Desde que se passou a conceituar-se
raça como entidades biológicas reais, contraditoriamente vistas partes por
partes e não como um todo, estabelecendo-se marcadores raciais[i] e
tudo mais, verificou-se também que 7% de indivíduos do mesmo grupo racial diferem
mais um dos outros do que as raças diferem entre si.
Desse modo, Lineu[ii] é
contradito por Livingstone em seu artigo intitulado “Da não existência das raças humanas”, que desconstrói todo o
conceito de árvore genealógica estabelecido. Na conferência da UNESCO,
especialistas declararam que a “raça é
menos um fenômeno biológico do que um mito social”.
Na África, um japonês é considerado
como um “branco honorário” enquanto um
chinês seria considerado como um homem de cor.
Como cada um de nós vê o sol do meio-dia da porta de sua própria casa, nunca
renunciamos ao hábito de julgar segundo nossos próprios critérios pessoais. Para se descobrir um novo mundo, é
necessário esquecer seu próprio mundo, do contrário, aquele que pesquisa estará
simplesmente transportando seu mundo consigo ao invés de manter “a escuta”.
Dessa maneira, devemos, todos os dias,
ouvir o que o ouvido ainda não escutou. Portanto, a fala, que dá forma ao
passado, deverá faundamentar nossa linha de ação consolidando futuras condutas, evitando
assim, a repetição de deslizes crassos e desnecessários na administração do próprio
proceder.
Portanto a escuta é um item de
extrema valia, que concretiza o bom senso como tal, e que invariavelmente deveria
fazer parte do proceder de quaisquer profissionais competentes de quaisquer
poderes constituídos; mais lamentavelmente, no Brazil é o primeiro qualificante
a ser desconsiderado. É grosseira a incapacidade e a completa ignorância,
muitas das vezes proposital, daqueles que se outorgaram como juízes,
desembargadores e afins, no pífio desempenho de suas funções como funcionários
públicos, a inobservância desse inciso.
Dessa maneira, os editores da
verdade se travestem de locutores do jogo da vida, num jogo de cartas marcadas.
Competição essa em que o time concorrente nem sabe que está jogando, e menos
ainda tem consciência de que esteja no campo oposto dessa cabo-de-guerra. Por
desconhecer o jogo e suas regras, a Negritude, como chamamos esse time oposto ao da
branquitude, tenta assimilar as qualidades do adversário ao perceber as
vantagens concedidas aos jogadores que as possuem; porém ao agir dessa forma e
pensar ganhar alguma vantagem no jogo com esse proceder, só faz com que seu
time se enfraqueça e definhe. Como não se mexe em time que está vencendo, a branquitude
sempre se protege em qualquer situação que ameace trazer qualquer forma de
equilíbrio entre os contendores.
Desse modo, os jogos tornam-se cada
vez mais vorazes, mais comoventes e mais competitivos, com a astúcia branca
ganhando cada vez mais reforço vindo do lado oposto, visto que, há jogadores negros
que se tornam aliados, a medida que engrossam as fileiras dos rivais minando os
recursos do próprio time. Dessa maneira temos policiais negros, juízes negros,
atrizes e atores negros, jornalistas negros e uma infinidade de aliados à
branquitude que prestam seu desserviço ao próprio time, que contraditoriamente acaba
perdendo para si mesmo, na sua estúpida individualidade egoística, mais sempre mantendo a ilusão da vitória através da política
meritocrática branca.
Nesse jogo da vida quantos negros,
como Rafael Braga, serão ainda sentenciados unicamente pela tom de sua pele...!?
Sendo a causa desse julgamento, fato notório e público, tolerado, aceito e
assimilado como natural; tão natural como é a cor da pobreza; tão natural como é a cor da prisão; tão natural como é um
político aumentar continuamente o próprio salário indiscriminadamente; tão
natural como é a criminalização da pobreza; tão natural como é o racismo em
nosso país; tão natural como hoje se tornou o trabalho escravo e o tráfico de
seres humanos no Brazil e no mundo.
Dessa maneira sem noção, sem
perceber a situação, sem a mínima atenção a si e aos seus, o povo negro perde
sua cor empunhando a bandeira branca da paz enquanto tem seu pescoço sobre o fio da
navalha do capataz; sua paz sem voz se cala toda vez em que um irmão preto
vai pra vala negra. A vala dos comuns, dos que não tem cabelos lisos e olhos
coloridos; dos que não aparecem em ação na televisão; dos que não posam em capas
de revistas, salvo nas de cultura empobrecida.
Assim, domingo vamos ao Maracanã,
vamos torcer pro time que somos fã, enquanto Rafael Braga cumpre mais de cinco
anos de prisão, porque a klan do Juiz
Carlos Roboreto da 3ª turma do tribunal do Estado do Rio de Janeiro e seus
ascetas, desejam passear em seus carros importados com um feliz sorriso branco
no olhar, sem se incomodar com um neguinho catando lixo na esquina, com um neguinho
pedindo esmola no sinal ou mesmo pedindo clemência em seu nobre tribunal.
Desse modo, todos poderão continuar
vendo o meio-dia da porta de suas respectivas casas, até que recomecem as próximas atrocidades
das edições diárias dos jogos vorazes do
racismo que nos dói hoje. Portanto, façam suas apostas para ver quem será o
próximo a ser parado na Britz do preto mandodo pelo branco que te rouba no banco,
no trampo e na trilha; somente por causa da tua tez, da tua melanina, ele te assassina
enquanto a nação inteira te ensina que isso é certo, é sua sina assinada pela lei áurea,
a lei do cão que te silencia da meia-noite ao meio-dia...
Depois da Copa da FIFA virão as Olimpíadas; depois das Olimpíadas, o Roletrando; depois do Roletrando virão outros domingões, outros dias, outros
jogos, outras humilhações; mais racismo, mais torturas, mais mortes,
mais milhões, mais risos e brancas alegrias... Jogando sempre com raça, na praça, na escola,
nas ruas, no campo e construções o racismo e o racista sem razão; combinando a
rima branca do linchamento com o piquenique[iii]
de cada euro momento após cada funeral de um negro animal que teima em tentar ser um sujeito normal, a despeito de cada notícia estampada nas manchetes cotidianas de todas as manhãs desse espetacular zoológico em que se transformaram as Urbes desse magnífico e civilizado Planeta dos Macacos...
No cínico discurso branco vem o sincero recado hipócrita do selvagem juiz franco:
No cínico discurso branco vem o sincero recado hipócrita do selvagem juiz franco:
- Como juiz do supremo eu condeno em nome de Deus, da pátria, da família e dos bons costumes; sentencio a prisão perpétua e a pena de morte simultâneo, por conta de sua cor lembrar a sorte de meu fracasso como um insano e senil sujeito do norte...!!
[i]
ABO Fatores sanguíneos encontra dos em todas as raças;
cromossomo “R” encontrados em brancos; Cromossomos “Ro” ou cromossomos
africano, encontrados em negros; Fatores Sutter e Henschaw encontrados em
negros; fator Kell encontrados em brancos, etc.
[ii]
Lineu divide a espécie humana em seis raças: americana, europeia, africana,
asiática, selvagem e monstruosa.
[iii] O
piquenique se originou das comemorações feitas pelos membros da Ku Klux Klan após
cada linchamento de um negro norte-americano quando as famílias brancas se
reuniam para festejar tais mortes.
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