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sábado, 26 de novembro de 2011

Meu lugar...!!???



Onde está a Senzala com antigos seus habitantes...?? Aquela casa velha e pobre, espaço degradante onde ficavam depositadas as vítimas melanodérmicas de seqüestro intercontinental do poder estatal...?? Hoje ela Jaz no quarto de empregada nos modernos prédios construído diariamente nas grandes metrópoles que lhes dão sumiço; está subindo as escadas ou indo pelo elevador de serviço; está limpando latrinas, puxando o “burro sem rabo” na esquina, construindo mansões ou limpando salões.
Onde está o pelourinho...?? Aquele objeto de tortura e diversão do feroz algoz se deliciava em seus momentos de frugal distração...?? Ele agora está na tela da TV, nas capas de revistas e nas blitzes imprevistas.
E onde estarão hoje os escravizados...?? Estão no mercado negro, no estudo improvisado, morando no morro, confinado e cercado. Seu enredo de medo, musicado em letras de samba que faz rebolar qualquer gringo maneiro com dinheiro, cigarro e isqueiro.
Mestre sala e porta-bandeiras, neguinho e crioula... Mostrando francos sorrisos com  lágrimas de cebolas. Ali jazz, aqui samba; neguinho dança na esquina com quinze balas na espinha; a crioula é servida a milanesa aos gringos como sobremesa.
E os escravizados, motoristas, cobradores, professores, etc. como escravos de ganho, conseguem muito dinheiro para o patrão e um pouco para sua própria sobrevivência, suando, sem perdão perante a inquisição ante a mínima falta em qualquer situação. Essa forma de escravismo, conhecida como meritocracismo, é a moda do momento, que de tão violento mostra sem arrependimento, a face do racismo em movimento.
Meu lugar....meu lugar é onde quero estar... é aqui mesmo onde estou... com tudo que me restou... Meu lugar ninguém pode arrancar, ele existe do lado de cá e do lado de lá; daqui pra lá e de lá pra cá; vou e venho, vou no vento; no mesmo vento que trouxeram tumbeiros e tormentos. Meu movimento levanta poeira na capoeira que para o gringo é mato ou qualquer besteira; mas para o negro que não dá bobeira... é luta..., é rasteira.
Nossa senzala se renova a cada salário mínimo que se aprova..., a cada habeas corpus impetrado a favor do branco debochado, a cada foro privilegiado cedido ao político desviado, a cada imunidade parlamentar que faz a negra(o) chorar. 
Assim a TV que tudo vê, não deixa o negro virar bicho, Pantera Negra; ela domestica cada cabelo que estica, embranquecendo o olhar negro que vai esquecendo de sua história, de sua memória, trocando seu sucesso pela Ordem e pelo Progresso.
A coisa tá preta no morro que ameaça a branca pomba da paz dos condomínios e dos domínios dos "kringos". Por isso, polícia homicida e perícia parricida: capataz da paz; da branca paz privilegiada que só um gringo e seus descendentes diretos  estão "autorizados" a possuir; afinal esses são os homens de boa vontade, são os bons cidadãos; são filhos de God e não de Oxalá. Alguns pensam que são Filhos da Outra... Outra realidade... Visto que a realidade Melanodérmica não é a realidade da branquitude; mas sim a realidade da pura Negritude que desfila On-line durante três dias na passarela do Samba, e o resto do ano no Caveirão, Tumbeiro moderno de cada Negão.
Brazil...aqui jaz nosso tumbeiro, nossa senzala, nosso pelourinho; basta fechar os olhos para enxergar e Sentir na pele o açoite que domestica saindo diariamente nas telas das TVs; sentir o tapa na cara desferido pelo soldado do Bope e a justificativa da justiça omissa a cada golpe branco lançado na face negra cotidianamente.  Os olhos abertos diante da TV que nos impede de ver, embranquece a visão dessa situação, fazendo com que fechemos os olhos para ela. Assim ficamos imunizados, anestesiados e indiferentes; acreditando quando a TV (os donos da TV) diz que a maioria é minoria. Acreditamos que somos minoria como um elefante que se deixa domesticar ou um cavalo amarrado a uma cadeira.
Assim nascem nossos heróis e bandidos, nossos santos e demônios, Negros e brancos, Senzala e Casagrande, seguidas de ações sem noção e totalmente desnecessárias. A humanidade deixa de evoluir, por questões absurdamente burras como a existência do preconceito e o racismo. Desenvolvemos altas tecnologias, mais evoluímos de forma extremamente medieval, inconsequente e burra; seria isso um brinde, uma cortesia da modernidade... Ou uma prosaica bossalidade genética...!?? Como não creio no atavismo, prefiro acreditar num equívoco das escolhas, nas opções e perspectivas inerente ao ser bípede. Afinal, existem inúmeros bípedes que desconhecem possuir o livre arbítrio, conferindo esse instituto a outrem; principalmente se  esse outrem for loiro, de olhos azuis e aparecer em alguma novela ou comercial... tá tudo bem...!! é sangue bom...é sangue azul...!! Estamos bem representados, não precisamos desse tal de protagonismo; afinal, como diz o poeta: "escreveu,.. não leu...o palco é meu...!!" o teatro é nosso, o show é deles...e o palhaço quem é...!?? Seria o boi da cara preta que assusta crianças de todas as cores..? Mas agora que deixamos a tarefa de contar histórias para a TV...ficaremos sem saber. Assim a senzala se renova com leis feitas para inglês ver...e Euzébio de Queirós ganha de novo voz, frente a telespectadores perfilados sobre o silêncio da história oficial, rotulados com a pecha de marginal.




quarta-feira, 23 de novembro de 2011

JUÍZES DA INJÚRIA



Enquanto na África (do Sul) os jovens raspam a cabeça, no Brasil eles usam bonés, negando sua cor, renegando sua “raça”; tentando se moldar a um padrão de aceitabilidade: Negam sua diferença, para se tornarem iguais.
A estética negra negada e denegrida pelos meios de comunicação transforma vítima em réu, refletindo na face crioula essa branquitude para os que tentam escapar das garras do monstro do infame racismo.
Assim, mostrando a cara e ocultando seu corpo; corpo esse que é sua história, seu discurso, sua narrativa, onde ele expressa seu mundo, seu interior. Corpo esse que se entrelaça nos braços lascivos do racismo afetivo, espatifando-se frente a injuria de cada dia nesse estado de exceção, que expressa na perversa democracia amoral, todo seu ódio racial, é torturado cotidianamente ante o pelourinho digital.
Estraçalham seu corpo, seu cabelo, sua cor..., seu abraço... Sua voz, sua face, seu olhar, seu andar, seu tambor, seu sorriso... O mesmo sorriso que energiza a alma, que limpa a mente e eleva o espírito, traduzindo a solidariedade, a coletividade. Assim como o canto e a dança, o riso continua sendo um fator de resistência: esse mesmo riso negro que o colonizador se referia como “um imbecil feliz”. Esse riso que expressa seu interior, seu mundo; riso provocado pela desestruturação desse mesmo mundo, pelo caos reinante.
O riso pode ser brilhante, quente, colorido, leve, positivo; pode ser choro, pode ser pesado, pode ser um xingamento, pode ser negativo. A geografia desse riso pode vir de alguém ou ir para alguém; pode ser trocado ou doado.
Hoje o racismo afetivo, manifestado na injúria da leitura oficial, descortina a branquitude do sistema judicial que justifica essa infâmia trocando alforria por liberdade condicional. Nossa sociedade download tele-guiada pela imagem; a única coisa clara é o racismo oficial. O racista é aquele que fecha os olhos porque tem medo do escuro. Assim, a imagem nórdico-digital é a que molda e serve de referência para condenar um povo afro, que não se vêm como negro nem se consideram negro. Portanto, não se percebem como vítimas. É notório esse sentimento em alguém que habita no segundo país de maior população negra no mundo, e conhece somente a história dos brancos; a história oficial.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011



segunda-feira, 7 de novembro de 2011




Luíza Mahin foi uma mulher inconformada na condição escravizada; ela, como escrava de ganho, comprou sua alforria, e articulou a libertação de seus pares, eclodindo assim na revolta dos malês em plena cidade de Salvador, em 1835.
Após as diversas tentativas de dominar o espírito dos escravizados, tal como a lei do ventre livre; onde o estado tinha que arcar com indenização ao senhor de escravo;  lei do sexagenário, sendo que o escravizado tinha sua média de vida abreviada, raríssima exceção algum chegar aos sessenta; e a própria lei áurea, num momento em que 90% dos escravizados haviam conquistado a liberdade numa    luta iniciada com Zumbi, seguido de muitos heróis, como a própria Luíza.
Antes da teatral lei áurea, os mesmos gestores prepararam a lei 601, em 1850: foi a lei da terra que destituía os homens de cor de ter qualquer possibilidade de acesso a propriedade da terra. assim, com o "teatro da abolição" a república se instala, cedendo a terra para imigrantes europeus em detrimento do imigrante nu (ou povo da noite, como eram denominados os africanos pelos dos fundamentalistas construtores racismo).
Hoje, os descendentes dos europeus monopolizam todos as posições-chaves da sociedade, enquanto os descendentes de africanos, os afrodescendentes, precisam comprar sua alforria, assim como Luíza Mahin o fez.
É notório perceber que a  ideologia implantada pela branquitude, propaga descaradamente a inferioridade como atributo inerente as negras e negros de nossa república. Por outro lado, ela redime o afrodescendente que aceite esse mote como verdade absoluta, aceitando a branquitude como princípio. 
Assim o Brasil deixa de ser racista; as negras e negros passam a ser invisíveis para os próprios afrodescendentes, uma vez que sua identidade lhe é negada. 
Hoje, em pleno século XXI os afrodescendentes ainda vivem naturalmente como escravos de ganho;  o motorista, o professor, o lixeiro. enfim, todas as profissões próprias de escravos de ganho, sendo estimulados   pelos novos senhores de escravos, através de programas de incentivos. todo o dinheiro, ganho diariamente com o suor de seu trabalho indo para seu dono, hoje denominado de empresário. O aforismo do mecanismo da meritocracia, faz com que esse escravisado acredite que ele é livre, e que pode conseguir tudo que o eurobranco, o empresário, conseguiu. Falo desse empresário de sobrenome gringo, herdeiro do espólio dos privilégios adquiridos através das benesses da branquitude.
Os benefícios prometido aos afrodescendentes, propagada pelo sistema meritocrático aos que aderirem à branquitude, faz com que a identidade negra ganhe novos contornos. Assim, todos passamos a ser iguais perante a lei, sendo que a justiça fica por conta dos caprichos da branquitude, gestora da instituições comandada pelos eurodescendentes. 
Portanto, o Brasil hoje é um país multicultural, onde todos convivem em perfeita harmonia, a despeito do genocídio de negros, transmitido todos os dias on-line ou via satélite, ao vivo e em preto branco; tão natural como negar o sistema de cota nas universidades e negar a existência do racismo em nosso maravilhoso Brasil varonil... e quem não acreditar nessa máxima...vá pra... longe do Brazill,... zill,...zill...
Do contrário, teríamos que inventar e implantar um novo sistema de alforria...E dessa vez...Sem cotas...!!

domingo, 30 de outubro de 2011

“Existem linhas que separam nossa existência da vida e, de outras vidas; e ele foi além da linha”


“Além da linha” é um curta metragem que aborda a crise existencial de um homem que só no fim da vida descobre as limitações imposta pela melanina: Descobre em morte o que significava vida. As agruras vividas no futuro do presente aparecem-lhe a cada estação da vida que lhe abandona. A revisão de sua vida tornando-se inevitável a cada passo em direção a estação final, quando descobre finalmente, que o começo está no seu fim. Por outro lado, além desse pano de fundo, o curta objetiva fomentar questionamentos a respeito da ética e da ideologia hipócrita que fundamenta esta mesma ética no mundo contemporâneo, norteado exclusivamente pelo senso geométrico do capitalismo.
Ele caminha pelos trilhos do trem que corta a cidade, a fim de se encontrar, encontrando o que as representações que a mídia oferece através dos meios de comunicação; sua dignidade perdida, escoada junto com sua qualidade de vida cidadã.
Os out doors que o acompanha pelos trilhos reforçam ao mesmo tempo em que retiram sua esperanças, na medida em que os fatos contradizem sua realidade. Quando chega ao fim da linha, descobre que foi muito além dessa linha; descobre enfim o começo de sua história.
Sinopse 
O personagem caminha sobre os trilhos, aparentemente um andarilho vagando sem destino, perdido em seus próprios pensamentos, ele protesta, desabafa, filosofa, gritando silenciosamente para o mundo e pra si mesmo, exorcizando suas mais profundas angústias e medos, tentando esconjurar seus fantasmas.
Medita, às vezes tristonho, as vezes indignado ou revoltado, sobre a trajetória de sua vida sofrida de negro-indígena. Ele sintetiza em si, no corpo e na alma, a essência brasileira, contando e cantando suas mágoas em verso e prosa, desafiando a ordem no momento em que rompe seu próprio silêncio.
O personagem procura por sua sabedoria ancestral, primitiva, anarquista e quase ingênua, vagando pelas esquinas da vida, pelas trilhas e trilhos, a espera de seu vagão que vem de um horizonte feito de madeira, cravo e ferro, como os elementos da cruz do seu próprio calvário.
Nessa indefinida espera pelo deixar de ser, nesse incerto passo certo, ele solta seu pensamento e suas palavras ao vento... Percorrendo a linha férrea, meditando, questionando, se indignando e se transformando a cada estação. Sua angústia existencial tece a trama do curta, até chegar ao fim da linha; seu ponto final.

terça-feira, 4 de outubro de 2011


Foi rejeitada a votação, na Ordem do Dia da Câmara Federal, o Projeto de Lei FICHA LIMPA, que impede a candidatura a qualquer cargo eletivo, de pessoas condenadas em primeira ou única instância ou por meio de denúncia recebida em tribunal – no caso de políticos com foro  privilegiado – em virtude de crimes graves, como: racismo, homicídio, estupro,homofobia, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas...

Num país sério como o Brasil, por que um honesto político, como os que infestam nosso congresso, precisariam da famosa imunidade, do fórum privilegiado ou outros instrumentos dessa natureza para cumprirem suas obrigações?
Por que nossos honestos representantes oficializam seus próprios crimes e os de seus pares, com bônus e sem ônus?
Um professor, como qualquer cidadão comum, morador de uma comunidade sem privilégio, que enfrenta situações de riscos cotidianamente; não possui nem sombra dessas benesses, nem os privilégio de trabalhar duas vezes na semana sem precisar comparecer a labuta; não possui décimo quinto salário; nem todos os outros salários, vales, seguros, prêmios, licenças e os variados auxílios (moradia, paletó, passagens aéreas, combustível, corro com motorista acoplado, etc.) mesmo assim...muitos conseguem sobreviver mais de quatro anos.
quando um político ou um juiz é, por uma obra do destino, assassinado...as providências acontecem de forma milagrosa. Descobrem-se os assassinos, eles são presos e o mais incrível de tudo...eles ficam presos...no Brasil a lei funciona; funciona para quem detém o poder...ou não..!! Dependendo de que lado esteja o meliante, a lei e a vítima; tudo é relativo, determinante seria o tamanho da conta bancário, como a conta do dono da FIFA..., ou do dono do FMI...., ou do Maranhão, etc.
Eu como Professor, gostaria muito de solicitar meu pedido de imunidade, para me proteger de gestores racistas, de policiais racistas, de alunos preconceituosos, dos neo-evangélicos intolerantes, dos "carecas", etc. Mas sou um cidadão comum; aquele que a TV tornou invisível diante dos direitos humanos.
Como cidadão, eu não preciso disso...por outro lado, também não preciso ser representado, como é representado nossos indígenas perante a lei; como uma pessoa que não responde por seus atos, como uma criança, por esses que se dizem nossos representantes.
Nossos cidadãos brasileiros, enquanto pseudocidadãos, continuam calados, presos ao Pelourinho mental criado pela mídia, nossa Matrix virtual, gestora dessa sociedade download. Nossa escravidão continua sendo o tipo mais virulento e eficiente que existiu até o momento; a escravidão mental.
Sou um cidadão negro de ficha limpa, até que a mídia diga o contrário. Por enquanto vivo minha liberdade provisória de Negro liberto; fujão do navio negreiro, sem habeas corpus nem imunidade; posso até me candidatar... mas minha ficha limpa, certamente me impediria de chegar lá...!!

sábado, 24 de setembro de 2011

Apesar dos crimes cotidianos cometidos pelo congresso nacional, como a acintosa aprovação de 118 projetos em menos de cinco minutos pela comissão de constituição e justiça, no último dia 22 de Setembro de 2011, com a presença de somente um deputado, quando o quórum mínimo seria de 36; enquanto esse um debocha da situação; nos faz ter certeza daquilo que todos já sabem: o Brasil é governado pela máfia empresarial, sendo parte integrante do governo financeiro ainda com sede em Wall Street.
Enquanto isso, projetos que dizem respeito ao povo brasileiro continuam solenemente ignorados, preenchendo espaço nas gavetas de nossos prestimosos eleitos pelo povo, para o povo e com o povo. Nosso mar de hipocrisia não tem fundo, nem fim. 
Um país composto por uma massa de pobres e de pretos, com um sistema educacional que asseguram os discursos passados pelas prosaicas imagens desses excelentíssimos filhos da Putas; que me perdoem essas honradas trabalhadoras, dando tapinhas nas costas, pegando criancinhas melequentas no colo e dando vale-qualquer-coisa afim de mantê-los respirando, para dar um ar de democracia, legitimando assim suas inocentes mentiras; nosso Brasil vai sim, continuar sem nenhuma crise financeira, indo sempre em frente: até encontrar no fim do túnel, o brilho do farol de uma locomotiva em sentido contrário.
Mas isso não fará diferença alguma, visto que quem estará frente a essa locomotiva assassina, serão os pretos-pobres, os quase-pretos-pobres, os quase-brancos-pobres, os quase-pobres-pretos e pobres-pretos; afinal, sangue afro não mancha consciência, principalmente de quem não as possuí. Certamente esse fato será mais uma grande atração no horário nobre das TVs dos pobres afro-sobreviventes.
É isso ai...pra frente Brasil...com muita Ordem e progresso...!!
Brazill...zill...zill...zill...!!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Retrato em preto e branco da Cidade Maravilhosa


Na maravilhosa e exótica terra tupiniquim, além de araras, tucanos papagaios e das deliciosas mulatas for export, temos a presença da polícia mais eficiente do mundo. Essa eficiência se deve ao fato de que em todas as situações de risco, eu disse todas; num seqüestro com reféns, por exemplo, eles habilmente matam todas as vítimas, prendem os bandidos e depois matam os bandidos resolvendo assim todos os crimes possíveis, imagináveis e inimagináveis.
É tudo muito simples; até que às vezes um cidadão desavisado e mal educado resolve registrar algumas dessas cenas, filmando imagens em celulares e enviando a TV com tendências políticas opositivas a situação, iniciando assim um leve pedido de explicações do ocorrido. Isso às vezes faz com que a fama de eficiência seja um poucochinho arranhada; nada que não se possa resolver eliminando, no sentido próprio da palavra, esses pseudocidadãos metidos com idéias tortas sobre direitos humanos.
Essas situações prosaicas são recorrentes na vida do cidadão de cor; manchetes a cores mostrando on-line um preto que sequestra um ônibus cheio de pretos, vindo um policial preto que metralha todos os pretos, ganhando um bônus de um governador branco por sua eficiência e sua contribuição para nossa ecologia social democrático-tupiniquim.
Mas não confundamos nossa eficiente polícia assassina com os antigos capatazes do Brasil - colônia. Existe uma grande distância entre ambos; os capatazes matavam aos poucos e a nossa polícia mata em massa, por atacado. O fator da distância tem uma influência determinante no contexto; assim como a evolução dos senhores escravocratas, que agora são senhores empresários sem fins assassínicos: isso fica sobre incumbência de seus mandatários: a polícia, a imprensa e o poder judiciário.
Portanto a hipocrisia institucional não é um mero objeto non-sense; mas sim, um assunto extremamente lapidado e ideologicamente tratado por gestores sérios e comprometidos com a real democracia Greco-tupiniquim. Essa democracia que arranca do Negro o que ele trouxe a bordo dos tumbeiros em seu peito e em sua mente. Nossa pós-moderna sociedade escravocrata é extremamente hábil para encarcerar justamente o que constitui a essência das Negras e dos Negros brasileiros: seus corações e mentes.
Portanto, a ecologia social é eficientemente levada a cabo por meios bélicos, judiciários e midiáticos, escravizando assim o corpo, a mente ou ambos. Por meio da dança muitos crioulos dançam pra sobreviver; por meio da música ele canta para não dançar. Dentro desse processo ecológico-social, a matrix digital substitui o pelourinho do objeto-animal de ontem; promotor de comportamentos behavioristas e do darwinismo social iniciado no Século XVIII com os iluministas, pelo objeto-cultural de hoje.
Com a vastíssima evolução da humanidade branca, Negra, amarela, etc. o negro hoje se tornou um produto exótico na academia, transformando-se em objeto de estudo e de ganho, como o escravo de ganho de outrora que trabalhava nas ruas entregando o ganho para o patrão ao final de sua jornada.
Os Negros pensantes, assim como os Negros fujões, continuam praticando o Quilombismo, enfrentando os Jorges Velhos cotidianos. Por isso a cooptação se mostrou uma das armas mais competente, depois da destruição psicológica e do assédio moral, no combate a peste negra de cabelos enrolados.
Após da colonização mental, muitos negros que conseguiram alcançar status social, passaram a negar a existência desse perverso contexto, contribuindo assim para a descentralização do senso coletivo e da circularidade.
O extermínio por meios bélico, social e judicial sistematizado da população melanodérmica virou lugar-comum; uma prosaica e natural pandemia.
O negro tem seu saber folclorizado e sua personalidade carnavalizada, para sobreviver com um restolho de status nesta sociedade de pensamento eurocêntrico.
É notório perceber que qualquer intelectual negro nessa cultura branca, tem seu pensamento solenemente ignorado pelos meios da euro-comunicação. Exemplo disso foi o livro do Haitiano Antony Fermim desconstruindo a tese das raças de Arthur Gobineau; ninguém ouviu falar, ninguém conhece, ninguém sabe, ninguém viu. Mas todos conhecem muito bem o racismo pregado por Gobineau; até mesmo os que  se  declaram não racistas e aqueles não fazem a mínima ideia de quem tenha sido esse tal Gobineau.
Nesse vácuo de hipocrisia, Hipócrates virou pai da medicina, sendo que centenas de anos antes dele, os africanos já realizavam cirurgias e já havia vacinas para toda a população; Euclídes era o nome comum de escravos africanos, e a matemática euclidiana passou a ser de propriedade grega; todos os pré-socráticos iam estudar na África, mais especificamente no Egito, e assim a apropriação da filosofia, da astronomia, matemática, da medicina e tudo mais passaram a ser de propriedade Grega.
Assim como os Dogons ensinavam os conhecimentos analíticos, descritivos, comparativos e ativos; conhecimentos esses seqüestrados pelos sábios árabes e gregos, a educação eurocêntrica ensina em seus livros que Negro é sinônimo de escravo, gosta de samba, funk e futebol; tendo o direito implícito de almoçar em restaurante branco, comprar remédios numa farmácia branca, consumir produtos brancos, além de obedecer a uma lei branca e se submeter a uma justiça branca. Ele só tem tido a possibilidade de embaraçar seus próprios cabelos, para poder embaraçar as constrangedoras opiniões sobre ele, mais não o faz devido ao fato de não possuir sua própria opinião. Não tem opinião porque não tem referências, perdendo assim sua identidade. Sua referência São as propagandas, as novelas e as imagens olimpianas.
No Brasil colônia de outrora, o Negro cantava diante da tortura para mostrar para o Senhor que não se dobrava ao sofrimento; ele tinha no canto uma arma de defesa. Ele também cantava nos funerais, feliz por aquele que partia para um lugar melhor do que aquele em que vivera.
Hoje como forma de defesa; também rimos de nossas desgraças, rimos de nós mesmos, mas rimos devido nossa falta de referências. Assim rimos de nossa exclusão, rimos das frases pejorativas e das piadas sobre negros, rimos do desrespeito a nós mesmos. Perde-se a capacidade de indignação, de reflexão e atuação.
Ao assistir na TV um ônibus lotado de pretos sendo metralhado por policiais pretos, a empolgação toma conta por mais uma atração na tela da televisão, deixando a mente em ebulição, produzindo adrenalina. É natural precisar de adrenalina; ela produz endorfina que deixa nosso corpo num estado agradavelmente satisfeito. Acostumamos-nos naturalmente a isso, assim como acostumamos a natural pobreza cotidiana que se alastra pelos morros e vielas da cidade maravilhosa; a proliferação dos sem tetos e sem terras jogados na sarjeta; tudo isso é tão natural como é a estampa da sociedade branca na direção desse tumbeiro urbano. Assim essa euro-cultura produz o sofisma do simbolismo da paz “branca” em oposição a magia “Negra” a ser seguido hierarquicamente como como mais um indiscutível e sagrado dogma.
Anormal nessa sociedade é ter uma juíza que trabalha para uma justiça branca, agindo de forma justa. Essa postura é uma postura condenável e, portanto passível de punição. Foi por este motivo que a digníssima magistrada Patrícia Acioli da comarca do Município de São Gonçalo, cidade da Baixada fluminense, no estado do Rio de Janeiro, foi devidamente punida por nossa eficiente polícia. Uma mulher de moral agigantada como era a meritíssima, não poderia ser uma agente pública nessa sociedade eurocêntrica. Assim a justiça branca novamente se fez presente.
Portando entoemos o Amezing Grace para esta mulher que honrou a justiça tal como ela deveria ser; transparentemente igualitária e justa. As araras, tucanos e papagaios dessa terra exótica, se calam diante dessa canção negra que se eleva e leva essa paladina ao um posto divinal. Nosso Brasil acaba de assassinar mais uma cidadã. Saudações negras a mais essa ousada brasileira, que faz com que nosso Brasil não seja grafado com “Z”.
Os agentes da lei que metralharam aquele ônibus cheio de pretos, certamente terão a benevolência do habeas corpus da euro-justiça tupiniquim, podendo exercer sua profissão com a habitual “dignidade” de todo dia pelas ruas de Gotan City. E mais uma vez a cidade de Towsville vai poder dormir em paz.
Resgatar o princípio de circularidade presente na cultura africana, significa resgatar a o senso de solidariedade e de coletividade tão combatida pelos gestores públicos na escola e na produção cultural brasileira. não precisamos de heróis, do individualismo nem do egoismo próprios do sistema capitalista, precisamos mesmo é agir e pensar como uma nação e uma nação se identifica por suas crenças, seus objetivos e seus ideais. Enquanto tivermos uma sociedade dividida pelo racismo e pela intolerância, o sistema feudal continuará saudável nas terras tupiniquins. 
Assim como nosso país foi o último a "encobrir" o tráfico de seres humanos no mundo, provavelmente será também seja o último a admitir sua responsabilidade na ação perversa de promover esse lastimável genocídio melanodérmico contemporâneo; no mínimo, primeiro ele vai precisar quebrar, como está quebrado as finanças dos estados norte-americanos e da Europeu. Talvez assim haja uma possibilidade de nosso povo retorna a sua essência, aquela trazida na mente e no coração pelos seus ancestrais; fazendo-nos finalmente lembrar de nossa humanidade e de que somos seres sociáveis. Talvez um dia nossa bestialidade seja sublimada e deixemos de agir como bestas pseudo-humanas. Talvez um dia voltemos ao patamar de gente. 
Quando nossa história omitiu que o grande calunga havia se transformado num grande cemitério humano-dérmico, foi assinada nossa escrota animalidade euro-clássica; certificamos essa condição quando grafamos essa história nos livros didáticos e afins, como uma história de valorosos desbravadores que possibilitaram que o Brasil fosse uma grande nação. Desde então, matar, roubar e estuprar ganhou uma nova dimensão em nosso subconsciente, como um importante desvalor inerente ao euro-super-herói brasileiro.com. Portanto, esse super-herói necessita  arrancar muitas cabeças pra ser considerado e respeitado como alguém
Seguindo na mão desse raciocínio; pensávamos no Brasil como uma Grande nação; novidades: o Brasil não chega nem a protótipo de uma pretensa nação. Pensávamos que fossemos cidadão plenos; novidade: somos quiça, vices candidatos a figurantes a pseudocidadãos. 
Prepararam um eficiente Sistema Matrix sócio-político-cultural baseado na cultura-download, de maneira perversamente perfeita. A imagem tornou-se verdade absoluta, tal como as escrituras sagradas. Ela não permite reflexão, ponderações ou dialogia engolindo magicamente o tempo de produção sináptica do indivíduo. 
Portanto é natural que um contrato de TV pública dure 50 anos, com chuvas de dinheiro e benesses aos controladores na manutenção desse lucrativo comércio. Tudo é apresentado de forma inocentemente mentirosa, do jeito que o povo, gado marcado, gosta. Assim nosso sistema de casta é perfeitamente ignorado, assim como nossas faixa de Gaza, o indivíduo negro e indígena, os cidadãos palestinos, etc. Esses apêndices e infortúnios só existem na Índia, na Palestina, nos guetos ou na realidade das telas de TV.
E assim caminha nossa desumanidade...Metrô para zona sul e ônibus lotado de pretos metralhado na zona norte; tudo muito normal numa sociedade bestial, com direito  a corpos sem vida de juízas e de professores espalhados, atrapalhando o ir e vir de deputados e senadores no Hall da presidência da república...!!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Do Hot Black ao soft Blanc



Andar pelo calçadão da praia de Copacabana sempre me provoca profundas e inspiradoras emoções, observando as sinuosidades sensuais das linhas curvas desfilando pelo calçadão da Praia de Copacabana, até me encontrar de volta a solidez da razão ao notar as linhas retas da outeiro do Pão-de-açúcar, que me reportam a geometria dispostas nas construções das grandes pirâmides africanas; percebo então as diversidades de linhas de que a natureza é dotada, delineando histórias e geografias; formando mundos e realidades.   
Essa observação me levou a refletir e viajando da praia de Copa sobre o oceano até chegar a um Porto na Ilha de Gorè[1], no Continente de Ébano; para lembrar a primeira família constituída no mundo; da primeira sociedade, de onde veio a matemática, a medicina, café, sabonete, a arte da navegação, a democracia, o teatro, o princípio da informática, etc.
Foi inevitável deixar de fazer correlação com a formação da família eurocêntrica; constituída por um pai, uma mãe e pelo filho. Uma perfeita trindade; portanto um inquebrantável dogma, uma família em forma de triângulo. Enquanto a família africana tem seu princípio baseado no círculo. Isto é, todos integram a família, fazendo parte dela, desde a tataravó até o primo de terceiro grau.
Ocorreu-me então que é justamente este princípio de circularidade que fundamenta toda a cultura africana, tendo como quesito basilar a oralidade e a corporeidade. Ou seja, a energia[2] criadora presente na palavra é o fator preponderante na construção da própria realidade, que vem interferir no ritmo natural, harmonizando ou desarmonizando a realidade conhecida.
Apesar da existência da escrita, como os adinkras e hieróglifos, o valor da palavra nessa cultura é que carrega todo o potencial criador, sendo considerada dessa forma como um instituto social, juntamente com o próprio corpo que era o portador dessa palavra; Por extensão, o canto e a dança fazem parte desse legado.
Quando a escrita chegou a Europa, os saxões adaptaram-na as necessidades do mercado, iniciando assim o princípio essencial, regente do sistema capital: a competição. Já que o território europeu vivia na idade da pedra. Ou melhor, das trevas, os nobres e clérigos manipularam com astúcia o poder da palavra, aliando-a inteligentemente a escrita: outorgaram-se desse princípio, usando-o para se concederem certificação do manejo da energia da palavra, confeccionando assim os livros sagrados, nos quais segundo, a versão dos detentores do poder da leitura, somente eles teriam o poder de decifrar o idioma do próprio divino, não antes de esquecer-se de registrar tal legitimidade nas linhas desse lucrativo best-seller a fim de oficializar sua credibilidade outorgada: foi o primeiro pulo do gato registrado na história. Esse escritor[3] do divino não parou por ai; ele foi muito mais além, conseguindo subliminar a localização geográfica do jardim do Édem[4], escondendo também nas entrelinhas dessas escrituras, a melanina do primeiro casal habitante do planeta terra. Conseguiu até mudar a nacionalidade de Moisés, o libertador do povo Judeu, nascido na África e casado com uma mulher negra, além de seguidor de todos os preceitos da religião afro. Esse escritor conseguiu registrar que o menino Jesus se escondeu de Herodes lá no Egito; como poderia um menino branco esconder-se logo na África? Isso só seria possível se ele fosse o parente mais próximo de Michael Jackson. Ou seja, esse manipulador da palavra escrita, se apropriou de uma cultura, da cultura negra, para reescrever sua verdade, desautorizando a fonte dessa e verdade, e mais; afirmando ser essa origem uma obra demoníaca, inventando assim uma figura até então inexistente na cultura afro. Assim, de maneira insidiosa, este escritor consegue instaurar, o que é fato corriqueiro na prática dos administradores da T. I. na atualidade, a inversão de valores como prática basilar, determinante nas relações de poder.
Enfim, se na África os Griôts eram os donos da palavra, na Europa os clérigos eram os donos da escrita. Como na cultura saxônica fale o que está escrito, assim como a criação se fez através da palavra, segundo as escrituras; a criação do capitalismo se configurou através da escrita, provocando então a primeira estratificação social da história, patrocinada pela competição desenfreada, promovida na grande inauguração do sistema capital. Assim, com a consolidação do processo de estratificação social, se desenhou a preparação da passagem da idade média para a moderna.  A detenção do poder se limitava a uma minoria de leitores existentes na democracia religiosa medieval saxônica. A escrita tornou-se código de acesso a modernidade, espreitava a porta da civilização européia, como forma unilateral de sustentação das relações de poder.
Essa dicotomia foi a incubadora perfeita na criação das representações sociais estereotipadas e na manutenção dos conceitos e preconceitos geradores de paradigmas e dogmas conferidos pelo processo de enculturação[5] ocidental contemporânea.
Em breves linhas, podemos afirmar que a sociedade moderna se desenvolveu em conseqüência da aliança entre palavra e a escrita. Hoje, nos encontramos numa nova encruzilhada de transformações; mutações essas, proporcionadas pela agudização do processo de glotalização, acirrada pelo capitalismo antropofágico transnacional: a direção dessa mudança reside na força da aliança entre a palavra e a escrita com a Tecnologia da Informação.
Esse advento traz em seu bojo uma incisão profunda, intervindo no processo de enculturação, sendo fator motivador e determinante dessa mudança. Vejamos como se dá o mecanismo desse processo: Sabemos que o ser humano usa uma porcentagem mínima de seu cérebro, e que cotidianamente milhões de células morrem e outros milhões nascem substituindo e repondo a falta das que se extinguiram, num procedimento ascendente/descendente contínuo, de acordo com as etapas de vida do indivíduo. Sabemos também que o processo da produção de sinapses é o que possibilita o renascimento e reposição de novas células. Sendo assim, aferimos a necessidade da memória recorrer a esse expediente para manter-se operante e saudável.
Por outro lado, é patente a percepção de vivermos numa sociedade regida pela imagem e não mais pela palavra, como no mundo antigo. Ou seja, nossas mentes se habituaram a leituras das imagens do cotidiano veiculadas pelas T. I. e registradas na retina e transportada ao encéfalo, mas devido à alta velocidade dessas mesmas imagens, torna-se impraticável ao cérebro, cumprir a função de assimilar todas as nuances apresentadas e contextualizá-las de forma minimamente satisfatória. Sendo assim, a falta dessa contextualização não permite a realizar a devida produção de sinapses, processando tais informações, que deveriam posteriormente se transformar em conhecimento; o que faz com que a memória recrudesça gradativamente, sofrendo contínuas mutações.
Agora o processo cognitivo e epistemológico funcional do cérebro se resume na busca pela resposta certa nas imagens vivas e marcantes veiculadas pela tecnologia da informação, e não mais como outrora, quando o cérebro procurava pela questão, pela pergunta certa em meio a um discurso qualquer, a uma prosaica retórica ou diante de um emaranhado de idéias sofistas.
Assim, instituída a imagem como base social contemporânea, abriu-se uma estrada para uma nova forma de existência, de comportamento e de posturas, modificando o ser social como sujeito pensante e a própria gênese da genética cognitiva humana. Esse processo confirma o individualismo e o egoísmo como instituto essencial e basilar no sustento da existência do capitalismo. É desse modo que o sistema capital orienta os destinos da Polis; destinos determinados pelas imagens subjacentes, postadas pelos detentores das Tecnologias da Informação, assim como os comportamentos, orientados dentro da Cultura Downloads.
Após o advento das grandes navegações explorarem mares bravios, oceanos incógnitos e invadir terras alheias, temos agora que Navegar usando, não mais as velas ao vento para abarcar o desconhecido, mais sim as pastas formatadas no espaço virtual capitaneado pelas Tecnologias da informação. A navegação nesse espaço virtual, a fim de resgatar o princípio ancestral da circularidade, aliado à Tecnologia da Informação, é o caminho que virá proporcionar o equilibrium do ser social no seio dessa nova formatação cultural. Esse processo só pode ser gerido no cultivo do sensus, aplicando passe par tout em torno de todas as cenas veiculadas, circulando o quadro de cada imagem vislumbrada. Só assim seria possível significar a essência do nome “Cam[6]”, traduzido pelos divinos donos da escrita como Negro; resignificando-o como Black.
Na Cultura Download a tríade palavra/escrita/imagem disposta em formato triangular e inserido no centro do círculo, tendo o sujeito como vórtice, traz o homem do triunvirato, registrado pelo artista[7] do renascimento. Este homem se apresenta como um ser em equilibrium, atuante nessa nova sociedade da imagem. Ou seja, como um cidadão em estado pleno.
Esse homem recebe as informações fragmentadas veiculadas pela Cultura Download, contidas nas imagens que são inseridas em altíssimas velocidades na memória, de forma diferente do indivíduo plugado; ele vislumbra que a possibilidade de encontrar realimentação só é possível quando sua memória se vale da escrita para ser credenciada. Ou seja, na produção textual; e sabe que essa produção só pode efetivar-se se sua gênese se der na criatividade gestada pela memória ancestral: Processo esse que se concretiza se for proporcionado pelo princípio da Circularidade, que permite a oxigenação da memória. Oxigenação essa, provocada pelo exercício de produção de sinapses.
Esta é uma prática paradoxal: de reunir as curvas e retas transformando-as em côncavos e convexos; é um aprendizado que possibilita o cidadão Noire deixar de andar na prancha e navegar, para sair da zona virtual, tornando-se um ser real, concretizando-se como sujeito histórico na sociedade que o formatou e estigmatizou como marginal; levando em conta que os dízimos exigidos pela Cultura Download são arrecadados através do exercício passivo da servidão mental voluntariosa; essa é a alternativa da sisa[8] pós-moderna ser renegociada. Provocando assim um equilíbrio relativo na reescrita da história, visto que nessa nova forma de realidade, existe a possibilidade de mudar-se até mesmo o passado; para projetar-se ou modificar futuros.
O expediente de exercitar o questionamento, a fim de se descobrir as perguntas certas, faz do presente um momento atemporal; um lapso no espaço-tempo que se revela como repto às escolhas e tomadas de decisões. Esse exercício, na circularidade ancestral, desenvolve o sensus que provoca a quebra do ritmo hipnótico-indutor da Cultura Download, trazendo o equilibrium ao ser social. Assim as linhas curvas e retas; da geografia, da história e da matemática, serão obras-primas pintadas nas letras poéticas no mapa de reedição da vida.
Assim novamente singraremos outros mares, navegaremos através do oceano virtual, de Angola a Copacabana, da Jamaica a Nova Iguaçu, de Niterói a Jardim Catarina, de Londres a Guaraquicetuba, circulando todas as culturas para concretizar nossa quimera no crepúsculo vespertino de mais uma civilização.


[1] Ilha que servia de entreposto comercial, local onde os Negros seqüestrados eram depositados antes de partir para a América.
[2] Significa Axé na língua yorubá.
[3] São Jerônimo foi o primeiro “tradutor” da bíblia, por esse motivo foi canonizado pelo papa, vivendo o resto de sua vida com um excelente soldo proporcionado pela igreja como agradecimento pelo bom serviço prestado a cúria.
[4] Já que o rio Eufrates se localiza na África, mas precisamente na Etiópia, que é o endereço bíblico do jardim do Édem.
[5] Influência da sociedade sobre o indivíduo.
[6] Que traduzido significa queimado. Se tratando de uma região em que o sol é protagonista... O nome seria tão prosaico como um Silva qualquer o é no Brasil.
[7] Desenho do pintor renascentista Leonardo Da Vinci.
[8] Imposto de 20% cobrado pela coroa sobre cada escravo seqüestrado na África e negociados pelos mercadores no Brasil.



domingo, 5 de junho de 2011

TEMKNHN[1] Do encouraçado Potemkin aos Guarda-vidas Cariocas


temknhN[1]
Há muito tempo nas águas da Guanabara o Dragão do mar apareceu[2]... Se essas letras fossem a composição de um funk carioca, talvez os salva-vidas do estado do Rio de Janeiro aprendessem com os erros de outrora e traçassem uma tática de enfrentamento menos inocente, evitando a companhia de mulheres e crianças, e igualmente contundente.
Graças à eficiência colonial do nosso sistema educacional, eles não nunca souberam que um dia os Heróis dos porta-aviões Minas Gerais, Bahia, Deodoro e São Paulo, foram tachados; assim como o imperador Sergio Cabral os considerou por reivindicar dignidade, como Vândalos[3]. O presidente Nilo Peçanha, único Presidente Negro brasileiro, desdenhou sua petição enquanto Hermes da Fonseca os massacrou com as bênçãos da sociedade escravocrata carioca.
Nossos soldados do fogo, tratados hoje como os escravos de outrora, sem direito aquela tal dignidade humana tão propalada por nossa carta magna, tem como agravante o fato de se julgarem possuidores desse direito, além dos direitos humanos desconhecidos pelo código penal brasileiro; lamentavelmente o pior tipo de escravo é aquele que se julga livre sem sê-lo[4]. O fato mais insidioso é o de seus próprios pares agirem como eficientes capatazes, se revestindo dessa autoridade outorgada por nosso sistema escravagista contemporâneo, provocando pânico entre os familiares dos militares que ali protestavam, resultando num aborto espontâneo em conseqüência dessa infeliz ação realizada pelo Bope. Assim uma vida se perdeu antes mesmo de ter a oportunidade de começar. Não se pode falar em fatalidade, visto que os especialistas do Bope estavam a par daquela situação: foi um assassinato culposo em 2º grau, obviamente sem julgamento e sem réu; apenas vítimas.
Certamente João Cândido e seus companheiros foram ingênuos em acreditarem na decência de seus adversários oligárquicos; mais nos dias de hoje, essa ingenuidade pode ser considerada como uma fenomenal burrice, visto que decência política é uma prosaica fábula pregada por nossa fabulosa constituição fabulista. Ou seja, a hipocrisia é o único fato oficial de fato.
Sérgio Cabral está superando Hermes da Fonseca no quesito insidiosidade aplicada, protegido pela constituição que, igualando a todos, nega a existência da desigualdade; fazendo com que ela exista através de sua própria negação. Portanto, o status de nossa educação precisa manter as Amandas Gurgel imobilizadas, para que nossos bombeiros se reduzam a meros objetos extintores de incêndios e salvadores de incautos nadadores: salvadores da pátria...!!?? só nas novelas eurocêntricas da rede globo.
É notório perceber que a escola que o imperador Sérgio Cabral freqüentou, ministrou-lhe ideologicamente de forma subreptícia o ensino de português e matemática. Esse senhor feudal conta 439 pessoas como algarismos num prosaico quadro estatístico, esquecendo-se das operações básicas e principalmente de compreender as miríades da questão posta; questão essa apresentada não pelos militares, mais por uma sociedade que não se reduz somente a escravocratas nem aos oficiais oligárquicos de outrora. A caneta do imperador não possui a mágica de, numa canetada acompanhada de um carimbaço, resolver esta simples equação complexa.
Volte para a escola Senhor imperador, que nós profissionais da Educação, não nos furtaremos de lhe auxiliar na resolução desse probleminha; também fazemos parte dos 439. Agora vossa excelência talvez possa calcular as probabilidades, sem uso de derivadas, geometria espacial nem da métrica; disso os computadores de sua assessoria já dão conta. Se assim não for, o senhor verá a rima desses três algarismos se impor, não pelo amor, mais pela dor que começou quando aquela criança deixou de viver em conseqüência da bestialidade de um imperador. Não me refiro mais a um governador, mais sim a um matador; matador de criancinhas.


[1] Potemkin; nome do submarino russo onde que se sucedeu um dos mais trágicos levante de marinheiros.
[2] Letra da composição de João Bosco e Aldir Blanc em homenagem ao Almirante Negro João Cândido; canção proibida pela censura democrática brasileira (lembrando que em sua maioria, os censores eram jornalistas).
[3] Um dos muitos Povos que contribuíram para o declínio do império romano.
[4] Goethe; pensador alemão.


sábado, 4 de junho de 2011

Cronos


...Hoje dei um beijo na boca do tempo... Logo pela manhã pus uma cueca verde, coloquei minha calça verde, vesti uma camisa verde... Ao meio dia degustei um delicioso caldo de ervilhas e um chá verdes... À tarde fui visitar minha infância no futuro de uma vida que quase se expirou no meio do nosso presente... Assim... Camuflado de tempo enganei o Deus Cronos entrando na floresta de gentes que partiram... À noite... Fomos pra cama... Sonhamos... Vivemos... Fizemos amor... Morremos... Gozamos... Acordamos... Dei um beijo na boca do Tempo...

domingo, 29 de maio de 2011

A didática pós-moderna e a sistematização do neo-apartheid




Agora qui agenti podemos pegar os peche e tammém os livru; finalmenti nóis podi falá nossa língua di verdade, além da nova ortografia, du purtuguês di Purtugal e da língua formal e informal. A tia qui iscrevel essi livru é mermo çangue bom; ela divia di ganhá o nobréu da paz. Só num intendi purqui’é qui ela qué insiná o qui agenti já sabi...!!!
Passemos agora a linguagem formal; a dominante, certa e “verdadeira” língua do estado brasileiro. Os noticiários fizeram comentários sobre o falecimento de Abdias Nascimento, e o governador do estado do Rio se adiantou a assinar o decreto referente aos 20% de cotas para negros. Assim, pra variar, ele, o governador, conseguiu dividir os holofotes da nota de falecimento fazendo propaganda de sua própria pessoa, tirando proveito da luta de uma vida inteira de mais um negro que lutou em prol da dignidade e dos direitos humanos universais. A reboque desta notícia-propaganda estado também concedeu aos despossuídos o direito de usufruir por um pequeno período de tempo, um espaço público ariano: o bondinho do Pão de Açúcar. A permissão de visitação foi liberada mediante a 50% da taxa cobrada; benefício batizado expetacularmente, com muitas pompas, pelo sugestivo nome de projeto carioquinha. Não é preciso dizer que a felicidade dos despossuídos ficou patente devido ao grande numero de negros e pobres; necessariamente nessa ordem visto a sinonímia dos termos, presentes nesse espaço.
Assim, inteligentemente a argúcia do apartheid só pode ser percebida pela TV, lá no passado distante, no presente da África do Sul. Em nosso país, além da propaganda de inexistência do preconceito lingüístico, não existem quaisquer outros tipo de preconceito; afinal vivemos num paraíso de democracia racial, religiosa, de gênero e correlatos. O fato, passado despercebido, dos indígenas conseguirem a demarcação de seus territórios e a não garantia de autonomia sobre os mesmos é só um mero detalhe sem importância; e o fato dos quilombolas até hoje tentarem uma cota de suas próprias terras, além de uma porcentagem de dignidade, como desejava Abdias, é mais um prosaico detalhe não é caracterizado pela mídia como um fato típico de um país que vive em estado de exceção: Um país onde os poderosos fazem o que bem entendem e os fracos sofrem o que é necessário.
O livro da nova literatura citado no caput desse texto, ilustra com maestria a identidade de nossa pseudodemocracia, pois coloca cada macaco no seu galho, cada qual em seu quadrado nessa sociedade desintegrada e esfacelada pelas oligarquias escudeiras do capitalismo; numa geografia onde o todo sem a parte não é todo, a parte sem o todo não é parte, mas se a parte o faz todo, sendo parte, não se diga que é parte, sendo todo.[1]
Assim é o exercício da cidadania nessa política do neo-apartheid, implantada pelas oligarquias através do estado, que desfigura a nação e a identidade do indivíduo.  Dividir para governar; política tão velha quanto à invenção do capitalismo, que se tornou eficiente por ser um instrumento político largamente utilizado pelo sistema educacional: a hipocrisia. Instrumento esse que vai além dos discursos registrados na mídia; já constam agora renovados nos modernos livros didáticos: é realmente um fato sem precedentes; é a primeira vez que o cinismo é registrado em livro didático sem a necessidade de se passar por inocente.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Caminhos da Memória


Desde o homem sapiens sapiens[1] até a antiguidade, a palavra foi usada como fonte de energia criadora do mundo, de realidades e verdades. Eles tinham na escrita, que se dedicava ao registro e capturam fragmentos ocorridos no espaço-tempo cronologizado pelo mercado, apenas uma pálida fotografia do saber e não o saber em si.
Com o terceiro advento da globalização, conseqüência do capetalismo[2], ela traz em seu bojo a enculturação[3] do paradigma da imagem em alta velocidade como determinante histórico do pós-modernismo. Essa nova sociedade imagética transforma gradativa e progressivamente este indivíduo, de forma Dawinistica.
As sinapses, que revitalizam as células cerebrais fazendo com que nasçam novas centenas diariamente, que substituirão as que se degradam, agora nascem em números insuficientes para suprir esse processo. Visto que o trabalhar com virtual e o assistir TV, têm substituído o processo de produção de sinapses, outrora realizadas pelo cérebro.
Isso faz com que os pedagogos possam compreender o motivo pelo qual um educando se gabe de ter a capacidade de teclar, assistir TV e ouvir música no celular simultaneamente, além de encarar o livro como um elemento extraterrestre e a produção textual como uma forma alienígena de comunicação. Mesmo sendo a literatura uma disciplina, de certo modo, exótica; ela não suscita nenhum questionamento, nenhuma indagação nem interesse por parte do educando.
O individualismo e o egoísmo, como moto-perpétuo do capitalismo, reduziram o indivíduo; circunscrito a si mesmo, ele definha seu pensar e sua persona, fragmentando seu todo; ser coletivo e social, e paradoxalmente buscando por referências e pertencimento. Sua personalidade, em pleno labirinto transfigurou-se numa colcha de retalhos; difusa, entremeadas pela ausência de links e conexões. O cérebro, invadido por milhares de imagens velozes, não têm a oportunidade nem possibilidade de formular quaisquer sinapses que seja. Assim os contos, mitos e fábulas passam a fazer parte de um mundo distante e inalcançável, como as conversas ao redor da mesa de jantar com as vovós e os vovôs; com a família. Agora conversamos pelo computador e falamos com a TV que nem ao menos nos vê.
A vez da fala fica com a TV, enquanto a palavra se dilui com a escrita, que perde sua profundidade, entrelinhas e subtexto, deixando a mensagem soçobrar nas bordas da superfície dessa mesma escrita. Assim a história se perde em suas próprias entrelinhas escrita na memória da enculturação, enquanto a história de vida do indivíduo se embaraça em si mesma esquecendo-se de acontecer, de se realizar, de tornar-se real pela palavra criadora.
Fotografamos no virtual nossa realidade, onde um simples vírus possa vir a destruir, onde qualquer haker possa vir a se apropriar. Assim nossa vida vira cena de quinze minutos de fama num protagonismo ausente de autonomia. Nosso heroísmo virtual se torna resiliente na telinha da TV enquanto a letra morta da escrita deleta o poder da palavra do indivíduo que não vê o que gosta, mas gosta do que vê; não chegando jamais ao status de sujeito, emancipado e protagonista da própria história de vida.



[1] O homem que sabe que sabe.
[2] Grafia do profeta Gentileza.
[3] Influência da sociedade sobre o indivíduo.