Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Há muito mais entre a democracia greco-romana e a Democracia Africana do que imagina a nossa vã filosofia brazilleira-ariana...

Agora, após essa notória farsa democrática eleitoral, o nosso Brazill está devidamente vestido com o modelito verde e amarelo das cores privatizadas pela estúpida e falsa burguesia, além de travestida com a verdade absoluta da bestial elite mundial; e a verdade  das ruas aparecendo nua e crua pra quem tem olhos para ver; faz-se necessário vestir a nossa colônia tupiniquim com o designe adequado para o desfile popular, nesse cenário cuidadosamente preparado por essa estúpida elite escravocrata, para o deleite extravasador e anestesiante dessa gentalha descamisada e pés descalços.

Dessa forma, nossas sonoras mordaças, após equalizada com expressões convenientes do senso comum, poderão desovar discursos embranquecidos, armando nossas línguas, para asfixiar a coletividade, enquanto desumanizamos o povo negro e seus simpatizantes.

Esse vírus branco, inoculado pela mídia, nos aliena de nós mesmos; visto que essa alienação habilmente introjetada em nossas entranhas, tal como um hospedeiro predador, não nos deixa perceber esse calamitoso estado de servidão a qual nos encontramos nesse fatídico momento.

Está passando da hora de parir a nossa própria história; história essa que foi criminosamente abortada pelo branco status quo; pois nosso casulo foi gentrificado quando contaminado pelo vírus da besta branca. Esse vírus que fez da burguesia colonizada, uma reles massa manipulada, transformando-a num instrumento de perversidade, esmerada na prática de crueldades extasiantemente requintadas; enfim, transmutada num perfeito espelho de arrogâncias e indolências histéricas e automatizada. 

Dessa maneira, a falsa democracia, que financiou a falsa abolição, nos confirma a independência fictícia e intensamente verdadeira em que, nós negros, sempre vivemos. Essa premeditada divisão, faz com que, para lutar contra a elite, tenhamos que lutar contra nossos próprios pretos pares e contra nós mesmos, visto ser o ódio o único tesouro que, nesse momento, temos a oferecer aos nossos colonizadores e seus asseclas. 

Fora isso, poderíamos ouvir o padre Antônio Vieira, pregando sobre a dádiva do contentamento nas tétricas adversidades e do sofrimento em vida como única condição de receber seu divino prêmio no pós morte. Ou então, poderíamos escolher cerrar os punhos  e ir à luta, em vez curvarmo-nos, caindo como moscas ante as chamas do fogo da vida; nas chamas do mesmo fogo que deu ao mundo a humanidade no solitário Vale do Rift, em meio ao fértil ventre solidário de Quênia. 

Mas isso, essa luta, só será possível se houver a união do povo preto, visto que não basta querer cerrar os punhos e lutar, pois essa batalha é de um povo e não de personagens ou personalidades criadas pelo clamor dos discursos inflamados pela ótica egocêntrica, produtos da contaminação do vírus da branquidão e da gentrificação mental conferida pela mídia de tino medieval.

REPARAÇÃO JÁ...!!!









sexta-feira, 14 de outubro de 2016

E por falar em racismo, eugenias e infâmias, voltemos ao Instituto de Educação Clélia Nanci...

Nestes dias de correrias e exaustão em que se transformou o nosso tempo fugaz contemporâneo, vivemos na velocidade das urgências de produção impostas pela elite mundial. Esse pensamento me tomou, literalmente, de assalto, enquanto zapeava pela Netflix e vi um filme chamado “Detenção” que deteve de imediato a minha atenção.

O filme em questão filme, que narra a experiência real de um grupo de homens, que foram pagos para atuarem como guardas e prisioneiros; mostra que alguns não estavam atuando. Na experiência real, foi analisado e constatado até que ponto o ser humano, dito normal; é capaz de chegar, quando é colocado numa determinada situação de poder.

Recorro a esse episódio; que de tão impressionante, se transformou em filme; para ilustrar a repetição deste fenômeno nas escolas públicas brazilleiras. Neste momento, tomo como exemplo a escola em eu que exerço o magistério há 19 anos; uma escola de formação de professores que, como tantas outras, também passa por um cotidiano de cortes de verbas, cortes de professores, cortes de disciplinas e cortes de tempos de aulas que fazem parte da rotina de docentes e discentes, num fatídico cenário onde essas mazelas são agravadas pelo Estado de exceção imposto pela ditadura democrática tupiniquim tipo exportação.

Falo do Instituto de Educação Clélia Nanci, no Município de São Gonçalo, Rio de janeiro; onde, não mais que de repente, eu me vi frente a uma alva colega de trabalho; uma querida pessoa branca que, por hora administra a escola, exercendo a função de diretora da citada unidade; durante uma frustrante tentativa de me fazer cumprir as novas regras ditadas pela secretaria de educação, mostra o seu descontentamento e fidelidade as regras de forma irascível e desnecessária, uma vez que decidiu tomar como pessoal, a minha tentativa de legítima defesa frente as desditas ditadas pela ditadura do vigente Sistema Penal Educativo.

Lamentavelmente, esta pessoa, se dizendo autoridade; mesmo não lhe cabendo nenhuma gerência direta sobre o fazer pedagógico do professor; tenta me dissuadir do meu programa de aulas; programa este previsto e aceito pela mesma unidade escolar em questão; usando para isso, a infundada justificativa de que “as coisas mudaram...” e “não é mais assim...” e que eu deveria refazer um novo projeto de aulas, mesmo estando já entrando no último bimestre de aulas.

Como tais imposições soavam ridiculamente descabidas e despropositadas; naturalmente, qualquer ser pensante iria de imediato questionar as tais “novas medidas”. Mesmo sendo eu, um profissional do ensino, tentando dialogar, afirmando que minha postura naquele momento, não representava necessariamente, de forma alguma, algo pessoal, esta representante do governo na escola; Falo da diretora em questão, que decidiu tomar minha postura como uma afronta considerando-a como algo pessoal. e desse modo, elevando rispidamente o tom de voz, de forma autoritária e infantil, apelou para sua pretensa autoridade sobre o professorado, generalescamente exigindo, “que fosse cumprida a ordem dada” incondicionalmente, sem admitir, quaisquer argumentos ou posição contrárias as citadas “novas regras”.

O que me causou espécie, foi a dissociação cognitiva exibida com garbosidade por esta querida pessoa branca, diante da desconstrução dos argumentos por ela apresentada; argumentos pífios; uma falácia justificada sobre pomposas camadas de “novas regras”.

Diante dessa violência verbal e dos constrangimentos sofridos naquele momento inquisidor; esse episódio que, naturalmente não tinha nada haver com minha condição de militante das causas negras, e nem como causa a cor de minha negra cútis, sendo então caracterizado como mais um mero e natural episódio de Assédio Moral, que de repente, tomou volume e a forma de um cruel monstro golpista.

Eu, me vi neste momento, saindo do gabinete da “autoridade escolar”, deixando a verdade nua desfilar pelos corredores da escola, exibindo-se desse modo, sem a mínima pudicidade; assim mesmo; de forma extrema e desavergonhadamente despida o horrendo monstro de uma verdade hermafrodita. 

Ato contínuo, esta terrível verdade nua, deveria imediatamente, em nome dos bons costumes da elite, ser adequadamente vestida com as “novas regras”, como aquela tarja preta. que tem a função de esconder as partes pudentes e desnudas dessa verdade crua; pois só assim, o equilíbrio das forças pendentes retornaria para o lado SERTO podendo retomar seu pódio, controlando enfim, as rédeas de seu feudo.

Dessa forma, transcorreu mais um capítulo de opressão no dia-a-dia do professor; dia este, que foi devidamente travestido, maquiado e naturalizado, retornando ao lugar comum da cultura de violências e humilhações, aonde o profissional de educação procura criar e desenvolve intrincados mecanismos de tolerância a tais vilipêndios nosso de cada dia, para poder sobreviver as dissimulações desse pseudo Estado democrático de direitos, criando assim, a falsa sensação do dever cumprido, uma vez que cumprida as regras...

Essa mesma escola, que já esteve nas mídias em consequência de episódios do crimes de racismo, agora me convoca e me ameaça com sanções, exigindo que eu explique essa minha absurda tentativa de legítima defesa, contra esse processo epistemológico de morte em preto e branco, que faz parte do processo de holocausto do Povo Negro; e foi assim que, sendo eu um professor e militante negro, além de ativista contra os crimes advindos da prática do racismo e dos direitos humanos, me tornei o alvo preferido desse ninho sob a árvore no paraíso desse Édem, que floresceu no interior da caverna de Platão.


Como no Brazil, as convicções fazem as vezes das provas, e sendo o crime de racismo tipificado como crime de cifra. Ou seja, é o único crime em que efetivamente  a figura do criminoso é inexistente, sabemos enfim, o veredicto desse processo infame e sabemos também, o único modo de agir nessas condições e situações hediondas a que somos submetidos diariamente, como militantes negros e  ativista pela causa dos direitos humanos...

Tenho ciência de que não faço parte, e nem sou figurante de um filme da NETFLIX; e a certeza de que vivo, em preto e vermelho, a cruel realidade de um cidadão da cor de uma noite sem lua, nesta educativa Detenção de portas abertas...Que comecem os jogos e que a sorte estejam com vocês...!!




domingo, 9 de outubro de 2016

The Lie We Live

domingo, 25 de setembro de 2016

A identidade brazilleira com Passaporte para o limbo...

O conceito de Nação: do latim natio (nascido), pode ser definido como aquela comunidade que possuí sua língua e território próprios, além de possuir em comum, a mesma cultura e os mesmos costumes; formando desse modo, um Povo; que vem a ser o conjunto de indivíduos que constitui essa nação. O Estado deve sair, ou ser constituído, a partir da nação, e nunca ao contrário.

População é o conceito utilizado pela geografia e pela sociologia para se referir a um grupo de indivíduos; incluindo, além dos natos e os naturalizados, os estrangeiros e os apátridas; circunscritos a um determinado espaço, num dado tempo; é um termo usado como análise de referência demográfica. O termo povo, referindo-se aos natos e naturalizados, é utilizado pela história, referindo-se especificamente aos cidadãos. Ou seja, as pessoas que gozam de direitos plenos. Esses, são os termos que nos classificam com a tarja taxionômica das ciências sócias.

Na primeira constituição brasileira, que se deu em 1824, foi construída a ideia de povo, a partir da definição do perfil ideal do cidadão brasileiro, e uma vez definido tal perfil, definiu-se também quem deveria ter o privilégio de fazer parte do povo dessa nação brazilleira que surgia retumbante entre o céu e o azul do mar profundo. Dessa maneira, já se elimina de primeira o negro, o indígena e a mulher, que sempre foram coisificados pelo elemento eurocêntrico. Desse modo, a república, em sua despudorada sanha pelo poder, passou a intensificar a desumanização do que, e de quem não era espelho.

Assim, a elite brasileira, se curvando servilmente a européia, copiando tudo que vinha do estrangeiro como modelo fiel para si, em sua saga sangrenta de, também parecer poderosa; ensejou violentamente um Estado branco; e, na contramão do humanismo, construiu uma nação uniétnica, baseada na monocultura e no saber único como saber universal; dando assim, continuidade ao genocídio do povo indígena e africano. Dessa maneira, a política da eugenia foi posta em prática, sendo indubitavelmente, a única política brazilleira que foi aplicada com mais eficácia e competência até os dias de hoje em toda a história do Brasil.

Esse empenho fenomenal, se deu através do incremento da importação das teorias racistas, tendo os iluministas franceses como porta-voz dessa infâmia; principalmente uma figura muito chegada a D. Pedro, o Conde Gobineau, um dos mentores da hierarquização das raças, sem mencionar também os religiosos norte-americanos que pregavam com fervor, propagando aos quatro ventos a permissão divina a escravização dos negros africanos. Mesmo que Antonin Fermin, um pensador negro haitiano, já tivesse desconstruído a teoria da hierarquização das raças contradizendo o conde Gobineau. Mas, como uma mentira repetida torna-se verdade, até hoje, esta verdadeira mentira permanece produzindo, e mantendo, a segregação racial e a divisão da sociedade em castas.

Do mesmo modo, que a perfídia nos bastidores, que sustentam as bases do capitalismo, tem como um de seus grandes musos inspiradores, o florentino Maquiavel, o perverso Willian linchy foi o ídolo imbatível dos cruéis coronéis escravocratas. Este ser, vindo das profundezas abissais do umbral, estabeleceu os métodos de controle dos escravizados que, como o capitalismo, perdura de maneira tremendamente eficaz até os dias de hoje; sem, absolutamente, nenhum sinal de desgaste por mínimo que seja. O método de Maquiavel, casado ao de Willian Linchy, estruturaram o nazismo, dando as bases ao fascismo contemporâneo que permanece bastante atuante, dando suporte a política democrática neoliberal.


Portanto, os menos de 1%, que fazem desse método, a sua religião; me refiro aos MAÇONS; dominam o mundo, sem necessitar esforçarem-se para isso, já que os próprios oprimidos, como incondicionais aliados desses pervertidos opressores, se esmeram para que esses continuem no topo da pirâmide social, tendo a divisão de raça e classe como a base desse golpe contra a humanidade. Ou seja, são os próprios oprimidos que concedem o poder aos opressores, cumprindo sua eterna servidão planejadamente patológica como legado de Linchy.







quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Vamos escurecer um assunto claro...!!


Olha pro teu rabo, seu MACACO...!!... 

NEGUINHO é foda...!!.

..Vou te colocar na minha lista NEGRA...!! 

Não venha DENEGRIR  a minha imagem...!! 

Isso é coisa de PRETO...!! ... A coisa tá PRETA...!! A peste é negra...!!

Nosso vocabulário tupiniquim é basicamente, um vocabulário racista; nossos vocábulos imposto pelos colonizadores, de tão naturalmente esdrúxulo, passou a ser cultural. Exemplo claro disso, foi quando passamos a classificar as comunidades indígenas chamando-as de TRIBO, chamando os indígenas pejorativamente de ÍNDIOS; taxamos os ESCRAVIZADOS africanos de ESCRAVOS; nos referimos a MAIORIA,  que são as mulheres e homens negros brasileiros, classificando-os como MINORIA, e por ai vai...

Fazemos isso de forma tão natural e com tamanha maestria, sem mencionar o requinte de crueldade e de perversidade em que se dão essas ações, que de tão naturalizadas, se tornaram BRINCADEIRAS. Ainda mas, quando se trata de negros, visto que os inúmeros defensores que surgem, para proteger aqueles que cometem essas ações absurdas, que acabam traduzindo o absurdo número de racistas voluntários que se apresentam de forma peremptória, com toda a convicção do mundo, mesmo em face das provas expostas. Como estamos num país onde a inversão de valores é a regra, as provas se diluem em face das convicções racistas de plantão, que segundo Nietzsche, a maior inimiga da verdade é justamente a CONVICÇÃO.

Esse crime, o crime de racismo, se transformou num lugar-comum, tornando-se fato tão natural quanto foi natural a INQUISIÇÃO na idade média, quando todos iam pras ruas, para assistir o espetáculo dos supliciados sendo assassinados da forma mais cruel possível pela divina e celestial IGREJA, agradecendo por não ser a bola da vez; o RACISMO se tornou tão natural, como é natural ainda existir, como partido político, os criminosos da Ku Krux Klan, enquanto os PANTERAS NEGRAS cumprem prisão perpétua; tão natural como é natural o nosso povo Negro aparecer nos livros didáticos descritos como ESCRAVOS, e tendo a sua história resumida ao instituto da escravização.

Como diria Prof. Munanga, é o crime mais perfeito que já existiu até hoje, visto que é o único crime para o qual não se tem um criminoso; na justiça brazilleira poderíamos tipificá-lo como CRIME DE CIFRÃO. 

E assim caminha a desumanidade; os racistas de hoje, são como os ratos da idade média de ontem; eles se multiplicam a cada impunidade, devorando, corroendo e transformando a peste BUBÔNICA  em PESTE BRANCA.

E desse modo, a simples presença de uma pessoa preta no recinto, torna-se motivo de incômodo de maneiras diversas e controversas, fazendo com que a zona de conforto das queridas pessoas brancas sejam abaladas e postas a prova. Dessa maneira, qualquer quadro de desiquilíbrio psicológico, patológico ou de quaisquer naturezas, que essa querida pessoa  que se considera branca, venha a apresentar; fará com que quaisquer alvos de cor preto, uma vez identificado, se torne o objeto de sua catarse, aonde essa pessoa vai descarregar todas as sua frustrações, ódios latentes e absolutamente todas as suas infelicidades.

Afinal, a pele negra é uma bandeira que representa uma diversidade de mundos e possibilidades trazidos junto com o químico humanizante chamada melanina, que lhe faz ser quem é; já que esse químico não se reduz a cor pele ou a cor dos olhos de uma pessoa, mas a todo o seu metabolismo, desde os sentidos até a formação completa corporal e cerebral que faz dele SER HUMANO.

Auto-defesa, legítima defesa ou quaisquer tipos de Defesa contra o racismo, ainda não existe no Brazil, visto que, vai ser um delegado branco que decidirá se um negro foi ou não vítima de racismo. O resultado vem sempre da convicção desse delegado que não faz a mínima ideia do que é ser vítima de racismo. Naturalmente, a maioria das queridas pessoas brancas estarão a posto para contestar e servir de testemunha, afirmando com convicção, mesmo em face das provas e das testemunhas, que o neguinho não passa de um VITIMISTA, um coitado, um ninguém. 

Quando se trata de racismo, o veredicto é invariavelmente cruel para a vítima, que terá, a partir desse malgrado evento, desse fato criminoso, um fator desencadeante de inúmeros problemas físico, psicológico, e certamente, no caso de uma criança, também afetará o seu cognitivo; enquanto o inocente réu recebe a solidariedade de seus pares, e dos cúmplices desse ato naturalmente cruel e repugnante em que se transformou tal crime de autoria de um sujeito oculto e indeterminado.









sábado, 17 de setembro de 2016

A carne mais barata do planeta é a carne preta

Minha terra tem palmeiras onde um negro chorará; os escravos que aqui morrem já sofreram acolá. Nossos morros têm mais pobres, nossas ruas mais horrores, nossos órfãos tem mais ira, nessa vida de impostores...
Se sair a rua à noite só a morte encontra lá; nessa Terra tem palmeiras onde um negro chorará...

Minha terra tem impostores qu’em Vênus n’entrará, se eu sair à rua à noite mais cadáver encontra lá; nessa Terra tem palmeiras onde um negro chorará...
Me permita Deus a morte, pra que eu não volte para lá; pra qu’eu não veja esses horrores quando Iemanjá me abraçar; pra qu’inda só aviste as palmeiras sem um corpo (negro) pra velar.”
Pois é... Essa é minha terra; Terra do ouro de Mallboro1, na zona norte tem a via da morte, e a zona sul, não é só mar azul. A zona oeste é inconteste; Zona oeste é faroeste.

Na Linha Amarela o Comando é Vermelho, e na Linha Vermelha, tem os amigos dos amigos. Enquanto a Linha verde é desmatada em todas as noites em que as luzes da favela se confundem com as estrelas no negrume noturno do eclípse lunar.

As Balas encravadas nos muros e paredes são os diamantes cravejados nos anéis das madames e dos burgueses.

Rio sem brio, sem teto e com frio. Padre cacófato em cenas insanas de cismas sinistros. Rio, de braços abertos na blitz bandida civil e militar. Rio jagunço, que desarma o homem comum armando o burguês sem medo da punidade; “penas”... Pra que te quero!!!???

Rio, braços abertos para o amigo-urso. Rio branco, não da paz, mas da raça racista. Rio, vermelho de raiva e do fogo dos canos dos revólveres; do sangue que corre nas vicinais e principais.

Rio, negro, escravo de si mesmo. Morro palestino, asfalto TELa VIVa; invasão ou ocupação!!!??? Preocupação com a ação da cidadania virtual. Vivo Rio, morte carioca!! Viver sem vida, sem teto e com brio é sina na cena do carioca sem gema, mas... Às claras. Pão...!!?? Nem com açúcar... É pavê na TV a mesa com fartura de espaço vazio; vazio de vida, de respeito e dignidade. Mas todos sorriem, pois estão sendo filmados pelo “grande irmão”; por isso mostram seu sorriso vazio, contrastando com sua negra pele e saltitantes olheiras, neste Rio sem rima nem ritmo, mas com muita bossa burguesa e mulata à milanesa. Tá servido!!??

Rio que morre de raiva, a míngua enquanto a mata atlântica dança atropelada na Avenida “Brazil” por caminhões de empreiteiros contratados a peso de ouro pelo prefeito que constrói sua casa de campo na calada da noite, sobre o cedro, casa do mico-leão-dourado.

Nossa casa é o chão de estrelas, chão ocupado pela cannabis sativa, ativa e nativa que desarma o espírito e engatilha a doze na cara do cara careta. Rio 40 graus, bonito, charmoso, bombado e suado, desfilando pelo calçadão, subindo as escadarias do Christ e descendo a lapa de bondinho até o telesférico do Sugar Loaf; e cheio de graça e beleza vai gingando pela Avenida Atlântica, sob olhares ávidos de espectadores dos big brothers.

Viva... Rio! Não morra... Ainda!! Nem me mate! Pois Sou oriundo de Angola, uma favela perto da faixa de Gaza, bem longe de Xerém, onde o som dos tambores, cavaquinho, gonguês e agogôs se misturam com o som dos projeteis das PTs, em contraponto aos cantos banto do samba de mesa.

Sou um mulato-pardo-bem-pretinho-quase-negro; enfim, um empretecido, armado de violão pendurado nas costas, cavaquinho nas mãos e da palavra cantada na garganta que viaja entre os fartos lábios; espaço geográfico da antiga cantiga do capão; acompanhado de atabaque, pandeiro e berimbau. Desvio-me do capitão-do-mato; aquele homem chamado pelo editorial do jornal de “embaixador da paz”; caminho, lutando em busca da igualdade de ser gente, sendo de cor diferente.

As linhas que delimitam mapas, separando países e mundo, uso para montar meu instrumento e cantar idiomas arcanos e profanos dos arcanjos africanos, no Rio ou em Belém, em Casa Blanca ou em Dresdén.

Quanto a mim, crioulo de cara preta, sigo a palo seco pela aridez desse lotado deserto urbano; este meio-ambiente morto e enterrado pelo etnocentrismo antropofágico desumano dos que se consideram seres humanos.

Não preciso estar no mundo da lua para perceber que a terra azul se transformou num mar vermelho, sem trilha, nem rumo de retorno, para escapar do abismo interior.

Nem as lágrimas dos arrependimentos misturadas as lágrimas dos crocodilos conseguem fazer cessar o brotar de vidas secas, regadas pela sede de viver fora desse jardim de fosseis urbanos.

Nesse Oásis de pensamentos jurássicos, extinguiu toda a sana da chama terna da vida coletiva da pequena cidade grande. Agora a aridez das emoções faz brotar espinhos nos músculos anabolizados de Cupido ariano, fazendo os yuppes saírem das cavernas pútridas da modernidade virtual para a crueldade do mundo real, desmascarados e completamente nus.

“Foi o Rio que passou na minha vida, e meu coração se deixou levar...” E assim mais um cogumelo atômico é servido à Via Láctea, nossa Via de mão dupla transversal.

Hiroshima é aqui, Nagasak é ali, quanto ao Haiti...Não sei, morri...Sentindo o baque d’uma bala nas costas, enquanto olhava um carro alegórico atravessando a Sapucaí!!! Enquanto eu me acabava, a guerra começava... booommm!!!

Descobri tarde demais que, as antenas das Tvs irradiam pensamentos que são captados pelo bom cidadão, transmitidos em forma de risos de plásticos diversão, eram antenas protegidas pelo divino redentor de pedra, que abençoa as infindáveis filas de crioulos e crioulas perfilados, em ordem unida, a espera de uma chance de igualdade desigual.

O cristo, de costas para a periferia, e de frente para os indecentes, e que escraviza nossas vontades em seu nome, sempre observou, impassível, a crueza e o desvalor da vida vendida e iluminada por sua negra sombra de redentor.

Através das ditas antenas, podem-se ouvir o soar dos sinos e o rufar dos tambores anunciando a aproximação de novos tumbeiros que adentram a Baía de todos os santos da Guanabara.

Antenas que choram lágrimas de crocodilos extintos do Rio de Fevereiro, revelando sob as águas de Março, os submersos túmulos dos amores-próprios. Assim se revela a favela da cor da tia Ciata, que arrebata Onze Praças morro acima, e depois de gentrificada, é derrubada de seu Castelo morro abaixo.

Morro alto que vira asfalto negro, com cabelos de piche, pisado, e maltratado pela estupidez racional do animal que reside na inconsciência da besta humana.

O cristo incrustado na pedra comemora o natal de todos os dias, medindo de mãos abertas, a bofetada pesada explodida na face crioula escancarada, desdentada e escachada; aparecendo na foto do cartão postal, o natal tropical em pose fetal, ilustrando a campanha pelo preto aborto social.

Assim, a liberdade negra é condenada à prisão preventiva sem perdão presidencial, enquanto a felicidade preta é apreendida no corredor da morte; ambas, a liberdade e a felicidade, agonizam na fila de espera, aguardando a esperança ariana vestida de branco, enfrentar o anjo negro da morte, transformando noites de prantos em dias de santos...

1 Marca famosa de cigarro nos anos 80 em que a propaganda se passava no velho Oeste americano.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O golpe de Estado e o Povo Negro na geografia política Brazilleira


Desde o surgimento da República Federativa do Brazill, que surgiu como resposta à monarquia reinante, esta forma de governo estabelecida em nosso país sobre o verniz democrático adestrador, vem tentando; a exemplo de Hitler; arianizar nosso país, domesticando seus povos.

Observando esse processo formativo, podemos afirmar que temos uma tradição incontestável no que se refere a prática de golpe de Estado, visto que o próprio Brazill nasceu de um golpe e se formou na ilegalidade. Dessa maneira, os golpes Sul americanos seguem a tradição do sangue e da violência, como forma de legalidade usurpadora legal, grafadas nas entrelinhas linhas dos decretos-lei.

Os portugueses instauram o sistema do golpe de Estado nas terras tupiniquins, a partir da fabricação de montanhas de cadáveres autóctones das diversas nações indígenas que aqui habitavam; tendo a igreja como franqueadora e embaixadora das mortes e torturas, com os requintes de indizíveis crueldades importados da Europa das trevas, visto que a igreja brazilleira não tinha um Las Casas1.

Seguindo sua sanha predadora, os ensandecidos europeus, habituados à violência gratuíta2 e indiscriminada em nome de Deus, aplicaram também o golpe nos povos melanodérmicos, iniciando dessa maneira, a grande imigração forçada dos povos africanos para as Américas; num processo denominado como infame comércio, como ficou conhecido o tráfico de seres humanos através do oceano Atlântico, o grande Calunga. Sendo essa a segunda Diáspora dos povos africanos pelo mundo.

Sendo assim, o solo brazilleiro passou a ser habitado por três etnias: o povo originário. Ou seja, os indígenas; Os povos africanos, chamados de imigrantes nu, sendo a maior imigração forçada de que se tem notícia na história do mundo; e os imigrantes europeus, cujo grupo populacional era composto por uma escória européia; além de ladrões e assassinos, vieram todos os indesejados3 da coroa portuguesa.

Após esse novo golpe branco, elles4, inovando em sua insidiosidade, deram o golpe em si mesmo, trocando a monarquia pela república. Ou seja, elles que eram brancos se entediam; diferente dos negros, que mesmo sendo, e sempre foram, os sujeitos da história; sendo os responsáveis pelos rumos do país, desde o momento em que todas as revoluções e todas as mudanças que aconteceram em solo tupiniquim, foram promovidas pelos negros. Mas, infelizmente, assim como os indígenas, os negros nunca participaram do poder, no que se refere a gerência do Estado brasileiro.

Dessa maneira, das três etnias a habitar o Brasil, a população branca, desde sempre, detiveram o poder em nosso país. Ou seja, a minoria branca sempre decidiu a sorte da grande maioria, controlando o povo negro através do medo instalado pela violência e pelo terror, usando para isso, inicialmente os bandeirantes e os capitães-do-mato, depois a polícia, a legislação, o sistema judiciário e os militares; e o mais eficiente de todos, e também o mais perverso e insidioso de todos, a MÍDIA. Afinal, quem domina a cultura de um povo, domina também os destinos desse povo.

Os eurodescendentes estão nas pontas de todas as decisões, de absolutamente todas as instâncias: é o delegado branco que decide se o branco cometeu racismo ou injúria racial; é um juiz branco que decide se o crime de ódio foi, ou não foi crime; é o advogado branco que finge defender o negro diante do tribunal branco; é o psicólogo branco que vai tratar do Vitimismo depressivo do negro, que vai tratar da síndrome de pânico, da pressão alta5 ou diabetes; é o médico branco que vai “tratar” das feridas do negro que ousou trocar o auto de resistência pela legítima defesa; e na ponta disso tudo, está o policial negro domesticado pelo Sistema Branco de Segurança Nacional.

Desse modo, o racismo, responsável pela produção da classe dos desfavorecidos sociais, inauguram os chamados crimes de cifra negra, que são os crimes invisíveis, os crimes sem punições, pois os meliantes em questão, não são identificados. Podemos enquadrar o racismo nesta categoria, visto ser o único crime inafiançável e imprescritível em que, efetivamente, não existe a figura do criminoso; Ágatha Christie6 deve estar se revirando no túmulo de tanta frustração, visto ser esse o único crime de toda história, que ela não solucionaria nem com o prestimoso auxílio de Sherlocke Holmes7, por tratar-se de um crime onde todas as provas existem, mas não existe a convicção, por parte do julgadores, da ocorrência do citado crime.

Nos autos, poder-se-á ler, bailando zombeteiramente bem na superfície das entrelinhas, a afirmação de que o réu branco é que sofreu racismo reverso, e que o mesmo (branco) tendo um avô negro, teria o direito jurídico de apelar para sua afrodescendência; enquanto a vítima que sofreu o dolo, tendo a cútis cor de noite, não poderia, em nenhuma hipótese, apelar para a sua branquitude, mesmo tendo, da mesma forma que o réu cara-pálida, um avô branco; correndo o risco de parecer ridículo e ser motivo de piadas infames.

Dessa maneira, a incidência e os efeitos do racismo, efetivamente vai recair sobre aquele que não tem seu representante nas esferas de poder. Ou seja, invariavelmente vai recair sobre o negro, sempre. Mesmo com tentativa do preto em tentar reproduzir a conduta branca, sendo racista. Para poder parecer-se com o branco, ele reproduz o comportamento desse mesmo branco; servindo desse modo, como capitão-do-mato, como advogado, como político, como juiz ou desembargador ou servindo em quaisquer profissões tutelada pelo branco. Ele, o preto, vai querer demonstrar sua gratidão a esse mesmo branco sendo o mais vil dos negros, na medida em que se volta contra seus próprios irmãos.

É desse modo que os negros vivem o seu exílio, num eterno Estado de exceção, sendo taxados de vitimistas pelos próprios negros que olham o mundo através do olhar branco, através dos olhos azuisia que ele tanto aprendeu a admirar, enquanto execra seu negro olhar. Mesmo com seu sorriso negro e com seu abraço negro, suas palavras brancas são desferidas como um afiado arpão, para, sem nenhum pesar, abater o irmão preto que caminha sobre os espinhos brancos do insidioso euro racismo.

E assim como Judas, que caminhava lado a lado com Jesus, o negro de visão branca, torna-se um pensador com cérebro de eunuco, sem tesão pelo desejo de libertação; e os crimes de cifrão, tornam-se cifras de uma canção repetida como sabatina, que violentamente vai se transformando nos cifrões que enchem os cofres da quadrilha branca republicana gerenciadoras dos quatro poderes tupiniquim da República Federativa do Brazill, enquanto os filhos desta Pátria que os pariu, sofrem o que for preciso nesse ninho da plutocracia vil, com as bençãos da MAÇONARIA.

1 Religioso católico que defendia os indígenas deixando caminho livre para que se mantivesse os negros como escravizados.
2 Vide idade média.
3 Dentre esses indesejáveis estava o poeta Bocage que incomodava bastante com seu modo desbocado de ser.
4 Referência ao Ex-presidente Fernando Collor de Melo.
5 Segundo testes realizados em pacientes negros com pressão alta, os remédios indicados não surtem efeitos sobre os mesmos; para esses pacientes, foi comprovado que a mudança de ambiente seria a única forma de reverter a doença, visto que o ambiente estressante ao qual ele é submetido é que desencadeia o quadro de enfermidade verificado. Ou seja,um ambiente livre de racismo seria a solução ideal para o paciente negro.
6 Uma das maiores escritoras de contos de mistérios e suspenses complicados.
7 O maior detetive do mundo; personagem criado pelo escritor inglês Sir Conan Doyle.
ia Referência ao documentário “olhos azuis”.