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domingo, 30 de outubro de 2011

“Existem linhas que separam nossa existência da vida e, de outras vidas; e ele foi além da linha”


“Além da linha” é um curta metragem que aborda a crise existencial de um homem que só no fim da vida descobre as limitações imposta pela melanina: Descobre em morte o que significava vida. As agruras vividas no futuro do presente aparecem-lhe a cada estação da vida que lhe abandona. A revisão de sua vida tornando-se inevitável a cada passo em direção a estação final, quando descobre finalmente, que o começo está no seu fim. Por outro lado, além desse pano de fundo, o curta objetiva fomentar questionamentos a respeito da ética e da ideologia hipócrita que fundamenta esta mesma ética no mundo contemporâneo, norteado exclusivamente pelo senso geométrico do capitalismo.
Ele caminha pelos trilhos do trem que corta a cidade, a fim de se encontrar, encontrando o que as representações que a mídia oferece através dos meios de comunicação; sua dignidade perdida, escoada junto com sua qualidade de vida cidadã.
Os out doors que o acompanha pelos trilhos reforçam ao mesmo tempo em que retiram sua esperanças, na medida em que os fatos contradizem sua realidade. Quando chega ao fim da linha, descobre que foi muito além dessa linha; descobre enfim o começo de sua história.
Sinopse 
O personagem caminha sobre os trilhos, aparentemente um andarilho vagando sem destino, perdido em seus próprios pensamentos, ele protesta, desabafa, filosofa, gritando silenciosamente para o mundo e pra si mesmo, exorcizando suas mais profundas angústias e medos, tentando esconjurar seus fantasmas.
Medita, às vezes tristonho, as vezes indignado ou revoltado, sobre a trajetória de sua vida sofrida de negro-indígena. Ele sintetiza em si, no corpo e na alma, a essência brasileira, contando e cantando suas mágoas em verso e prosa, desafiando a ordem no momento em que rompe seu próprio silêncio.
O personagem procura por sua sabedoria ancestral, primitiva, anarquista e quase ingênua, vagando pelas esquinas da vida, pelas trilhas e trilhos, a espera de seu vagão que vem de um horizonte feito de madeira, cravo e ferro, como os elementos da cruz do seu próprio calvário.
Nessa indefinida espera pelo deixar de ser, nesse incerto passo certo, ele solta seu pensamento e suas palavras ao vento... Percorrendo a linha férrea, meditando, questionando, se indignando e se transformando a cada estação. Sua angústia existencial tece a trama do curta, até chegar ao fim da linha; seu ponto final.

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