Na maravilhosa e exótica terra tupiniquim, além de araras, tucanos papagaios e das deliciosas mulatas for export, temos a presença da polícia mais eficiente do mundo. Essa eficiência se deve ao fato de que em todas as situações de risco, eu disse todas; num seqüestro com reféns, por exemplo, eles habilmente matam todas as vítimas, prendem os bandidos e depois matam os bandidos resolvendo assim todos os crimes possíveis, imagináveis e inimagináveis.
É tudo muito simples; até que às vezes um cidadão desavisado e mal educado resolve registrar algumas dessas cenas, filmando imagens em celulares e enviando a TV com tendências políticas opositivas a situação, iniciando assim um leve pedido de explicações do ocorrido. Isso às vezes faz com que a fama de eficiência seja um poucochinho arranhada; nada que não se possa resolver eliminando, no sentido próprio da palavra, esses pseudocidadãos metidos com idéias tortas sobre direitos humanos.
Essas situações prosaicas são recorrentes na vida do cidadão de cor; manchetes a cores mostrando on-line um preto que sequestra um ônibus cheio de pretos, vindo um policial preto que metralha todos os pretos, ganhando um bônus de um governador branco por sua eficiência e sua contribuição para nossa ecologia social democrático-tupiniquim.
Mas não confundamos nossa eficiente polícia assassina com os antigos capatazes do Brasil - colônia. Existe uma grande distância entre ambos; os capatazes matavam aos poucos e a nossa polícia mata em massa, por atacado. O fator da distância tem uma influência determinante no contexto; assim como a evolução dos senhores escravocratas, que agora são senhores empresários sem fins assassínicos: isso fica sobre incumbência de seus mandatários: a polícia, a imprensa e o poder judiciário.
Portanto a hipocrisia institucional não é um mero objeto non-sense; mas sim, um assunto extremamente lapidado e ideologicamente tratado por gestores sérios e comprometidos com a real democracia Greco-tupiniquim. Essa democracia que arranca do Negro o que ele trouxe a bordo dos tumbeiros em seu peito e em sua mente. Nossa pós-moderna sociedade escravocrata é extremamente hábil para encarcerar justamente o que constitui a essência das Negras e dos Negros brasileiros: seus corações e mentes.
Portanto, a ecologia social é eficientemente levada a cabo por meios bélicos, judiciários e midiáticos, escravizando assim o corpo, a mente ou ambos. Por meio da dança muitos crioulos dançam pra sobreviver; por meio da música ele canta para não dançar. Dentro desse processo ecológico-social, a matrix digital substitui o pelourinho do objeto-animal de ontem; promotor de comportamentos behavioristas e do darwinismo social iniciado no Século XVIII com os iluministas, pelo objeto-cultural de hoje.
Com a vastíssima evolução da humanidade branca, Negra, amarela, etc. o negro hoje se tornou um produto exótico na academia, transformando-se em objeto de estudo e de ganho, como o escravo de ganho de outrora que trabalhava nas ruas entregando o ganho para o patrão ao final de sua jornada.
Os Negros pensantes, assim como os Negros fujões, continuam praticando o Quilombismo, enfrentando os Jorges Velhos cotidianos. Por isso a cooptação se mostrou uma das armas mais competente, depois da destruição psicológica e do assédio moral, no combate a peste negra de cabelos enrolados.
Após da colonização mental, muitos negros que conseguiram alcançar status social, passaram a negar a existência desse perverso contexto, contribuindo assim para a descentralização do senso coletivo e da circularidade.
O extermínio por meios bélico, social e judicial sistematizado da população melanodérmica virou lugar-comum; uma prosaica e natural pandemia.
O negro tem seu saber folclorizado e sua personalidade carnavalizada, para sobreviver com um restolho de status nesta sociedade de pensamento eurocêntrico.
É notório perceber que qualquer intelectual negro nessa cultura branca, tem seu pensamento solenemente ignorado pelos meios da euro-comunicação. Exemplo disso foi o livro do Haitiano Antony Fermim desconstruindo a tese das raças de Arthur Gobineau; ninguém ouviu falar, ninguém conhece, ninguém sabe, ninguém viu. Mas todos conhecem muito bem o racismo pregado por Gobineau; até mesmo os que se declaram não racistas e aqueles não fazem a mínima ideia de quem tenha sido esse tal Gobineau.
Nesse vácuo de hipocrisia, Hipócrates virou pai da medicina, sendo que centenas de anos antes dele, os africanos já realizavam cirurgias e já havia vacinas para toda a população; Euclídes era o nome comum de escravos africanos, e a matemática euclidiana passou a ser de propriedade grega; todos os pré-socráticos iam estudar na África, mais especificamente no Egito, e assim a apropriação da filosofia, da astronomia, matemática, da medicina e tudo mais passaram a ser de propriedade Grega.
Assim como os Dogons ensinavam os conhecimentos analíticos, descritivos, comparativos e ativos; conhecimentos esses seqüestrados pelos sábios árabes e gregos, a educação eurocêntrica ensina em seus livros que Negro é sinônimo de escravo, gosta de samba, funk e futebol; tendo o direito implícito de almoçar em restaurante branco, comprar remédios numa farmácia branca, consumir produtos brancos, além de obedecer a uma lei branca e se submeter a uma justiça branca. Ele só tem tido a possibilidade de embaraçar seus próprios cabelos, para poder embaraçar as constrangedoras opiniões sobre ele, mais não o faz devido ao fato de não possuir sua própria opinião. Não tem opinião porque não tem referências, perdendo assim sua identidade. Sua referência São as propagandas, as novelas e as imagens olimpianas.
No Brasil colônia de outrora, o Negro cantava diante da tortura para mostrar para o Senhor que não se dobrava ao sofrimento; ele tinha no canto uma arma de defesa. Ele também cantava nos funerais, feliz por aquele que partia para um lugar melhor do que aquele em que vivera.
Hoje como forma de defesa; também rimos de nossas desgraças, rimos de nós mesmos, mas rimos devido nossa falta de referências. Assim rimos de nossa exclusão, rimos das frases pejorativas e das piadas sobre negros, rimos do desrespeito a nós mesmos. Perde-se a capacidade de indignação, de reflexão e atuação.
Ao assistir na TV um ônibus lotado de pretos sendo metralhado por policiais pretos, a empolgação toma conta por mais uma atração na tela da televisão, deixando a mente em ebulição, produzindo adrenalina. É natural precisar de adrenalina; ela produz endorfina que deixa nosso corpo num estado agradavelmente satisfeito. Acostumamos-nos naturalmente a isso, assim como acostumamos a natural pobreza cotidiana que se alastra pelos morros e vielas da cidade maravilhosa; a proliferação dos sem tetos e sem terras jogados na sarjeta; tudo isso é tão natural como é a estampa da sociedade branca na direção desse tumbeiro urbano. Assim essa euro-cultura produz o sofisma do simbolismo da paz “branca” em oposição a magia “Negra” a ser seguido hierarquicamente como como mais um indiscutível e sagrado dogma.
Anormal nessa sociedade é ter uma juíza que trabalha para uma justiça branca, agindo de forma justa. Essa postura é uma postura condenável e, portanto passível de punição. Foi por este motivo que a digníssima magistrada Patrícia Acioli da comarca do Município de São Gonçalo, cidade da Baixada fluminense, no estado do Rio de Janeiro, foi devidamente punida por nossa eficiente polícia. Uma mulher de moral agigantada como era a meritíssima, não poderia ser uma agente pública nessa sociedade eurocêntrica. Assim a justiça branca novamente se fez presente.
Portando entoemos o Amezing Grace para esta mulher que honrou a justiça tal como ela deveria ser; transparentemente igualitária e justa. As araras, tucanos e papagaios dessa terra exótica, se calam diante dessa canção negra que se eleva e leva essa paladina ao um posto divinal. Nosso Brasil acaba de assassinar mais uma cidadã. Saudações negras a mais essa ousada brasileira, que faz com que nosso Brasil não seja grafado com “Z”.
Os agentes da lei que metralharam aquele ônibus cheio de pretos, certamente terão a benevolência do habeas corpus da euro-justiça tupiniquim, podendo exercer sua profissão com a habitual “dignidade” de todo dia pelas ruas de Gotan City. E mais uma vez a cidade de Towsville vai poder dormir em paz.
Resgatar o princípio de circularidade presente na cultura africana, significa resgatar a o senso de solidariedade e de coletividade tão combatida pelos gestores públicos na escola e na produção cultural brasileira. não precisamos de heróis, do individualismo nem do egoismo próprios do sistema capitalista, precisamos mesmo é agir e pensar como uma nação e uma nação se identifica por suas crenças, seus objetivos e seus ideais. Enquanto tivermos uma sociedade dividida pelo racismo e pela intolerância, o sistema feudal continuará saudável nas terras tupiniquins.
Assim como nosso país foi o último a "encobrir" o tráfico de seres humanos no mundo, provavelmente será também seja o último a admitir sua responsabilidade na ação perversa de promover esse lastimável genocídio melanodérmico contemporâneo; no mínimo, primeiro ele vai precisar quebrar, como está quebrado as finanças dos estados norte-americanos e da Europeu. Talvez assim haja uma possibilidade de nosso povo retorna a sua essência, aquela trazida na mente e no coração pelos seus ancestrais; fazendo-nos finalmente lembrar de nossa humanidade e de que somos seres sociáveis. Talvez um dia nossa bestialidade seja sublimada e deixemos de agir como bestas pseudo-humanas. Talvez um dia voltemos ao patamar de gente. Quando nossa história omitiu que o grande calunga havia se transformado num grande cemitério humano-dérmico, foi assinada nossa escrota animalidade euro-clássica; certificamos essa condição quando grafamos essa história nos livros didáticos e afins, como uma história de valorosos desbravadores que possibilitaram que o Brasil fosse uma grande nação. Desde então, matar, roubar e estuprar ganhou uma nova dimensão em nosso subconsciente, como um importante desvalor inerente ao euro-super-herói brasileiro.com. Portanto, esse super-herói necessita arrancar muitas cabeças pra ser considerado e respeitado como alguém.
Seguindo na mão desse raciocínio; pensávamos no Brasil como uma Grande nação; novidades: o Brasil não chega nem a protótipo de uma pretensa nação. Pensávamos que fossemos cidadão plenos; novidade: somos quiça, vices candidatos a figurantes a pseudocidadãos.
Prepararam um eficiente Sistema Matrix sócio-político-cultural baseado na cultura-download, de maneira perversamente perfeita. A imagem tornou-se verdade absoluta, tal como as escrituras sagradas. Ela não permite reflexão, ponderações ou dialogia engolindo magicamente o tempo de produção sináptica do indivíduo.
Portanto é natural que um contrato de TV pública dure 50 anos, com chuvas de dinheiro e benesses aos controladores na manutenção desse lucrativo comércio. Tudo é apresentado de forma inocentemente mentirosa, do jeito que o povo, gado marcado, gosta. Assim nosso sistema de casta é perfeitamente ignorado, assim como nossas faixa de Gaza, o indivíduo negro e indígena, os cidadãos palestinos, etc. Esses apêndices e infortúnios só existem na Índia, na Palestina, nos guetos ou na realidade das telas de TV.
E assim caminha nossa desumanidade...Metrô para zona sul e ônibus lotado de pretos metralhado na zona norte; tudo muito normal numa sociedade bestial, com direito a corpos sem vida de juízas e de professores espalhados, atrapalhando o ir e vir de deputados e senadores no Hall da presidência da república...!!
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