Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

domingo, 21 de junho de 2020

Minha Linda amada... Após todo esse tempo clássico de sorriso de Gioconda, você finalmente voltaria a ser a Musa de todas as Artes assim que meus pincéis hábeis concluíssem a sombra de sua face da mesma cor da nossa dessa noite sem lua...

 

Mais, novamente ouvi notícias do horror, de que outra vez a polícia homicida trucidava pessoas de cor, na subida dos comuns, as vistas do Cristo Redentor;

...E a memorável pintura não saiu...

 

Ia pintar a beleza de sua negra pele sob o sol do meio-dia a revelar as linhas desenhadas pelos deuses e deusas de Ébano sob seu negro sorriso franco, quando soube da quantidade de negras e negros assassinados nessa incursão de militares enviada pelo homem branco;

...E essa maravilha de aquarela não saiu...

 

Ia pintar a natureza viva e pulsante incontida nas espontâneas linhas curvas de seu corpo nu, quando me falaram do genocídio batendo às portas, nas escuras noites de todos os dias, envolvendo com sangue as negras epidermes de Norte a Sul;

...E a obra-prima não saiu...

 

Amada minha; hoje só restaram as memórias da natureza morta e enterrada diante das líquidas cores jorradas das minhas veias cortadas nesse instante de criação; assassinato este plasmado no quadro branco da escola da vida, após pendurado e festejado no museu da euro história.

 

... Mas amanhã vou me recuperar, ressuscitarei e voltarei a redesenhar, na expectativa dessa noite sem lua, com seus felinos olhos de gato preto, seu sorriso negro de novo mostrar...

 

...Pois, hoje dei um beijo na boca do tempo... Logo pela manhã pus uma cueca verde, coloquei minha calça verde, vesti uma camisa verde... Ao meio dia degustei um delicioso caldo de ervilhas e um chá verdes... À tarde fui visitar minha infância no futuro de uma vida que quase se expirou no meio do nosso presente... Assim... Camuflado de tempo enganei o Deus Cronos entrando na floresta de gentes que partiram... À noite... Fomos pra cama... Sonhamos... Vivemos... Fizemos amor... Morremos... Gozamos... Acordamos... Dei um beijo na boca do Tempo...

 

... Acordei da lassidão desse sonho pra perceber que minha terra tem palmeiras, onde um negro já chorara; os escravos que aqui morreram, já sofreram como lá. Nossos morros têm mais pobres, nossas ruas mais horrores, nossos órfãos têm mais ira, nessa vida de impostores. Se sair à rua a noite só a morte encontro lá; nessa terra tem palmeiras onde um negro chorará.

 

Minha terra tem impostores qui’em Sírius[i] n’entrará, se eu sair a rua a noite, mais cadáver encontro lá; nessa terra tem palmeiras onde um negro chorará


Me permita Deus a morte, pra que eu não volte para lá; pra qu’eu não veja esses horrores quand'Oxalá me abraçar; pra qu’inda só aviste as palmeiras sem um negro pra velar, sem de novo ter que ouvir o cantar dessa canção que pro exílio vem nos levar...

 

...Então...

 

...Me colorem de mula todos os dias, me camuflando na covardia, me matando todo dia na escola e na igreja, dos comerciais de Coca-Cola aos desenhos do tipo Piu-Piu e Frajola;

 

Saio de casa ao vivo, com ar de defunto novo, andando Sem ver nenhuma mobilização ou manifestação protestando pelos negros corpos espalhados pelo chão, tingindo de vermelho-sangue o áspero chão do preto asfalto saxão;

 

Levanto cedo pra morrer (mais) tarde, quando cada invasão do Rio nos meus olhos é deflagrada a cada notícia disforme turvando a visão: extra, extra... Epiderme negra em carne viva ao vivo para qualquer vivente ver...!!

 

Sem comoção, manifestação nem mobilização; apenas mais um espetáculo do horário nobre que consente o pobre se sentir gente vivente, longe do pelourinho do crente... Assim se pode matar mais gente de cor, sem culpas nem dor...

 

...Então vejo que...

 

...Moro num país tropical, abençoado por Zeus e Odin, Jeová e Javé, CIA e FBI; mas Oxalá nada, nem pensar foi execrado em pleno ar. É isso ai... Amanhã de manhã, vou virar talibã pra sobreviver e tentar manter meu pão de cada dia com recheio de alforria; sorria você está sendo filmado, estuprado e sacaneado, porque alguém afirmou que você é inferior. É o Brazill que mostra a sua cara, rindo de minha face preta, tida como sinônimo de mutreta; mesmo eu sendo um careta que acredita na incerteza do branco nu angelical que reveste toda essa holográfica beleza boreal...

 

...Nessa floresta tropical aonde havia uma sombra no meio do caminho, no meio do caminho havia uma sombra; Não sei se se minha ou do outro...

 

A sombra sempre escura, que assombra e faz fechar os olhos para não ver a negra escuridão que baixa e não se encaixa no corpo esquivante que brinca na pequenina capoeira gingante.

 

Girando, indo e vindo, a sombra lombra a visão da águia ao meio dia, à luz da meia lua.

 

A sombra dança a meia luz, procurando num movimento que seduz, abraçar na benção e na ponteira, de forma bem rasteira, a assombração que gira, circula e pensa que domina a roda da vida.

 

No meio do caminho havia uma sombra; havia uma sombra no meio do caminho... A outra sombra não era escura... Era a branca sombra assombrada pelas almas arrancadas dos corpos de ébano no giro da Capoeira de Angola, aonde o Tempo é mais que tempo; pois é o tempo que move tempo; mas há tempo, muito tempo, quando para o Tempo num ligeiro contra tempo; e assim, o tempo mata o tempo nesse nosso tempo sem Tempo, que muda tempo; assim, volta o tempo: tempo de bom tempo, quando o tempo então, passa a ser pouco tempo...

 

Mas nosso tempo é todo momento nesse único movimento, mesmo havendo muito lamento, é na roda desse tempo que corre a vida, corre a morte, amor e arrependimentos...

 

Nessas voltas que o mundo deu, nas voltas que o mundo dá...

 

Tempo isento, pode ser sinal de sofrimento, que sempre corre junto com o vento, lavando lágrimas, paixões, cheiro de mato e envolvimentos...

 

Nas voltas que o mundo deu, nas voltas que o mundo dá...

 

Com o mar e como o vento, arrastado e engaiolado, o tempo pertence ao próprio tempo... Tempo escuro não passa em branco... 

 

Nas voltas que o mundo deu, nas voltas que o mundo dá...



Tempo é muito tempo; tempo é pouco tempo para o próprio tempo, quando volta o tempo, nesse tempo que levou tempo, movendo o próprio tempo, mudando o tempo o tempo todo nas voltas que o mundo deu, nas voltas que o mundo dá nessa longa Noite Sem Lua no momento desse agora, aonde havia uma sombra no caminho, no meio desse caminho em que havia uma sombra. Dessa maneira, finalmente a luz se fez sobre a Palmeira da minha terra, sobre o monte do calvário pintado ao fundo da Florença Gioconda...

 


[i] Estrela múltipla descobertas pelo povo Dogon, as três estrelas são perfeitamente alinhadas com as três maiores pirâmides do Egito.

domingo, 14 de junho de 2020

Das Lemúrias e Atlântidas, as Aghartas[1] e Shambhalas: Conversas em Preto e Branco Sobre a Conjuntura do Xadrez Holográfico Contemporâneo.

Enquanto as regras são vistosamente pintadas sobre o tabuleiro midiático desse xadrez sócio-político, ditando o modus vivendi da alta sociedade para o resto da nação, nesse jogo ferozmente conduzido pelo Deep State[2], o povo, peão na linha de frente, é cruelmente esmagado por seus próprios líderes que vem atrás.

Esses falsos líderes, são os reais representantes desse Estado Profundo que aprisiona e escraviza seus peões de cores e lados opostos a si mesmo, a partir da fabricação de leis e tratados que protegem somente aos próprios, estagnando essa população alienada de si e limitada ao quadrado do individualismo de sua própria cela mental, uma vez que essa mesma população teve a sua força ativa sequestrada pelas ações políticas; ações estas que simbolicamente constituem as grades dessa moderna Senzala, ações que foram falsamente instituídas com a justificativa de protege-los, mesmo que fosse para se proteger contra eles próprios.

Mas o teatro de ações dinamizadas pelas facções partidárias da direita, da esquerda e do centrão, estão deixando de surtir o esperado efeito, na medida em que os peões não estão mais tolerando ceder o seu poder a esses pretensos representantes ao deixar de abater os peões supostamente opostos; uma vez que é justamente o povo em sua diversidade que sempre foi o legitimador dessa patriota tragicomédia anunciada.

Até agora, o Deep State vinha conseguindo ocultar, com relativo sucesso, as informações e o conhecimento acerca de suas ações enquanto verdugos dessa humanidade que ainda não deixou completamente as profundezas da idade das trevas, mas que agora vislumbram o movimento fora dessa caverna platônica aonde se encontram prisioneiros, dando início finalmente a uma ação teleológica ao desviar o olhar das sombras projetadas pelo Grande Irmão sobre o véu dessa parede holográfica, percebendo dessa forma, a fonte de luz que emana no fim do túnel, e percebendo enfim o próprio cativeiro, desencadeando esse processo que inevitavelmente tornou-se um caminho sem volta como alternativa de liberdade plena.

Agora passamos a nos permitir a ter o poder de imaginar um país sem ricos, nem pobres; sem religiões, nem partidos políticos; sem divisões raciais, de classes ou nacionalismos. Enfim, abrimos nosso centro de poder para imaginar a alternativa de um país sem a distopia dinástica perpetrada nos bastidores do Estado profundo.

Finalmente os limites impostos pela Ordem e por esse Progresso preconizado sobre a retilínea geometria enquadrada no xadrez de Raça e classe, ciência e religião, mídia e educação, num jogo de retóricas manipuladoras e escravagistas, de forma surreal se metamorfosearam nas linhas circulares do ying e yang, promovendo essa realidade, que outrora fora ocultada, impedindo um encontro consigo mesmo enquanto Um, enquanto coletivo hUMano. Dessa maneira, metaforicamente a cidade de Atlântida ressurge de sua afundação, num intenso processo interno, coronário e uno, na plenitude do caminho no encontro com a liberdade de direito e de fato.

 

[1] Cidade localizada na Intraterra.

[2] Rede de burocratas de carreira e funcionários não-eleitos que gerenciam o Estado promovendo uma agenda a parte do escrutínio público. 

 

 



 Dandelion with Bird Silhouettes Tattoo 3 by ~Metacharis on deviantART




sexta-feira, 5 de junho de 2020

Sou, Porque Somos.

Sou feito do Crepúsculo de todas as Alvoradas; as vezes composto pelos olhares lunares expostos pelos eclipses provocados por meteóricos pensamentos cadentes; Sou feito de sentimentos Cósmicos e atitudes Solares.  Meu Colo é feito de estrelas, meu peito de Luz; o bronze de minha pele, empretecida pela poeira cósmica de Éons, foi adquirida nos Atalhos Temporais que interligam as estradas da vida por onde passeia Minh’ alma interestelar, enquanto arranja as cores dessa obra prima Desenhada e musicada por cada pôr-do-sol desse Alvorecer velado pelas nuvens cobertas de céu.

Dessa maneira, Eu Sou tudo o que cabe num átimo entre Alvorecer e Crepúsculo, entre o Alfa e o Ômega, entre o Princípio e o Fim. Sou o silencioso grito interior que sussurra o doce trino a despertar a consciência adormecida. Eu sou feito de vidas; Eu Sou o Caminho, a Verdade e a vida; Sou porque Somos... Porque somente o Amor faz o seu próprio caminho.

 

 


sábado, 30 de maio de 2020

Elementos Elementais do Orgasmo Divino


Ao acordar nas Asas do coração, tendo a alegria das Fadas e dos Silfos, além do fôlego das Nereidas e calor das Salamandras, com a delicada ternura da paz nascida na mais pura emoção positiva, vivamos a companheira de todo alvorecer brincando com o próprio Fogo, enquanto submerso nessa Água viva que, mesmo as vezes nos tirando o fôlego, nos movimenta, impelindo-nos ao Sabor do Vento que eriça ao acariciar a superfície do generoso corpo de Nanã[1].


Witch Gif - ID: 167343 - Gif AbyssEis que a magia se faz, e o nada torna-se tudo, na harmonia transcendental dessa dança festiva com Gaia, nessa alquimia candente entre possíveis encontros e fictícios desencontros num átimo entre Nut e Geb[2]. É nesse abre Alas sincrônico, que a doce Brisa transporta a maviosa Melodia desse Cosmo, que se movimenta na gira do compasso harmônico ritmado pela Luz do Sol Central que, com sua energia, vibração e frequência, ilumina os mais íntimos recônditos das profundezas do Universo, semeando sua luz através do estrondoso silêncio interior que se reflete em seus sonoros raios Fractais.

O deleitante ato de nadar entre os sorrisos das Nereidas, após flutuar assobiando como os Silfos, aquecido no caliente amplexo das Salamandras, nos possibilita a plenitude de voar nas Asas da Liberdade das Fadas, Madrinhas ou não, pairando sobre esse Arco-íris das cores formadas pela explosão da nossa poderosa bomba atômica de Luz.

A metafísica desse despertar de corpo e alma, só acontece quando se atravessa a ponte da alegria sem se olhar para trás; ou mesmo olhar para frente; caso não seja dessa forma, como um castelo de cartas essa ponte vai se desfazer como um sonho desfeito ao abrir dos olhos, já que ela, essa ponte, só pode ser erguida pela alegria do ser em Ser e existir; pois essa energia; assim como o corpo humano, como Urântia e todos os Corpos celestes além do próprio firmamento, é a fonte formadora constituinte de todos os Universos.

Portanto, é elementar que sejamos Elementos e Elementais, criadores e criaturas. Ou seja, somos aquele que oferece o presente, somos o próprio presente e somos também os recebedores desse presente que não se encontra num tempo passado ou futuro, ele é sempre Presente. Esta é a Lei última e única que alimenta e dá vida. Dessa maneira, somos os Elementos dessa ponte que nos liga a nosso próprio Eu, quando nos assumimos enquanto arquiteto, engenheiro, pedreiro, servente e o empresário que dá o autêntico sentido nesse jogo da vida aonde ainda se ocupa o precioso tempo driblando Cavaleiros, Bispos, Reis e Rainhas presentes nesse caótico cenário, com suas sedutoras e performáticas coreografias exibidas, como sombrias sombras, sobre o elegante véu que ornamenta as indolentes projeções holográficas expostas nas pomposas vitrines dos Tempos Modernos.

Justamente como o Tempo, nessa ligação não há contramão. Portanto, é na extremidade dessa ponte
de luz; que tem a mesma função de uma linha reta que se liga do ponto central ao grande círculo; que brincamos de abrir presentes embalados pelo vento norte aquecido pelas Salamandras e emerso na alegria das Fadas; que nos aguarda a Chama gêmea, companheira do alvorecer de nossa vida. Dessa maneira, num átimo entre Nut e Geb, o corpo eriçado de Nanã faz Gaia brilhar no firmamento celeste, num fractal momento de um Tempo sem tempo, nesse deleitante jorro candente de sementes estelares.




[1] Orixá da terra molhada, do mangue, pântano, lama, da chuva; também carinhosamente chamada de “Avó”.
[2] Nut Deusa do céu, que em sua união com Geb, Deus da Terra, deu origem a Osíris, Isis, Seti e Néftis.

domingo, 17 de maio de 2020

Considerações Acerca do Magistério Do Ensino Colonial a Atual Quarentena Decolonial

O Professor, como um Akipalo[1], além de ser um guardador da Memória, ele também é um perene Buscador. Ou seja, ele é tudo o que a academia desdenha, visto que, para a academia, vale o que está escrito; justamente por conta da Memória ser viva, a Memória é dinâmica, a Memória é presente; e sempre que ela, a memória, for grafada, vira letra morta; se transformando em meras lembranças guardadas em um envernizado escaninho acadêmico qualquer; e enquanto lembrança, metaforicamente se confunde com saudades; portanto, lembrança é coisa passado; e exatamente como o tempo futuro, o passado é um tempo inexistente, já que, absolutamente tudo o que acontece em qualquer parte do cosmo, acontece exatamente no agora desse nosso momento Presente.

Sendo assim, o Professor é aquele que não gasta seu tempo procurando apagar a profunda escuridão que encobre o mundo recorrendo a teses, fórmulas, tratados ou compêndios, mas sim, ele busca acender sua Luz própria para tal finalidade. Para isso, como profilaxia contra a síndrome de Sísifo, é necessário perceber que, o que realmente existe é o Tempo sem Tempo, e não a ilusão do tempo que é produzido pelo cronômetro. Ou seja, é necessário perceber que o Tempo é circular e não linear. Dessa forma, o Professor jamais será vítima do voraz apetite de Cronos. Do contrário, ele será mais um perene escravizado por esse calendário que nos acorrenta, com seus grilhões continuamente produzidos pelos tique-taques desse relógio que, como cruel capataz, silencia o majestoso cantar do galo que saúda cada sagrado alvorecer. Esse relógio com seus belicosos ponteiros que proclamam a plenos pulmões em todas as manhãs que o tempo é dinheiro; estabelecendo assim, um enunciado causador de intensos e inexauríveis traumas ao internalizar as ilusões reprodutoras de incontáveis fobias.

Esse metafórico relógio que rege o mundo, é o mesmo que agrilhoa os nossos pensamentos, criando e cultivando os diversos Transtornos Obsessivos Compulsivos e as variadas variedades de Síndromes variantes catalogadas nas bulas alopáticas e papais, presente nesses arcaicos Tempos Modernos. Dessa forma, o Professor guardador de Memórias que Busca, torna-se um Médico de Almas, um Mago fabricante de sonhos, ele é o Arquiteto do Novo Mundo. Esta é a essencial diferença entre o tempo do Viramundo[2] e o Tempo sem tempo do Giramundo[3]. E para ser partícipe desse lúdico processo, é necessário que todo Professor seja também aprendiz, já que, só se aprende ensinando e, sempre buscando a Memória do Tempo Presente, ao olhar para tudo a sua volta com os olhos de uma criança, a fim de enxergar a magia existente em todas as coisas. 

Só desta forma, ao decidir abandonar a morfologia de Sísifo, o Professor conseguirá enfim sair desse looping, e perceberá que, como uma cobaia de laboratório, ele fazia parte de um viciante círculo vicioso ao tentar acompanhar os ponteiros desse relógio metafórico ardilosamente construído por seu escravizador, que invariavelmente o impele a repetir o mesmo processo daquele cão que está sempre a correr atrás da própria calda; dessa maneira a consciência humana finalmente dará o seu grito de Eureka; e então será aquele grito que não está escrito em nenhum livro didático, nem será uma cena fotografada ou mesmo pintada numa tela deslumbrante e bela; mas será enfim, o autêntico, derradeiro e único Grito da Independência.




[1] Contador de história, na cultura Africana.
[2] Grilhão de ferro, pesado, com que os escravizados eram mantidos presos e imóveis por infindáveis horas.
[3] Giramundo ou Volta ao mundo: Termo usado no Jogo da Capoeira num hiato em que um lutador consegue quebrar o ritmo do adversário, a exemplo do um xeque-mate no jogo de xadrez, recomeçando novamente o jogo em questão.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

O Fino Véu entre a Matrix e a Gestalt

Tudo aquilo que percebemos através dos sentidos, são como as incríveis e fugazes imagens formadas e transformadas pelas mágicas nuvens andantes sobre o infinito azul do céu anil; essas mesmas imagens estão numa contínua metamorfose em consequência das intempéries que as arrastam ao sabor do vento norte que continuamente rodopiam ao redor.

Da mesma maneira como que esse curioso e contínuo processo pode ser verificado cotidianamente sobre essa bela tela azul celeste, os nossos sentidos, principalmente a visão e audição, estão sempre a construir paulatinos cenários nos quais vivemos cada um de nossos momentos que formam o nosso agora, de maneira que, sempre encaramos esse momento único como se o vislumbramos fosse exclusivamente o que existe de real e de verdadeiro, o que de fato o é. Mas a questão é que, paradoxalmente, sempre fugimos desse verdadeiro momento que compõe o nosso Agora todas as vezes que o linearizamos ao tentar buscar fora dele, o futuro dele mesmo, ou tentamos retornar ao momento anterior ao próprio, focando nessa mesma tela deslocada do Agora que é exibida pelos sentidos que formatam nossos pensamentos, nos fazendo viajar no tempo.

Dessa forma, absolutamente tudo o que vemos, consideramos como verdadeiro e real, sem perceber que tais imagens nada mais são do que sutis armadilhas construídas e organizadas por esses mesmos sentidos físicos que roteirizam o espetáculo do palco da nossa vida, nos roubando o presente, o nosso agora; são esses pensamentos que sempre gritam as palavras de ordem de lá detrás das coxias, proclamando veementemente que o show tem que continuar.

Metaforicamente, cada nuvem Gestalt que se apresenta ao nosso olhar, imediatamente torna-se um elemento construcional dessa realidade imagética formada por dualidades, representadas pelo passado e pelo futuro, que se antagonizam, quando essa mesma imagem representativa passa a existir como objeto de resistência e de luta entre iguais, produzindo assim, o conceito da existência de um outro.

Destarte, o signo das imagens formatadas pelas metafóricas nuvens passageiras, acabam por se transformarem em simbólicos literais dos relógios devoradores de tempo que comandam os famigerados calendários administradores das horas, dos dias, meses e anos de nossa vida, definitivamente nos instituindo enquanto seres escravizados pelo signo desse Cronos, que rapta a nossa consciência, formatando a masmorra que enclausura a nossa imaginação ao reproduzir os pensamentos fixos que procura por um futuro que jamais chegará. Nesse ínterim, essa mente Medusa nos arrasta pesadamente nos atrelando a carruagem do passado com a qual passamos a desfilar pelas ruas desse nosso tempo sem tempo, congelando o tempo presente de se viver, na medida em que os repetidos pensamentos padronizados vão sendo ininterruptamente reproduzidos em série, de forma exaustiva, projetados a partir do altar imagético que sustenta a matriz dos Tempos Modernos, nos transformando num Agente terceirizado de Sísifo.

Os antigos contos de fadas narram perfeitamente os meandros desse processo quando falam da artimanha usada na apropriação do colossal poder daquele gigantesco touro bravio que facilmente foi dominado, domesticado e tolhido após um simples e suave gesto, bastando somente agitar alguns centímetros de um maleável pedaço de tecido colorido as suas vistas. De maneira análoga, as Tecnologias de Informações e Comunicações simbolicamente se tornaram esse rubro véu de fino algodão agitado no ar, que hipnotizou completamente o nosso olhar, ao desenvolver a sutil função da metafórica bandeira-guia dessa massa que segue a pomposa projeção produzida com sedutoras imagens de cidades futuristas, como uma Shangri-Lá, Atlântida, Lemúria ou uma Terra Prometida qualquer, a caminho de seu devido aprisco. Essas imagens habilmente camuflam as masmorras e as grades do pasto que jaz no entorno dessa grande massa; mas paradoxalmente, elas podem facilmente se desmanchar no ar, como nuvem no avião, se alguém dela se aproximar o bastante, pois de perto, não suportariam quaisquer exames a luz do discernimento.

O misterioso caminho para sair dessa distopia se inicia com a percepção da Gestalt que formata o dualismo criado na construcionalidade na imagem dessa Matrix, que nos é apresentada por nossos próprios sentidos que freneticamente se agitam, como a presença daquele singelo pano vermelho movimentado frente ao Touro Valente. Uma nova forma de percepção inevitavelmente nos leva a ter ciência de que, quem oferece a ilusão torna-se o mestre das massas, e quem se interpõe ou interfere na visão desse fictício Paraíso, invariavelmente terá o mesmo destino do companheiro de Barrabás.


Revivendo a mesma situação suscitada por Salomão e Pilatos, esse é o momento onde se escolhe entre ingressar na Escola de Mistérios em busca do olhar interior, ou permanecer na ilusão criada pelos sentidos, servindo como alimento a esse Grande Irmão que em troca, concede todas as realidades virtualizadas e pós-verdades manufaturadas à gosto, servidas nesse eterno Banquete oferecido pela Matrix; este processo de busca e descobertas é um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para toda humanidade, já que, só mudando o homem é que se muda o mundo.

sábado, 9 de maio de 2020

Sobre a Nova Dieta do Sol e da Lua

Um copo transbordante de silêncio pela manhã, e também, outro copo cheio antes de cada prato de quietude que for ingerido durante os dias das crises oriundas da distopia, é a melhor dieta que poderia indicar aos atores presentes neste palco chamado vida.

E nos hiatos entre copos e pratos, devesse olhar profundamente para a Lua, alegremente saudar-se o Sol e, para completar esse regime alimentar, recomendo o riso franco a fim de espantar o pranto e o espanto com toda essa Guernica[1] ostentada sobre essa tela deslumbrante e bela chamada TV escola. Essa escola da vida que exibe, como tragédia grega, nesse palco aonde a existência é unicamente definida pelas aparências produzidas nas grades desse roteiro traduzido por símbolos e signos mitificados como verdade.

Quem alimenta essa Guernica nossa de cada dia que nos dói hoje, e o mesmo chef da Casagrande que serve aos cães que ladram na profunda escuridão, rosnando para a noite sem lua e sem razão, enquanto são estrategicamente expostos sobre os holofotes das câmeras que registram o medo-alimento espumando das babas de seus caninos.

Dessa forma, o Grande Irmão exibe em sua programação normal, as novidades das novíssimas receitas com as sugestões de opções a lá carte, sem escolhas, oferecidos nesse frugal rodízio antropofágico, banalizado com uma tragicômica sobremesa diplomaticamente temperada por sarcásticos sorrisos bélicos enquanto são degustados por pensamentos atômicos.

O G.I. sabe que, o poder está justamente no que pensamos, pois o que pensamos é exatamente aquilo que somos, assim como nosso corpo se torna tudo aquilo que ingerimos. Portanto, o controle do pensamento e do alimento é a chave mestra do escravismo e do servilismo voluntário contemporâneo com que nos blindam e brindam nesse cotidiano generosamente ofertado pelo maquiavélico e distópico sistema político-religioso.

Portanto, é hora de preparar nosso alimento de cada meio-dia-noite com as seivas oferecidas pela Mãe-Natureza, declinando-se do convite de gala para participar como bufão desse eterno Banquete[2] ofertado por Platão.


[1] Tela do pintor Pablo Picasso retratando o bombardeio sobre a cidade de espanhola de Guernica durante a guerra civil de 1936-1939.
[2] Também conhecido como Simpósio, é um diálogo de Platão sobre a natureza e as qualidades do Amor.