquecimento daqueles que estão em formação; formando uma classe não pensante, não questionadora, mas sim, reprodutora da ideologia eugenista como política de Estado e de nação excludente.

Enquanto o racismo continuar sendo o único crime do mundo sem criminoso, a repetição de fatos como esse, é recorrente num Brazill que exercita uma prática totalmente contrária ao discurso pregado; mostrando em nosso cotidiano o extremo grau de cinismo e hipocrisia que formata nossa sociedade fundamentalista; sociedade que silencia ao mesmo tempo em que cria tolerância às humilhações, ao encarceramento em massa e aos assassinatos categóricos que sofrem as pessoas de cor mostradas ao vivo e em preto e branco, transmitido on-line pela mídia declaradamente fascista e racista.

O Estado, como promotor e mantenedor dessa conjuntura, usa o Sistema educacional contando com esses fiéis profissionais de educação comprometidos com o escravismo, afim de manterem uns parcos privilégios parcialmente concedidos pela Casagrande; usando também o sistema de Segurança, que através do branco expediente do “auto de resistência” promove a ecologia brancosa na cidade Preta; além de usar com muita maestria, o Sistema de Saúde, visto que um médico branco, diariamente mata mais pessoas negras do que um só policial negro; e isso é normal, se tornou normal; tão normal quanto aquele mendigo morrendo na porta do hospital, sem teto apanhar de policial e mulher negra ser estuprada em matagal.

Dessa maneira, temos a professora branca, protagonista da distopia nossa de cada dia; o médico branco assassino com licença para matar como profissão, e o policial negro capitão-do-mato que, todos juntos, fazem o trabalho sujo da elite eurodescendente com sobrenome yankee; formando assim, uma equipe completa de infames, arrogantes e indolentes servos do sistema vigente; sistema este formado por uma minoria que, ridiculamente se intitulam como maioria. Desse modo, o sangue negro corre nas mãos de uns e nas veias de outros... O sangue corre solto na cidade, nas vicinais e principais.

Infelizmente, para esse fato, não vislumbrei até agora, uma defesa sóbria e responsável, nem mesmo uma digressão ou uma ameaça de repensar. Até agora, o que me chegou através dos defensores da citada professora, foram defesas apaixonadas feitas pelas queridas pessoas brancas e por negros com sintomas inequívocos de Síndrome de Estocolmo.

Nesse caso, podemos entender o atual movimento do Desocupa como elementos cultivados por esses funestos elementos, afim de servirem como uma dócil massa de manobra, produzidos e manipulados por essa infame máfia que assola nosso país a mais de 500 anos.

Portanto, já que foram domesticados, bem adestrados e aprenderam, dessa forma que, as coisas são dessa maneira; não conheceram outra maneira, sendo assim, não existem visões diferentes e se existir, não serão admitidas. Nossa sociedade tem sua formação básica ancorada no proceder de muitos Lázarus Morell, Willian Linchy e Robertos Marinhos que os representam com o orgulho brancoso de ser.

Dessa maneira, o movimento Desocupa, nas escolas do Rio de Janeiro, nos revela que a educação veiculada pela mídia, é detentora e monopolizadora de todo o aparato estrutural do Estado escravocrata, representante dos eurodescendentes, que tem dessa forma, transformado pobres em defensores da direita, e negros em “racistas” (admitamos que isso seja possível, já que ele é um mero reprodutor e multiplicador da infâmia brancosa). E como diria o ditado: “Mente vazia é oficina do Desocupa...”.

Portanto, devo brindar com entusiasmo a todos os questionadores, aos esquisitos e aos inconvenientes. Meus aplausos a quem merece e são dignos de aplausos; pro resto, o meu retumbante silêncio...!!



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