O Professor,
como um Akipalo[1],
além de ser um guardador da Memória,
ele também é um perene Buscador. Ou seja,
ele é tudo o que a academia desdenha, visto que, para a academia, vale o que
está escrito; justamente por conta da Memória ser viva, a Memória é dinâmica, a Memória é
presente; e sempre que ela, a memória, for grafada, vira letra morta; se transformando em meras
lembranças guardadas em um envernizado escaninho acadêmico qualquer; e enquanto lembrança, metaforicamente se confunde com saudades; portanto, lembrança é coisa passado; e exatamente como o tempo futuro, o passado
é um tempo inexistente, já que, absolutamente tudo o que acontece em qualquer parte do cosmo, acontece exatamente no agora desse nosso momento Presente.
Sendo assim, o Professor
é aquele que não gasta seu tempo procurando apagar a profunda escuridão que encobre o
mundo recorrendo a teses, fórmulas, tratados ou compêndios, mas sim, ele busca acender sua Luz própria para tal finalidade. Para isso, como profilaxia contra a síndrome de Sísifo, é necessário perceber que, o que realmente existe é o Tempo sem Tempo, e não a
ilusão do tempo que é produzido pelo cronômetro. Ou seja, é necessário perceber
que o Tempo é circular e não linear. Dessa forma, o Professor jamais
será vítima do voraz apetite de Cronos. Do contrário, ele será mais um perene escravizado por esse
calendário que nos acorrenta, com seus grilhões continuamente produzidos pelos tique-taques desse relógio que, como cruel capataz, silencia o majestoso cantar do galo que saúda cada sagrado alvorecer. Esse relógio com seus belicosos ponteiros que proclamam a plenos pulmões em todas as manhãs que o tempo é dinheiro; estabelecendo assim, um enunciado causador de intensos e inexauríveis traumas
ao internalizar as ilusões reprodutoras de incontáveis fobias.
Esse metafórico relógio
que rege o mundo, é o mesmo que agrilhoa os nossos pensamentos, criando e
cultivando os diversos Transtornos Obsessivos Compulsivos e as variadas variedades
de Síndromes variantes catalogadas nas bulas alopáticas e papais, presente nesses arcaicos Tempos Modernos. Dessa
forma, o Professor guardador de Memórias que Busca, torna-se um Médico de Almas, um Mago fabricante de
sonhos, ele é o Arquiteto do Novo Mundo. Esta é a essencial diferença entre o tempo do Viramundo[2] e o Tempo sem tempo do Giramundo[3]. E
para ser partícipe desse lúdico processo, é necessário que todo Professor seja também
aprendiz, já que, só se aprende ensinando e, sempre buscando a Memória do Tempo Presente, ao olhar para tudo a sua volta com os olhos de uma criança, a fim de enxergar a magia existente em todas as coisas.
Só desta forma, ao decidir abandonar a morfologia de Sísifo, o Professor conseguirá enfim sair desse looping, e perceberá que, como uma cobaia de laboratório, ele fazia parte de um viciante círculo vicioso ao tentar acompanhar os ponteiros desse relógio metafórico ardilosamente construído por seu escravizador, que invariavelmente o impele a repetir o mesmo processo daquele cão que está sempre a correr atrás da própria calda; dessa maneira a consciência humana finalmente dará o seu grito de Eureka; e então será aquele grito que não está escrito em nenhum livro didático, nem será uma cena fotografada ou mesmo pintada numa tela deslumbrante e bela; mas será enfim, o autêntico, derradeiro e único Grito da Independência.
Só desta forma, ao decidir abandonar a morfologia de Sísifo, o Professor conseguirá enfim sair desse looping, e perceberá que, como uma cobaia de laboratório, ele fazia parte de um viciante círculo vicioso ao tentar acompanhar os ponteiros desse relógio metafórico ardilosamente construído por seu escravizador, que invariavelmente o impele a repetir o mesmo processo daquele cão que está sempre a correr atrás da própria calda; dessa maneira a consciência humana finalmente dará o seu grito de Eureka; e então será aquele grito que não está escrito em nenhum livro didático, nem será uma cena fotografada ou mesmo pintada numa tela deslumbrante e bela; mas será enfim, o autêntico, derradeiro e único Grito da Independência.
[1] Contador
de história, na cultura Africana.
[2] Grilhão
de ferro, pesado, com que os escravizados eram mantidos presos e imóveis por
infindáveis horas.
[3] Giramundo ou Volta ao mundo: Termo
usado no Jogo da Capoeira num hiato em que um lutador consegue quebrar o ritmo
do adversário, a exemplo do um xeque-mate no jogo de xadrez, recomeçando novamente
o jogo em questão.

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