O ÚNICO
DIREITO DO HOMEM como pai e gerador, é a obrigação de pagar a P.A[1]. Isso
pelo simples motivo desse pai tratar-se de um homem preto, que foi devidamente
subalternizado econômica e socialmente, condição esta trazida pela
criminalização da pobreza e pela política oficializada a partir do violento apartheid
tupiniquim. Ou seja, ele é culturalmente desprovido social e racialmente; fato este
que ocorre com uma insignificante parcela de diferentes etnias.
Esse fato que
foi culturalmente banalizado depois de mitificado, como aquele mesmo fato da
mulher ser mãe que vem eclipsar a realidade dela ter as mesmas atitudes que
esse pai supostamente teria, visto que tratamos aqui de seres humanos. Mas bem
sabemos que a realidade de que o discurso do somos todos humanos só se encaixa bem, e é culturalmente melhor aceito,
quando se trata da questão racial. Ou seja, quando um negro reivindica a sua
negritude frente a um brancalóide qualquer; sendo ele um negro consciente de si e de
sua negritude, torna-se dessa maneira, um chato, visto que a sua percepção do apartheid moderno deixa de ser ocultado pelos discursos manipuladores do
cotidiano brancopofágico que continuamente lhe açoita a alma.
Esse
direito a não ter direito estipulado pelo homem-evangélico-branco-cis,
mais do que legitimar a instituição das hierarquias raciais e de gênero, além de instituir, também estimula a disputa entre os gêneros, ao passo que vai alimentando
as outras instituições sagradas dessa competição entre esses mesmos gêneros, em que
se tornaram os famigerados institutos sócio-político-cultural do patriarcalismo e do
feminismo.
Um dos
mecanismos usados para controle e subalternização do homem negro por essa pseudo justiça, chama-se guarda compartilhada, que aparentemente funciona de forma perfeita quando se trata de
atender a casais eurocentrados. Visto que neste caso, a demanda é imediatamente
solucionada e atendida em todos os seus conformes.
É notório o
fato de que vivemos numa conjuntura de criminalização do pobre e da pobreza a
partir da formatação de uma sociedade dirigida por People White inescrupulosas que vivem dos lucros de juros e moras
produzidos a partir de factoides econômicos criados por banqueiros, imposto por
economistas e legitimado pela mídia.
Quem está
fora dessa ciranda financeira torna-se refém econômico, jurídico e social. Ou
seja, a população que compõe a massa preta brasileira, tornou-se uma massa de
manobra servil e dócil nessa caótica conjuntura pós-abolição que transformou liberdade em produto.
Sendo assim, a liberdade como princípio humano básico, como um dos produtos do Capitalismo Racial, fez da própria justiça um produto mercadológico, da mesma
forma que a Liberdade, a Fraternidade e a Igualdade eram vendidas ao mundo pela
propaganda do imperialismo francês, enquanto os mesmos, em paralelo, legitimavam
o infame comércio, o tráfico negreiro, como principal fonte de lucros que os tiraram,
como população White, de sua idade
Black.
Sendo
assim, os juristas White que formataram e praticam a justiça com base em seus hediondos
caprichos e em causa própria, indolentemente adornadas com ironias e arrogâncias, assim como seus
antepassados nomeavam os navios negreiros; e hoje eles nomeiam as operações-espetáculos da Polícia Federal
com a mesma jocosidade e zombaria habitual, enquanto fazem uso dessa massa negra
como peças de um jogo divertido onde a arrogância provinda de hierarquias obtusas e abusos despropositados,
para confirmar e legitimar a todo o momento, provando e comprovando o poder de controle sobre essa
disforme massa desinformada, mal informada e pseudo informada.
Desse modo,
o direito a não ter direito é o que resta para um pai preto, produto cultural, reproduzido nesse jogo de Reis, Rainhas e peões que lutam entre si e consigo mesmo, a
partir de regras leoninas e feneratícias estipuladas pelos White People que assistem impassíveis ao ranger de dentes e ao
verter das lágrimas de sangue que jorram na arena desse circo chamado White Societ.
Esse cenário
dantesco é uma paródia burlesca da idade média, numa conjuntura onde o Estado, em uníssono com a religião, representava a nobreza usando os militares para
massacrar a população e brincar de deus em nome do próprio deus.
Quem sempre esteve e continua
no extremo da lança desse robótico soldado, esse capitão-do-mato que tortura, humilha e mata, é o
homem negro e tudo mais que representar ou lembrar seu domínio como ser fundador da
geração humana sobre o planeta terra.
Dos tiros
na cara preta das estátuas egípcias dado por Napoleão, as centenas de milhares de corpos pretos sem
vida estendidos pelo chão, as P.A. se tornaram um refinado instrumento de tortura que
corrói lentamente de dentro para fora o coração, fazendo da vida um exercitar repetido da ação de se jogar uma pá de cal diuturnamente nos sentimentos assassinados a cada dia que o sol se põe, para renascer sua
morte em vida na manhã seguinte, e assim, sucessivamente, desde Sísifu[2]
a Osíris[3].
Esta é a sina do preto pai que planteia a si próprio em sua casa-túmulo dessa
cidade-cemitério sobre o escárnio de um juiz White e a sanha do ódio seletivo culturalmente estabelecido pela mídia ao determinar o preto como um marginal perfeito.
[1]
Preceitua
de forma mais explícita, o artigo 1695 do Código Civil: "São devidos os alimentos
quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu
trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode
fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento".
[2]
Era um mestre da malícia e dos truques, segundo a mitologia grega, era o mais
esperto e bem sucedido ladrão da Grécia foi também considerado um dos maiores
ofensores dos Deuses, quando despertou a fúria de Zeus que enviou Tânatos para leva-lo
para o reino subterrâneo, mas Sísifo o enganou, aprisionando a morte, driblando
o futuro e impedindo que morresse quem quer que fosse, arrumando assim, uma
grande confusão com Hades, o deus da morte; e com Ares, o deus da guerra. Depois
de enganar a morte pela segunda vez e morrer de velhice, chegando a eternidade
conduzido por Hermes, foi condenado a levar uma pedra de mármore até o cume de
uma montanha quando quase chegando ao topo, a pedra rolava até o ponto de
partida montanha abaixo.
[3]
Filho de Geb, Deusa da terra, e Nut, Deus do céu; Osíris é o Deus da mitologia
egípcia, esposo de Ísis, Deusa-mãe do amor e da magia, que gerou a Hórus Deus do céu,
formando assim, uma Tríade. Representado pelo Sol, Osíris era o responsável
pelo julgamento dos mortos; no Tribunal de Osíris, era pesado o coração dos
morto para ver se merecia uma vida além. Após ser morto por seu irmão Seth,
passou a ser representado pela lua em seu eterno percurso de morte e
ressurreição.

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