Ainda bem que a vida não é um
filme hollywoodiano com final feliz, pois se assim fosse, ela sempre teria
final no final. Ou seja, acabou o filme, acabou a vida e tudo mais vai perdendo
seu brilho e seu sentido, visto que seria um eterno mais do mesmo. Sendo assim,
o que importa não seria o astro vivenciar todas as peripécias e perigos e no
final encontrar a vitória, já que ela, a vitória, é tão certa nos finais felizes
como o sol e se põe todos os dias e nasce em todas as manhãs. Poderíamos dizer
que esta é uma paráfrase do poeta falando sobre a utopia; dizendo que ela, a
utopia, não foi feita para ser alcançada, mas sim, para ser cotidianamente
perseguida nos levando sempre em direção ao azimute.
Diferente dessa definição relativa
a utopia, o filme sempre acaba, e no final, procuramos por outro filme e mais
outros filmes; mas os filmes sempre vão acabar e nós vamos sempre procurar por
outros filmes; por isso a vida nunca será um filme; Pois se assim fosse, a vida
perderia sentido de ser vida. Então o que procuramos não é somente um final
feliz, como diria o comovedor filme intitulado “a procura da felicidade”, com final feliz obviamente; visto que
procuramos a felicidade não como um final, mas como
um meio. Ou seja, um estado
de ser e de viver permanentes.
Desse modo, temos duas escolhas:
podemos viver buscando a felicidade ou ser
feliz. E como qualquer criança, podemos brincar
de ser feliz ou
viver numa
eterna busca da felicidade. Ou seja,
viver o filme ou buscar pelo filme de nossa vida. Isso talvez evitasse que tomássemos
atitudes insanas, como a de tentar adiantar as cenas da vida que a gente
prefere não viver, e passar por esses episódios com o semblante leve de quem
conhece o sensacional final desse espetáculo chamado de vida. Dessa maneira,
podemos fazer um contrato conosco mesmo, de ter sempre recomeços felizes em vez de Finais Felizes.
De qualquer forma, qualquer final
pode ser encarado como recomeço, se contiver a felicidade sem precisar ter
motivos. Afinal, é esse sentimento que faz com que a vida tenha seu sentido de
vida; já que a vida é o composto de uma endorfina quântica refinada produzida
pela ausência do medo de ser feliz.
Transformemos nossas vidas, de um
filme preto e branco, para um filme colorido, diverso e includente de outras
vidas que se somam e se convertam, com seus mais de 70 tons de pretos, sobre
esse planeta azul; tons tão valiosos como a cor do ouro que dorme sobre o solo
verde no final do Arco-da-velha que produz e reproduz vidas variadas, variantes
e vibrantes em suas sete cores. O espetáculo da vida é nosso, sem pão nem circo
para quem protagoniza a si mesmo.
Por isso a vida exige que
tenhamos Objetivo como primeiro e
último item, para que ela possa ter sentido. Primeiro e último item porque o
objetivo em si só não basta, pois no caminho em direção a esse objetivo
necessitamos agir de uma forma Fluída,
sem a rigidez militar da disciplina espartana, visto que a Flexibilidade vem a seguir como outro item precioso dessa busca, para
que tenhamos a certeza de que os tropeços e obstáculos são problemas temporários.
Isto é, o problema nunca foi realmente o problema, mas sim, a forma como se
lida com tais problemas para que ele deixe de ser problema. Portanto, a Aceitação e a Adaptação a quaisquer momentos desconfortantes, farão com que as
nossas forças não sejam minadas pelos dias nublados durante a rota traçada em
direção ao objetivo.
Dito isso, devemos ter a
percepção de que a vida, sendo feita de tempo, não há razão para se Perder Tempo com questões desgastantes e desnecessárias que não venham somar as possibilidades de se atingir o objetivo
previsto; fato este que nos leva a necessidade de ter um Propósito nessa saga em busca do objetivo. Esse caminho ficará bem
mais leve e agradável a partir do momento em que deixarmos cair a petulante
máscara de juiz de todas as coisas,
julgando a tudo e a todos, perdendo tempo e se perdendo no objetivo de vida
traçado.
Portanto, a Simplicidade e a Prática
aliada ao discurso, são condições sine
qua non para que possamos absorver o que há de útil e descartar o que não
vem a somar nessa caminhada. Certamente será necessário eliminar o sinistro
monstro do Ego, que na verdade nada
mais é do que aquilo que mascara o medo travado em nosso peito que nos espreita
a todo o momento da vida. Dessa maneira, poderemos enfim protagonizar a nossa
história de vida sem medo de ser feliz.
Assim chegaremos ao que Fanon se referia em seu livro Pele Branca Máscara Negra, que decididamente
não se tratava da questão referente à Cultura Negra ou quiçá de uma suposta cultura
branca; mas sim, tratava da possibilidade de se chegar a uma Cultura Humanista.
Portanto, os pontos destacados
acima, como objetivo primeiro e último que condiciona a jornada humana, nada mais é do que a direção apontada para a iniciação na trilha da filosofia Ubuntu,
que vem na contramão da nefasta filosofia eurocêntrica dicotomizante de verdades,
quando esta se especializa em fragmentar as mesmas verdades através do maniqueismo instituído por seus
mitos fundantes, que transforma a cada Pessoa numa personagem de novela de época ao ditar seus hábitos e atitudes.
São esses mitos fundantes que vestem
a humanidade, e que transforma a vida num burlesco baile a fantasia com suas desnecessárias
máscaras de ocasião, numa eterna festa que sempre acaba no vazio de uma noite
escura, aonde se desenrolam as cenas sinistras da saga de uma vida passada num
filme em preto e branco. Quando se chega enfim, ao final do filme, já não é
mais possível retomar as partes perdidas no tempo da insensatez na entropia desse
tempo vivido sem propósito e objetivo. Ou seja, desprovido de sentido.
Enfim, perceberemos que tais
cenas eram dirigidas por terceiros, que ditavam convenientemente as nossas atitudes
e decisões em proveito próprio, ao rever o filme de nossa vida passado durante o
último suspiro da passagem. Então saberemos
que a vida não é um filme, mas sim, uma história; uma história que deveria ser
vivida, cantada, contada e recontada de diferentes formas e vozes diversas, sendo
revelada como o arco-celeste no pós-tempestade.

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