Emergindo
do pó, feito girassol, o ser amputado de si desponta em direção a luz
lançando-se no espaço cromático, agarrando-se com sofreguidão ao infindo vácuo,
na esperança de construir sua ponte em direção aos Jardins de Tântalos. Essa alma
sem eira nem beira, afogada de agonia por todos os lados foi despedaçada por
seus próprios pensamentos desconexos ao galgar seu Gólgota, enquanto se afogava em lágrimas soluçadas a longos haustos.
Suas Vidas, nascidas e entrelaçadas pelo desafio do convívio consigo mesmo, forma o triângulo perfeito com o sal da terra e a Luz do mundo, que alumia os recônditos ocultos na alma do próprio Ser; mas a inevitável escolha pela morte lhe conduziu a um eterno ciclo de contínuos renascimentos. Assim, o jugo, medido e pesado sobre o madeiro de Santa Cruz, é cultivado na sementeira regada a suor e sangue. A cada palmo de solo salgado, gelado e escaldante, mãos e pés são transpassados por ações e pensamentos cravados na vermelhidão sanguinolenta do rígido e incorruptível madeiro da Terra Brasilis de cada novo mundo.
Os pontiagudos cravos forjados pela volátil
atitude desse habitat que lapida o interior do ser, transpassam os olhos da
alma perfurando-os como anzóis de múltiplos ganchos que, contínua e
vagarosamente, do estômago a garganta continuam a rasgar o corpo nu que jaz
sobre o gélido mármore da morte, enquanto seu fígado é solenemente arrancado
pelos santos abutres e servido aos serenos chacais pelo barqueiro Carontes.
São nesses
redemoinhos de mortes renascidas, que provocam violentas tempestades de
lágrimas formadoras dos diamantes eternos, que os santos abutres mantêm o
sagrado ritual de transportar as vidas remidas pelos gritos e ranger de dentes.
Dessa maneira,
o vento, sopro da vida, trazem as tempestades, mensageiras dessa morte anunciada
pelos rugidos dos recém-nascidos no Gólgota de todos os calvários. Esse vento
que, passeando pelo tempo, carrega os sentimentos ocultos que ressurgem como
fantasmas, ou redivivos, ao longo do caminho desses embriões renascidos nesses
tempos de tempestades que provocam esses temperamentos tempestuosos domados
pelos desafios das armadilhas do destino, que foram traçadas e trançadas nas intrincadas
tramas da vida a ser remida.
Dessa
forma, como um anjo em plena menarca, a monarca
deixa o seu castelo para assumir o reinado de sua própria vida ainda em vida,
ao abortar os sentimentos tempestuosos de si sobre si mesmo. Enfim, a vida
começa no final da vida. Agora ela pode observar a própria existência é estar
totalmente comprometida com o que faz aqui e agora, sabendo que nasceu desse
Amor que é a fonte única do que é, e do que há, e nada sobrevive fora dessa fonte; até mesmo a
escuridão. Finalmente a autoconsciência se desperta em si, e para si, ao sair
da penumbra das imagens fabricadas pelo medo da escuridão.

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