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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Sobre a Saúde da Pessoa Negra e os Livros Didáticos Neocolonial

A educação neocolonial nos fragmentou, fazendo da gente negra, uma mera caricatura; nos transformando numa criatura, crone de nós mesmos. Nossa história nos livros didáticos é a história de um personagem caricato, tal como fizeram com Monteiro Lopes[1].

Portanto, quando lemos a história de nossos antepassados nesses livros neocoloniais contemporâneos, nos referimos aos mesmos como “aqueles negros”, tentando fugir desesperadamente de nosso crone. Ou seja, tudo que aprendemos sobre nós, não pode ser desmentido; já que não pode ser falso, porque foi credível, e a credibilidade não se refuta.

Dessa forma, quanto mais conhecemos a nossa história nesses livros didáticos, menos compreendemos nossa existência como Povo Negro, pois a vontade dos colonizadores se dá através desses mesmos livros e de todas as suas tecnologias de informação e comunicação, que transformam automaticamente, a arrogância dos grandes homens e o servilismo automático em extensão política.

Dessa forma, se constroem os integracionistas, que desejam ser assimilados a essa sociedade que o rejeita, tratando-o como lazarento. Os negros integracionistas adeptos das Ações afirmativas, tal como os negros norte-americanos foram adeptos dos direitos civis em 1965; dai a origem das cotas no Brasil em 1975; os integracionistas brasileiros desconsideram que, ao contrário do Brasil, nos EUA os negros são minoria, e portanto, admitir cotas em nosso país, significa admitir a exclusão de 90% de nosso povo nessa sociedade europoide vigente. 

Diferente dos judeus, que tratavam suas causas como a causa de um povo, os negros brasileiros não se reconhecem como povo, e preferem tratar das questões sociais que dizem respeito a sociedade do seu dominador, sem priorizar as questões que se refiram a nação, e consequentemente ao povo negro; já que no Brasil, não existe um povo negro, pois os mesmos foram classificados e rotulados pelos europoides como afrobrasileiros.

Portanto, os “afrobrasileiros” são educados pelos eurodescendentes, que dão continuidade ao trabalho de adestramento iniciado por seus seus pais, através do mercado infame; mesmo que tal mercado tenha sido condenado como crime da história pela ONU, em 2001, na Conferência de Durban, tipificado assim, como um crime contra a humanidade; portanto, IMPRESCRITÍVEL.

Dessa maneira, não há quem reclame por tal crime, pois o que existe hoje da pessoa negra de outrora, é só uma caricatura, um crone que foi robotizado e lobotomizado, desenvolvendo assim, uma forte paralisia mental, que as vezes se traduz por comportamentos esquizofrênicos, suicídios ou homicídios.

Dessa maneira, precisamos nos deseducar, necessitamos desaprender para abrir espaços em meio a esse rio de falsas histórias, principalmente as histórias que são perpetuada pela imagem-vídeo, pois diferente da fotografia, do cinema ou pintura, que mostra uma cena, mostra um olhar; a imagem-vídeo do computador a excluí, já que nos faz imergir nelas mesmo ao simular um espaço de liberdade e descobertas deletando as referências das coisas.

Dessa forma, vivemos nosso hospício particular de cada dia que nos dói hoje, sem nem mesmo ter a nitidez mental de um Lima Barreto, e paradoxalmente, nos recusamos também a ser um Machado de Assis, que além de preto, pobre, tímido e gago, nunca foi a uma escola regular; pois é, descobrimos que ele, Machado de Assis era preto e Lima Barreto, além de preto, era bêbado; um brankkko assassino e bêbado jamais seria refém desse estereótipo. 

Afinal, somos a soma de quê..? Somos o resultado da soma do que nosso colonizador nos programou a ser através da violência da colonização...? Nossa liberdade de pensamento se dá pela simulação dessa mesma liberdade...? Já que as nossas referências foram apagadas...Eis a questão...!! Sair dessa caixa é vislumbrar novas referências, novas possibilidades, e não ter medo da própria liberdade, uma vez que nunca a conhecemos, e o que é novo, pode assustar. Como sujeitos inacabados, a nossa busca se faz perene; como as águas de um rio que nunca seca; até chegarmos a um mar de verdades que libertam.



[1] O primeiro deputado negro no Brasil.

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