Um copo transbordante
de silêncio pela manhã, e também, outro copo cheio antes de cada prato de quietude
que for ingerido durante os dias das crises oriundas da distopia, é a melhor
dieta que poderia indicar aos atores presentes neste palco chamado vida.
E nos hiatos
entre copos e pratos, devesse olhar profundamente para a Lua, alegremente saudar-se
o Sol e, para completar esse regime alimentar, recomendo o riso franco a fim de
espantar o pranto e o espanto com toda essa Guernica[1] ostentada
sobre essa tela deslumbrante e bela chamada TV escola. Essa escola da vida que
exibe, como tragédia grega, nesse palco aonde a existência é unicamente definida
pelas aparências produzidas nas grades desse roteiro traduzido por símbolos e
signos mitificados como verdade.
Quem alimenta
essa Guernica nossa de cada dia que
nos dói hoje, e o mesmo chef da
Casagrande que serve aos cães que ladram na profunda escuridão, rosnando para a
noite sem lua e sem razão, enquanto são estrategicamente expostos sobre os holofotes
das câmeras que registram o medo-alimento espumando das babas de seus caninos.
Dessa forma,
o Grande Irmão exibe em sua
programação normal, as novidades das novíssimas receitas com as sugestões de opções a lá
carte, sem escolhas, oferecidos nesse frugal rodízio antropofágico, banalizado com uma tragicômica sobremesa diplomaticamente temperada por sarcásticos sorrisos
bélicos enquanto são degustados por pensamentos atômicos.
O G.I. sabe que, o poder está justamente no
que pensamos, pois o que pensamos é exatamente aquilo que somos, assim como
nosso corpo se torna tudo aquilo que ingerimos. Portanto, o controle do
pensamento e do alimento é a chave mestra do escravismo e do servilismo
voluntário contemporâneo com que nos blindam e brindam nesse cotidiano generosamente
ofertado pelo maquiavélico e distópico sistema político-religioso.
Portanto, é
hora de preparar nosso alimento de cada meio-dia-noite com as seivas oferecidas
pela Mãe-Natureza, declinando-se do convite de gala para participar como bufão desse
eterno Banquete[2] ofertado por Platão.
[1]
Tela do pintor Pablo Picasso retratando o bombardeio sobre a cidade de
espanhola de Guernica durante a guerra civil de 1936-1939.
[2]
Também conhecido como Simpósio, é um
diálogo de Platão sobre a natureza e as qualidades do Amor.
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