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sábado, 29 de agosto de 2020

Bulas, Cartilhas e Cartões Postais

Orixás, Unicórnios; Salamandras; Ondinas; Elfos e silfos; Fadas, duendes e Gnomos; é esse o povo que move a fábrica de vida em Gaia, com amorosa dedicação e maestria. São seres imagináveis e não imaginários, ao contrário do que reza a cartilha do pensamento cartesiano acadêmico.

Mas, enquanto a humanidade se confundir com a palavra, não poderá enxergar a Luz que visibiliza a camada do invisível, já que o discernimento permanece ausente para tecer quaisquer críticas reativas ao status quo do poder escravocrata vigente.

Assim como aquela velha vovó que emana as energias invisíveis através das mãos todas as vezes em que abençoa uma criança, essa verdade passa a ser encarada uma mera crendice ante as importantes e pomposas crenças academicamente institucionalizadas pelos Tempos Modernos.

As energias que compõem o verniz da hipocrisia vigente, são as mesmas que encobrem o processo de expansão mental e emocional do indivíduo, ao criar o padrão de consciência que organiza seus caminhos, edificando sua realidade e seu mundo. É dessa forma que temos acesso as verdades de cada momento e de cada passo seguido pela sociedade contemporânea da moderna Pólis.

Dessa forma, o ser humano sacralizou o conceito do cartão postal; processo em que uma sedutora imagem é usada para atrair e cativar o espectador fabricando seus desejos e querências; artifício análogo a do inseto quando capturado na teia de aranha, as belas palavras escritas nesse cartão encobrem todo o interior do discurso e da narrativa dominante, transformando-a no invólucro de uma falsa verdade contida em si mesma. É dessa forma que nos atrelamos aos discursos acadêmicos, científicos e religiosos, que são distribuídos como bula a ser fielmente seguida pelo bom cidadão.

Enquanto o cidadão opta se portar como um Lorde; seguindo o exemplo de qualquer escravocrata; sendo ininterruptamente servido; em vez de ser um buscador de si mesmo enquanto uma Consciência Criativa; ele será como aquela concha jogada entre os rochedos e as ondas, já que toda ação envolve uma reação.

Sendo assim, as únicas verdades que realmente existem para esse indivíduo, são aquelas que ele deseja ver; desse modo, pode-se vê-las de dois ângulos distintos; pode ser vista através do coração ou pode ser vista através de um desses cartões Postais que as instituições oficiais nos ofertam “doando” bônus, regalias e vantagens adicionais até mesmo no pós-morte.

São duas formas que trazem em si energias gêmeas de atração-rejeição, num processo que gera um eletromagnetismo, fazendo o sujeito criar um padrão de consciência que vai determinar sua realidade como tal. Quando um dos impulsos se destaca mais, se é o do coração, que nunca rejeita; sobrepõe-se então a sua força criadora a todo contexto geral, que trará a lume o momento da verdade; que é o momento em que ele descobre que faz parte dessa natureza que tanto peleja para sobrepujar. Dessa forma, Maomé não precisará ir a montanha ou vice-versa, pois ambos serão um. Nesse ponto já não existirá mais lutas, ou conflitos de qualquer natureza.

Ele então aprenderá com as árvores, a crescer exteriormente e interiormente, e a ser plácido diante das intempéries; aprenderá com a água a ser flexível, a se adaptar as circunstâncias e avocar qualquer estado físico; aprenderá com os animais a ouvir a voz de seu interior; aprenderá com os lírios que a beleza, e tudo mais que existe, é eterna enquanto durar; aprenderá a andar com as estrelas e a viajar com os astros. E para realizar esse trabalho hercúleo ele só precisa sair do escritório, abdicando do escaninho aonde guarda espaços ordenados de categorização, classificação e taxionomia de todas as coisas e pessoas, além do falso poder que tais informações oferecem.

Dessa maneira, ao abrir as portas em direção a Mãe Natureza, imediatamente se sentirá embalado em seu colo, acalentado com seus cuidados e aquecido com a sua luz. É desse modo que ele regressa enfim para sua casa, nesse Espaço-Tempo sem as correntes do relógio e calendários dos Tempos Modernos. Dessa forma, ele passa a ser seu próprio cartão-postal nessa viajem entre Silfos, Nereidas, Salamandras e Fadas, aonde inevitavelmente descobre-se a si mesmo como destino. Ou seja, ao contrário do que reza a cartilha cartesiana, passaremos a ser Seres imagináveis, com uma consciência humana de fato, e não seres imaginários, com a memória de Senzala que imagina um futuro de Wakanda.

Para dar o primeiro passo na estrada da vida de fato, é preciso jogar fora todas as bulas, sejam elas, as bulas, religiosas ou médicas; a fim de se livrar das doenças físicas e emocionais; depois é necessário se livrar das cartilhas, para abandonar a condição de robô, que inevitavelmente vai se fragmentar durante esse processo de separar esse joio que será jogado na fornalha do esquecimento.  Portanto, para abreviar, tudo isso se resume unicamente na Lei da Semeadura e Colheita. E assim, o encontro dos Povos harmoniosamente se dará, quando o medo outrora infringido, cada um de si eliminar.

Será este o momento em que cantaremos com as Sereias, voaremos com os Silfos, dançaremos com as Fadas e nos aqueceremos na ternura das Salamandras no berço dos Santos e Orixás.

 

 

 

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

O Tabu do Indivíduo Moderno na Condição de Clone Contemporâneo e Dublê do Próprio Corpo

A lua é o meu olho direito, e o Sol, é o meu olho esquerdo com o qual posso ver o meu corpo; esse mesmo corpo constituído pela poeira cósmica universal que toca o chão das estrelas que sinto cintilar em meu cérebro, durante a execução da dança da chuva que copiosamente faz transbordar a gratidão borbulhante em meu plexo, ao proferir o estrondoso silêncio ígneo em saudação a Luz Maior, na qualidade de mais Um habitante que Eu Sou do majestoso infinito, enquanto a Terra, o Fogo, Água e o Ar atenciosamente se mesclam em ondas continuas espiraladas em círculos sobre os pontos celulares que formam cada órgão que constituí esse corpo no qual habito.

A consciência dos organismos vivos, que afetuosamente labutam na estrutura desse corpo, cumpre com esmero a sublime missão de manter e perpetuar a minha existência como mais uma partícula divina que compõem o fractal novel dessa Luz universal, nutrindo Corpos e Cosmos com o maná do amor incondicional.

Essas células, que na verdade são consciências fractais, bailam num espetacular redemoinho de luz, cintilando na Grande Explosão do firmamento dessa eternal festa que é o presente de todo agora, dando forma a magia do Tempo real em todas as suas dimensões. Esse Tempo, que é fluído, nesse Espaço que é maleável, produz na consciência, sua autoconsciência, aonde a Liberdade jamais se aparta do amor irrestrito; esse mesmo Amor que só se divide quando soma, se tornando uma subtração cujo resultado é sempre mais. Portanto, somos e vivemos exatamente tudo aquilo que sentimos e pensamos, e nada mais.

Portanto, olhar para o Universo sem enxergar a si mesmo, é seguramente o principal sintoma para detectar a Deficiência Visual Adquirida; a DEVA é uma doença transmitida através das Tecnologias de Informação e Comunicação, que desenvolve a patologia que nos faz enxergar e creditar somente as imagens exibidas através das referidas tecnologias; imagens geridas por algoritmos e comandados por uma Inteligência Artificial, fazendo com que nos tornemos mais uma interface, uma vez objetificado por briefing e meeting, budget e case, enquanto somos coisificados pelo mindset dessa mesma tecnologia.

Dessa maneira, essa sinistra técnica estabelecida pelos magos dos Tempos Modernos, nos transformaram em clones de nós mesmos. Ou seja, fomos substituídos de uma maneira tão habilidosa que, sem que percebêssemos, nos fizeram acreditar nesse ambiente operacional aonde se acolhe a liberdade simulada, o amor fordista e os sorrisos de plástico como realidade de fato, ao confundir personagem com personalidade.

Para que haja a reversão desse sinistro, cada clone deve necessariamente passar por sua adequada metamorfose, reestabelecendo a comunicação natural com suas células; essas mesmas células que tiveram suas consciências adormecidas pela falta do discernimento da anatomia da alma. Somente dessa forma, olhando para fora, pode-se ver o que está dentro, assim como a árvore estende seus galhos em direção ao brilho da luz solar, enquanto suas raízes penetram profundamente na escuridão de seu próprio subterrâneo. É assim que o Zumbi de Alagoas resgata a si mesmo; se livrando das vampíricas presas dos magos da Comunicação, deixando de ser um Clone de si mesmo e recusando a sedução Hollywoodiana em meio a esse longa-metragem aonde o roteiro da história invariavelmente o traz acorrentado ao pelourinho dos desejos, num script aonde a vida liquidificada lentamente vai escorrendo pelos cantos das molduras das selfs produzidas em série na sucessão dos dias, na medida em que derrete o tecido da realidade ao submergir o indivíduo nessa nuvem de algoritmos que esconde o sol de todas as manhãs, fazendo o dito-cujo descansar em berço esplêndido nas noites sem luas de todos os dias.

Desse modo, o canto surdo do galo que tece a manhã se perde através das redes e dos fios dos fones e ligados as parafernálias eletroeletrônicas, que mantém os batimentos cardíacos do indivíduo em seu coma induzido. Esse indivíduo de corpo presente, vive no futuro desenhado sobre os outdoors, com sua existência comprovada única e exclusivamente nos retratos falados das redes sociais e afins. Seu presente, hora se encontra no passado, e n’outra hora está à procura do futuro prometido pelos filmes e novelas, comerciais e propagandas.

Dessa forma, a sua existência no Presente é dublada por seu próprio clone que reproduz toda a programação cotidiana dos programas midiáticos veiculado pelas Tecnologias de Informação e Comunicação, que alimenta esse indivíduo de Inteligência Artificial, para que ele não se perca em seu pensar intelectual, categorizador e classificador de fatos e fotos elencados pela narrativa dominante.

Foi dessa maneira que criaram os conflitos no Oriente Médio, no Vietnã, Onze de Setembro e correlatos. Indubitavelmente os dublês de clone acreditam nos inimigos inventados pela mídia; dessa forma, brevemente os nossos hostis opositores deverão ser os marcianos, venusianos ou Pleadianos; enfim, segundo os senhores da mídia, num futuro próximo, os Extraterrestres, com toda a certeza, invadirão o planeta Terra enquanto os galos cantam tecendo uma nova manhã. Dessa forma, o nosso planeta correrá o sério risco de extinção de todos os dublês com seus respectivos clones, pois a rede que tricota com selfs o tecido humano, estará afinal, fora do ar, e o sujeito, finalmente, levantando-se de sua rede virtual, despertará para sua própria realidade.

 

 

 

 


quarta-feira, 29 de julho de 2020

Considerações Acerca do Verdadeiro Vírus que Mantém o Planeta Terra em Quarentena

O Pensamento é o vírus mais eficiente e efetivo dentre todos os vírus existentes e ainda por existir. Pensamento é energia, Pensamento é vibração, Pensamento é frequência, e essa energia que é a do pensamento, nunca se perde, mas sim, transforma-se em forma-pensamento que, como uma pedra jogada sobre a água, as vibrações provocadas se propagam numa frequência que pode ser captada por seu destinatário ou por quem se encontra na referida ressonância.

Sendo assim, se por acaso o pensamento emitido não encontrar o seu destino ou destinatário, ele retorna de imediato para o pensador. Ou seja, pensamentos de raiva e de críticas, de mágoas ou de medos, assim como os pensamentos de inspiração, de alegria ou pensamentos amorosos, sempre encontrará quem vibre na mesma frequência. Assim, aqueles que ressoam na frequência da reclamação contínua e opiniões indiscriminadas, de julgamentos ou de críticas, acabam por adentrar no círculo vicioso característico da patologia desse vírus.

Por este motivo, os senhores dos meios de Tecnologias de Comunicações e Informações sempre estabelecem as questões geradoras dos pensamentos do dia de toda a sociedade, formatando dessa maneira, a cultura de massa ao criar o inconsciente coletivo com o qual controla as subjetividades do indivíduo, controlando o pensar do dito dito-cujo. Portanto, foi estabelecido pela elite dominante o controle psicotrônico, num intrincado processo aonde se combina os discursos retóricos hegemônicos, habilidosamente acoplados as míticas imagens padronizadas, juntados a sutileza da semiótica academizada.

Desse modo, mais de 90% das sinapses produzidas por um indivíduo durante o dia, nunca são seus próprios pensamentos. Ou seja, o sujeito foi transformado numa mera cobaia de laboratório, passando os seus dias de vida circulando numa roda que gira em seu próprio eixo, sem jamais sair do lugar estabelecido por seu condicionamento social e biológico.

Sendo assim, tudo o que se faz, e tudo o que existe no mundo, existe somente a partir dos pensamentos desses indivíduos, que lhes conferem a existência própria. Os espertalhões, senhores do mundo, utilizam essa energia de maneira extremamente habilidosa ao fazer o pensador acreditar que tais pensamentos são realmente seus. Dessa maneira, esse sutil processo de escravização mental passou a ser a tecnologia mais importante e eficiente dos atuais Tempos Modernos.

Os pensamentos pré-fabricados, a fim de dar forma as pós-verdade que sustentam o inconsciente coletivo, também formatou o ego humano, constituindo-o como aguerrido guardião da personalidade que o indivíduo criou para si, acreditando realmente ser sua personalidade; que, além de administrar o Ego, instituiu um padrão de algoritmos que passaram a ditar as atitudes que estruturam toda a existência do indivíduo. Dessa maneira foram criadas as maiores Fakes News existente no imaginário humano, e que norteiam toda a cultura e a vida da sociedade tal como o pecado original, os temidos Demônios e famigerado inferno pregados pelo mais próspero comércio de todos os tempos que continua sendo a religião.

Mesmo que a nossa ciência já tenha chegado à conclusão de que toda matéria é energia condensada e que tudo o que existe é energia, a possibilidade da materialização do pensamento como uma inexorável realidade, chegou de forma intelectualizada a sociedade para que tal princípio não fosse adequadamente internalizado e assimilado como tal.

Assim, os sintomas desse vírus que se propagou, alojando-se na sociedade moderna como a mais uma terrível das pragas desde o Egito antigo, instituiu o racismo, a misoginia, as guerras santas, os assassinatos categóricos, além das variedades de variados preconceitos, como modus vivendi do desumanizado homem moderno, outrora categorizado como homo Sapiens Sapiens.

Dessa forma, enquanto o ser humano não recuperar a sua autoconsciência, ele permanecerá na condição de escravizado mental, e naturalmente servindo aos senhores do capital, como se isso fosse sua condição normal, enquanto os religiosos-capatazes lhes prometem o céu como recompensa ao fiel ou o inferno como eterna punição a toda nação, sem que os mesmo nem desconfiem que o paraíso, assim como as trevas do orco encontra-se dentro do próprio indivíduo que lhes dão forma a partir desse controle mental ao qual ele tem docilmente se submetido desde o nascimento.

Essas palavras aqui escritas podem soar de maneira bastante insólita, visto que, estranhar o que é normal é um exercício desconhecido para aquele indivíduo que nasceu em cativeiro; certamente ele rechaçará ou até mesmo poderá não reconhecer o conceito ou o significado da liberdade plena, pois não há parâmetros nem registros do mesmo em seu pensamento. Quando o pensamento transborda de intelectualidade e categorizações, o espaço para a autoconsciência se restringe significativamente, fazendo com que o sujeito orgulhosamente se embriague com os objetos que turbinam, fortalecendo e massageando o seu ego, como é o caso dos títulos conferidos por certificados, diplomas e afins.

Portanto, tudo o que vem de fora desse indivíduo, fazendo dele um pretenso cidadão ao lhe conferir um determinado pseudo valor social com o qual ele passa a ter a ilusão de um possível futuro na Matriz; faz parte da doce ilusão do Admirável Mundo Novo que passa a ser o seu cartão postal nessa ação psicotrônica aonde se cultiva os pensamentos de um devir num Paraíso, cujo caminho serpenteia pelo Mundo de Alice, passa pela Ponte dos Jardins de Tântalos, até chegar a Terra do Nunca. 

E não adianta querer dominar o pensamento, pois ele, o pensamento não existe; ele é criado; até mesmo o desejo de pureza é mais um truque da mente. Todos os supostos pensamentos a respeito do outro, são puras ilações que fragmentam a realidade, visto que os mesmos vão acabar por interferir na maneira com que os fatos serão tratados de fato. Desse modo, capciosamente as disciplinas escolares procuram dominar, através da infame metodologia dos livros didáticos, os elementos da linha de tempo do passado, para ter controle sobre esse inatingível tempo futuro a ser elaborado na mente do indivíduo através dos elementos-chave fornecidos pelos livros, pela história e pela cultura.

Portanto, a profilaxia para erradicar essa virulenta peste; que é muitíssimo mais poderosa do que quaisquer armas biológicas ou atômicas; que indubitavelmente tornou-se nosso pensamento, é ser como a água no sentido filosófico, e não metafísico, já que a água é o maior banco de dados existente em toda a natureza, até mesmo na natureza humana (este já é um outro assunto para uma próxima conversa). Consequentemente, devemos permitir que a água lave e leve os pensamentos sugeridos, fixos ou traumáticos, aceitando que a autoconsciência se faça, para que possamos nos observar, vivendo na eternidade de cada agora estampado no sorriso fraterno de cada alvorecer.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Histórias de quarentena, Olho de Hórus e Retrocasualidades

Estar no centro dessa quarentena inevitavelmente nos fez rememorar os momentos vividos e pensar nos momentos que não foram ainda vividos. Num breve hiato entre todas essas memórias passadas e memórias futuras, lembrei-me uma história contada lá pelas bandas do Tibet, que narra a ocasião em que um peregrino, durante a sua caminhada, encontra um eremita meditando em sua caverna; após travarem um rico diálogo, conversa vai, conversa vem; o peregrino pergunta se ele não se entediava ou se sentia solitário por não ter com que ocupar o seu tempo...e o kota, o mais velho, sorrindo, responde que tinha muito trabalho a ser feito; tanto trabalho que as vezes gostaria de ter mais tempo para poder executá-lo da melhor forma possível.

O peregrino fica sem entender nada, pois, pelo que ele podia ver, o ermitão passava todo o seu tempo sempre em estado de profunda contemplação e nada mais. O eremita então esclarece que ele ocupa todo o seu tempo domando seis animais: eram dois falcões, duas águias, dois coelhos, uma cobra, um burro e um leão. O peregrino olha ao redor e não vê nenhum sinal de qualquer animal e continua sem nada entender. Percebendo sua interrogação, o anacoreta explica ao peregrino que os dois falcões eram os seus olhos que se lançavam sobre tudo o que via, o que queria e o que não queria, sem se importar se lhe era conveniente ou não, já que as mensagens imagéticas transmitidas pelo olhar eram sempre tatuadas em seu cérebro, moldando assim, toda a realidade a seu redor.

As duas águias eram as suas mãos que avidamente a tudo queria pegar e possuir de forma indiscriminada; os dois coelhos, que ele precisa tranquilizar, eram os seus pés que queriam ir a todo lugar; além da cobra, que precisa ser domada a qualquer custo, que era a sua ferina língua, tinha também o burro, que estava sempre cansado, e as vezes se recusa a levar a própria carga; que era o seu corpo; e, finalmente, o arrogante e vaidoso leão, que nada mais era do que o seu próprio ego. 

Mencionei essa metafórica história de quarentena, a fim de ponderar sobre as questões suscitadas pelos olhares vindos do interior desse imprevisto processo de isolamento social, e falar sobre o simbolismo desses olhares relacionando diretamente ao olho que tudo vê; não me refiro a um reality show, mas sim ao mais famoso símbolo do Egito antigo: o olho de Hórus ou terceiro olho: elevo os meus olhos para o que não vejo; de onde me virá a inspiração...? De onde vem o pensamento que conduz a minha fala e dita meus atos...? Pude refletir sobre essa questão ao tentar domar o Falcão que existe em mim, ao perceber que todo poder reside na capacidade de poder escolher os nossos próprios pensamentos e ver que, nossos pensamentos, são justamente os frutos de tudo daquilo que observamos. Portanto, é nessa hora que se torna necessário discernir que, o que se olha é diferente daquilo que se enxerga. Ou seja, devemos ter a ciência de que, nem tudo o que se olha é aquilo que se vê, visto que o olhar reside no consciente, mas o que se vê habita no subconsciente. Então, usando do discernimento, e da intuição, podemos enxergar que, Pensamentos de medo são opções inconscientes atribuídas ao cérebro, que é o recebedor desses pensamentos mediados pela mente.

Nesse caso, discernir que, opções são diferentes de escolhas, e que nós nunca tivemos realmente a chance de escolher entre diferentes objetos ou objetivos; já que fomos condicionados social e biologicamente; o que tivemos foi a opção de escolher mais do mesmo objeto, só que, de cores variadas. Aferimos então que nesse processo, os nossos pensamentos criam formas-pensamentos através da força da nossa própria imaginação, que se plasma no plano astral, para depois então, se concretizar em nossa realidade. Dessa maneira, compreendemos então que, a Gentileza gera mais gentileza porque o medo gera mais medo.

Ou seja, o sentimento é gerado por um pensamento, que gera uma emoção, que por sua vez, se manifesta em forma de reações presente enquanto força palpável em nossa realidade vívida. Sendo assim, se conscientemente desejamos algo enquanto o inconsciente gera uma realidade discrepante ao desejo estipulado, percebemos que nesse ponto brota a raiz da impaciência, enquanto uma fala do ego se manifesta, através dessa cobra, que é a nossa língua-serpente que precisa ser domada.

Dessa maneira, entendemos que é no poder do silêncio, aonde uma semente eclode gerando um pomar, um bosque, uma floresta; enfim, um mundo inteiro; metaforicamente também é no poder dessa linguagem, que é a linguagem do silêncio, que se origina o nosso jardim de experiências aonde se faz imprescindível uma cuidadosa observação a fim de extirpar as ervas daninhas do cotidiano.

Portanto, no cultivo desse jardim de conhecimentos, é sine qua non e imperativo que nos amemos a cada dia um pouco, sempre e mais, pois só dessa forma é possível amar ao próximo, já que o mundo é um espelho fractal aonde o nada se faz tudo, de lá para cá, daqui para ali, e vice-versa.

Portanto, se derrubamos os limites imposto por nós, e para nós mesmos, vamos enfim, compreender que somos Deuses e Deusas. Dessa maneira, podemos nos refinar, quando de forma elegante, passamos a nos elogiar e a nos amar a partir do momento em que deixamos a condição de refém, de servos, de vítima e de escravizado mental, e passamos a criar os nossos próprios pensamentos; dessa forma, o nosso centro de poder volta a nos pertencer para que possamos usá-lo em prol do UM, que somos nós; já que o isolamento total só existe de imediato no ato de suicídio. Nessa conjuntura de lockdown, percebemos que tudo que supostamente foi ruim, foi na verdade, extremamente benéfico em todos os sentidos, porque só as trevas podem nos fazer perceber o valor da luz.

Portanto, podemos inferir que o isolamento social tornou óbvio que amor é tão fundamental como a respiração o é para manutenção da vida; sem amor, não há vida; e ninguém ama ninguém se não amar a si mesmo. Então o famoso jargão corrente nas mídias sociais que nos convoca a não largar a mão de ninguém, mesmo nascendo de uma boa intenção, deve-se levar em conta que ainda não nos demos as mãos.  Sendo assim, a carroça não pode ser posta a frente dos bois. É necessário saber primeiro quando é que nós; independente de raça, classe, gênero, religião, partido político ou time de futebol; nos daremos realmente as mãos fora desse discurso recorrente nas horas difíceis, para depois estabelecer que as mãos continuarão solidárias entre si.

Como resultado desse insulamento compreendemos enfim que, tudo o que sai da força de nosso pensamento, agora sai multiplicado. Portanto, ter cuidado com o que se pensa, de si ou do outro, é primordial, já que é ele, o pensamento, que constrói nossa própria realidade. Antes da quarentena estávamos tão preocupados em responsabilizar o próximo por nosso infortúnio, que não nos demos conta de que, essa é uma equação quântica. Portanto, jogar fora o medo e os preconceitos é o primeiro passo para atravessar essa metafórica estrada de mil quilômetros; estrada esta, que faz do alfa e do ômega uma ponte de Einstein-Rosen.

No contexto pós-isolamento social se faz cogente a percepção de que, as energias da competição e da inveja já não ocupam mais o mesmo lugar de antes. Ou melhor, elas definitivamente já não têm mais lugar nessa jornada. Dessa maneira, quanto mais você honra a você mesmo, mais você honrará o outro. Sendo assim, inevitável perceber que, o que a gente mais odeia no outro, é justamente o que é refletido de volta através do espelho da vida. O nome dessa percepção é sabedoria selvagem.

Agora, ao sair da quarentena, nos tornaremos o humano universal, sabendo que, tudo o que os “outros” estão passando, nós também p assamos, mesmo não sendo Buda, Cristo ou Maomé. Porque eles, somos nós. Somos Deusas e Deuses. Sempre fomos. Portanto, se durante essa quarentena não tivermos um relacionamento saudável conosco mesmo, não será possível nos relacionar saudavelmente com mais ninguém. Outrora soltar as nossas feras era um processo fácil e até conveniente, hoje aprendendo a domá-las, é a única forma para interromper o medo das sombras que nos assustam nas nossas noites sem lua. Portanto, domemos as nossas feras nesse retiro socialmente imposto pelos señores del mundo da escuridão, gestores escravocratas do Deep State, para que a constituição retorne para seus legítimos constituintes.

Que a metamorfose realizada nesse casulo que foi a quarentena, possa finalmente abrir as portas metafísicas do Ser; essa porta que nenhum homem pode fechar; ao retirar as vendas desse cego que vê somente o que lhe é visível, fazendo enfim, ressurgir as asas atrofiadas pela impingida baixa autoestima.


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Metamorfose

Emergindo do pó, feito girassol, o ser amputado de si desponta em direção a luz lançando-se no espaço cromático, agarrando-se com sofreguidão ao infindo vácuo, na esperança de construir sua ponte em direção aos Jardins de Tântalos. Essa alma sem eira nem beira, afogada de agonia por todos os lados foi despedaçada por seus próprios pensamentos desconexos ao galgar seu Gólgota, enquanto se afogava em lágrimas soluçadas a longos haustos.

Suas Vidas, nascidas e entrelaçadas pelo desafio do convívio consigo mesmo, forma o triângulo perfeito com o sal da terra e a Luz do mundo, que alumia os recônditos ocultos na alma do próprio Ser; mas a inevitável escolha pela morte lhe conduziu a um eterno ciclo de contínuos renascimentos. Assim, o jugo, medido e pesado sobre o madeiro de Santa Cruz, é cultivado na sementeira regada a suor e sangue. A cada palmo de solo salgado, gelado e escaldante, mãos e pés são transpassados por ações e pensamentos cravados na vermelhidão sanguinolenta do rígido e incorruptível madeiro da Terra Brasilis de cada novo mundo.

Os pontiagudos cravos forjados pela volátil atitude desse habitat que lapida o interior do ser, transpassam os olhos da alma perfurando-os como anzóis de múltiplos ganchos que, contínua e vagarosamente, do estômago a garganta continuam a rasgar o corpo nu que jaz sobre o gélido mármore da morte, enquanto seu fígado é solenemente arrancado pelos santos abutres e servido aos serenos chacais pelo barqueiro Carontes.

São nesses redemoinhos de mortes renascidas, que provocam violentas tempestades de lágrimas formadoras dos diamantes eternos, que os santos abutres mantêm o sagrado ritual de transportar as vidas remidas pelos gritos e ranger de dentes.

Dessa maneira, o vento, sopro da vida, trazem as tempestades, mensageiras dessa morte anunciada pelos rugidos dos recém-nascidos no Gólgota de todos os calvários. Esse vento que, passeando pelo tempo, carrega os sentimentos ocultos que ressurgem como fantasmas, ou redivivos, ao longo do caminho desses embriões renascidos nesses tempos de tempestades que provocam esses temperamentos tempestuosos domados pelos desafios das armadilhas do destino, que foram traçadas e trançadas nas intrincadas tramas da vida a ser remida.

Dessa forma, como um anjo em plena menarca, a monarca deixa o seu castelo para assumir o reinado de sua própria vida ainda em vida, ao abortar os sentimentos tempestuosos de si sobre si mesmo. Enfim, a vida começa no final da vida. Agora ela pode observar a própria existência é estar totalmente comprometida com o que faz aqui e agora, sabendo que nasceu desse Amor que é a fonte única do que é, e do que há, e nada sobrevive fora dessa fonte; até mesmo a escuridão. Finalmente a autoconsciência se desperta em si, e para si, ao sair da penumbra das imagens fabricadas pelo medo da escuridão.

 

 

 


domingo, 21 de junho de 2020

Minha Linda amada... Após todo esse tempo clássico de sorriso de Gioconda, você finalmente voltaria a ser a Musa de todas as Artes assim que meus pincéis hábeis concluíssem a sombra de sua face da mesma cor da nossa dessa noite sem lua...

 

Mais, novamente ouvi notícias do horror, de que outra vez a polícia homicida trucidava pessoas de cor, na subida dos comuns, as vistas do Cristo Redentor;

...E a memorável pintura não saiu...

 

Ia pintar a beleza de sua negra pele sob o sol do meio-dia a revelar as linhas desenhadas pelos deuses e deusas de Ébano sob seu negro sorriso franco, quando soube da quantidade de negras e negros assassinados nessa incursão de militares enviada pelo homem branco;

...E essa maravilha de aquarela não saiu...

 

Ia pintar a natureza viva e pulsante incontida nas espontâneas linhas curvas de seu corpo nu, quando me falaram do genocídio batendo às portas, nas escuras noites de todos os dias, envolvendo com sangue as negras epidermes de Norte a Sul;

...E a obra-prima não saiu...

 

Amada minha; hoje só restaram as memórias da natureza morta e enterrada diante das líquidas cores jorradas das minhas veias cortadas nesse instante de criação; assassinato este plasmado no quadro branco da escola da vida, após pendurado e festejado no museu da euro história.

 

... Mas amanhã vou me recuperar, ressuscitarei e voltarei a redesenhar, na expectativa dessa noite sem lua, com seus felinos olhos de gato preto, seu sorriso negro de novo mostrar...

 

...Pois, hoje dei um beijo na boca do tempo... Logo pela manhã pus uma cueca verde, coloquei minha calça verde, vesti uma camisa verde... Ao meio dia degustei um delicioso caldo de ervilhas e um chá verdes... À tarde fui visitar minha infância no futuro de uma vida que quase se expirou no meio do nosso presente... Assim... Camuflado de tempo enganei o Deus Cronos entrando na floresta de gentes que partiram... À noite... Fomos pra cama... Sonhamos... Vivemos... Fizemos amor... Morremos... Gozamos... Acordamos... Dei um beijo na boca do Tempo...

 

... Acordei da lassidão desse sonho pra perceber que minha terra tem palmeiras, onde um negro já chorara; os escravos que aqui morreram, já sofreram como lá. Nossos morros têm mais pobres, nossas ruas mais horrores, nossos órfãos têm mais ira, nessa vida de impostores. Se sair à rua a noite só a morte encontro lá; nessa terra tem palmeiras onde um negro chorará.

 

Minha terra tem impostores qui’em Sírius[i] n’entrará, se eu sair a rua a noite, mais cadáver encontro lá; nessa terra tem palmeiras onde um negro chorará


Me permita Deus a morte, pra que eu não volte para lá; pra qu’eu não veja esses horrores quand'Oxalá me abraçar; pra qu’inda só aviste as palmeiras sem um negro pra velar, sem de novo ter que ouvir o cantar dessa canção que pro exílio vem nos levar...

 

...Então...

 

...Me colorem de mula todos os dias, me camuflando na covardia, me matando todo dia na escola e na igreja, dos comerciais de Coca-Cola aos desenhos do tipo Piu-Piu e Frajola;

 

Saio de casa ao vivo, com ar de defunto novo, andando Sem ver nenhuma mobilização ou manifestação protestando pelos negros corpos espalhados pelo chão, tingindo de vermelho-sangue o áspero chão do preto asfalto saxão;

 

Levanto cedo pra morrer (mais) tarde, quando cada invasão do Rio nos meus olhos é deflagrada a cada notícia disforme turvando a visão: extra, extra... Epiderme negra em carne viva ao vivo para qualquer vivente ver...!!

 

Sem comoção, manifestação nem mobilização; apenas mais um espetáculo do horário nobre que consente o pobre se sentir gente vivente, longe do pelourinho do crente... Assim se pode matar mais gente de cor, sem culpas nem dor...

 

...Então vejo que...

 

...Moro num país tropical, abençoado por Zeus e Odin, Jeová e Javé, CIA e FBI; mas Oxalá nada, nem pensar foi execrado em pleno ar. É isso ai... Amanhã de manhã, vou virar talibã pra sobreviver e tentar manter meu pão de cada dia com recheio de alforria; sorria você está sendo filmado, estuprado e sacaneado, porque alguém afirmou que você é inferior. É o Brazill que mostra a sua cara, rindo de minha face preta, tida como sinônimo de mutreta; mesmo eu sendo um careta que acredita na incerteza do branco nu angelical que reveste toda essa holográfica beleza boreal...

 

...Nessa floresta tropical aonde havia uma sombra no meio do caminho, no meio do caminho havia uma sombra; Não sei se se minha ou do outro...

 

A sombra sempre escura, que assombra e faz fechar os olhos para não ver a negra escuridão que baixa e não se encaixa no corpo esquivante que brinca na pequenina capoeira gingante.

 

Girando, indo e vindo, a sombra lombra a visão da águia ao meio dia, à luz da meia lua.

 

A sombra dança a meia luz, procurando num movimento que seduz, abraçar na benção e na ponteira, de forma bem rasteira, a assombração que gira, circula e pensa que domina a roda da vida.

 

No meio do caminho havia uma sombra; havia uma sombra no meio do caminho... A outra sombra não era escura... Era a branca sombra assombrada pelas almas arrancadas dos corpos de ébano no giro da Capoeira de Angola, aonde o Tempo é mais que tempo; pois é o tempo que move tempo; mas há tempo, muito tempo, quando para o Tempo num ligeiro contra tempo; e assim, o tempo mata o tempo nesse nosso tempo sem Tempo, que muda tempo; assim, volta o tempo: tempo de bom tempo, quando o tempo então, passa a ser pouco tempo...

 

Mas nosso tempo é todo momento nesse único movimento, mesmo havendo muito lamento, é na roda desse tempo que corre a vida, corre a morte, amor e arrependimentos...

 

Nessas voltas que o mundo deu, nas voltas que o mundo dá...

 

Tempo isento, pode ser sinal de sofrimento, que sempre corre junto com o vento, lavando lágrimas, paixões, cheiro de mato e envolvimentos...

 

Nas voltas que o mundo deu, nas voltas que o mundo dá...

 

Com o mar e como o vento, arrastado e engaiolado, o tempo pertence ao próprio tempo... Tempo escuro não passa em branco... 

 

Nas voltas que o mundo deu, nas voltas que o mundo dá...



Tempo é muito tempo; tempo é pouco tempo para o próprio tempo, quando volta o tempo, nesse tempo que levou tempo, movendo o próprio tempo, mudando o tempo o tempo todo nas voltas que o mundo deu, nas voltas que o mundo dá nessa longa Noite Sem Lua no momento desse agora, aonde havia uma sombra no caminho, no meio desse caminho em que havia uma sombra. Dessa maneira, finalmente a luz se fez sobre a Palmeira da minha terra, sobre o monte do calvário pintado ao fundo da Florença Gioconda...

 


[i] Estrela múltipla descobertas pelo povo Dogon, as três estrelas são perfeitamente alinhadas com as três maiores pirâmides do Egito.

domingo, 14 de junho de 2020

Das Lemúrias e Atlântidas, as Aghartas[1] e Shambhalas: Conversas em Preto e Branco Sobre a Conjuntura do Xadrez Holográfico Contemporâneo.

Enquanto as regras são vistosamente pintadas sobre o tabuleiro midiático desse xadrez sócio-político, ditando o modus vivendi da alta sociedade para o resto da nação, nesse jogo ferozmente conduzido pelo Deep State[2], o povo, peão na linha de frente, é cruelmente esmagado por seus próprios líderes que vem atrás.

Esses falsos líderes, são os reais representantes desse Estado Profundo que aprisiona e escraviza seus peões de cores e lados opostos a si mesmo, a partir da fabricação de leis e tratados que protegem somente aos próprios, estagnando essa população alienada de si e limitada ao quadrado do individualismo de sua própria cela mental, uma vez que essa mesma população teve a sua força ativa sequestrada pelas ações políticas; ações estas que simbolicamente constituem as grades dessa moderna Senzala, ações que foram falsamente instituídas com a justificativa de protege-los, mesmo que fosse para se proteger contra eles próprios.

Mas o teatro de ações dinamizadas pelas facções partidárias da direita, da esquerda e do centrão, estão deixando de surtir o esperado efeito, na medida em que os peões não estão mais tolerando ceder o seu poder a esses pretensos representantes ao deixar de abater os peões supostamente opostos; uma vez que é justamente o povo em sua diversidade que sempre foi o legitimador dessa patriota tragicomédia anunciada.

Até agora, o Deep State vinha conseguindo ocultar, com relativo sucesso, as informações e o conhecimento acerca de suas ações enquanto verdugos dessa humanidade que ainda não deixou completamente as profundezas da idade das trevas, mas que agora vislumbram o movimento fora dessa caverna platônica aonde se encontram prisioneiros, dando início finalmente a uma ação teleológica ao desviar o olhar das sombras projetadas pelo Grande Irmão sobre o véu dessa parede holográfica, percebendo dessa forma, a fonte de luz que emana no fim do túnel, e percebendo enfim o próprio cativeiro, desencadeando esse processo que inevitavelmente tornou-se um caminho sem volta como alternativa de liberdade plena.

Agora passamos a nos permitir a ter o poder de imaginar um país sem ricos, nem pobres; sem religiões, nem partidos políticos; sem divisões raciais, de classes ou nacionalismos. Enfim, abrimos nosso centro de poder para imaginar a alternativa de um país sem a distopia dinástica perpetrada nos bastidores do Estado profundo.

Finalmente os limites impostos pela Ordem e por esse Progresso preconizado sobre a retilínea geometria enquadrada no xadrez de Raça e classe, ciência e religião, mídia e educação, num jogo de retóricas manipuladoras e escravagistas, de forma surreal se metamorfosearam nas linhas circulares do ying e yang, promovendo essa realidade, que outrora fora ocultada, impedindo um encontro consigo mesmo enquanto Um, enquanto coletivo hUMano. Dessa maneira, metaforicamente a cidade de Atlântida ressurge de sua afundação, num intenso processo interno, coronário e uno, na plenitude do caminho no encontro com a liberdade de direito e de fato.

 

[1] Cidade localizada na Intraterra.

[2] Rede de burocratas de carreira e funcionários não-eleitos que gerenciam o Estado promovendo uma agenda a parte do escrutínio público. 

 

 



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