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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

JUÍZES DA INJÚRIA



Enquanto na África (do Sul) os jovens raspam a cabeça, no Brasil eles usam bonés, negando sua cor, renegando sua “raça”; tentando se moldar a um padrão de aceitabilidade: Negam sua diferença, para se tornarem iguais.
A estética negra negada e denegrida pelos meios de comunicação transforma vítima em réu, refletindo na face crioula essa branquitude para os que tentam escapar das garras do monstro do infame racismo.
Assim, mostrando a cara e ocultando seu corpo; corpo esse que é sua história, seu discurso, sua narrativa, onde ele expressa seu mundo, seu interior. Corpo esse que se entrelaça nos braços lascivos do racismo afetivo, espatifando-se frente a injuria de cada dia nesse estado de exceção, que expressa na perversa democracia amoral, todo seu ódio racial, é torturado cotidianamente ante o pelourinho digital.
Estraçalham seu corpo, seu cabelo, sua cor..., seu abraço... Sua voz, sua face, seu olhar, seu andar, seu tambor, seu sorriso... O mesmo sorriso que energiza a alma, que limpa a mente e eleva o espírito, traduzindo a solidariedade, a coletividade. Assim como o canto e a dança, o riso continua sendo um fator de resistência: esse mesmo riso negro que o colonizador se referia como “um imbecil feliz”. Esse riso que expressa seu interior, seu mundo; riso provocado pela desestruturação desse mesmo mundo, pelo caos reinante.
O riso pode ser brilhante, quente, colorido, leve, positivo; pode ser choro, pode ser pesado, pode ser um xingamento, pode ser negativo. A geografia desse riso pode vir de alguém ou ir para alguém; pode ser trocado ou doado.
Hoje o racismo afetivo, manifestado na injúria da leitura oficial, descortina a branquitude do sistema judicial que justifica essa infâmia trocando alforria por liberdade condicional. Nossa sociedade download tele-guiada pela imagem; a única coisa clara é o racismo oficial. O racista é aquele que fecha os olhos porque tem medo do escuro. Assim, a imagem nórdico-digital é a que molda e serve de referência para condenar um povo afro, que não se vêm como negro nem se consideram negro. Portanto, não se percebem como vítimas. É notório esse sentimento em alguém que habita no segundo país de maior população negra no mundo, e conhece somente a história dos brancos; a história oficial.

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