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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Considerações Sobre as Comemorações do 20 de Novembro e a Consciência Negra


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Guiu - Consciência NEGO

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Da água viemos, para a água voltaremos.

Hoje, o Rio de Janeiro amanheceu amazônico; coberto por caudalosos rios flutuantes, com pássaros surfando como golfinhos sobre os vapores das fontes d’água que jorravam do alto das montanhas, inundando toda cidade e enchendo o atlântico mar; nosso grande calunga.

Eu, só rio ao imaginar um mergulho profundo do alto do Cristo até a assembleia legislativa, e em seguida nadar pelas Avenidas batizadas com nomes dissimuladamente fakes que tingem de preto e branco o asfalto vermelho de sangue preto, separando as águas doces das águas salgadas por onde adentravam os tumbeiros com afro-defuntos vivos, enquanto a cidade, lá no fundo do Rio, sem botos, golfinhos nem sereias, jazia serena no silêncio de sua tumba lacrada com sangue, suor e lágrimas, com as águas de março enchendo esse rio flutuante, que seguia seu rumo, sem deter seu fluxo diante de cada pau e de cada pedra encontrados pelo caminho dessas Avenidas Atlânticas chamada Brasil.

É assim que em todos os meses de dezembro, de cada ano novo que se segue dos janeiros de todos os novembros, o Cristo redentor construído com as pedras brancas vindas do solo Parisiense e montado na cidade de São Gonçalo, anda sobre as águas de março enquanto se empretece ao ser parido por Nossa Senhora Aparecida.

Dessa maneira, o verbo se faz carne nessa cidade antropofágica repleta de zumbis de Hollywood e de Palmares; zumbis nascidos das telas televisivas e dos livros de histórias contadas por narrativas dialéticas e retóricas. Esse diálogo faz parte de uma das histórias do inconsciente coletivo cultivado nesse labirinto de possibilidades trazidas pelas águas desse Rio que, sedento, sorri de si mesmo enquanto morre de sede em frente ao mar.

O tempo de caminhada entre a Amazônia e o Rio Janeiro passa ligeiro, pois o mesmo é contado pelos números das inúmeras gotas geometrizadas pelo tempo que circula em torno de si mesmo, ao afirmar que, se da água viemos, para a água retornaremos.

Enquanto isso, as sereias e os Delfins silenciosamente circulam sob os rios flutuantes sem serem vistos nem ouvidos, ao mesmo tempo em que, o Cristo sorrindo, abre seus braços num abraço fraterno, antes de mergulhar em sacrifício, nas profundezas desse Rio de sangue negro, afogando-se nas pretas lágrimas desse Rio Preto. Dessa forma, é revelado o porquê da quântica axioma que nos diz que,  se da água viemos e para a água que retornaremos; e no leito desse rio, nessa corredeira de sorrisos feito de salgadas lágrimas, desembocaremos enfim, no cósmico oceano universal assim que atravessarmos o interdimensional buraco negro da nossa própria consciência.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

REPARAÇÃO AOS EX-ESCRAVOS PRECISA SER DISCUTIDA

O artigo anexo abaixo foi escrito há mais de 120 anos; pode ser encontrado em Brasília, no arquivo do senado federal; foi publicado no Jornal do Senado do Império no dia 14 de maio de 1888, um dia após a assinatura da Lei Áurea. É necessário ressaltar a notoriedade do seu atualíssimo contexto.


A criação de TRABALHO para os libertos é uma preocupação. Os negros mantiveram tradições do continente africano, como jogo da capoeira. Não faltaram discursos de abolicionistas como Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Luiz Gama e Rui Barbosa defendendo a oportunidade de oferecer oportunidades para integrar os ex-escravizados à sociedade.

A grande dívida com os escravizados libertos deve ser saldada para que se possa construir uma sociedade justa e igualitária. Nesse momento em que o Brasil comemora a assinatura da Lei Áurea, alguns abolicionistas colocam em foco a preocupação diante do quadro nebuloso que envolve as consequências de um processo que era inevitável diante de séculos de domínio sobre as populações negras e que não foram contempladas com nenhum tipo de compensação.

Em razão disso, é lícito prever que a pauta de debates do parlamento, neste final de século 19, deverá incluir propostas visando contemplar, de alguma forma, os ex-escravizados e seus Descendentes, é possível até que essa discussão não tenha fim na próxima década e termine se estendendo pelo século 20, mas desse-se ter em vista que a REPARAÇÃO que precisa ser atribuída aos ex-escravizados e sua gente, não se confunde com qualquer tipo de vida por representar, isto sim, um legítimo direito. Ao longo da luta pela abolição foram discutidas propostas nesse sentido, a desapropriação de terras não exploradas e o desenvolvimento agrícola. É mister que se estudem ainda outras formas e acesso à educação conferindo a dignidade ao indivíduo.

14 de maio de 1888


sábado, 2 de novembro de 2019

As Relações de Poder nas Disputas Meritocráticas no Jogo da Vida

Após o crime da colonização, a vida afrocêntrica estatizada, passou a ser vivida sobre a cela de um assombroso tabuleiro de xadrez, aonde as regras, na forma da lei, foram maquiavelicamente elaboradas com o auxílio de um Bispado e de um suposto rei sem um reino real. Após cobrir esse melaninoso corpo negro com tais regras, estatutos e leis que lhe constituíram enquanto ser, ditando seus caminhos e sua identidade de destino, foi usado para tal intento, a cor desse mesmo indivíduo como quesito que revestiu, como a armadura, a sua tez; definindo-o a partir das cores claras ou das cores escuras a qual os mesmos jogadores desse infame jogo, como partícipes, eram portadores, com o fim único de eleger as cobaias desse experimento racial desenvolvido sobre o sagrado solo de Urântia.

Dessa forma, o sujeito preto se viu repentinamente num campo de batalha onde a sua cor definia e estabelecia o time ao qual ele passaria a pertencer na condição de privilegiado ou de desprivilegiado, de acordo com as regras elaboradas para reger esse sinistro jogo; regras estas criadas pelo branco rei sombrio, enquanto o bantu Rei de ébano, se descobriu como preto ao aceitar, mesmo desconhecendo tais regras feneratícias e leoninas leis regentes .

Foi assim que a Rainha e o Rei Negro, sem que percebessem tal situação, se transformaram em Peão, já que desconheciam que as suas epidermes fossem a razão da presunção de culpa, sem jamais ser de inocência, ou algo similar a tal equânime valor, até que se provassem o inverso. Dessa forma, as consequências de cada jogada, estava condicionada exclusivamente a cor de cada jogador partícipe nesse labirinto de dor, mesmo que no caput das referidas regras meritocráticas, contraditoriamente rezassem o inverso, estabelecendo assim, uma imensurável distância entre a dissimulada prática vigente e o retórico discurso banalizado, gongórico e prolixo no cotidiano da urbe.


Dessa maneira, diante desse proposital e conveniente engano, esse arrepiante jogo da vida se transformou num perigoso jogo de morte justamente para aqueles a quem se tinham sido conferidas a cor errada, passando os mesmos então a caírem tragicamente diante daqueles que possuíam a cor aceita e o time certo.


Esse jogo emocionante de sucesso estrondoso foi transformado em rotineiros roteiros de filmes, novelas e comerciais, para que os jogadores, pudessem conferir e aferir melhor os seus lugares e as suas posições no tabuleiro preto e branco desse jogo da vida disputado a partir dessas referências publicamente ditadas e expostas como padrão oficial pelo generoso Dream Time da mídia europoide. 

Dessa maneira, de um lado temos um time de alta performance e totalmente profissional enfrentando um outro time que nem sabe que não sabe que faz parte desse espetacular jogo sujo, que é televisionado, filmado e exibido a cores como atração imperdível para os integrantes desse desavisado time que alegremente assiste de pé, nessa arquibancada bancada com muito pão e circo servidos durante os intervalos de cada cachoeira de sangue jorrado nessa animalesca arena, enquanto aguardam o sorteio desse mesmo jogador que, por hora se encontra a aplaudir, esperando a sua vez, ao mesmo tempo em que executa alegremente, e de forma profissional, aquela linda onda negra conhecida como Ôla.


Foi dessa forma que os integrantes da Campanha de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brasil, concretizando esse intrincado jogo de negociação com o Estado Nacional, se viu diante das complexas contradições posto na forma da Lei, com os jogadores chave dessa ação. A Lei 6613/2019 foi a primeira Lei aprovada no Brasil, no plenário da Câmara Municipal da cidade do Rio de Janeiro, impulsionada por um vereador com a cor certa jogando pelo time errado; enquanto que os jogadores de cor errada imiscuídos no time certo, fizeram o possível para travar o referido processo, quando perceberam que os procedimentos iniciava a fase de efetiva de execução.

Olhando o caminho percorrido pela militância negra, percebemos que esse mesmo ardil foi usado pela elite dominante nos momentos cruciais desse jogo; como foi, por exemplo, o caso da criação e estruturação da Seppir, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, elaborada por José Dirceu, um jogador do time nórdico que, como de hábito, são sempre os mesmos jogadores que criam e protagonizam as regras para reger o time de ébano. Outro exemplo similar a este, foi o fato do relator do Estatuto da Igualdade Racial ter também sido o responsável pela aprovação do referido estatuto sendo ele outro jogador nórdico dessa equipe da cultura dominante adversária ao Time de ébano; estamos falando de Onyx Lorenzoni, na época então deputado e hoje ministro desse inominável governo.

A diferença entre os processos citados acima e a Campanha de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brasil, campanha movida pela OLPN, é bastante óbvia; podemos perceber que, ao contrário do caso da formação da Seppir e da criação do Estatuto da Igualdade Racial; estatuto esse que nenhum preto pobre tem quaisquer conhecimentos a respeito mesmo após terem se passado vários anos de sua aprovação; trata-se do sujeito protagonista do processo em ambos os casos; e esse é o detalhe que confere a complexidade paradoxal ao seu desenvolvimento rumo a sua efetivação de fato e de direito.

Portanto, no enredamento entre essas cores metamórficas, manipuladas por regras e estatutos, leis e tratados, discurso e práxis, temos um plenário partícipe rico em possibilidades, aguardando somente a coletividade negra dizer a que veio, desde o momento que esse coletivo negro se perceba  nessa atual conjuntura; mas isso só poderá ser modificado, após a sua definição e inserção como coletivo negro de fato; promovendo assim, uma coletividade sem as grotescas feridas contidas nesse inconsciente coletivo estruturado pelos  códigos jurídicos cultivados pelo time dominante que instituiu a colonização mental, física e epistemológica como forma de controle e poder absoluto.

Dessa forma, quando internalizaremos que todos somos um, após obviados pelo poder dominante, nossos Peões, estando a postos, inverterão suas posições numa jogada única onde se transformarão em soberanas peças desse tabuleiro vermelho-sangue que ornamenta a Grande e branca tela dessa mídia racista. Dessa maneira, a Rainha finalmente voltará a reinar, abrindo o canal da vida plena, sem os entraves meritocráticos e as hierarquias sufocantes que escravizam o ser, enquanto sujeito pleno de si mesmo. Dessa maneira, a escravização finalmente terá seu termo, como havia de ser, mesmo que já tenha passado da hora desse inevitável processo acontecer.


sábado, 26 de outubro de 2019

Minha Amiga, Meu Amigo; Sejas Como a Água...!!

Há muito mais entre o nosso corpo de dor e o nosso corpo interior do que imagina a nossa filosofia. Podemos sentir o vazio sem jamais vê-lo, ao contemplar a vasta imensidão do infindo universo, para perceber a existência desse vazio que revela a existência do nada, dessa não-forma que se caracteriza por seu movimento vertical no aqui, no agora do presente, aparecendo assim, a existência de um Não-Tempo que contém a si mesmo, enquanto que, de forma filosófica, contraditoriamente percebemos esse mesmo não-tempo como um tempo psicológico ao defini-lo entre o que se passou, o que se passa e o que virá a se passar, determinando-o dessa maneira, com um espaço horizontal.

Dessa maneira, criamos e enquadramos, numa hierarquia que divide esse tempo, todas as categorias e classificações inventadas, a qual definimos como ciência; estabelecendo essa mesma ciência com o intuito de dominar a natureza e controlar as subjetividades do ser enquanto sujeito.

Desse modo, a vida vai passando ao largo, enquanto o inconsciente coletivo, formatado por essas categorias inventadas e conceituadas na horizontalidade de experiências passadas e nas promessas de um possível devir que jamais chegará; pois se caso este futuro chegue deixará de ser futuro; doamos de forma compulsória e inconsciente, a nossa força ativa em prol daqueles que dominam a cultura do povo por conta dessa premissa.

Dessa maneira, esse mesmo povo, por não conhecer a sim próprio, através do tempo que é, acaba sendo dominado, cedendo o controle aos fornecedores de pão e animadores circenses que promovem e controlam as emoções que os anestesiam das dores consequentes dos traumas do passado e medo do futuro. Enquanto seu corpo interior é esquecido no tempo, seu corpo de dor se identifica com o sofrimento banalizado, exposto e contido na sedutora vitrine do inconsciente coletivo.

Um povo que não conhece o seu caminho nem a sua caminhada através do tempo presente, é como uma árvore sem raiz ou como a água que se desliga de sua fonte; ele se desconecta e se torna o pensamento vivo desse inconsciente coletivo que dá vida a uma sociedade cibernética, alienada de si mesma, vivendo através desse sofrimento padrão, seja nas relações, seja no trabalho ou no seio da própria família.

O indivíduo aprisionado nesse tempo fatiado pelo espaço, adota as opiniões, os gostos e os desejos, produzidos nessa zona de conforto, como se fossem seus próprios, enquanto é alimentado por essa cultura adubada nesse ambiente onde Ivan Pavlov tornou-se imperador permanente.

Desse modo, vivendo a margem de seu Presente; que o próprio no nome já se conceitua como tal se confirmando como uma eterna festa; o indivíduo cria seu Deus, cria seu paraíso e também cria o seu inferno. É dessa forma que nos travestimos de Eco e Narciso, para cumprir nossa missão cotidiana em companhia de Sísifo.

Somente a água mole na pedra dura poderia romper ou poderia contornar esse vício transmitido pelo vírus que provoca a síndrome do pensamento acelerado; pensamentos estes que emanam e são colhidos no fundo do florido e sedutor cesto do inconsciente coletivo; este cesto que é trazido pela inocente Chapeuzinho Vermelho, e que em seguida, tem seu fruto ingerido pela Bela Adormecida, durante todos aqueles emocionantes comerciais televisivos que precedem as fascinantes novelas e os incríveis filmes de aventura; até que acreditemos que o nada que não vemos, mas que sentimos, é aquela mesma coisa que personificamos, patenteamos e classificamos como sendo aquele que não se nomeia ao qual chamamos de Deus. Somos Deuses e Deusas, somos a natureza com seu tudo e seu nada, alfa e ômega, prontos para exercermos o que nos é direito natural, assim que nos desprendermos dessa prisão que o inconsciente coletivo nos colocou e deslizarmos livremente da fonte ao mar.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A Palavra Como Objeto Abstrato de Dominação

Como uma seta desenhada sobre uma placa afixada num poste qualquer, indicando uma direção, a escrita da palavra vai além dela mesma. Se ao interpretar essa palavra, nós nos apegarmos unicamente sentido próprio dela mesma, incorremos no equívoco de nos desviarmos do real significante de suas possibilidades e das realidades para as quais ela aponta.

É dessa maneira que costuramos um sedutor véu de ilusão, que envolve e adorna esse mundo holográfico que desfila, ostentando sobre esse picadeiro iluminado pelas sombras, todas as burlescas instituições que dão legitimidade as ideologias escravagistas pós-moderna que domina esse mesmo orbi.

Esse mesmo mundo é estruturado e mantido por essa palavra que categoriza e classifica, estereotipando e estigmatizando uma senil hierarquia formatadora de clãs e de castas; hierarquia esta que foi descrita, e escrita como narrativas de poder nas constituintes da nação, nos livros sagrados e nos tratados jurídicos que fundamentam essa sociedade colonial contemporânea.

É essa palavra que, ao dar forma ao passado, projeta um futuro enlatado e formatado através de regras, estatutos, bulas, fórmulas e buenas dichas que, através das imagens midiaticamente produzidas por essas mesmas narrativas, controlam nossa subjetividade, controlando nossos quereres e saberes por meio dessas mesmas palavras que são apenas, como as placas sinalizadoras, indicadores de possibilidades e de verdades.