Rompendo o silêncio histórico do povo melaninoso, protagonizando o outro ponto de vista de uma outra história que se evita ser contada, afrocentrizando o olhar paradigmático sobre a cultura oficialmente formatada, patenteada e legítimada como única.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
Um Breve Olhar Sobre o Iº Seminário Nacional de Reparação no Brasil
Como Professor
negro, venho aqui expor o meu olhar, como partícipe presente nesse seminário,
mas não na qualidade de palestrante e integrante do Movimento de Reparação no
Brasil, mas sim como jornalista negro e cidadão de cor.
Quando publiquei
em meu blogue sobre as possibilidades desse encontro nacional, expondo a conjuntura
atual, fazendo contraponto e explicitando as contradições existentes entre os
conceitos de Reparação Histórica e de Ações Afirmativas, as
polêmicas a respeito dessa postagem[1], a
qual trago um breve trecho como nota de rodapé, foi motivo de apaixonados
debates e infindáveis discussões consequentes de seu teor destemido e sem meias
palavras. Diante desse meu exercício de livre expressão, o MNU imediatamente me
exigiu explicação e retratação[2] pública
respectivamente, ignorando qualquer noção de livre arbítrio da pessoa que não
fere o livre arbítrio do outro.
Enfim, o
Seminário aconteceu, seguindo fielmente o padrão conjuntural da atual política
brasileira em céu de brigadeiro[3], com
Legislativo, STF[4]
e tudo mais; e novamente os adeptos das políticas de Ações Afirmativas que
contemplam uma ínfima parte da massa negra do Brasil varonil, sem absolutamente
apresentar nenhuma tática ou estratégia, a fim de possibilitar a construção do Projeto
Político do Povo Negro para a Nação brasileira, objetivo do Seminário,
elaborando para isso, um requintado labirinto de discursos e retóricas,
deixaram os ouvintes circulando em volta da questão, como um cão circula em
torno de si mesmo atrás do próprio rabo.
O Seminário,
cujo tema era REPARAÇÃO, teve 80% de
seu tempo utilizado para produzir e reproduzir, fazendo e refazendo
diagnósticos e prestação de contas, através de intrincados números
estatísticos, a fim de convencer e justificar a validade das Ações Afirmativas
como possibilidade de ser usada como tática de construção do Projeto Político de
Nação, sem, no entanto, propor ou apresentar absolutamente nenhuma tática além
do discurso e das retóricas de convencimento.
Sabemos que esse
tipo de adestramento de permanecer andando em círculo como cobaia de
laboratório, com o intuito único de mudar o suficiente para tudo permanecer exatamente
como está, é usado há bastante tempo por movimentos sociais e ONGs que recebem polpudos
incentivos financeiros do próprio governo e seus afiliados, como forma de
procrastinar quaisquer possibilidades efetivas de liberdade verdadeira; essa é
uma prática notória e pública escondida atrás do fino e frágil véu que veste e movimenta
a dança da hipocrisia social, protagonizando esse espetáculo promovido por nosso
moderno e cruel sistema de casta.
O que os “movedores”
que organizaram esse Seminário não contavam, e que subestimaram em demasia, foi
justamente o olvidar da inteligência alheia e da capacidade de percepção de
nosso povo que acorda, e observa esse cenário que se apresentava em forma de política
rasa de manipulação, que tem a clara pretensão de usar a massa negra, tal como
a mídia o faz. Essa percepção foi o saldo positivo que deu qualidade a esse
encontro nacional; fazendo assim, o tiro sair pela culatra, acertando não só o
pé, mas o coração da hipocrisia conjuntural reinante.
Dessa maneira,
a palavra Reparação soou como um Tobal[5], ecoando pelos quatro cantos do Brasil
através dos partícipes que aqui vieram somar conosco nesse acontecimento único;
apesar de todas as tentativas de sabotagem para que a Reparação fosse
silenciada no Brasil.
Mas esse é um
caminho sem volta; a Reparação, assim como uma flecha lançada, já atingiu o
tecido da hipocrisia nacional e se espalha como uma música de libertação, uma
canção de redenção que ecoa até mesmo nos ouvidos menos atentos, a despeito das
tentativas de debrankkkir[6] e eclipsar seu processo que já se
alastra como um grande incêndio na Casagrande tupiniquim.
Reparação já...!!
[1]
“Este
Seminário vai trazer a lume os meios disponíveis para concretizar o Projeto
Político do Povo Negro para o Brasil, e explicitar as estratégias do
mesmo para atingir tal objetivo, seja esta estratégia definida através da Reparação
histórica, que vem sendo trazida como proposta pela OLPN, ou
definida através das Ações Afirmativas, trazida como proposta
pelo MNU.
Nesse Seminário será
definida e exposta a tática necessária a ser colocada em prática, para
implementar o referido Projeto, como será tal Projeto, e o objetivo final a ser
atingido. A princípio, é de se esperar que os equivocados conceitos veiculados
pelo senso comum a respeito do que venha a ser a Reparação Histórica,
e o seu gritante contraste diante da definição do que venha a ser, e o que se
veicula, sobre as Ações Afirmativas, fatos que serão explicitados,
analisados e pesados, a fim de desfazer as desinformações, deformações e
contrainformação relativas ao assunto em questão, permitam que possamos
finalmente, avançar na luta diante, dessa dicotomia que tem paralisado nossas
ações efetivas relativas a esse processo que se iniciou no ano de 1993 e que se
arrasta até os dias de hoje”.
[3] Alusão
as forças armadas brasileiras golpistas-democrático-brasileiro.
[4] Alusão
ao golpe de Estado de 2016 no Brasil.
[5]
Tambor de Guerra.
[6] Contraponto
da palavra denegrir grafadas com as três letras K da Ku Krux Klan.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
DO MOVIMENTO REPARAÇÃO PARA SEMINÁRIO NACIONAL DO MNU (FEV/2019)
1. Ação afirmativa fundamentado na lei referentes aos crimes de ódio: a discriminação racial. Reivindicando a cada governo, o respeito ao sistema de cotas para negros, e políticas que visem a promoção de igualdade racial com aplicação do Estatuto em vigor.
2. Reparação pelos crimes da história: exige a Reparação pelos crimes do tráfico e escravização dos povos africanos e a seus descendentes. Exigência ao Estado nacional de ressarcimento com bens materiais e pecuniário da dívida da história, pelos crimes de escravização do africano, aos descendentes no Brasil numa reparação negociada.
- Diferenças pontuais-
Ação afirmativa é do direito individual; está prevista na lei Norte Americana dos Direitos Civis e adotada por negra negra a sua aplicação no Brasil. A discriminação racial é um fato individual e social, e não está previsto como crime contra a humanidade, que é amparada pelos Direitos humanos, com direito a reparação, exigida pelo povo que quer ser reparado.
Reparação pelos crimes da história é do direito coletivo, uma vez que uma coletividade inteira e por quatro séculos, como povos da África, foi traficada e escravizada, declarados ambos crimes contra a humanidade, crimes imprescritíveis e garantia de direito de ser reparado aos descendentes, como direito de justiça.
O direito a reparação, não é só pela escravização de nosso antepassado, mas pelo fato do crime de escravidão, ser crime continuado, uma vez que as condições de vida hoje do descendente na favela nada tem de diferente a do seu antepassado na senzala.
-Diferença Conceitual-
3. Ação Afirmativa
São medidas especiais e temporárias tomadas pelo Estado ou pela iniciativa privada, espontâneas ou compulsórias, com objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de oportunidade e de tratamento, bem como compensar perdas provocadas pela discriminação e a marginalização, por motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e outros.
Obs.” As ações afirmativas” são colocadas em práticas através de políticas de Governo, com objetivo de compensar erros do passado por ele reconhecido, sendo o governo quem determina a forma da compensação.
4. Reparação pelo crime da história:
São bens materiais e pecuniário negociados com o Estado nacional como ressarcimento da dívida da história a ser paga a um povo em sentido histórico ou a um coletivo de origem étnica, tradição, cultura comuns, de mesma identidade de destino e que no presente encontra-se em péssimas condições de vida em razão de crime cometido em determinado período da história da humanidade, a escravidão, contra seus antepassados e que se reflete no presente como crime continuado.
Obs.: 1) A reparação do ponto de vista conceitual é do estágio político de negociação. A negociação entre reparado e reparador onde o reparado – aquele que exige ser reparado é quem determina ao reparador a forma de como quer ser reparado. A forma de como tem que ser a sua reparação.
Obs.: 2) No Brasil a reparação pelos crimes da História, coloca na Mesa de Negociação, de um lado o Estado Nacional e de outro representantes dos descendentes de escravizados. Definido povo negro. Estado versus povo.
5. Reparação em geral: Reconhecido pelas Nações Unidas.
A reparação em geral é relação que se estabelece entre povo povo ou Estado e povo, desiguais em força política e poder de persuasão, se definem como reparador e reparado propensos a negociarem o que é direito de um dever do outro, negociação afirmada em tratado ou em encontros onde são consensualizados.
- A Reparação por crime contra a humanidade tem base em princípios.
A. Reparação por crime contra a humanidade tem bases e princípios;
B. É direito de coletivo humano o objeto da negociação da reparação;
C. A reparação é exclusivo atendimento de aspirações coletivas da parte
que exige ser reparada.
Yedo Ferreira
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
O Mistério No Magistério Das Teorias e Práxis No exercício das humanidades
Ninguém
discute a respeito do saber, dos métodos, procedimentos e de como fazer, com os
profissionais que estudaram para ser um dentista, engenheiro ou médico; mas
todos irão discutir e debater com quem estudou para ser professor, questionando
a respeito do seu saber, de seus métodos e seus procedimentos; essa é a
primeira lição que um docente aprende no trabalhoso exercício do magistério.
Nesse
processo, ele vai constatar que, todos que o ouvem, tomam para si o discurso
estético conjuntural do contexto histórico humano como algo absolutamente
pessoal; já que a egolatria assim treinou o pseudo-ouvinte a pretenso aprendiz,
e ele, vendo o quadro branco a partir de seu próprio umbigo, para defender e alimentar
perpetuamente seu ego, se mantém girando na eterna roda da experiência humana
na condição de cobaia que cultiva a paralisia mental patológica em seu contínuo
movimento estático, a partir dessa simulação de intensa liberdade.
Para
ilustrar de forma bem contundente essa contradição, vou citar uma história
africana que narra a existência muitíssimo especial de um lugar retirado e de
difícil acesso, aonde todos que chegavam sentiam uma energia diferente, que
tornavam a todos também muito especiais. Na subida do morro que dava acesso ao
referido local, havia uma estalagem que era cuidada por um velho, com a ajuda
de seu neto, onde as pessoas paravam para se refazer da longa caminhada e
continuar viagem até o referido lugar.
Era comum o
neto do velho escutar as conversas dos viajantes com seu avô, elogiando o lugar
e sua condição tão especial, como aquele homem que chegou numa manhã, dizendo
ao velho que aquele lugar era tudo que ele imaginava; um lugar onde as casas
eram feitas de barro, onde os animais e as crianças se harmonizavam com a
natureza e tudo inspirava a paz, e que seria naquele lugar que ele traria a
família para habitar. O velho só balançava a cabeça e dizia: - “É verdade,
você tem razão”.
Até que um
dia, um homem desceu o morro bastante aborrecido, e parando na estalagem,
começou a reclamar com o velho, dizendo que nunca havia visto era um lugar bagunçado
e asqueroso, onde as crianças se misturavam com os bichos na rua e as casas não
tinha nenhum conforto, tudo era muito tedioso, parado e sem emoção. O velho,
como de costume, só dizia: - “É verdade, você tem razão”. O neto, vendo
que a reação do avô era sempre a mesma, perguntou:
- Vovô, por que você sempre responde a mesma
coisa, tanto para quem gosta, como para quem não gosta da cidade no cume do
morro...??
O velho
respondeu dizendo que, quem fazia o lugar se tornar especial ou abominável, era
a pessoa que trazia em si a luz ou de escuridão necessárias a fim de trilhar seu
próprio caminho. Essa fala do velho, me fez rememorar a fala de outro velho
chamado Paulo Freire, que comparava o amadurecimento de cada pessoa ao
amadurecer dos frutos de uma mesma árvore; onde cada um dos frutos teria seu
próprio tempo de amadurecimento, e cada tempo só poderia ser percebido no
amolengar de cada fruto.
Foi assim
que descobri, na sala de aula, o lugar especial onde reina o amor e o ódio em
toda a sua plenitude; ambos coexistindo como parte na intrínseca diversidade de
um pomar, com seus frutos, num processo de contínuo amadurecimento, aonde a luz
do sol adapta a vida, iluminando ou sombreando, a seu tempo, cada semente e
cada fruto, do jardim da infância da humanidade a maturidade da pessoa humana, nessa
escola da vida que não discute o sabor ou o dissabor dessa mesma vida; não se
discute o coração ou o umbigo do mundo; nem se discute quaisquer opiniões que desse
contexto venham a surgir.
Essa
história africana foi só para ilustrar, constatando que, cada um vê o meio-dia da porta de sua própria casa; já que; de
acordo com o pensamento
remodal, a verdade pode ser posta como uma convergência de percepção e da ação.
Dessa forma, constatamos que os seres humanos não são feitos pela verdade. Eles
são os criadores da verdade (“Viver a” e não “na” nem “pela”), já que ela, a
verdade, não é absoluta, é relativa, desde o momento em que ela é simultânea,
interativa e participativa, eis a práxis. É dessa forma que, em nosso mundo,
toda e quaisquer teorias só teriam validade no modus operandi dessa prática; viver na verdade.
Dessa maneira, o mestre é aquele que deve
olhar holisticamente para poder enxergar, ouvir para poder escutar, tocar para poder
sentir o outro na alma, percebendo cada passo de sua caminhada, tendo enfim, a
possibilidade de falar e dizer algo que faça sentido aos ouvidos neófitos desse
caminhante, durante esse sensível processo do amolengar da alma, desde o jardim
de infância da humanidade jacente, até o mar de luz e harmonia que desemboca na
humanidade de fato.
Este processo não contrapõe bem e
mal, o que é bom ou o que é ruim, o feio e o bonito, nem o lado de cá contra o
lado de lá; ele é; permanece; apenas é; compondo, somando e completando a si
mesmo em seu próprio círculo, permanentemente; permitindo que se individualize
e se personalize com seus pares, seus iguais e afins, durante o percurso desse
rio de vida que corre em direção ao mar do todo. Eis o mistério do Professor
Preto de Cor.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Sobre a Saúde da Pessoa Negra e os Livros Didáticos Neocolonial
A educação neocolonial nos fragmentou, fazendo da gente
negra, uma mera caricatura; nos transformando numa criatura, crone de nós
mesmos. Nossa história nos livros didáticos é a história de um personagem
caricato, tal como fizeram com Monteiro
Lopes[1].
Portanto, quando lemos a história de nossos
antepassados nesses livros neocoloniais contemporâneos, nos referimos aos
mesmos como “aqueles negros”, tentando fugir desesperadamente de nosso crone. Ou seja, tudo que aprendemos sobre nós, não pode ser desmentido; já que não pode ser
falso, porque foi credível, e a credibilidade não se refuta.
Dessa forma, quanto mais conhecemos a nossa história
nesses livros didáticos, menos compreendemos nossa existência como Povo Negro,
pois a vontade dos colonizadores se dá através desses mesmos livros e de todas
as suas tecnologias de informação e comunicação, que transformam automaticamente,
a arrogância dos grandes homens e o
servilismo automático em extensão política.
Dessa forma, se constroem os integracionistas, que
desejam ser assimilados a essa sociedade que o rejeita, tratando-o como lazarento.
Os negros integracionistas adeptos das Ações afirmativas, tal como os negros
norte-americanos foram adeptos dos direitos civis em 1965; dai a origem das
cotas no Brasil em 1975; os integracionistas brasileiros desconsideram que, ao
contrário do Brasil, nos EUA os negros são minoria, e portanto, admitir cotas
em nosso país, significa admitir a exclusão de 90% de nosso povo nessa
sociedade europoide vigente.
Diferente dos judeus, que tratavam suas causas como a causa de um povo, os negros brasileiros não se reconhecem como povo, e preferem tratar das questões sociais que dizem respeito a sociedade do seu dominador, sem priorizar as questões que se refiram a nação, e consequentemente ao povo negro; já que no Brasil, não existe um povo negro, pois os mesmos foram classificados e rotulados pelos europoides como afrobrasileiros.
Diferente dos judeus, que tratavam suas causas como a causa de um povo, os negros brasileiros não se reconhecem como povo, e preferem tratar das questões sociais que dizem respeito a sociedade do seu dominador, sem priorizar as questões que se refiram a nação, e consequentemente ao povo negro; já que no Brasil, não existe um povo negro, pois os mesmos foram classificados e rotulados pelos europoides como afrobrasileiros.
Portanto, os “afrobrasileiros” são educados pelos
eurodescendentes, que dão continuidade ao trabalho de adestramento iniciado por
seus seus pais, através do mercado infame; mesmo que tal mercado tenha sido
condenado como crime da história pela ONU, em 2001, na Conferência de Durban,
tipificado assim, como um crime contra a humanidade; portanto, IMPRESCRITÍVEL.
Dessa maneira, não há quem reclame por tal crime, pois
o que existe hoje da pessoa negra de outrora, é só uma caricatura, um crone que
foi robotizado e lobotomizado, desenvolvendo assim, uma forte paralisia mental,
que as vezes se traduz por comportamentos esquizofrênicos, suicídios ou homicídios.
Dessa maneira, precisamos nos deseducar, necessitamos desaprender
para abrir espaços em meio a esse rio de falsas histórias, principalmente as histórias
que são perpetuada pela imagem-vídeo, pois diferente da fotografia, do cinema
ou pintura, que mostra uma cena, mostra um olhar; a imagem-vídeo do computador
a excluí, já que nos faz imergir nelas mesmo ao simular um espaço de liberdade
e descobertas deletando as referências das coisas.
Dessa forma, vivemos nosso hospício particular de cada
dia que nos dói hoje, sem nem mesmo ter a nitidez mental de um Lima Barreto, e paradoxalmente, nos recusamos também a ser um Machado de Assis, que
além de preto, pobre, tímido e gago, nunca foi a uma escola regular; pois é, descobrimos que ele, Machado de Assis era preto e Lima Barreto, além de preto, era bêbado; um brankkko assassino e bêbado jamais seria refém desse estereótipo.
Afinal,
somos a soma de quê..? Somos o resultado da soma do que nosso colonizador nos
programou a ser através da violência da colonização...? Nossa liberdade de
pensamento se dá pela simulação dessa mesma liberdade...? Já que as nossas
referências foram apagadas...Eis a questão...!! Sair dessa caixa é vislumbrar novas referências, novas possibilidades,
e não ter medo da própria liberdade, uma vez que nunca a conhecemos, e o que é
novo, pode assustar. Como sujeitos inacabados, a nossa busca se faz perene;
como as águas de um rio que nunca seca; até chegarmos a um mar de verdades que
libertam.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
Afroeducação
É necessário
que o pai preto, que queira realmente educar seus filhos, tenha em mente que,
na atual conjuntura neocolonial na qual estamos totalmente imersos, o estado
infantil e a realidade virtual se confundem; o real e o virtual se mesclam; por
isso, a afinidade entre a criança e a informática.
Tudo se
resume ao imediatismo, a aceleração, o tempo real, que vai de encontro a
concepção, a procriação, a gestação; procriação e gestação correspondente a
infância humana que condena a criança a desaparecer, enquanto acelerada a adolescência.
Esse pai
preto precisa saber que somos pensados pelo virtual, e o virtual elimina a realidade
e a imaginação do real; não somente a realidade do tempo presente, mas também
do passado e do futuro. Sendo assim, passamos a ser figurantes da realidade
virtual, nunca atores, e menos ainda um espectador, pois estamos fora de cena,
nos tornamos obscenos; eis a caixa a qual estamos circunspectos; a caixa da
neocolonização.
Portanto, o
pai preto deve perceber a linguagem e sua diversidade como arma absoluta do homem;
e a linguagem única da computação, como nossa torre de babel contemporânea; este
é o princípio para desfazer essa relação umbilical. Sendo assim, este pai preto
saberá que a própria informação virtual são também os vírus digitais.
Assim, ele saberá que vivemos numa alucinação coletiva, onde atrás de cada
imagem, algo desaparece. Ou seja, tudo é virtual, até a nossa inteligência. Dessa
forma, todos os efeitos especiais, as redundâncias, pleonasmos e
superficialidades, assim como tudo mais que é produzido pela máquina, ele então
saberá que também é máquina.
Ela, a
virtualidade, para se aproximar da liberdade, elimina sub-repticiamente as
referências das coisas ao simular espaços de liberdade e de descobertas; o
espaço virtual são as latas de lixo de informações. Ou seja, quanto maior o
conhecimento, menos a compreensão da existência, visto que a realidade passa a se
resumir a um índice, enquanto a memória é apagada ao mesmo tempo que o real. Dessa
maneira, vivemos nessa conjuntura de feudalismo tecnológico, como servos fiéis
e dóceis, que defende aguerridamente seu próprio escravizador.
Para sair
dessa paralisia mental, a Afroeducação
deve negar o direito a indiferença que essa conjuntura nos concede como prêmio
máximo, saindo deste lugar onde a democracia se regenera a cada estupro
eleitoral; neste lugar onde dinheiro
sujo se tornou sinônimo de político;
sem mencionar que a vontade política é operada exclusivamente através da mídia,
enquanto o povo se autoclassifica para assegurar a continuação desse espetáculo.
Sendo assim,
o pai preto deve ter a consciência de que, a mídia exibe diuturnamente o
reality show nas favelas, banalizando polícia que mata bandido e o cruel extermínio
do povo preto, a fim de deixar o preto no lugar subserviente, para que ele
permaneça eternamente na condição de escravizado e defenda o seu vil escravizador.
Perceber essa
caixa e ter a percepção de que existe o lado de fora, é o começo de um processo
único proporcionado pela Afroeducação; processo que se inicia
de dentro para fora, mostrando que tudo que está em cima, também está em baixo,
e tudo que está dentro, também está fora, denunciando que essa caixa é virtual, que não existe.
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