Alienígenas do Mundo Negro e do povoado branco que se encontrou em tempos
díspares sobre a Terra Azul partilham o mesmo estômago, mas brigam ferozmente
pela comida: Essa
seria a narração de uma das páginas de um livro holográfico futurista, contando
como os primeiros humanos, como ancestrais da população albina, transformaram o
mundo azul numa sociedade humana, antes da chegada dos segundos que, ao
contrário do povo melaninoso, precisaram passar por um longo período de idade
das cavernas até poder chegar a partilhar esse mundo, fazendo dele, a casa de
uma grande família; seria essa a Casa da família humana, que hoje o
egocentrismo ariano-meritocrático transformou no pardieiro da Casagrande.
Uma vez que os humanos portadores de
melanina, e os albínicos pseudo-humanos, foram hibridizados em momento dispares;
o primeiro instante da humanidade, quando fora concedido ao homem negro um gene
que o distinguiu dos animais classificados como irracionais, e muito mais tarde
veio o segundo momento, quando esse gene do homem preto, foi transferido aos
brancalóides através do processo da mestiçagem, momento este que também lhe foi
concedida uma parcela de sua melanina, a feumelanina ou falsa melanina; fato
este que transformou esse pontinho azul do universo numa referência da história
Sideral.
Desde que esse evento mudou os rumos
do Eternal Universo, os neófitos albinos, que foram civilizados e humanizados
pelos portadores da melanina, transformando-os em arianos, eles tentam usurpar seus
Mestres melaninosos a partir do instante em que assimilaram suas construções saberes
civilizatórios, fazendo uso desse conhecimento através do belicismo, para fundamentar
assim, uma política de perversão que lhes permitiram reescrever as origens
desse universo, camuflando sobre grossas e sutis camadas de vernizes, tais
escritos agora lidos como versões de históricas conquistas arianas. Foi desse
modo, sobre os auspícios de tais perversões reescritas, recodificadas e
legitimadas através de expedientes hediondos promovidos por essa população
minoritária, que se desenvolveu o dogmático processo de usurpação e sequestro da
história do mundo, além de todo seu processo de construção humana.
Essa é a conjuntura que contextualiza
o atual estágio humano sobre o mundo azul, onde as forças nele agora contidas,
como num tabuleiro de xadrez, se confrontam em constantes negociações, para
sustentar sua sobrevivência através da hierarquia ariana instalada como
política que escraviza, enquanto retira a humanidade do ser enquanto ser, para que
essa mesma hierarquia possa sustentar-se.
Sendo assim, a cultura negra, uma vez
sendo apropriada pelos albinos, uma vez arianos, fizeram uma miscelânea a
partir de uma releitura processada e recodificada ocorrida após a invasão de
Alexandre em solo africano; deu-se então finalmente a visibilidade a essa
pseudo-civilização ariana; civilização esta que veio a se sustentar
hierarquicamente pela força e pela violência extrema a fim de impor e
padronizar a sua cultura que fora religiosamente entronizada através dos
sacrifícios de sangrentos suplícios, olvidando e invisibilizando dessa forma, a
sua matriz geradora.
Destarte, os afrodescendentes de hoje
se sustentam sobre uma camada falsificada e falseada que lhes escravizam através
de uma doutrina educacional e religiosa impositiva que os retém no cativeiro e
os preparam para um jugo induzido como escolha própria. A expertise desse
exercício reside no expediente de transformar o escravizado em seu próprio
carcereiro; no prisioneiro que irá defender aguerridamente seus algozes, além
de eleger e escolher instrumentos e métodos que irão melhor lhe torturar, legitimando e dando continuidade a esse interminável
ciclo, que é exibido como espetáculo cotidiano nesse circo sadomasoquista em
que se transformou o Mundo azul.
Afrontar as camadas manipuladoras
dessa instituição Ariano-meritocrática é a maneira única de possibilidades de
existência real que levará a uma independência legítima do indivíduo enquanto
sujeito. Abolir esse espetáculo de horror promovido como passatempo que
paralisa o relógio humano em seu solstício de consciência, seria o caminho para
retomar o equinócio de uma cultura humanista, interrompida pela violência
extrema do eurocentrismo, em sua saga nessa Terra que paira sobre a força
sustentadora do mundo azul, nesse Universo infinito de Universos.
Os caminhos, traçados e percorridos
por ambos, se encontraram há muito, na trilha da história humana. Agora, estão
em via de se ramificarem na maturidade trazida pelo tempo de
vez; tempo este percebido através do amolengar dos frutos gerados
pelas sementes disseminadas por essa história. O banquete está posto e será
servido no equinócio de uma civilização terrena e terráquea sedentas por
equidade, e presentes a essa mesa frutificada pela visão dos olhares, sabores e
sentidos trazidos pelas palavras que novamente se fazem verbo.

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