
Luíza Mahin foi uma mulher inconformada na condição escravizada; ela, como escrava de ganho, comprou sua alforria, e articulou a libertação de seus pares, eclodindo assim na revolta dos malês em plena cidade de Salvador, em 1835.
Após as diversas tentativas de dominar o espírito dos escravizados, tal como a lei do ventre livre; onde o estado tinha que arcar com indenização ao senhor de escravo; lei do sexagenário, sendo que o escravizado tinha sua média de vida abreviada, raríssima exceção algum chegar aos sessenta; e a própria lei áurea, num momento em que 90% dos escravizados haviam conquistado a liberdade numa luta iniciada com Zumbi, seguido de muitos heróis, como a própria Luíza.
Antes da teatral lei áurea, os mesmos gestores prepararam a lei 601, em 1850: foi a lei da terra que destituía os homens de cor de ter qualquer possibilidade de acesso a propriedade da terra. assim, com o "teatro da abolição" a república se instala, cedendo a terra para imigrantes europeus em detrimento do imigrante nu (ou povo da noite, como eram denominados os africanos pelos dos fundamentalistas construtores racismo).
Hoje, os descendentes dos europeus monopolizam todos as posições-chaves da sociedade, enquanto os descendentes de africanos, os afrodescendentes, precisam comprar sua alforria, assim como Luíza Mahin o fez.
É notório perceber que a ideologia implantada pela branquitude, propaga descaradamente a inferioridade como atributo inerente as negras e negros de nossa república. Por outro lado, ela redime o afrodescendente que aceite esse mote como verdade absoluta, aceitando a branquitude como princípio.
Assim o Brasil deixa de ser racista; as negras e negros passam a ser invisíveis para os próprios afrodescendentes, uma vez que sua identidade lhe é negada.
Hoje, em pleno século XXI os afrodescendentes ainda vivem naturalmente como escravos de ganho; o motorista, o professor, o lixeiro. enfim, todas as profissões próprias de escravos de ganho, sendo estimulados pelos novos senhores de escravos, através de programas de incentivos. todo o dinheiro, ganho diariamente com o suor de seu trabalho indo para seu dono, hoje denominado de empresário. O aforismo do mecanismo da meritocracia, faz com que esse escravisado acredite que ele é livre, e que pode conseguir tudo que o eurobranco, o empresário, conseguiu. Falo desse empresário de sobrenome gringo, herdeiro do espólio dos privilégios adquiridos através das benesses da branquitude.
Os benefícios prometido aos afrodescendentes, propagada pelo sistema meritocrático aos que aderirem à branquitude, faz com que a identidade negra ganhe novos contornos. Assim, todos passamos a ser iguais perante a lei, sendo que a justiça fica por conta dos caprichos da branquitude, gestora da instituições comandada pelos eurodescendentes.
Portanto, o Brasil hoje é um país multicultural, onde todos convivem em perfeita harmonia, a despeito do genocídio de negros, transmitido todos os dias on-line ou via satélite, ao vivo e em preto branco; tão natural como negar o sistema de cota nas universidades e negar a existência do racismo em nosso maravilhoso Brasil varonil... e quem não acreditar nessa máxima...vá pra... longe do Brazill,... zill,...zill...
Do contrário, teríamos que inventar e implantar um novo sistema de alforria...E dessa vez...Sem cotas...!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário