A habilidosa
estratégia da religião como produtora do ópio, entorpeceu e adormeceu a
consciência humana, enquanto a política colocou esse indivíduo numa servilidade
categorizada como cidadania. Desse modo, o ser humano, como cobaia
aprisionada num laboratório, passa todo o seu tempo útil na exploração de sua
prisão, como se fosse o único e último lugar existente no universo. Dessa
maneira, ele pensa, fala e age como se fosse um peixe nascido num aquário, que não
acredita e não admite a possibilidade da existência do mar.
Como o AquaRio e tantos outros espaços que
exibem a vida marinha como atração pública, o planeta terra exibe os seus
habitantes aos visitantes extras e intraterrestres que circulam o nosso Orbe,
enquanto os humanos se distraem, degustando o noticiário de cada dia, felizes
por viverem numa democracia holográfica. Dessa forma, o ser humano adotou a
felicidade virtual e os sorrisos de plástico dos apresentadores de programas de
auditório, exibidos com o intuito de programar o seu modo de pensar e agir.
É dessa forma
que o assunto que domina o pensamento humano é determinado por essa mídia que
religiosamente os alimentam a cada dia com suas pautas. Foi assim que o aquário
humano se transformou num exótico zoológico extraterrestre. Portanto, essa situação
se transformou num delirante processo, aonde o peixinho dourado não acredita na
sereia, mesmo que ouça o seu canto. Mas o tempo da nossa AquaTerra está em sua contagem regressiva e o nosso zoo-terra em
breve cerrará o seu Portal, e a quarentena humana está chegando a seu termo;
agora o peixinho deve sair de seu aquário, tomar a direção do rio e enfrentar
seus caudalosos movimentos a caminho do mar, ou então permanecer acorrentado ao
mar de propagandas desse holográfico mundo virtual.

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