Enquanto
na África (do Sul) os jovens raspam a cabeça, no Brasil eles usam bonés,
negando sua cor, renegando sua “raça”; tentando se moldar a um padrão de
aceitabilidade: Negam sua diferença, para se tornarem iguais.
A
estética negra negada e denegrida pelos meios de comunicação transforma vítima
em réu, refletindo na face crioula essa branquitude para os que tentam escapar das
garras do monstro do infame racismo.
Assim,
mostrando a cara e ocultando seu corpo; corpo esse que é sua história, seu discurso,
sua narrativa, onde ele expressa seu mundo, seu interior. Corpo esse que se entrelaça
nos braços lascivos do racismo afetivo, espatifando-se frente a injuria de cada
dia nesse estado de exceção, que expressa na perversa democracia amoral, todo
seu ódio racial, é torturado cotidianamente ante o pelourinho digital.
Estraçalham
seu corpo, seu cabelo, sua cor..., seu abraço... Sua voz, sua face, seu olhar,
seu andar, seu tambor, seu sorriso... O mesmo sorriso que energiza a alma, que
limpa a mente e eleva o espírito, traduzindo a solidariedade, a coletividade.
Assim como o canto e a dança, o riso continua sendo um fator de resistência:
esse mesmo riso negro que o colonizador se referia como “um imbecil feliz”. Esse
riso que expressa seu interior, seu mundo; riso provocado pela desestruturação
desse mesmo mundo, pelo caos reinante.
O
riso pode ser brilhante, quente, colorido, leve, positivo; pode ser choro, pode
ser pesado, pode ser um xingamento, pode ser negativo. A geografia desse riso
pode vir de alguém ou ir para alguém; pode ser trocado ou doado.
Hoje
o racismo afetivo, manifestado na injúria da leitura oficial, descortina a branquitude
do sistema judicial que justifica essa infâmia trocando alforria por liberdade
condicional. Nossa sociedade download tele-guiada pela imagem; a única coisa
clara é o racismo oficial. O racista é aquele que fecha os olhos porque tem
medo do escuro. Assim, a imagem nórdico-digital é a que molda e serve de
referência para condenar um povo afro, que não se vêm como negro nem se
consideram negro. Portanto, não se percebem como vítimas. É notório esse
sentimento em alguém que habita no segundo país de maior população negra no
mundo, e conhece somente a história dos brancos; a história oficial.

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