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sábado, 9 de maio de 2020

Sobre a Nova Dieta do Sol e da Lua

Um copo transbordante de silêncio pela manhã, e também, outro copo cheio antes de cada prato de quietude que for ingerido durante os dias das crises oriundas da distopia, é a melhor dieta que poderia indicar aos atores presentes neste palco chamado vida.

E nos hiatos entre copos e pratos, devesse olhar profundamente para a Lua, alegremente saudar-se o Sol e, para completar esse regime alimentar, recomendo o riso franco a fim de espantar o pranto e o espanto com toda essa Guernica[1] ostentada sobre essa tela deslumbrante e bela chamada TV escola. Essa escola da vida que exibe, como tragédia grega, nesse palco aonde a existência é unicamente definida pelas aparências produzidas nas grades desse roteiro traduzido por símbolos e signos mitificados como verdade.

Quem alimenta essa Guernica nossa de cada dia que nos dói hoje, e o mesmo chef da Casagrande que serve aos cães que ladram na profunda escuridão, rosnando para a noite sem lua e sem razão, enquanto são estrategicamente expostos sobre os holofotes das câmeras que registram o medo-alimento espumando das babas de seus caninos.

Dessa forma, o Grande Irmão exibe em sua programação normal, as novidades das novíssimas receitas com as sugestões de opções a carte, sem escolhas, oferecidos nesse frugal rodízio antropofágico, banalizado com uma tragicômica sobremesa diplomaticamente temperada por sarcásticos sorrisos bélicos enquanto são degustados por pensamentos atômicos.

O G.I. sabe que, o poder está justamente no que pensamos, pois o que pensamos é exatamente aquilo que somos, assim como nosso corpo se torna tudo aquilo que ingerimos. Portanto, o controle do pensamento e do alimento é a chave mestra do escravismo e do servilismo voluntário contemporâneo com que nos blindam e brindam nesse cotidiano generosamente ofertado pelo maquiavélico e distópico sistema político-religioso.

Portanto, é hora de preparar nosso alimento de cada meio-dia-noite com as seivas oferecidas pela Mãe-Natureza, declinando-se do convite de gala para participar como bufão desse eterno Banquete[2] ofertado por Platão.


[1] Tela do pintor Pablo Picasso retratando o bombardeio sobre a cidade de espanhola de Guernica durante a guerra civil de 1936-1939.
[2] Também conhecido como Simpósio, é um diálogo de Platão sobre a natureza e as qualidades do Amor.

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