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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

O Tabu do Indivíduo Moderno na Condição de Clone Contemporâneo e Dublê do Próprio Corpo

A lua é o meu olho direito, e o Sol, é o meu olho esquerdo com o qual posso ver o meu corpo; esse mesmo corpo constituído pela poeira cósmica universal que toca o chão das estrelas que sinto cintilar em meu cérebro, durante a execução da dança da chuva que copiosamente faz transbordar a gratidão borbulhante em meu plexo, ao proferir o estrondoso silêncio ígneo em saudação a Luz Maior, na qualidade de mais Um habitante que Eu Sou do majestoso infinito, enquanto a Terra, o Fogo, Água e o Ar atenciosamente se mesclam em ondas continuas espiraladas em círculos sobre os pontos celulares que formam cada órgão que constituí esse corpo no qual habito.

A consciência dos organismos vivos, que afetuosamente labutam na estrutura desse corpo, cumpre com esmero a sublime missão de manter e perpetuar a minha existência como mais uma partícula divina que compõem o fractal novel dessa Luz universal, nutrindo Corpos e Cosmos com o maná do amor incondicional.

Essas células, que na verdade são consciências fractais, bailam num espetacular redemoinho de luz, cintilando na Grande Explosão do firmamento dessa eternal festa que é o presente de todo agora, dando forma a magia do Tempo real em todas as suas dimensões. Esse Tempo, que é fluído, nesse Espaço que é maleável, produz na consciência, sua autoconsciência, aonde a Liberdade jamais se aparta do amor irrestrito; esse mesmo Amor que só se divide quando soma, se tornando uma subtração cujo resultado é sempre mais. Portanto, somos e vivemos exatamente tudo aquilo que sentimos e pensamos, e nada mais.

Portanto, olhar para o Universo sem enxergar a si mesmo, é seguramente o principal sintoma para detectar a Deficiência Visual Adquirida; a DEVA é uma doença transmitida através das Tecnologias de Informação e Comunicação, que desenvolve a patologia que nos faz enxergar e creditar somente as imagens exibidas através das referidas tecnologias; imagens geridas por algoritmos e comandados por uma Inteligência Artificial, fazendo com que nos tornemos mais uma interface, uma vez objetificado por briefing e meeting, budget e case, enquanto somos coisificados pelo mindset dessa mesma tecnologia.

Dessa maneira, essa sinistra técnica estabelecida pelos magos dos Tempos Modernos, nos transformaram em clones de nós mesmos. Ou seja, fomos substituídos de uma maneira tão habilidosa que, sem que percebêssemos, nos fizeram acreditar nesse ambiente operacional aonde se acolhe a liberdade simulada, o amor fordista e os sorrisos de plástico como realidade de fato, ao confundir personagem com personalidade.

Para que haja a reversão desse sinistro, cada clone deve necessariamente passar por sua adequada metamorfose, reestabelecendo a comunicação natural com suas células; essas mesmas células que tiveram suas consciências adormecidas pela falta do discernimento da anatomia da alma. Somente dessa forma, olhando para fora, pode-se ver o que está dentro, assim como a árvore estende seus galhos em direção ao brilho da luz solar, enquanto suas raízes penetram profundamente na escuridão de seu próprio subterrâneo. É assim que o Zumbi de Alagoas resgata a si mesmo; se livrando das vampíricas presas dos magos da Comunicação, deixando de ser um Clone de si mesmo e recusando a sedução Hollywoodiana em meio a esse longa-metragem aonde o roteiro da história invariavelmente o traz acorrentado ao pelourinho dos desejos, num script aonde a vida liquidificada lentamente vai escorrendo pelos cantos das molduras das selfs produzidas em série na sucessão dos dias, na medida em que derrete o tecido da realidade ao submergir o indivíduo nessa nuvem de algoritmos que esconde o sol de todas as manhãs, fazendo o dito-cujo descansar em berço esplêndido nas noites sem luas de todos os dias.

Desse modo, o canto surdo do galo que tece a manhã se perde através das redes e dos fios dos fones e ligados as parafernálias eletroeletrônicas, que mantém os batimentos cardíacos do indivíduo em seu coma induzido. Esse indivíduo de corpo presente, vive no futuro desenhado sobre os outdoors, com sua existência comprovada única e exclusivamente nos retratos falados das redes sociais e afins. Seu presente, hora se encontra no passado, e n’outra hora está à procura do futuro prometido pelos filmes e novelas, comerciais e propagandas.

Dessa forma, a sua existência no Presente é dublada por seu próprio clone que reproduz toda a programação cotidiana dos programas midiáticos veiculado pelas Tecnologias de Informação e Comunicação, que alimenta esse indivíduo de Inteligência Artificial, para que ele não se perca em seu pensar intelectual, categorizador e classificador de fatos e fotos elencados pela narrativa dominante.

Foi dessa maneira que criaram os conflitos no Oriente Médio, no Vietnã, Onze de Setembro e correlatos. Indubitavelmente os dublês de clone acreditam nos inimigos inventados pela mídia; dessa forma, brevemente os nossos hostis opositores deverão ser os marcianos, venusianos ou Pleadianos; enfim, segundo os senhores da mídia, num futuro próximo, os Extraterrestres, com toda a certeza, invadirão o planeta Terra enquanto os galos cantam tecendo uma nova manhã. Dessa forma, o nosso planeta correrá o sério risco de extinção de todos os dublês com seus respectivos clones, pois a rede que tricota com selfs o tecido humano, estará afinal, fora do ar, e o sujeito, finalmente, levantando-se de sua rede virtual, despertará para sua própria realidade.

 

 

 

 


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