Rompendo o silêncio histórico do povo melaninoso, protagonizando o outro ponto de vista de uma outra história que se evita ser contada, afrocentrizando o olhar paradigmático sobre a cultura oficialmente formatada, patenteada e legítimada como única.
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terça-feira, 11 de novembro de 2014
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Dia 20 de novembro de A a Z: Apocalipse Zoombi
Observando o
tipo de sorriso no rosto de nossas crianças sobre os ombros de seus pais, nos
dias dos jogos de Copas do mundo; principalmente nesses campeonatos de futebol
onde supostamente o Brazil se classificou como campeão; a cada gol feito, vimos
esse mesmo sorriso sofrer uma grave transformação.
As crianças desde a Copa de 70, por
exemplo, nos trás a lembrança do sorriso nos remete aqueles momentos de intensas alegrias, onde quando brincavam de polícia e
ladrão as armas eram os próprios dedos da mão. Os brancos, percebendo muitos
cifrões nessa incontida alegria entre irmãos, resolveram roubar esses sorrisos para
si; confeccionaram para tal fim lindas e macabras armas como euro brinquedos
infantis para remodelar essas longas tardes pueris.
Desse modo, os infantes Afros sorrisos
dos anos 80 se tornaram romanicamente em sorriso apolíneos. Enfim, lucrativo folhetim. Afinal,
começava ali uma nova branca história de bang-bang,
onde as onomatopeias ensinadas nas escolas começaram a se ressignificar; desta
vez, as ruídos dos tiros não mais eram reproduzidos pelos próprios lábios dos
infantes, e tal como os espelhinhos dados de “presente” de grego aos autóctones, agora havia um reflexo diferente na
produção desses ruídos.
Enfim, chegamos aos anos 90, e dos
canos dessas armas já não saiam mais água ou outro inocente produto; expeliam algo
bem diferente; algo que produzia luto; algo que ceifava os filhos das mães, que
tomavam os netos dos avôs e fragmentava famílias pretas, armas que de novo descobriam o neolítico fogo, já que as fábricas de
brinquedos deixara definitivamente o mercado de armas para escrota boçalidade dos
militares que acostumados a impunidade, acondicionaram esse fogo como presente a desumanidade. Hoje, o mercado de armas é o primeiro do
mundo, tendo como um dos maiores acionistas a igreja católica, a “antiga” patrocinadora e promotora da
inquisição, que agora democraticamente divide essas funções com as demais
religiões, num claro conluio entre Polícia, Político e Pastor, a Jihad
branca numa perfeita trindade de terror.
Agora os nossos bosques não tem
mais vida nem nossas vidas mais amores, pois os sorrisos, agora não mais ingênuos,
se perderam nas vielas e becos das comunidades pobres numa brincadeira
mortal de sobrevivência real, fugindo do poder Estatal e do eurocêntrico e excêntrico
empresário local que invadiu o mundo negro chamado de Brasil varonil, quebrando
resistências mil, expulsando e tomando as vidas daqueles que a pátria pariu; os
negros de vida preta. Mais a educação que consegui transformar os novos negros, como os cristão novos, novos negros agora com
vida branca; utilizando essa educação assimilativa que é a educação especial que tem reproduzido
a servidão gentil e o racismo cordial como princípio de vida e de moral. Desse modo,
temos o nosso segundo tempo e a prorrogação nesse jogo da vida onde os racistas
voluntários abundam nos estádios, nos palcos e no show da existência vendida e
adquirida a preços módicos pela oligarquia escravocrata do século XXI, aumentando progressivamente nossa produção de mortos em massa.
os mesmos sorrisos
dos zumbis de Hollywood; sorrisos macabros, zombeteiros, sorrisos de torturadores,
sorrisos de algozes, de oprimidos que se transformaram em opressores, sorrisos
perdidos entre os braços e abraços negros que traziam a felicidade nos domingos
de feijoada e de samba. Por isso, nosso Zumbi não morre e não pode ser um mero
fantasma Hollywoodiano; ele vai se recontextualizar enquanto a educação
especial for para lama do sucesso branco; É assim que nos desviamos
dos tiros, porrada e bomba e recuperamos o sorriso do capoeira que escorrega
mais não cai, durante a roda da vida ou nas voltas que o mundo dá... Nem um
passo atrás... Pois isso aqui vai virar Palmares... Não permitamos que Hollywood transformem nossas crianças em meros Frankenstein... No Novembro de todos os 20, sejamos os Zumbis de todas as Palmares...
terça-feira, 21 de outubro de 2014
As 10.639 palavras que devem ser ditas sobre educação
Debater educação é debater
currículos, e é público e notório que a hierarquização dos currículos não
admite discussões a respeito de tal questão, ou até mesmo a iniciar quaisquer
diálogos sobre as possibilidades de observação e flexibilização dos mesmos,
mediante pena de ter que descolonizar os currículos impostos, e isso implicaria
numa prática diferente da educação subalterna com seu brilhante verniz burocraticamente
meritocrático. Portanto, inevitavelmente seria necessário movimentar o monólito
cultural do saber universal posto como verdade única pela monocultura
dominante.
Desse modo, esse debate apontaria
para uma forçosa reforma construtural o que abalaria toda a conjuntura vigente;
(conjuntura) fundada na conflituosa relação entre oprimidos e opressores; onde
os primeiros lutam pelo direito a ter direitos, enquanto os segundos
constantemente criam mecanismos de instituir mais privilégios na incessante sanha
de manutenção do poder.
Isso deixa claros os interesses por trás da aprovação da lei 10.639/03; lei
que supostamente viria beneficiar a 20% dos negros oprimidos pela branquitude,
combatendo dessa forma, o que Frantz Fanon denominou de racismo epistemológico.
Assim, cria-se e aprova uma lei sem, no entanto, dar condições para que a mesma
seja aplicada e menos ainda instituir uma política educacional que a sustente.
No caso contrário, se a lei fosse efetivamente aplicada, isso implicaria na
demissão imediata de mais de 90% dos professores de história e de geografia,
supondo que coubessem somente essas disciplinas a responsabilidade da aplicação
da lei. Ou seja, simultaneamente são criados mecanismos para que as condições
de aplicabilidade não aconteçam. Afinal, demissão em massa é proposta tão
indecente como a inusitada ideia do docente voltar a ser discente.
Dessa forma, os governos garantem
tal estrutura; camuflando suas próprias leis que exigem a formação continuada
desse mesmo docente. Nesse caso, há um acordo implícito onde um não diz nada e
o outro nada fala. Ou seja, o golpe do
mestre é fingir-se de morto.
Nesse caso, as 10.639 palavras se
resumem a um amontoado de números de leis, decretos, emendas e incisos sem
senso, siso ou sentido, adornando as estatísticas das notícias e as manchetes
sensacionalistas dos candidatos a salvador dessa pátria que nos pariu. Desse modo, juntando a dubiedade das palavras
e a frieza dos algarismos no caput legislativo, a justiça social cede espaço à
execução penal que se enreda na cidadania plena, descrita como fim na definição
da função educativa.
Assim, palavras e números
estabelecem a senha de acesso ao ser que deixou de ser, que desse entre-lugar deverá repeti-la 10.639
vezes até ser memorizada pelo esquecimento guardado nos escaninhos da educação
subalterna; somente dessa maneira, teríamos as condições necessárias para
iniciar qualquer de bate sobre o assunto educação.
sábado, 18 de outubro de 2014
O massacre do Povo Negro brazilleiro como espetáculo midiático da branquidade
No Brazill,
o Povo Negro vivencia um impiedoso massacre, enquanto a população passa ao
largo observando as centenas de corpos tombados pelos chãos das Cidades Sorriso as Cidades
Maravilhosas, como principais atrações nos espetáculos públicos promovidos pelo
estado e dirigido pelas elites financeiras tupiniquins e multinacionais;
atrocidades estas, só comparadas à virtuosidade sádica da Ku Krux Klan, que matiza na tela da TV a natureza morta em 50 tons de negro.
Nesse sentido, essa mesma
branquidade, cinicamente conta nossa história legalizada por eles mesmos
através da lei 10.639/03, enquanto
beneficiam as ONGs e propiciando e estabelecendo a já confirmada corrupção
intelectual eurocêntrica.
Desse modo, o hepistemicídio fazendo coro com o genocídio de nosso Povo
institucionalizado pelo Estado, desqualifica a pluriculturalidade através da enganosa
propaganda multicultural. Assim, nos
é imposto o saber universal enquanto se controla nossa subjetividade
legitimando o Que F. Fanon chamava de
racismo epistemológico.
Nosso complexo de dependência se solidifica na medida em que assimilamos
essa monocultura como única. Quando esse expediente falha, os serviços do capitão-do-mato se faz presente;
para esse fim, é usado o policial; aquele negro preparado para exercer a
estupidez indiscriminada, a imbecilidade em último grau, além de intelectualmente
corrompido. Ou seja, uma aberração cognitiva ambulante, estimulado e motivado
pelo Estado para eliminar o elemento
padrão brasileiro; o negro e a negra... Um perfeito Soldado Universal.
A forma espetacular pela qual se dá
essa ação desse funcionário é fato notório e público, aceito e assimilado sem
censuras. As vítimas dos crimes, quando sobrevivem ao julgamento promovido por
esses vermes, lacaios da branquitude, vítimas que variam dos 02 anos de idade até
92 anos, passam a figurar nos números invisíveis que fogem as
estatísticas oficiais, preparadas pelas entidades contratadas pela mídia e
pagos pelo Estado.
Desse modo, nossa prisão sem grades
reforçam seus poderosos e invisíveis muros onde as comunidades negras vivem
cativas. Esses macabros tumbeiros contemporâneos geridos pelas mãos da
branquitude e sustentados pelos braços dos capitães-do-mato
promovem diuturnamente seus atos insanos sem embaraço, num eterno escracho. Somos
negros entre a vida e a morte, brigando pela sorte de se evitar a estupidez do extermínio
das portas do condomínio a última caxanga pendurada nos píncaros morro, ouvindo
o esporro do branco apresentador das TVs, sem nenhum socorro.
Ao sistema capitalista é imprescindível
dotar ao policial, essa besta estúpida,
também conhecido no Rio de Janeiro como verme,
do direito de estuprar, humilhar, tortura e executar negras e negros em
qualquer lugar e a qualquer hora. Tudo porque a pele do negro, seus cabelos
crespos, seu olhar, seus lábios e narizes representam a África atravessada na
garganta dessa altiva branquidade, representante oficial do eurocentrismo
antropofágico.
Portanto, após roubar sua terra,
sua pátria e seu próprio nome, a branquitude tenta proibir que o povo negro
tenha sua religião, tenta evitar que esse povo cante ou dance suas músicas ou que conte sua
história amordaçada nos brancos livros didáticos. Transformar a teoria em arma
foi a arma mais eficiente da branquitude que tem ojeriza a negritude ao mesmo
tempo em que se apropria da ginga, da palavra negra, falada, ouvida e vista; Dessa
maneira, fizeram do racismo a última
fronteira do ódio; racismo transformado em fórmula de poder, legitimado e
institucionalizado pelo Estado através das ciências, da filosofia e da
religião. Exemplo disso é que até tempos recentes a SID, relações de doenças catalogadas
pela psicologia, constava como doença a intensa e teimosa vontade de fuga dos
negros escravizados, e como tratamento era recomendado a amputação dos dedos de
pés e se fosse recorrente. Ou seja, se esse paciente
fosse fichado, também era recomendada a amputação dos dedos das mãos. Claro que
a ciência aceitou e assimilou tratamentos dessa natureza, visto que realmente
dava certo; Nina Rodrigues que o
diga... Isso é fato Lombroso...!!
Claro que essa mesma ciência até
recentemente, também não se pronunciou ou estudou a respeito da Negrofobia, essa patologia branca que
virou pandemia mundial. Mais atualmente a indicação recomendada pelas ciências
e pelas religiões, é o efetivo extermínio da população melanodérmica. Essa profilaxia
naturalmente assimilada pela sociedade tem sido o carro-chefe da política
nacional brazilleira, visto que as medidas necessárias para descriminalizar o
Genocídio do Povo Negro tem surtido grande efeito junto às instituições até
mesmo nas não governamentais, que
fazem uso dos partidos políticos e dos programas sociais como excelentes
fachadas a favor desse extermínio em massa.
Desse modo, fabricamos a luta de
classes como um Judas perfeito para se
responsabilizar pela conjuntura social, enquanto dividimos o povo entre nós e eles perversamente, pois essa é a melhor maneira de se ganhar adeptos para uma causa
fictícia e fortalecendo as quadrilhas eurocentradas através do expediente de
cooptações. Assim, no discurso branco assimilado reza que aquele preto foi
morto porque era pobre e não porque era preto. Ou seja, pobre bandido é bem
aceito. Afinal, ele rouba porque é pobre, rico não rouba, certo...!?
O fato dos
executados serem pretos é mera coincidência, só uma falta de sorte. Na medida
em que a distância entre as classes forem diminuindo, vai haver menos pobre,
portanto, menos meliantes, correto...!? Por isso é que esses negros fazem parte
desses partidos políticos brancos: eles acreditam... E como são brazilleiros,
não desistem nunca... Acreditam nos jornais, nos brancos repórteres e nos brancos
políticos. Afinal, estamos do lado de cá
e eles do lado de lá, somos do bem e eles do mal, simples assim... Portanto, é necessário apoiar o valente capitão-do-mato, seus preciosos aliados
na manutenção da lei e da ordem, caso o programa de escravidão mental falhe.
E assim caminha o espetáculo do
genocídio do Povo Preto, como num grande mercado negro popular com um forte cheiro
de morte ao vivo no ar, cheio de emoção e comoção, num clima do Circo romano reeditado com requinte
de monstruosidade, enquanto a cena é incessantemente revista teclando-se os botões
do controle remoto que escraaaaaacha um preto enquanto antropofagicamente
devoramos um delicioso quarteirão do Mc Donald’s acompanhado de uma preta coca que não cola...
O trem da ordem preta e do
progresso branco vai de campo de concentração a campo de concentração pelas
cidades Sorrisos e Maravilhosas... Ku
Krux Klan... Ku Krux Klan... Ku Krux Klan... Ku Krux Klan... Ku Krux Klan... Ku
Krux Klan... Ku Krux Klan... Ku Krux Klan... Ku Krux Klan... Ku Krux Klan... Ku
Krux Klan... Ku Krux Klan... Ku Krux Klan...
Hoje viemos
assaltar esse trem, roubar objetos de torturas e humilhações do altar das religiões
brancas e pegar de volta nossa história de vida: Eu digo não ao Genocídio do
Povo Negro... E você...? O que diz...!??
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
PRETA é a cor da sua SENTENÇA...!!
Desde que se passou a conceituar-se
raça como entidades biológicas reais, contraditoriamente vistas partes por
partes e não como um todo, estabelecendo-se marcadores raciais[i] e
tudo mais, verificou-se também que 7% de indivíduos do mesmo grupo racial diferem
mais um dos outros do que as raças diferem entre si.
Desse modo, Lineu[ii] é
contradito por Livingstone em seu artigo intitulado “Da não existência das raças humanas”, que desconstrói todo o
conceito de árvore genealógica estabelecido. Na conferência da UNESCO,
especialistas declararam que a “raça é
menos um fenômeno biológico do que um mito social”.
Na África, um japonês é considerado
como um “branco honorário” enquanto um
chinês seria considerado como um homem de cor.
Como cada um de nós vê o sol do meio-dia da porta de sua própria casa, nunca
renunciamos ao hábito de julgar segundo nossos próprios critérios pessoais. Para se descobrir um novo mundo, é
necessário esquecer seu próprio mundo, do contrário, aquele que pesquisa estará
simplesmente transportando seu mundo consigo ao invés de manter “a escuta”.
Dessa maneira, devemos, todos os dias,
ouvir o que o ouvido ainda não escutou. Portanto, a fala, que dá forma ao
passado, deverá faundamentar nossa linha de ação consolidando futuras condutas, evitando
assim, a repetição de deslizes crassos e desnecessários na administração do próprio
proceder.
Portanto a escuta é um item de
extrema valia, que concretiza o bom senso como tal, e que invariavelmente deveria
fazer parte do proceder de quaisquer profissionais competentes de quaisquer
poderes constituídos; mais lamentavelmente, no Brazil é o primeiro qualificante
a ser desconsiderado. É grosseira a incapacidade e a completa ignorância,
muitas das vezes proposital, daqueles que se outorgaram como juízes,
desembargadores e afins, no pífio desempenho de suas funções como funcionários
públicos, a inobservância desse inciso.
Dessa maneira, os editores da
verdade se travestem de locutores do jogo da vida, num jogo de cartas marcadas.
Competição essa em que o time concorrente nem sabe que está jogando, e menos
ainda tem consciência de que esteja no campo oposto dessa cabo-de-guerra. Por
desconhecer o jogo e suas regras, a Negritude, como chamamos esse time oposto ao da
branquitude, tenta assimilar as qualidades do adversário ao perceber as
vantagens concedidas aos jogadores que as possuem; porém ao agir dessa forma e
pensar ganhar alguma vantagem no jogo com esse proceder, só faz com que seu
time se enfraqueça e definhe. Como não se mexe em time que está vencendo, a branquitude
sempre se protege em qualquer situação que ameace trazer qualquer forma de
equilíbrio entre os contendores.
Desse modo, os jogos tornam-se cada
vez mais vorazes, mais comoventes e mais competitivos, com a astúcia branca
ganhando cada vez mais reforço vindo do lado oposto, visto que, há jogadores negros
que se tornam aliados, a medida que engrossam as fileiras dos rivais minando os
recursos do próprio time. Dessa maneira temos policiais negros, juízes negros,
atrizes e atores negros, jornalistas negros e uma infinidade de aliados à
branquitude que prestam seu desserviço ao próprio time, que contraditoriamente acaba
perdendo para si mesmo, na sua estúpida individualidade egoística, mais sempre mantendo a ilusão da vitória através da política
meritocrática branca.
Nesse jogo da vida quantos negros,
como Rafael Braga, serão ainda sentenciados unicamente pela tom de sua pele...!?
Sendo a causa desse julgamento, fato notório e público, tolerado, aceito e
assimilado como natural; tão natural como é a cor da pobreza; tão natural como é a cor da prisão; tão natural como é um
político aumentar continuamente o próprio salário indiscriminadamente; tão
natural como é a criminalização da pobreza; tão natural como é o racismo em
nosso país; tão natural como hoje se tornou o trabalho escravo e o tráfico de
seres humanos no Brazil e no mundo.
Dessa maneira sem noção, sem
perceber a situação, sem a mínima atenção a si e aos seus, o povo negro perde
sua cor empunhando a bandeira branca da paz enquanto tem seu pescoço sobre o fio da
navalha do capataz; sua paz sem voz se cala toda vez em que um irmão preto
vai pra vala negra. A vala dos comuns, dos que não tem cabelos lisos e olhos
coloridos; dos que não aparecem em ação na televisão; dos que não posam em capas
de revistas, salvo nas de cultura empobrecida.
Assim, domingo vamos ao Maracanã,
vamos torcer pro time que somos fã, enquanto Rafael Braga cumpre mais de cinco
anos de prisão, porque a klan do Juiz
Carlos Roboreto da 3ª turma do tribunal do Estado do Rio de Janeiro e seus
ascetas, desejam passear em seus carros importados com um feliz sorriso branco
no olhar, sem se incomodar com um neguinho catando lixo na esquina, com um neguinho
pedindo esmola no sinal ou mesmo pedindo clemência em seu nobre tribunal.
Desse modo, todos poderão continuar
vendo o meio-dia da porta de suas respectivas casas, até que recomecem as próximas atrocidades
das edições diárias dos jogos vorazes do
racismo que nos dói hoje. Portanto, façam suas apostas para ver quem será o
próximo a ser parado na Britz do preto mandodo pelo branco que te rouba no banco,
no trampo e na trilha; somente por causa da tua tez, da tua melanina, ele te assassina
enquanto a nação inteira te ensina que isso é certo, é sua sina assinada pela lei áurea,
a lei do cão que te silencia da meia-noite ao meio-dia...
Depois da Copa da FIFA virão as Olimpíadas; depois das Olimpíadas, o Roletrando; depois do Roletrando virão outros domingões, outros dias, outros
jogos, outras humilhações; mais racismo, mais torturas, mais mortes,
mais milhões, mais risos e brancas alegrias... Jogando sempre com raça, na praça, na escola,
nas ruas, no campo e construções o racismo e o racista sem razão; combinando a
rima branca do linchamento com o piquenique[iii]
de cada euro momento após cada funeral de um negro animal que teima em tentar ser um sujeito normal, a despeito de cada notícia estampada nas manchetes cotidianas de todas as manhãs desse espetacular zoológico em que se transformaram as Urbes desse magnífico e civilizado Planeta dos Macacos...
No cínico discurso branco vem o sincero recado hipócrita do selvagem juiz franco:
No cínico discurso branco vem o sincero recado hipócrita do selvagem juiz franco:
- Como juiz do supremo eu condeno em nome de Deus, da pátria, da família e dos bons costumes; sentencio a prisão perpétua e a pena de morte simultâneo, por conta de sua cor lembrar a sorte de meu fracasso como um insano e senil sujeito do norte...!!
[i]
ABO Fatores sanguíneos encontra dos em todas as raças;
cromossomo “R” encontrados em brancos; Cromossomos “Ro” ou cromossomos
africano, encontrados em negros; Fatores Sutter e Henschaw encontrados em
negros; fator Kell encontrados em brancos, etc.
[ii]
Lineu divide a espécie humana em seis raças: americana, europeia, africana,
asiática, selvagem e monstruosa.
[iii] O
piquenique se originou das comemorações feitas pelos membros da Ku Klux Klan após
cada linchamento de um negro norte-americano quando as famílias brancas se
reuniam para festejar tais mortes.
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