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domingo, 16 de junho de 2013

CELACANTO está chegando...!!

Quem está começando a viver agora. Ou seja, quem já passou dos 40 anos, diferente de quem vive agora, certamente deve lembrar-se desse monstro gigante destruidor chamado de CELACANTO, um dos mais terríveis monstros que povoavam os filmes asiáticos, mais especificamente do filme japonês cujo principal herói chama-se "ULTRAMAM". 

Pois bem, na nossa ditadura anterior, falo da ditadura militar e não da atual ditadura democrática, os manifestantes picharam toda a cidade com frases que diziam que "Celacanto vai chegar", "Celacanto está chegando", "Cuidado com o Celacanto", etc. O resultado disso é que a pouco tempo atrás foram descobertos documentos dessa ditadura constando que o Serviço de "inteligência" militar investigava intensamente para descobrir quem seria esse subversivo para que, obviamente pudesse provar da hospitalidade das torturas a la carte servida indiscriminadamente, não muito diferente de hoje,  em seus porões. Parece que as investigações, apesar de muito eficiente, não surtiram o desejado efeito, visto que até hoje o CELACANTO não foi capturado pela dita ditadura, a militar da citada época.

Hoje, nos atuais protestos por direitos humanos, tivemos o episódio do VINAGRE. Ao que parece, os atuais militares não querendo parecer tão idiotas como seus pares que investigaram o CELACANTO, para garantir, esses não investigam absolutamente nada: apreenderam o VINAGRE  e também prenderam o subversivo. 

Isso nos dá uma clara ideia de como pensa nossa democratura militar, se é que podemos falar em sinais de alguma forma de pensamento na conjuntura dessa  ordem unida de autorama. Nosso ministério público mantém seu sepulcral silêncio de ouro, enquanto as "autoridades constituintes" seguem seu exemplo de não interferir no curso desse crime contra a humanidade, assim como em nenhum momento intervém no curso do genocídio da população negra. 

A maioria esmagadora das revoltas que existiram em solo tupiniquim, foram capitaneadas pela população melanodérmica, e essa não é diferente. Isso explica a não interferência dos "representantes" políticos do povo nessa REVOLUÇÃO DO VINAGRE. Os militares justificam sua truculência explicando que estão cumprindo ordens, mas os que ordenam se mantém nas sobras, protegidos pela mídia que joga lenha na fogueira, instigando os buldogues e pitbulls armados e uniformizados a violência gratuita. Só que esse estímulo à violência saiu do controle quando a corrente da coleira se partiu nos confrontos populares na arena desse Grand Circo urbano.

Devemos reconhecer a extrema habilidade da mídia na estimulação e manipulação dessa violência, tentando da maneira mais excursa e perversa possível, invisibilizar essa REVOLUÇÃO Popular. Essa atitude indolente, própria da arrogância inerente a elite, procura desqualificar esse movimento através do exercício da truculência extrema, como em 64, só que desta vez não acontece mais nos porões, mas sim perversamente ao vivo e em preto e branco na tela da TV que tudo vê. Ela, a mídia, legitima a violência policial implantando o estado de exceção, definindo assim a dominação plena dessa elite civilizada que mantém a produção de sua riqueza através do terror policial e dos aparatos de segurança desse estado; é a redição de 64, quando a elite civil deu o golpe, mas não contaram com o descontrole sobre seus pitibulls uniformizados.


A revolta dos Malês, a Cabanada, a abolição popular, a revolta dos alfaiates, a revolta da chibata, a revolta da vacina, do vintém, Zumbi dos Palmares e agora a Revolta do VINAGRE; Tudo se resume a procura da vez e da voz negadas a todos aqueles que realmente produzem a riqueza dos bilionários nessa república das bananas e não mais de bananas. Parece que desta vez a mídia está perdendo seu poder de controle sobre as massas e o tiro saindo pela culatra. 
As flores de outrora não venceram os canhões, mas o VINAGRE  de hoje reescreve essa nova canção...
Os jovens saem do Facebook e as mulheres desligam a plim, plim para ganharem as ruas; Os trabalhadores param as máquinas para ganharem as ruas; os professores largam o giz para ganharem as ruas e juntos, os sons de todas as vozes ecoam sobre as propagandas fascistas desse governo de crimes;  A Irlanda revolucionária também está presente, mesmo que a mídia mundial guarde a sete chaves sua recente revolução onde todos os banqueiros foram para a prisão e todos os membros do governo expulsos de seus cargos. O vinagre era o tempero que faltava neste antro de fornicação e neo-religião; Vamos a revolução, esse vinagre é a solução na alquimia dessa geração Sem CELACANTO, mas com monstros que nos tem acuado em todo canto. Cantemos pois essa nova canção, para fazer dançar os donos da corrupção.




terça-feira, 11 de junho de 2013

LANÇAMENTO DO FILME: “KIBA” De: Israel de Oliveira Data: 18 de junho – Local: Mini-auditório - FFP/UERJ Horário: 18h

“No idioma bantu, a palavra KIBA significa pele; quando usamos a máxima “Ser e não Ser” em vez do dilema Shakespeariano do “ser ou não ser”, o fazemos de forma proposital descartado os extremos para focar no dualismo paradoxal da “democracia racial” tupiniquim.

A prisão estética contemporânea solidamente construída e legitimada pelos meios de comunicação, confina o ser humano fragmentando sua identidade e seu pertencimento, fazendo das bulas referências estética, estática e estatística.

A narrativa desvela a origem dessa imagem homogênea refletida pela mídia, descortinando os caminhos das descobertas da personagem, de si e de seu encontro consigo mesma, trazendo uma sutil reflexão relativa à construção de sua identidade"                                                                 (Israel de Oliveira).



             Organizadoras: Regina de Jesus e
                                       Inês Bragança
Núcleo de Pesquisa e Extensão:

“Vozes da Educação: Memórias e Histórias das Escolas de São Gonçalo”

Endereço: R. Dr. Francisco Portela, 1470 - Patronato  São Gonçalo, 24435-005
(21) 3705-2227

http://www.falaneguinha.comunidades.net/index.php

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Um viva para nossA linda, maravilhosa e deliciosa democracia racial tupiniquim...!!

Racismo velado...!?? O racismo só é velado para o indivíduo mal informado ou para aquele que se locupleta com esse legado. Velado, que eu saiba, é o corpo negro estendido no chão, levado pelo camburão e excluído em qualquer situação. 
Não existe racismo velado, visto que ele está até presente nos momentos mais ausentes, de maneira explícita, esdrúxula e escrota, como a coisa mais linda, mais cheia de graça. 

Ele, o racismo, não custa nada. está na TV em horário nobre e horário pobre. Está nas capas de revistas, nos brinquedos e livros infantis, na fábrica, no shopping, na rua, na cadeia, na igreja; Só dá um pit stop no motel, porque ninguém é de ferro.
O dia em que o racismo for velado, me chamem pro velório, pois eu quero cantar com paixão o Amazing grace e depois dançar salsa e lundu ao som do batuque e da capoeira, bem em cima de seu caixão.

Mas, apesar disso, o grande mistério que sempre existiu e ainda perdura na sociedade tupiniquim, é a não existência de racistas neste generoso solo brazilleiro, onde tudo que se planta dá. Pois é,  Brazill  é um país sem racistas, dai surgiu a nossa linda, poderosa e sedutora democracia racial. Já que aquele monte de estados unidos, que dizem ser um país, tem sua estátua da liberdade, por que nós, iríamos ficar para trás, com toda essa alforria a dar com paus. 


Essa foi a invenção mais geniosa da elite tupiniquim, que paralelamente, para garantir implantou a eugenia como uma das políticas públicas de branquitude mais eficiente já vista na história. Portanto, apesar de toda a violência e da imensa perversidade do racismo que grassa nessa sociedade acima de qualquer suspeita, nós não temos racistas; principalmente porque todos são iguais perante a lei, a despeito da lei ser diferente perante todos. Como tudo é branco na letra da lei preta, a caneta, assim como a pena áurea, resolve todo e qualquer caso de racismo de forma bem simples: não existe crime sem criminoso. Sendo assim, caso encerrado. Por isso, podemos afirmar que esse é um país que vai pra frente...plim, plim...!!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O ESPAÇO ESCOLAR E O SISTEMA TAYLORISTA NA CONSTRUÇÃO MARGINAL DO CORPO DISCENTE



O que dizer de um espaço criado para a formação plena de cidadãos críticos, que cultiva a cultura do mimetismo, transformando cada discente em indivíduos passivos, marginalizados e desprovidos de vontade própria? Pois essa tem sido a função da escola desde o golpe que instaurou a república em solo tupiniquim.

A escola vem pacificando os espíritos, adestrando corpos e domesticando vontades através da produção de verdades que protegem os privilégios e caprichos próprios das oligarquias dominantes. Esse processo está sendo tão vil como foi o trucidamento de Oito milhões de Congoleses, produzido pelo rei Leopoldo da Bélgica; deixando a estupidez praticada por Hitler contra os seis milhões de negros, ciganos, homo afetivos, testemunhas de Jeová e judeus em segundo plano em termos de crueldades e de quantidade, fato este que foi transformado em símbolo, tornando-se propriedade dos judeus, a partir do momento em que foi gravado e divulgado no calendário como episódio histórico-oficial judaico.



Essa violência neo-contemporânea exercida na escola sobre incautos discentes, vem tomando proporções de estado de calamidade pública, visto que ela está a produzir uma sociedade de zumbis hollywoodianos com requintes de estupidez, na medida em que faz dessas meninas e meninos, em sua esmagadora maioria afrodescendentes, reles instrumentos a serviço das elites.
A vontade desses novos cidadãos são vontades fornecidas pela cultura formatadora da/na escola, que faz com essa menina e esse menino acredite numa história oficial (desacreditando de sua própria história) que não é a sua, numa cultura que não lhe pertence, fazendo uso de livros contendo meias verdades pré-fabricadas e embaladas em vistosos e agradáveis discursos (não tão agradáveis assim...).



O conhecimento compartimentado, dividido em disciplinas desconexas, privilegiam o esquecimento fornecido pelo desinteresse provocado e retroalimentado por essas linhas paralelas e desconexas que nunca se entrelaçam; conhecimentos esses, baseados numa história desonesta e equivocada, para justamente reassegurar os interesses do mercado financeiro e do mundo dos negócios, controlados pela mesma elite que controla o mercado da educação e administrados pelas instituições oficiais.

É um processo que deixa uma indelével marca em sua clientela; marca que vai acompanhá-lo como aquele antigo cidadão eslavo que os romanos marcavam com uma tatuagem identificando-o como servo, (dai a origem da palavra escravo). Não é de se estranhar que os discentes carreguem essa marca implicitamente marcante e definidora de sua identidade, refletida principalmente em sua linguagem e sua postura; fato que inexoravelmente o define como servo contemporâneo do sistema capital.



O apartheid escolar e o capitalismo cognitivo são os dois principais pilares de sustentação dessa dramática conjuntura. A escola, como centro reprodutor de mentes dóceis e passivas renovada continuamente pelo espírito do anacronismo conservador, vem realizando esse trabalho sócio dicotômico com um tremendo esforço natural, normatizando em quadro branco com objetivos claros a sua missão. Seu tradicionalismo renega o espírito investigativo discente, e sem apresentar os desafios para uma vida melhor, ela apresenta o melhor da vida como promessa fugaz e longínqua de uma distante vida, em vez de uma realidade possível.

Praticando vorazmente o hepistemicídio, ela nega veementemente a policultura, quetizando a diversidade e universalizando o saber único. Assim se produz e hierarquiza saberes que padronizam; saberes homogeneizantes e controladores que dividem as classes de conhecimento (sociólogos, psicólogos, advogados, etc.) das classes populares. Implantando em cada menina e menino o sentimento de desvalor e a sensação da desesperança num possível futuro, na medida em que mostra o lugar que cada um deverá ocupar como indivíduo, em seu papel de ser social.

Esse espaço aonde a escola o coloca é o entre lugar, onde ele não encontra sua própria verdade como sujeito pensante, detentor de seu bem-querer. Portanto, sua identidade é uma coleção de máscaras ocasionais e indefinidas, fornecidas pela mídia; nossa escola paralela. Essa imersão midiática onde o indivíduo se engolfa tornou-se a haxixe mais usado por ele como antídoto ao anacronismo escolar, que o transforma num drogado digital, preso na teia assassina das tecnologias de informação e comunicação.



Agora como uma dócil presa, ele torna-se quase um androide, sujeito das verdades culturais pré-formatadas, preparadas especificamente para sua sobrevivência no mundo das platônicas cavernas digitais: “Ao preto o que foi do eslavo”. A epiderme transformada em marca, hierarquiza e qualifica (ou desqualifica) o indivíduo desde o primeiro instante de sua escolarização; É nesse momento que o discente é preparado pela escola para ser inserido no mundo fora da realidade de suas verdades hereditárias: O ritual de passagem se completa em cada conteúdo assimilado e a cada prova e teste realizados pelo neófito.


Portanto, aprendemos que a melhor democracia é a ditadura ditada na escola, do momento em que ela, a escola, adestra seu corpo discente a obedecer aos estatutos, a apresentar sua carteira de identidade ou caderneta escolar quando ordenado, a votar, a servir e morrer pelo seu país; Tudo isso cantando o hino nacional ao qual ele nunca aprendeu a letra. Na escola ele aprende que a igualdade existe mesmo que seja uma ilustre desconhecida e que, nesse caso as diferenças são impróprias e que por isso é ilegal ser diferente (no sentido próprio da palavra) visto que a igualdade é pregada na constituição como algo justo, e que a justiça precisa respeitar as diferenças: inferimos então que somos todos... Cidadãos iguais com justiça diferente (indiferente)...

 Agora temos uma sociedade que elege como representante um coronel que promove homicídio em massa dentro de um presídio, sendo condenado a 600 anos de prisão e não chegando nem perto de uma cadeia, trocando centenas de mortos no Carandiru por uma vaga no congresso nacional. Temos nossos quilombos urbanos, como o da Pequena África no Centro da cidade e o de Sacopã, no Leblon, zona sul do Rio de janeiro, pertencendo à descendentes de imigrantes europeus enquanto os descendentes de quilombolas estão sendo confinados às comunidades carentes de tudo, servindo como figurantes sociais, protagonizando grotescas atrações nas telas das TVs como única forma possível de inserção social.

  São esses marginais produzidos e cultivados pela escola, adestrados para acreditarem nas efemérides: abolição, princesa Isabel e Duques de alguma coisa, que elegem e se alijam acreditando que nesse destino predestinado contínuo. Discentes cultivados para aceitarem verdades pasteurizadas veiculadas pela mídia, e com data de validade de acordo com as conveniências financeiras do mercado de valores de ética aidética. 


https://fbstatic-a.akamaihd.net/rsrc.php/v2/y4/r/-PAXP-deijE.gifNa escola brazilleira podemos constatar que cerca de 60% do corpo docente contratado por cada novo prefeito, mantém uma relação servil com esses profissionais. Essa relação nociva se reflete pedagogicamente de forma pernóstica na relação entre discentes e profissionais de educação, que se tornam todos presas e reféns da política mercantil observada nas instituições de ensino. Essa hierarquia colonial cria um  entre lugar onde se formata e se estrutura a personalidade desse discente, a despeito dos mecanismos de sobrevivência criados por ele como defesa , cultivando a matriz cultural inserido pela escola, que lhe transmite esse vírus que imobiliza através dos currículos, impedindo esse indivíduo de tornar-se sujeito.

Essa conjuntura é mantida pelo governo, atendendo a lei maior do mercado (o lucro desmedido) e justificado pelas instituições, que em tese deveriam zelar pelo bem estar de sua nação. Esse tem sido o papel da escola na construção e estruturação de uma nação servil, com discentes candidatos a sub-figurante de pseudo-vice cidadão: nossos discentes são marginas que gozam satisfeitos com liberdade provisória conferida pelas efemérides aprendidas na escola e oficializados pela mídia, nossa escola paralela que legitima o pensamento colonial, escravocrata e oligárquico como uma inocente verdade natural e única. Nossa linha de produção Taylorista é a antiga novidade da revolução digital do momento, seguindo por mero acaso a didática ditada pela revolução industrial e  a filosofia racista dos pensadores iluministas. Como o Rei Leopoldo da Bélgica, a família Rothschild que o diga, afinal é família que fica com mais da metade do dinheiro corrente no mundo e que governa os meninos da Cia, exército norte-americano e FBI; que de acordo com seus interesses recomendou e comandou a invasão aos países Africanos; aqueles que a mídia acusou e responsabilizou da promoção do levante batizado pelo norte-americanos de Primavera "Árabe" e tudo mais, que nada mais foi do que uma tentativa do General Kadhafi de reunir os países africanos com uma moeda única, assim como fizeram os europeus; seria um evento terrível para a família Rothschild. 
Por isso a escola é necessária tanto quanto é necessária a universidade, mantendo a conjuntura desse grande cemitério urbano, com um coveiro-mor que se arvora dono de cada lápide e de cada cadáver, fazendo de cada ser um zumbi, sem vontade própria, raízes ou referências. Cada velório se transforma num acontecimento repetitivo e único de todos os dias de cada vida. Assim, a chacina naturalizada das mentes e de vontades tornaram-se lugar comum no cotidiano nas tela das TVs; a cada nova estréia, programas e atrações para nossa distração, para assistirmos no conforto dos recônditos de nosso tumbeiro.





"Suportar toda aquela dor, literalmente queimar minha carne só para fazer com que meus cabelos ficassem parecendo com os de um branco. Eu me juntava à multidão de homens e mulheres negras que sofreram uma lavagem cerebral tão grande até acreditarem que os negros são inferiores – e os brancos superiores – e que devem até mesmo violar e mutilar os corpos que Deus criou para tentar parecer 'bonitos' pelos padrões dos brancos. Assim como para qualquer mulher negra, digo ao homem negro que se dessem ao cérebro em sua cabeça só a metade da atenção que dão aos seus cabelos, estariam mil vezes mais humanos." (MALCOLM X)



quarta-feira, 13 de março de 2013

Disposições gerais acerca do latrocínio cognitivo contemporâneo



A causa-mortis do indivíduo na sociedade contemporânea é determinada pelo grau de sua carência cognitiva; carência consequente da antropofagia praticada pelos integrantes da classe do conhecimento, que promove e defende o capitalismo cognitivo.
A construção dessa conjuntura tétrica, tem suas bases fincadas principalmente no hepistemicídio melanodérmico; processo que se inicia com o sequestro e apropriação da produção cognitiva de sociedades ágrafas e de escritas, como as do Egito, Gana, Timbuctu e de povos autóctones, partindo do polêmico princípio de que os fins justificam os meios.
Portanto é natural que as universidades de pensamento eurocêntrico tendo como função primaz, licenciar e legitimar pensadores e doutores; tragam marcados em suas certificações, as manchas do sangue e do suor desses povos. Em contrapartida, essas mesmas nações sistematicamente roubadas e racistizadas, como forma de reconhecimento, recebem o rótulo de atrasados e selvagens que vivem em tribos e guetos.
A desqualificação contumaz a integrantes desses povos é lugar comum nas grandes metrópoles. O hepistemicídio melanodérmico e autóctone tornou-se uma prática inerente à permanência dessa conjuntura, onde o capitalismo cognitivo é o lugar em que gira a engrenagem da cultura que dosa, domestica e controla a autodeterminação do indivíduo.
Portanto, é onde se originam e são sustentadas as relações de poder; eliminando intelectualmente o indivíduo para manter-se a ordem no progresso capital. Usa-se do pretexto a beleza do cadáver como expediente para que o capitalismo não seja sepultado, substituindo-o assim, em seu esquife, pela ética e pelo bom-senso no velório final da sinapse humana.
Deste modo, as belas mentiras, camufladas de inocência, mantêm os mortos-vivos como atração principal na telinha da TV, alimentando cotidianamente os pseudoscidadão com generosas doses de carências cognitivas, através do vírus das falsas informações.
Assim, o homo eligens, aquele que escolhe, tem sua cabeça cortada no ritual de acefalia, realizado cotidianamente e com extrema maestria, pela mídia mandatária da elite financeira. São assassinatos naturais, com causa-mortis oficiais formatadas em gabinetes de políticos pelos empresários das elites financeiras de origem escravocrata, com as bênçãos da igreja fascista e o brinde final festejado com as taças da hipocrisia da classe média nacional; é assim que o show deve continuar... tá lá uma vontade estendida no chão... Lá se vai mais um cidadão boodstrap... Tem sua mente fiel que lhe mente satisfazendo suas vontades e fantasias; desviando assim seu olhar e evitando a desconcertante visão  do seu inferno público e seu demônio particular... Plim, plim...




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cidade Negra


Rio de Janeiro, foi e continua sendo o maior porto do infame mercado em todo o mundo. No processo do sequestro, conhecido academicamente como diáspora, de africanos e sua consequente escravização, durante o século XVIII, foi uma cidade toda negra com um punhado de brancos decidindo a sorte de milhares de não-branco, para atender caprichos e vicissitudes de um bando da elite européia e norte-americana. Qualquer viajante que chegasse ao Rio nessa ocasião, teria certeza absoluta de que haveria de ter desembarcado num dos 58 países do continente africano.

Todo esse contingente não-branco foi removido pelos governos, mandatários da elites financeira, e expurgados para rincões inóspitos, sendo que esse vil processo de expurgo continua ininterrupto. Antes, normatizados na forma da lei através da força policial; hoje, além da força policial, através da força das finanças representadas no poder da mídia.

A profecia do embranquecimento da república que se daria em 100 anos, segundo "respeitados" pensadores, intelectuais e cientistas brazilleiros de outrora, não se realizou dentro do prazo previsto, apesar da apelação através do grande auxílio oferecido e destinados a imigrantes alemães, italianos, franceses e todos os não-negros que desejassem terras, salários e as benesses do governo brazilleiro. 


Apesar dos poderosos esforços da elite para implementar o biocídio melanodérmico , a Negritude não se extinguiu como desejado. Portanto hoje, essa mesma elite apela para extinção propriamente dita, literal, através do extermínio do corpo e também da memória, usando a milícia e a mídia; polícia e TV: enquanto a mídia convence sem deixar marcas aparentes, a polícia passa a régua também sem deixar marcas muito visíveis ou provas extremamente incriminadoras; assim coloca-se a ordem no progresso da República dos Estados Unidos do Brazill.

Embranquecendo a história e a TV fazendo com que qualquer negro venha enlouquecer, pensando que está no lugar errado e com a cor errada, a polícia tem seu trabalho facilitado, visto que a massa negra nunca vai se incomodar com aquela pessoa de cor sendo exterminado a seu lado. O nível de loucura negra é tanta, que ele não mas possui a habilidade de estranhar, chegando até mesmo a rir das piadas contadas usadas perversamente para desqualifica-lo, pondo-o no lugar subalternizado, sendo imobilizado social e intelectualmente por todo esse contexto desestabilizador da consciência humana que oficializa o hepistemicídio melanodérmico.




A mulher e o homem de cor, perdem sua humanidade para si mesmo, a partir do momento que a perdem para os não-negros. Portanto, são naturalmente colocados, recolocados e alocados como objetos, de acordo com os caprichos de um grupelho feudal, no lugar e nos momentos convenientes ao infame comércio de gente, visto que sua humanidade não mais lhes pertencem, mas pertence a elite dominante, como sempre pertenceu. 

As tétricas experiências com habitantes de comunidades desfavorecidas são exemplos escandalosamente recorrentes, visto que são realizados a luz das câmeras, do sol e da lua, para qualquer ser pensante feudal pervertido que se delicie com a tortura de outrem, como outrora, possa atingir orgasmos múltiplos. Não conheço nenhum outro programa de reality show mais rentável que esse, que misturando sexo e violência como espetáculo em seu extremo. Disney fez isso nos Estados Unidos das Américas e a Warner Bros está fazendo isso aqui nos Estados Unidos do Brazill.


... Apesar de você, amanhã há de ter outro X e Malcons, outros e outras Panteras e Kahindes... Apesar do cativeiro ter sido transformado numa redoma de vidro trazendo a ilusão de liberdade, sem no entanto nos levar a atinar sobre as ofertas oferecidas que permanecerem, como uma mosca dentro do pote, envoltas nessa redoma invisível, não permitindo o acesso e uso dessa mesma liberdade, sem que possamos entender e perceber a existência dessa barreira: ... Mas ... Amanhã há de ser outro dia, um dia tão escuro como aquela noite que circula o vai e vem na Capoeira.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Mercado Negro



Está noite eu tive um sonho: sonhei que vi populações inteiras armazenadas em lugares destinados a mercadorias; todos estavam embalados numa espécie de sacos plásticos transparentes em duplas, trios e famílias quase inteiras e famílias em pedaços,  com preços afixados, códigos de barras e data de validade, além de um seletor onde se podia verificar, através de uma espécie de canal, ouvindo seus diálogos e discursos, a composição e o conteúdo pretendidos.


Assim, uma pequena parte dos que se encontravam desempacotados, os responsáveis pelos acondicionamentos e os compradores, passavam longo tempo escolhendo suas mercadorias, produtos-gentes, de acordo com suas especificidades, para recolocá-los nos devidos lugares em suas empresas ou residências, atendendo a suas necessidades e a seus caprichos.

Esse ritual era cuidadosamente realizado pelos atores que compunha esse sinistro episódio, parecendo que dele dependia sua escolha acertada ou equivocada. Assim, tudo era verificado minuciosamente; dos diálogos e discursos visto e ouvido, às diversidades dos tons e coloridos das epidermes apresentadas desses produtos-gentes. Era um momento tão especial, que muitas das vezes os desempacotados só se dirigiam aos mercados para degustar tal ritual somente, e nada mais, elegendo datas e mega eventos comemorativos com tal objetivo.


Eram inúmeros e distintos tais mercados e eventos, chegando a ter centenas de espaços especializados em tipos diferentes de pacotes em exposição produtos-gentes. Mercados que estudavam novas formas de acondicionamento, dividindo por gentes de ofícios e de discursos por grau de passividade e servilismo, habilidades e desempenho físico, etc. Assim, tais mercadorias eram mais facilmente negociadas nessas casas especializadas ou não, dependendo da destinação pretendida pelos desempacotados.


Tais pacotes de gentes, ficavam pendurados por ganchos em exposição permanentes, até a extinção do princípio ativo do conteúdo acondicionado, quando enfim, eram descartados rapidamente em seguida, pelas maneiras mais diversas e vil que se possa imaginar. Muitas das vezes, populações inteiras de produtos-gentes sofreram com processos de descartes sumários, de acordo com a conveniência do mercado, beneficiando assim, uma nova carga viva mais promissora aos rendimentos do monopólio do mercado de gentes. 

Ao final do dia, assim que pude, consegui fechar meus olhos e finalmente caí em sono profundo, indo dormir para acordar na única realidade escondida de meus pesadelos diurnos, frente aos shoppings de cada dia que nos dão hoje. assim, nem toda gritaria, corre-corre e agressões promovidas pelas "autoridades" em perseguição aos tabaréus, mercadorias-gente expurgadas do mercado (os sem-valia), conseguiram me impedir de dormir eternamente em meu berço esplêndido, ao som do mar e a luz do sol profundo, desse momento de descidas cotidianas a umbralidade humana; até que nasça o dia seguinte para me acordar outra vez na labuta, nesta imensa loja de departamentos em que a pós-modernidade transformou  nossa Afro "euro-civilização".