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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Afroeducação


É necessário que o pai preto, que queira realmente educar seus filhos, tenha em mente que, na atual conjuntura neocolonial na qual estamos totalmente imersos, o estado infantil e a realidade virtual se confundem; o real e o virtual se mesclam; por isso, a afinidade entre a criança e a informática.

Tudo se resume ao imediatismo, a aceleração, o tempo real, que vai de encontro a concepção, a procriação, a gestação; procriação e gestação correspondente a infância humana que condena a criança a desaparecer, enquanto acelerada a adolescência.

Esse pai preto precisa saber que somos pensados pelo virtual, e o virtual elimina a realidade e a imaginação do real; não somente a realidade do tempo presente, mas também do passado e do futuro. Sendo assim, passamos a ser figurantes da realidade virtual, nunca atores, e menos ainda um espectador, pois estamos fora de cena, nos tornamos obscenos; eis a caixa a qual estamos circunspectos; a caixa da neocolonização.

Portanto, o pai preto deve perceber a linguagem e sua diversidade como arma absoluta do homem; e a linguagem única da computação, como nossa torre de babel contemporânea; este é o princípio para desfazer essa relação umbilical. Sendo assim, este pai preto saberá que a própria informação virtual são também os vírus digitais. Assim, ele saberá que vivemos numa alucinação coletiva, onde atrás de cada imagem, algo desaparece. Ou seja, tudo é virtual, até a nossa inteligência. Dessa forma, todos os efeitos especiais, as redundâncias, pleonasmos e superficialidades, assim como tudo mais que é produzido pela máquina, ele então saberá que também é máquina.

Ela, a virtualidade, para se aproximar da liberdade, elimina sub-repticiamente as referências das coisas ao simular espaços de liberdade e de descobertas; o espaço virtual são as latas de lixo de informações. Ou seja, quanto maior o conhecimento, menos a compreensão da existência, visto que a realidade passa a se resumir a um índice, enquanto a memória é apagada ao mesmo tempo que o real. Dessa maneira, vivemos nessa conjuntura de feudalismo tecnológico, como servos fiéis e dóceis, que defende aguerridamente seu próprio escravizador.

Para sair dessa paralisia mental, a Afroeducação deve negar o direito a indiferença que essa conjuntura nos concede como prêmio máximo, saindo deste lugar onde a democracia se regenera a cada estupro eleitoral; neste lugar onde dinheiro sujo se tornou sinônimo de político; sem mencionar que a vontade política é operada exclusivamente através da mídia, enquanto o povo se autoclassifica para assegurar a continuação desse espetáculo.

Sendo assim, o pai preto deve ter a consciência de que, a mídia exibe diuturnamente o reality show nas favelas, banalizando polícia que mata bandido e o cruel extermínio do povo preto, a fim de deixar o preto no lugar subserviente, para que ele permaneça eternamente na condição de escravizado e defenda o seu vil escravizador.

Perceber essa caixa e ter a percepção de que existe o lado de fora, é o começo de um processo único proporcionado pela Afroeducação; processo que se inicia de dentro para fora, mostrando que tudo que está em cima, também está em baixo, e tudo que está dentro, também está fora, denunciando que essa caixa é virtual, que não existe.



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