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Há muito tempo nas águas da Guanabara o Dragão do mar apareceu[2]... Se essas letras fossem a composição de um funk carioca, talvez os salva-vidas do estado do Rio de Janeiro aprendessem com os erros de outrora e traçassem uma tática de enfrentamento menos inocente, evitando a companhia de mulheres e crianças, e igualmente contundente.
Graças à eficiência colonial do nosso sistema educacional, eles não nunca souberam que um dia os Heróis dos porta-aviões Minas Gerais, Bahia, Deodoro e São Paulo, foram tachados; assim como o imperador Sergio Cabral os considerou por reivindicar dignidade, como Vândalos[3]. O presidente Nilo Peçanha, único Presidente Negro brasileiro, desdenhou sua petição enquanto Hermes da Fonseca os massacrou com as bênçãos da sociedade escravocrata carioca.
Nossos soldados do fogo, tratados hoje como os escravos de outrora, sem direito aquela tal dignidade humana tão propalada por nossa carta magna, tem como agravante o fato de se julgarem possuidores desse direito, além dos direitos humanos desconhecidos pelo código penal brasileiro; lamentavelmente o pior tipo de escravo é aquele que se julga livre sem sê-lo[4]. O fato mais insidioso é o de seus próprios pares agirem como eficientes capatazes, se revestindo dessa autoridade outorgada por nosso sistema escravagista contemporâneo, provocando pânico entre os familiares dos militares que ali protestavam, resultando num aborto espontâneo em conseqüência dessa infeliz ação realizada pelo Bope. Assim uma vida se perdeu antes mesmo de ter a oportunidade de começar. Não se pode falar em fatalidade, visto que os especialistas do Bope estavam a par daquela situação: foi um assassinato culposo em 2º grau, obviamente sem julgamento e sem réu; apenas vítimas.
Certamente João Cândido e seus companheiros foram ingênuos em acreditarem na decência de seus adversários oligárquicos; mais nos dias de hoje, essa ingenuidade pode ser considerada como uma fenomenal burrice, visto que decência política é uma prosaica fábula pregada por nossa fabulosa constituição fabulista. Ou seja, a hipocrisia é o único fato oficial de fato.
Sérgio Cabral está superando Hermes da Fonseca no quesito insidiosidade aplicada, protegido pela constituição que, igualando a todos, nega a existência da desigualdade; fazendo com que ela exista através de sua própria negação. Portanto, o status de nossa educação precisa manter as Amandas Gurgel imobilizadas, para que nossos bombeiros se reduzam a meros objetos extintores de incêndios e salvadores de incautos nadadores: salvadores da pátria...!!?? só nas novelas eurocêntricas da rede globo.
É notório perceber que a escola que o imperador Sérgio Cabral freqüentou, ministrou-lhe ideologicamente de forma subreptícia o ensino de português e matemática. Esse senhor feudal conta 439 pessoas como algarismos num prosaico quadro estatístico, esquecendo-se das operações básicas e principalmente de compreender as miríades da questão posta; questão essa apresentada não pelos militares, mais por uma sociedade que não se reduz somente a escravocratas nem aos oficiais oligárquicos de outrora. A caneta do imperador não possui a mágica de, numa canetada acompanhada de um carimbaço, resolver esta simples equação complexa.
Volte para a escola Senhor imperador, que nós profissionais da Educação, não nos furtaremos de lhe auxiliar na resolução desse probleminha; também fazemos parte dos 439. Agora vossa excelência talvez possa calcular as probabilidades, sem uso de derivadas, geometria espacial nem da métrica; disso os computadores de sua assessoria já dão conta. Se assim não for, o senhor verá a rima desses três algarismos se impor, não pelo amor, mais pela dor que começou quando aquela criança deixou de viver em conseqüência da bestialidade de um imperador. Não me refiro mais a um governador, mais sim a um matador; matador de criancinhas.
[1] Potemkin; nome do submarino russo onde que se sucedeu um dos mais trágicos levante de marinheiros.
[2] Letra da composição de João Bosco e Aldir Blanc em homenagem ao Almirante Negro João Cândido; canção proibida pela censura democrática brasileira (lembrando que em sua maioria, os censores eram jornalistas).
[3] Um dos muitos Povos que contribuíram para o declínio do império romano.
[4] Goethe; pensador alemão.
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