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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O Banquete


Alienígenas do Mundo Negro e do povoado branco que se encontrou em tempos díspares sobre a Terra Azul partilham o mesmo estômago, mas brigam ferozmente pela comida: Essa seria a narração de uma das páginas de um livro holográfico futurista, contando como os primeiros humanos, como ancestrais da população albina, transformaram o mundo azul numa sociedade humana, antes da chegada dos segundos que, ao contrário do povo melaninoso, precisaram passar por um longo período de idade das cavernas até poder chegar a partilhar esse mundo, fazendo dele, a casa de uma grande família; seria essa a Casa da família humana, que hoje o egocentrismo ariano-meritocrático transformou no pardieiro da Casagrande.

Uma vez que os humanos portadores de melanina, e os albínicos pseudo-humanos, foram hibridizados em momento dispares; o primeiro instante da humanidade, quando fora concedido ao homem negro um gene que o distinguiu dos animais classificados como irracionais, e muito mais tarde veio o segundo momento, quando esse gene do homem preto, foi transferido aos brancalóides através do processo da mestiçagem, momento este que também lhe foi concedida uma parcela de sua melanina, a feumelanina ou falsa melanina; fato este que transformou esse pontinho azul do universo numa referência da história Sideral.

Desde que esse evento mudou os rumos do Eternal Universo, os neófitos albinos, que foram civilizados e humanizados pelos portadores da melanina, transformando-os em arianos, eles tentam usurpar seus Mestres melaninosos a partir do instante em que assimilaram suas construções saberes civilizatórios, fazendo uso desse conhecimento através do belicismo, para fundamentar assim, uma política de perversão que lhes permitiram reescrever as origens desse universo, camuflando sobre grossas e sutis camadas de vernizes, tais escritos agora lidos como versões de históricas conquistas arianas. Foi desse modo, sobre os auspícios de tais perversões reescritas, recodificadas e legitimadas através de expedientes hediondos promovidos por essa população minoritária, que se desenvolveu o dogmático processo de usurpação e sequestro da história do mundo, além de todo seu processo de construção humana.

Essa é a conjuntura que contextualiza o atual estágio humano sobre o mundo azul, onde as forças nele agora contidas, como num tabuleiro de xadrez, se confrontam em constantes negociações, para sustentar sua sobrevivência através da hierarquia ariana instalada como política que escraviza, enquanto retira a humanidade do ser enquanto ser, para que essa mesma hierarquia possa sustentar-se.
Sendo assim, a cultura negra, uma vez sendo apropriada pelos albinos, uma vez arianos, fizeram uma miscelânea a partir de uma releitura processada e recodificada ocorrida após a invasão de Alexandre em solo africano; deu-se então finalmente a visibilidade a essa pseudo-civilização ariana; civilização esta que veio a se sustentar hierarquicamente pela força e pela violência extrema a fim de impor e padronizar a sua cultura que fora religiosamente entronizada através dos sacrifícios de sangrentos suplícios, olvidando e invisibilizando dessa forma, a sua matriz geradora.

Destarte, os afrodescendentes de hoje se sustentam sobre uma camada falsificada e falseada que lhes escravizam através de uma doutrina educacional e religiosa impositiva que os retém no cativeiro e os preparam para um jugo induzido como escolha própria. A expertise desse exercício reside no expediente de transformar o escravizado em seu próprio carcereiro; no prisioneiro que irá defender aguerridamente seus algozes, além de eleger e escolher instrumentos e métodos que irão melhor lhe torturar, legitimando e dando continuidade a esse interminável ciclo, que é exibido como espetáculo cotidiano nesse circo sadomasoquista em que se transformou o Mundo azul.

Afrontar as camadas manipuladoras dessa instituição Ariano-meritocrática é a maneira única de possibilidades de existência real que levará a uma independência legítima do indivíduo enquanto sujeito. Abolir esse espetáculo de horror promovido como passatempo que paralisa o relógio humano em seu solstício de consciência, seria o caminho para retomar o equinócio de uma cultura humanista, interrompida pela violência extrema do eurocentrismo, em sua saga nessa Terra que paira sobre a força sustentadora do mundo azul, nesse Universo infinito de Universos.


Os caminhos, traçados e percorridos por ambos, se encontraram há muito, na trilha da história humana. Agora, estão em via de se  ramificarem na maturidade trazida pelo tempo de vez; tempo este percebido através do amolengar dos frutos gerados pelas sementes disseminadas por essa história. O banquete está posto e será servido no equinócio de uma civilização terrena  e terráquea sedentas por equidade, e presentes a essa mesa frutificada pela visão dos olhares, sabores e sentidos trazidos pelas palavras que novamente se fazem verbo.

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