É necessário
que o pai preto, que queira realmente educar seus filhos, tenha em mente que,
na atual conjuntura neocolonial na qual estamos totalmente imersos, o estado
infantil e a realidade virtual se confundem; o real e o virtual se mesclam; por
isso, a afinidade entre a criança e a informática.
Tudo se
resume ao imediatismo, a aceleração, o tempo real, que vai de encontro a
concepção, a procriação, a gestação; procriação e gestação correspondente a
infância humana que condena a criança a desaparecer, enquanto acelerada a adolescência.
Esse pai
preto precisa saber que somos pensados pelo virtual, e o virtual elimina a realidade
e a imaginação do real; não somente a realidade do tempo presente, mas também
do passado e do futuro. Sendo assim, passamos a ser figurantes da realidade
virtual, nunca atores, e menos ainda um espectador, pois estamos fora de cena,
nos tornamos obscenos; eis a caixa a qual estamos circunspectos; a caixa da
neocolonização.
Portanto, o
pai preto deve perceber a linguagem e sua diversidade como arma absoluta do homem;
e a linguagem única da computação, como nossa torre de babel contemporânea; este
é o princípio para desfazer essa relação umbilical. Sendo assim, este pai preto
saberá que a própria informação virtual são também os vírus digitais.
Assim, ele saberá que vivemos numa alucinação coletiva, onde atrás de cada
imagem, algo desaparece. Ou seja, tudo é virtual, até a nossa inteligência. Dessa
forma, todos os efeitos especiais, as redundâncias, pleonasmos e
superficialidades, assim como tudo mais que é produzido pela máquina, ele então
saberá que também é máquina.
Ela, a
virtualidade, para se aproximar da liberdade, elimina sub-repticiamente as
referências das coisas ao simular espaços de liberdade e de descobertas; o
espaço virtual são as latas de lixo de informações. Ou seja, quanto maior o
conhecimento, menos a compreensão da existência, visto que a realidade passa a se
resumir a um índice, enquanto a memória é apagada ao mesmo tempo que o real. Dessa
maneira, vivemos nessa conjuntura de feudalismo tecnológico, como servos fiéis
e dóceis, que defende aguerridamente seu próprio escravizador.
Para sair
dessa paralisia mental, a Afroeducação
deve negar o direito a indiferença que essa conjuntura nos concede como prêmio
máximo, saindo deste lugar onde a democracia se regenera a cada estupro
eleitoral; neste lugar onde dinheiro
sujo se tornou sinônimo de político;
sem mencionar que a vontade política é operada exclusivamente através da mídia,
enquanto o povo se autoclassifica para assegurar a continuação desse espetáculo.
Sendo assim,
o pai preto deve ter a consciência de que, a mídia exibe diuturnamente o
reality show nas favelas, banalizando polícia que mata bandido e o cruel extermínio
do povo preto, a fim de deixar o preto no lugar subserviente, para que ele
permaneça eternamente na condição de escravizado e defenda o seu vil escravizador.
Perceber essa
caixa e ter a percepção de que existe o lado de fora, é o começo de um processo
único proporcionado pela Afroeducação; processo que se inicia
de dentro para fora, mostrando que tudo que está em cima, também está em baixo,
e tudo que está dentro, também está fora, denunciando que essa caixa é virtual, que não existe.
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