O link acima leva a uma das provas aplicadas na
Universidade Federal Fluminense, na Faculdade de biblioteconomia, em Niterói,
Rio de Janeiro; prova esta, aplicada pela professora Renata Regina Gouvêa Barbatho.
Lendo o texto e a prova, não é necessário muito esforço para
constatar o altíssimo grau de infâmia do racismo contido nas linhas e nas entrelinhas
desse lamentável episódio, que infelizmente, tornou-se fato corriqueiro no sistema educacional;
sistema esse que já normalizou e normatizou a cultura das queridas pessoas
brancas como verdade única.
Falo isso como professor negro de história da África, como cidadão
e como ser humano. As convicções culturais de meus colegas de profissão (brancos
em sua maioria), que convictos de sua sapiência, reproduzem o pensamento
escravocrata baseados nas opiniões de outros escravocratas; escravocratas esses
que têm o diploma que os rotulam como parte da classe do conhecimento; e isso
lhes dá o “direito e a legitimação” da verborragia sem critério, fundamento ou
qualquer premissa que o valha.
Constatamos que qualquer contra narrativa nesse sentido, é
passível de linchamento, como foi o caso da fala da estudante, que questionando
o fato, fato este que foi corroborado pela dita “professora”; professora que em momento
algum, vale ressaltar, não procurou desconstruir o tal “estudo”, nem mesmo
aventando a analisar quaisquer outros estudos correlatos dissonantes com a
afirmativa ideológica apontada pela prova em questão. Muito pelo contrário, usou tal estudo para corroborar sua ideologia excludente.
Esse episódio vem confirmar a Universidade como um espaço eugênico
e de embranquecimento daqueles que estão em formação; formando uma classe não
pensante, não questionadora, mas sim, reprodutora da ideologia eugenista como
política de Estado e de nação excludente.
Enquanto o racismo continuar sendo o único crime do mundo sem criminoso,
a repetição de fatos como esse, é recorrente num Brazill que exercita uma
prática totalmente contrária ao discurso pregado; mostrando em nosso cotidiano
o extremo grau de cinismo e hipocrisia que formata nossa sociedade fundamentalista; sociedade
que silencia ao mesmo tempo em que cria tolerância às humilhações, ao
encarceramento em massa e aos assassinatos categóricos que sofrem as pessoas de cor
mostradas ao vivo e em preto e branco, transmitido on-line pela mídia declaradamente fascista e
racista.
O Estado, como promotor e mantenedor dessa conjuntura, usa o
Sistema educacional contando com esses fiéis profissionais de educação comprometidos com
o escravismo, afim de manterem uns parcos privilégios parcialmente concedidos pela Casagrande; usando também o sistema de Segurança, que através do branco expediente
do “auto
de resistência” promove a ecologia brancosa na cidade Preta; além de
usar com muita maestria, o Sistema de Saúde, visto que um médico branco,
diariamente mata mais pessoas negras do que um só policial negro; e isso é
normal, se tornou normal; tão normal quanto aquele mendigo morrendo na porta do hospital, sem teto apanhar de policial e mulher negra ser estuprada em matagal.
Dessa maneira, temos a professora branca, protagonista da
distopia nossa de cada dia; o médico branco assassino com licença para matar
como profissão, e o policial negro capitão-do-mato que, todos juntos, fazem
o trabalho sujo da elite eurodescendente com sobrenome yankee; formando assim, uma
equipe completa de infames, arrogantes e indolentes servos do sistema vigente;
sistema este formado por uma minoria que, ridiculamente se intitulam como
maioria. Desse modo, o sangue negro corre nas mãos de uns e nas veias de outros... O sangue corre solto na cidade, nas vicinais e principais.
Infelizmente, para esse fato, não vislumbrei até agora, uma
defesa sóbria e responsável, nem mesmo uma digressão ou uma ameaça de repensar.
Até agora, o que me chegou através dos defensores da citada professora, foram
defesas apaixonadas feitas pelas queridas pessoas brancas e por negros com sintomas inequívocos de Síndrome
de Estocolmo.
Nesse caso, podemos entender o atual movimento do Desocupa
como elementos cultivados por esses funestos elementos, afim de servirem como uma
dócil massa de manobra, produzidos e manipulados por essa infame máfia que
assola nosso país a mais de 500 anos.
Portanto, já que foram domesticados, bem adestrados e
aprenderam, dessa forma que, as coisas são dessa maneira; não conheceram outra
maneira, sendo assim, não existem visões diferentes e se existir, não serão
admitidas. Nossa sociedade tem sua formação básica ancorada no proceder de
muitos Lázarus Morell, Willian Linchy e Robertos
Marinhos
que os representam com o orgulho brancoso de ser.
Dessa maneira, o movimento Desocupa, nas escolas do
Rio de Janeiro, nos revela que a educação veiculada pela mídia, é detentora e monopolizadora
de todo o aparato estrutural do Estado escravocrata, representante dos
eurodescendentes, que tem dessa forma, transformado pobres em defensores da direita, e negros
em “racistas” (admitamos que isso
seja possível, já que ele é um mero reprodutor e multiplicador da infâmia brancosa).
E como diria o ditado: “Mente vazia é oficina do Desocupa...”.
Portanto, devo brindar com entusiasmo a todos os questionadores, aos esquisitos e
aos inconvenientes. Meus aplausos a quem merece e são dignos de aplausos; pro resto, o meu retumbante silêncio...!!

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